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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Procura de identidade, propósito e pertença: Normal People (Sally Rooney)

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Embirro com modas, por isso não acredito logo nos grandes êxitos de vendas e de Goodreads. Costumo fazer um finca-pé insistente e certamente irracional no que toca aos bestsellers. Como refinada snob, orgulho-me de não acreditar nem à segunda, nem à terceira, às vezes nunca. Ainda por cima, tenho evitado ficção nos últimos tempos, porque simplesmente me sinto incapaz de pôr o nariz na vida doutras personagens, já tendo o suficiente no meu prato. No entanto, apesar da hesitação, mais cedo ou mais tarde dou o braço a torcer, principalmente quando pessoas em cujos gostos eu confio começam a falar muito bem dos ditos.

 

Aconteceu com Normal People, de Sally Rooney. Já andava com vontade de o ler, mas a procrastinação da leitura preliminar continuou, e continuou, e continuou. Até que a Rita falou bem dele no nosso último encontro Uma Dúzia de Livros, desmanchando todas as minhas muralhas anti-êxito de vendas. Pronto, está bem, dois dias depois já o tinha na mão, acabei de o ler em menos de 24 horas... Foi um deslumbramento imediato, uma urgência sôfrega, nem tive tempo de me aperceber o que tinha acontecido. Foi um fartote de chapadas e montanhas-russas, apenas comparável ao meu romance pirosão favorito One Day, e mesmo ao amigo de faca e alguidar, Love, Rosie. Ao longo dos anos, já tenho escrito sobre o primeiro e digo-vos: este Normal People é ainda melhor.

 

Porque não é só lamechice. Não é só sobre o desencontro de protagonistas antagónicos durante vários anos. É tanto, mas tanto mais do que uma história superficial sobre dois jovens adultos. Na verdade, mais do que isso, é uma história sobre assimetrias sociais, sobre as relações entre pares, entre famílias e entre a família, a procura de um propósito na vida, a procura da pertença e um lugar no mundo, a transição para a idade adulta e, enfim, é sobre o que significa (querer-se) ser normal. É sobre como a relação que temos com outras pessoas molda quem somos e em quem nos tornamos, para onde vamos, aquilo de que gostamos. Este livro pôs-me a pensar sobre todas essas variantes, condicionantes e temáticas na minha própria história pessoal e das pessoas que me rodeiam. Assim, sem dúvida que vale a pena ler ficção. 

 

Dito isto, o design do livro e a estrutura do romance podem fazê-lo parecer o corriqueiro young adult, mas não se deixem enganar pelas aparências. Tive de pousar o livro várias vezes, de tão incomodada que me sentia, debatendo-me simultaneamente com a vontade de ler mais um página, e outra, e outra. Não querendo brincar com as vossas expectativas, espero mesmo que gostem de ler Normal People, pelo menos metade daquilo que eu gostei. A autora Sally Rooney rendeu-me, fico a aguardar pela série, e em breve darei uma chance a Conversations with Friends.

a identidade de blogger

   Ao contrário da maioria das pessoas que escrevem em blogues, eu não tenho nenhum problema em assumir a minha identidade na blogosfera. Qualquer um tem acesso ao meu nome e nem sequer é preciso serem muito espertos para me atribuírem uma idade aproximada, analisando os temas que costumo abordar. Além disso, tenho deixado por aí as ligações para o meu perfil pessoal do Facebook e já muita gente me tem adicionado à conta do Procrastinar (mas voltarei a falar disso mais tarde). Família, amigos e colegas, gente com quem me relaciono no dia-a-dia, também conhecem o blogue, até porque não tenho pudor em publicitá-lo nas redes sociais. Sim, eu faço questão de lhe fazer referência publicamente.


   E vocês perguntam: porquê? Já me têm dito que não compreendem a minha opção, por ser demasiado arriscado tratar de assuntos pessoais na Internet sem ser por meio de um pseudónimo. Afinal, eu escrevo sobre pessoas e acontecimentos que me são próximos.


   Pois digo-vos que não é bem assim como vocês pensam. Se repararem, a partir do momento em que comecei a mostrar o meu nome, o nível de privacidade das minhas publicações tornou-se maior. Não me refiro a colocá-las em modo privado, mas sim ao tipo de coisas que escrevo. Há quase um ano, quando criei este espaço, costumava desabafar sobre emoções, frustrações e desamores, apesar de nunca indicar nomes específicos. O meu nível de maturidade na blogosfera, na altura, ainda era reduzido e, mesmo neste momento, não é o mais elevado, mas já consigo distinguir o que não deve do que pode ser escrito. Prefiro escrever sobre episódios banais que aconteçam, eventualmente, com pessoas que dêem autorização para serem mencionadas, sobre livros, música e filmes, sobre a escola e, claro, uma vez por outra, sobre assuntos mais íntimos, sem transgredir a barreira do aceitável (nesta categoria, incluem-se as ditas lamechices, está dito). É raro pôr-me a divagar sobre o quão gosto de indivíduo A ou B, se estou chateada com alguém, se estou apaixonada ou de coração partido (só de vez em quando, pronto). Não exponho mais do que o que contaria numa conversa casual com um colega ou desconhecido. Também não dou a cara em fotografias que não sejam a do perfil nem digo onde vivo ou estudo, pelo que poucos são os leitores que sabem ao certo quem sou.


   A propósito, gostaria de informar, igualmente, que vou remover a ligação ao meu Facebook pessoal. A ideia do blogue é exactamente, como tenho dito ao longo desta publicação, não colocar em evidência a minha identidade, portanto, dado andar a receber demasiados pedidos de amizade de leitores, é o que farei, tal como uma triagem a fundo dos meus "amigos" nas redes sociais. (Têm razão, eu sou daquele tipo de pessoa que, lá bem no fundo, é uma anti-social e uma maníaca da privacidade, cof, cof.) Peço desculpa a quem talvez venha a ferir os sentimentos (pronto, não encaremos a situação de uma maneira tão drástica, mas não fiquem zangados!), mas eu tenho uma página somente dedicada ao Procrastinar Também É Viver, a qual poderão adicionar  à la vonté, essa sim, e onde poderão deixar-me as vossas mensagens e coisas que tais.


 


   Não poderia terminar sem agradecer, mais uma vez, o apoio que tenho recebido e todo o feedback que me têm deixado. Vocês dão sentido ao que escrevo, sem dúvida. Nada pode deixar um blogger mais satisfeito do que saber que tem leitores assíduos e que não se coíbem de opinar e trocar galhardetes comigo.