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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Não é um bloqueio criativo, é a procrastinação!


Para escrevinhadores como eu, aqui fica este mapa que poderão consultar em caso de bloqueio criativo. Em último caso, se não o for e, mesmo assim, não conseguirem escrever, a vossa patologia é simplesmente procrastinação - está confirmado! E parem lá com isso, que a vida é curta (façam o que eu digo, não façam o que eu faço!).

a vaca com asas

Imaginem uma vaca com asas. O que é que vêem? Conseguem vê-la, sequer? Eu não sei se a vejo, se a imagino, se a defino numa imagem, mas tenho uma vaga ideia desta criatura.


É uma vaca malhada, com manchas pretas sobre manchas brancas - ou manchas brancas sobre manchas pretas. Do seu dorso saem duas asas minúsculas e brilhantes, que o peso da realidade impediria de suportarem um animal tão pesado, mas que, hipoteticamente, na minha dimensão imaginada, podem levar a vaquinha aos mais berdejantes prados do céu. Aparentam ser frágeis, quase quebradiças, como vidro de açúcar. São mais ficas do que o papel e fazem-se cobrir de escamas minúsculas do que os peixes mais minúsculos têm. 

A vaca olha o mundo através de dois olhos enormes e expressivos, escuros, ternos, alegres e transparentes, deixando ver a sua alma pura, lavada pelo orvalho que salpica a erva do seu almoço.

As suas patas assentam no solo húmido com uma segura firmeza de gente crescida, mas que pousam, fraternamente, lado a lado, com os pequenos bichos que vivem colados ao chão. Apesar da imponência do seu tamanho e estrutura, ela não deseja esmagá-los.

E, quando passa pelas outras vacas - aborrecidas, normais, entediantes vacas - não hesita em exibir a sua diferença. Ela tem asas, algo com que mais nenhuma pode sonhar! Se a olham de viés, cépticas e trocistas, a vaquinha continua o seu caminho, de focinho erguido em direcção ao infinito, porque ela é a especial. Ela é diferente e as diferenças é que fazem o mundo.


E agora? Já conseguem vê-la?

não sei como

   Reparei nisto ontem à noite, enquanto via um filme de animação na televisão.


   Nos desenhos animados, as personagens não têm medo de voar. Se uma vela mágica as leva a passear até às nuvens, até à lua, se for preciso, elas não gritam, não ficam enjoadas ou tontas.


   Se tal acontecesse na vida real, em primeiro lugar (em primeiro lugar, nem existiriam velas mágicas do tamanho de uma pessoa), as pessoas esperneariam, gritariam, fariam trinta por uma linha para que não as fizessem voar. Em segundo, não sairiam à rua de pijama, em pleno Inverno, com meio metro de neve a acumular-se nos passeios. Em terceiro lugar, em jeito de conclusão, não voariam em pijama, porque, devido à deslocação do ar, o mais certo seria queimarem a pele graças às baixas temperaturas ou, não sendo tão drástica, começarem a ter sintomas de hipotermia nos primeiros dez minutos.


 


   O que a imaginação permite...!