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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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O novo livro de Cristina Ferreira: do you speak English?

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A Cristina o que é de Cristina, mas a que custo?! Ontem, foi anunciado o novo livro de Cristina Ferreira, Falar (Inglês) é Fácil, um guia para aprender a língua inglesa criado em parceria com a Universidade de Cambridge.

 

Eu sei que falar não é fácil (caramba, eu é que sou a professora daqui!), até porque me faltaram palavras no momento em que li esta notícia. Confesso que me ocorreu um efémero e pouco eloquente "hein?!", mas depressa recuperei, prosseguindo para uma reflexão o mais articulada o possível sobre o que mais me choca neste caso.

 

Vejamos: Cristina Ferreira, figura pública de óbvia notoriedade em Portugal (quiçá, noutros países lusófonos), até poderia vender pisa-papéis. Tenho a certeza de que seria bem-sucedida nessa empreitada e que traria lucro aos seus parceiros. É de se lhe tirar o chapéu. Dito isto, não me surpreende que até a Universidade de Cambridge lhe proponha negócio; o que me surpreende é o que me parece ser a desadequação, falta de tacto, potencial desespero em vender/reproduzir e a perda da aura - vulgo autenticidade, tradição, essência - da "obra" cultural e mesmo da instituição envolvida (correndo o risco de também eu me tornar descabida ao referir Walter Benjamin).

 

O que eu quero dizer é que não me choca que Cristina Ferreira desse a cara por qualquer editora ou livro (se a mesma até tem uma revista...). Aplaudo-a de pé pelo seu empreendedorismo. Vejo-a claramente a representar quaisquer publicações relacionadas com os meios de comunicação, sobre blogues, um guia sobre linguagem corporal, gestão de carreira, métodos de interacção com o público, ou sobre etiqueta ou coaching.

 

Mas... Inglês?! E Cambridge...?! Alguém algum dia ouviu a Cristina Ferreira falar uma língua estrangeira? Qual a autoridade da apresentadora neste assunto? Que motivos, além da sua exposição mediática, justificam ou validam a sua actuação na área da educação e do ensino de línguas, enquanto uma das universidades mais antigas e respeitadas do mundo assina por baixo? E não digo que não vá vender que nem pãezinhos quentes, ainda por cima estando o Natal a chegar, mas admito-me desiludida com Cambridge. 

 

Claro que, nos negócios, é preferível ter a Cristina Ferreira (41 anos, célebre apresentadora cujo nome é reconhecido por milhões de pessoas) a jurar que falar Inglês é fácil, do que a Beatriz (23 anos, professora, anónima com 294 seguidores no Sapo + 327 no Instagram + 435 no Facebook), mas... mas... mas... 

 

Passo-vos agora a palavra, já que a mim só me ocorrem mais interrogações e conjunções coordenativas adversativas. Quando encontrar o livro, dar-lhe-ei uma vista de olhos. Qual a vossa opinião acerca do lançamento deste livro? 

Porque é que escrevo em português e inglês no Instagram?

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Na maioria das publicações no meu Instagram, escrevo em português e inglês. Às vezes, só escrevo em inglês. Às vezes, só em português. Tal como vai o meu Instagram, também vai a minha cabeça. É difícil escolher qual a melhor língua, para quem estou a escrever, o que quero expressar. A verdade é que os portugueses percebem inglês mais facilmente do que os meus amigos estrangeiros/tailandeses percebem português. No entanto, os portugueses são-me mais queridos, por isso custa-me deixar de escrever na nossa língua.

Em suma, escrevo em português e inglês nas minhas redes sociais, às vezes até em francês no Facebook, porque quero incluir todas as pessoas com quem me encontro em contacto, quero abarcar toda essa diversidade linguística que compõe a minha vida, quero encontrar um equilíbrio, um compromisso entre vários mundos. Será possível?

Aprender Inglês sem estudar?

 

Hoje em dia, saber o mínimo de Inglês já é um dado adquirido, ou que o deveria ser, principalmente para a minha geração. Nascemos com todos os recursos à mão, estivemos em contacto com a língua desde muito cedo, tenha sido na escola, na televisão, nos filmes, em palavras emprestadas ao Português... Quando vamos a uma entrevista de trabalho, já nem é só Inglês que temos de falar. É-nos pedido cada vez mais. Bem nos podemos safar!

 

Enquanto professora, gosto de partilhar a minha opinião sobre como aprender Inglês facilmente (ou outra língua não nativa qualquer).

Por exemplo, os meus alunos ficam muito parvos quando lhes digo que nunca senti necessidade de aprender Inglês a estudar. Logo eles, que estão a tirar a licenciatura em Língua Inglesa, gostariam de saber os meus truques. 

 

A questão é: não há truques. Há apenas hábitos. São pequenos gestos diários que fazem a diferença na aprendizagem duma língua. É uma repetição de gestos e pensamentos que valem mais do que mil aulas. Afinal, vamos ser sinceros: muitas vezes aprendemos melhor uma língua estrangeira fora da escola. Perguntem aos vossos pais, aos vossos amigos, aos vossos professores. Muitas vezes, o ensino formal das línguas funciona mais como um complemento. Eu própria aprendi os básicos a ver o Harry Potter e o Cálice de Fogo e respectivos conteúdos bónus vezes sem conta, depois de ter poupado as minhas mesadas até poder comprar o DVD. Ou a ver Crepúsculo. Ou a ler, devagarinho, até perceber quase tudo o que os livros tinham escrito.


Eu percebo a luta que é para muitas pessoas aprenderem línguas e a relutância em investir em aulas (porque, se os professores não forem dinâmicos, as aulas são uma seca prometida). De jovem professora para potenciais poliglotas independentes, aqui vão alguns hábitos para aprender Inglês sem estudar:

 

1. Não substituir as letras originais das músicas pelo linguarejar aleatório

Ouvir música regularmente faz parte da rotina diária de quase toda a gente. Desta forma, a primeira dica que vos deixo é tentarem decorar nem que seja o refrão dos hits do momento que mais passam na rádio ou que vocês ouvem nos vossos telemóveis enquanto vão para a escola ou para o trabalho. Uma vez que o refrão é reproduzido umas três ou quatro vezes em cada música, acabamos por não só cantarolar palavras aleatórias, mas sim a decorar expressões inteiras em Inglês (evitar aprender palavras soltas é um dos princípios mais importantes ao aprender qualquer língua).

 

2. Alterar a língua predefinida nos telemóveis, computadores e outros dispositivos electrónicos

Lá está, aprender Inglês sem estudar pode ser uma consequência natural de hábitos tão simples quanto este. De tanto ler "Clock", de tanto ler "Would you like to reboot your phone?", de tanto ler "low battery", de tanto ler "Your computer is installing a new update", certos padrões de frases vão encaixando a pouco e pouco na nossa mioleira (que é rija, mas nós somos mais).

 

3. Instalar o Pinterest para frases inspiradoras

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Parece-vos foleiro? A sério? Eu solidifiquei os meus conhecimentos de Inglês a ver Hannah Montana e a série dos Jonas Brothers em Inglês, antes de saírem em Portugal. Aos 21, estava já a ensinar Inglès na universidade (self-praising time, cough cough). Por esta altura, já deviam saber que NADA é foleiro. Cada um safa-se como pode e provavelmente muitos de nós adoram frases inspiradoras (ou pseudo), que soem a Pedro Chagas Freitas, mas que servem muito bem para o efeito de nos porem a sorrir. Ainda por cima, o conteúdo gramatical e a estrutura desta frases costuma ser simples. Start your day with a smile. Então pronto, uma frase do Pinterest por dia, não sabe o bem que lhe fazia! Depois é só procurem o significado de novas palavras e voilà!

 

4. Ir ao supermercado e procurar o nome dos produtos em Inglês

Quase todos os produtos do supermercao têm rótulos bilingues ou trilingues, o que torna muito fácil identificar relações como "arroz-rice-riz". Não sabem como se diz molho em Inglês? Olhem lá para o rótulo. É "sauce". E os valores nutricionais? ProteinsCarbohydrates. Vitamins. Ainda por cima, estas palavras estão sempre envolvidas num contexto específico, o que mais uma vez facilita a memorização.

 

5. Rever os vossos filmes e séries favoritos (ou leiam os livros) em Inglês que mais vos marcaram...

... e troquem as legendas em Português para legendas em Inglês. Vocês já conhecem a história. Muitas vezes já sabem certas passagens de cor e salteado. Agora, resta ir mais além e ver e ouvir tudo na língua original. 

 

 

De resto, não se deixem abalar pelo início lento. Não sejam duros convosco, sejam duros com o Inglês, persistam, comparem a vossa evolução ao fim dum mês e não de dois dias. Não tentem descobrir logo a diferença entre o past simple continuous e o present perfect, não abram gramáticas e manuais antes de se sentirem preparados para complementar a aprendizagem natural com outros materiais. Apenas... aproveitem a língua. Não façam por odiar o Inglês, que vos pode trazer tantas alegrias a longo prazo. Aprendam Inglês sem estudar, sem pressa, sem pressão e sem expectativas.

 

Boa sorte!

Exames, provas de ingresso, emprego e coisas que tais

Esta manhã deixou-me de rastos. Na verdade, bastaram ínfimos minutos para eu começar a repensar na minha vidinha.

A princípio, a consulta das pautas deixou-me bastante feliz. 19 a Francês e 17,3 a Inglês (de exame de equivalência à frequência!) foram o suficiente para me fazer dar uns pulinhos em cima da cama. O pior veio com a pauta de História A. Eu já devia saber que, quando a coisa corre mal, o resultado é bom, e que, quando a coisa corre bem, devo desconfiar. E eu não desconfiei, foi esse o meu problema. Acreditei que o professor corrector seria um santo caído do céu, acreditei que teria uma nota para lá de satisfatória - não tive, estava-se mesmo a ver. Ainda assim, estou bem ciente do que fiz, verifiquei os critérios e não consigo imaginar no que me terá influenciado de tal maneira a nota para que ela tenha "baixado" desde a expectativa de um 17 para um 13,7 real. Ou seja, além de ser uma nota absolutamente inviável para me candidatar a Ciências da Comunicação, ainda diminuiu o meu 16 de nota pré-exame na disciplina para um 15. Fiquei mais do que fula, choraminguei até não aguentar e desatar num pranto, maldisse tudo o que é Ministério da Educação e respectivas exigências, fiz trinta por uma linha.

 

E, depois, recompus-me. Existe sempre, a seguir a estes momentos, um outro de auto-clarificação em que uma pessoa conclui que há quem esteja em pior posição do que a sua. Eu tive positiva. Eu tenho a possibilidade de pedir uma reapreciação. Eu já entrei na minha segunda opção da faculdade - Línguas, Literaturas e Culturas - que só não é a primeira devido à maior taxa de empregabilidade e estágios de CC. Não chumbei a nada, tenho uma média de secundário muito boa e, além disso, ainda nem sei o que tive no exame de Português! Sinceramente, dada a surpresa de História A, recuso-me a fazer previsões, mas tenho de me mentalizar que, seja qual for o resultado obtido, entrarei num curso do meu agrado. Se quiser realmente ser jornalista, devo é enfiar-me no CENJOR, independentemente do curso de ensino superior em que entrar. Há que ser optimista!

 

Contudo, visto que, a seguir à tempestade, vem a bonança, começo a trabalhar já no dia 17, em Lisboa! Serei paga a recibos verdes mas, pelo menos, já conseguirei amealhar mais qualquer coisinha para ajudar às despesas da faculdade. Apesar de perder quase metade do meu salário em impostos, terei uma segurança acrescida no que toca a manter as condições necessárias para pagar as propinas e o transporte. Não sei se, em tempo de aulas, me aguentarei com o part-time, mas decidi não pensar nisso por enquanto. A minha função será ouvir mensagens áudio e passá-las para texto, o que não deve ser difícil, apenas aborrecido ao fim de algum tempo.

 

Agora, devo somente concentrar-me em fazer a segunda fase de Português (mesmo que a primeira fase me tenha corrido de feição, gosto de ter um plano B), começar a trabalhar e encaixar na cabeça que não voltarei a ter férias nos próximos tempos (por acaso, só me apercebi deste facto ao escrevê-lo... ai, minha nossa!).

For what concerns you, este blogue há-de sofrer as devidas consequências e eu só espero poder atenuá-las com a hora diária que passarei em transportes públicos. Aposto que nem irão reparar (cof, cof).

I speak English, but French aussi

Saber falar mais do que uma língua estrangeira é lixado. O meu avô era fluente em sete, veja-se lá! Eu "só" sei falar Inglês e Francês (com mais facilidade na escrita, diga-se de passagem) e meto as mãos pelos pés e os pés pelas mãos e a cabeça pelo traseiro e o traseiro pela cabeça, quanto mais... Sim, eu confundo-me assim tanto. Podia ser pior, mas também podia ser melhor. Tenho um nível C1 a Inglês e um B2 a Francês, pelo amor dos santinhos todos! Não era suposto hoje, durante o exame oral de equivalência à frequência de Inglês, começarem a sair-me aussis e pardonnez-moi e palavreado do género... ININTERRUPTAMENTE. Só me apetecia, em bom português, respingar um belo dum FONIX!. Azelha, eu. What else?

É o amor... (mas em português!)

Há qualquer coisa de muito dissimulado quando um português diz “I love you” a outro português. É como dizer “eu amo você”, mas ainda pior. Parece-me simplesmente que não faz sentido expressarmos os nossos sentimentos mais genuínos por meio de outra língua que não a nossa. Uma coisa é dizermos muitas expressões em inglês noutras conversas do dia-a-dia, por ser divertido e… sei lá. Totó. (You shall get my point!) Outra totalmente diferente é declararmos amor a alguém com um já muito gasto “I love you”, proferido por milhões de pessoas do pé para a mão, estampado em t-shirts comercializadas para turistas em todo o mundo (I love Lisbon! I love Portugal!), em bonés, malas, postais, publicações de Facebook…
Será que não nos chega o sincero “amo-te”, em bom português? Não será um “amo-te” ainda mais belo que quaisquer outras palavras, não soará ele tão humilde e curto, sem deixar de ser verdadeiro e sonante? Acrescentem-lhe um, dois, três pontos de exclamação e vejam se não fica maravilhoso: “amo-te!!!”. Haverá confissão mais bela de se ouvir ou de se ler? Mais um advérbio de modo, que há vários, e obteremos “amo-te muito!!!”, “amo-te bastante!!!”, ou até outras expressões lamechas como “amo-te daqui até à Lua, passando pelo Sol e voltando!!!”.
Para quê “i love you”? Nem o clássico do francês “je t’aime/je t’adore, mon amour!!!” bate o nosso “amo-te!!!”. Aposto que, tal como eu, vocês também acham o “ich liebe diech” (sem pontos de exclamação, assim em seco, como consta que são os alemães) demasiado rude para exprimir o que quer que seja, quanto mais amor!
E, tratando-se de chamar o “meu amor”, também prefiro que assim seja, pelo menos nas ocasiões mais sérias e cujo ambiente é mais sentimental, pedindo que se fale do fundo do coração (ei, que lamechice!), apesar de, por vezes, brincar um pouco com expressões inglesas e francesas (já que são as outras duas línguas que vou dominando).
Para descrever sentimentos, chega-me o português. Gosto mais assim!

Mission accomplished! (a publicação em que poderei empregar expressões inglesas ao desbarato sem ninguém se lembrar do "downsizing do lifestyle" da MRP)

Já recebi os resultados do exame do Cambridge Advanced English!


Depois de um blind date com uma examinadora inglesa com idade para ser minha avó, cujas características  pareciam naturalmente decorrentes da sua nacionalidade (tanto psicológicas como físicas), com um examinador igualmente inglês que me contabilizava a performance em absoluto silêncio e um examinando advogado com quem me emparelharam para o exercício oral (hum... this one sounded awful), 40 anos, a atirar para o chubby, but indeed polite as lawyers must be, consegui um Speaking aquém das capacidades que me pertencem quando não são 11 da manhã e me encontro perante tais figuras.
Tive um Use of English e um Listening abaixo da borderline e tal situação deixa-me claramente desapontada. Felizmente, essas competências do exame são, à semelhança do Reading, corrigidas por sistemas informáticos, pelo que ninguém sofreu com a trapalhada por mim respondida.
Mas, disparando na escala e superando as minhas mais altas expectativas, obtive um EXCEPTIONAL Writing do qual me orgulho imenso (*baba*), que foi assim a coisa mais deliciosa que me poderiam ter atribuído (a mim ou a qualquer examinando, claro está), afastando-me da mente os outros resultados menos positivos.

Balanço final: foram os 175€ (do meu bolso, fruto do meu trabalhinho na escrita, e de mais ninguém, *baba outra vez*) mais worth it desde sabe-se lá quando. Mission accomplished.
Agora que tenho este canudo, vamos lá tentar arranjar maneiras de o pôr a trabalhar em prol dos meus interesses. (Como quem diz, se conhecerem alguém que precise de explicações de Inglês, falem-lhe de mim.)

tenho exactamente uma semana para:


  • ler as últimas 36 páginas do Persuasão (Jane Austen);

  • ler as últimas 210 páginas do Memorial do Convento (José Saramago);

  • ler o Monte dos Vendavais (Emily Brontë);

  • ler o Bel-Ami (Guy de Maupassant);

  • fazer o trabalho de férias de História A;

  • acabar de escrever o artigo sobre o Verão no Campus para a Fórum Estudante;

  • ir entregar o Persuasão e o Monte dos Vendavais à biblioteca;

  • escrever, pelo menos, mais cinco textos e mais dez páginas do meu "projecto";

  • me ir inscrever para o Cambridge Advanced English ao British Council de Lisboa,

  • passar mais algum tempo livre com os meus amigos antes de as aulas começarem.