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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Uma entrevista "Sem Fronteiras" a Carlos Barros: emigração, famílias, bem-estar e muitos sonhos

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Uma das grandes alegrias de trabalhar por conta própria é poder fazer outras coisas que não... trabalhar. Os meus dias raramente são iguais, o que por vezes é assustador, e noutras é uma benção. Tenho tempo e, acima de tudo flexibilidade - tempo e flexibilidade para estudar e aprender, para planear projectos profissionais e outros não remunerados, para escrever no blog, para ler a meio do dia, para ir ter com amigos, para sonhar acordada, para levar a cabo o que ainda me dá mais prazer do que o meu trabalho (que, por acaso, é bastante agradável). Claro que há dias mais ocupados e caóticos do que outros, mas a possibilidade de outros dias de serendipidade deixa-me leve.

 


Então, na semana passada decidi entrevistar o Carlos Barros, um amigo-estrela-cronista-entrevistador-investigador (e excelente cozinheiro de lasanha vegetariana), a propósito do seu primeiro programa de televisão-Internet/projecto de voluntariado social. Fi-lo só porque sim, porque é tão bom elogiar os nossos, mostrar aos outros o que eles andam a fazer, porque idealmente seremos a média das pessoas que nos rodeiam, e eu ficaria satisfeita por ser só um bocadinho do que os meus amigos são. O produto não ficou perfeito, mas foi feito com boas intenções.

 

Já tenho divulgado alguns projectos do Carlos no blogue e nas redes sociais, nomeadamente como cronista no Jornal Económico e no P3, mas agora este programa, que se chama "Sem Fronteiras", acaba por ser uma extensão de tudo o que o Carlos estuda, aquilo que ele sente, aquilo que o emociona e que o move. Foi um projecto em que se envolveu durante as férias, em vez de estar a descansar das mil e uma tarefas que lhe enchem o dia-a-dia, e isso diz tudo.

 

O objectivo do programa "Sem Fronteiras" é dar voz a quem deixou Portugal à procura de melhores condições de vida, em busca doutros sonhos e doutros horizontes. Desta forma, no programa vamos assistir a entrevistas tocantes a emigrantes portugueses, sobre a sua vida lá fora, sobre as suas visitas a Portugal, sobre as suas famílias e, em geral, sobre as suas vidas. É de destacar que a investigação do doutoramento do Carlos se chama Famílias Pelo Mundo, concentrando-se na solidariedade intergeracional e relações familiares, pelo que não haverá ninguém melhor do que ele para este tipo de entrevista. 

 

Além disso, como bem sabem se já acompanham o blog há algum tempo, também eu vivi muito longe de Portugal durante quase dois anos, por isso temas relacionados com a emigração tocam-me de forma especial. Se eu vivi o que vivi e senti o que senti durante tão pouco tempo, nem consigo imaginar o que vive e sente quem se encontra indefinidamente num contexto tão desafiante quanto viver noutro país, cultura, realidade...

 

Saí um pouco do que tem sido o registo do blog, voltando a publicar um vídeo como cheguei a fazer há dois anos, mas espero apresentar-vos um projecto interessante - feito por uma pessoa interessante e de quem gosto muito, e por isso bastante especial. 

 

(Entrevista filmada n'A Sala, apenas um dos meus sítios favoritos em Lisboa!)

Onde encontrar fontes de motivação?

 

Encontrar fontes de motivação nem sempre é fácil para todos. Vejo isso pelos meus amigos, falo pela minha experiência pessoal e nada mais. Há quem seja mais exigente com as suas, outros que as encontram nos momentos mais simples do quotidiano.


Pessoalmente, acho que me fico pelo meio. Escapam-me muitas vezes aspectos da minha vida e do que vejo à minha volta que me deveriam inspirar mais. Eu sei que, quando ponho "pausa" e páro de andar dum lado para o outro, ou quando deixo de me fechar numa concha, há muito mais fontes de motivação e inspiração por aí.
No entanto, o que eu penso que mais me motiva é saber dar o valor certo à sorte - ou à falta de sorte, quando assim se proporciona - e conseguir sair da minha pessoa para olhar para a minha vida e pensar "tenho sido capaz de tanto, em tão pouco tempo, tenho tão bons amigos e uma família que me ajuda; tenho tantos projectos para o futuro; adoro o meu trabalho; nunca me faltou trabalho quando mais precisei".

 

A minha motivação principal é ter sempre projectos novos para cada dia da minha vida. Vivendo no estrangeiro, não é muito difícil encontrá-los, mas também é bastante fácil resguardarmo-nos numa zona de conforto com receio do desconhecido permanente. Quando refiro projectos, não quero dizer grandes feitos. Anteontem, decidi chamar um táxi-mota (muito comuns em Bangkok) para uma distância de quase 10 km, em hora de ponta (quem me conhece, sabe que só o facto de eu, medricas assumida, gostar de andar de mota já é "uma grande coisa"). Há uns dias, aceitei um trabalho temporário como professora da primária até ao final de Junho (sem formação, sem rede, sem ninguém conhecido para me ajudar). Todas as semanas, tento ir a um sítio que não conheço na cidade. A minha motivação vem da ausência de tédio. Vem da ansiedade que novos cenários me trazem. Vem do desconforto e de contrariar a rotina.

 

Outra fonte de motivação que me é querida é ser muito fácil COMUNICAR nesta época grandiosa que é o século XXI. Há muito de mau neste século, mas a mim fascinam-me mais as novas tecnologias e a quantidade de ferramentas para ENSINAR (que obviamente é inseparável da palavra COMUNICAR) a que temos acesso. Como professora (bem, como qualquer ser humano!), se assim desejar, posso dar aulas presencialmente na universidade, a grandes grupos, ou posso dar aulas privadas, com um ou dois alunos, posso dar aulas online, ou posso simplesmente carregar um vídeo no Youtube, ou posso vir aqui escrever no blogue, partilhar uma publicação no Facebook, escrever comentários infinitos noutras páginas na Internet, posso escrever e publicar um livro sem custos graças a ferramentas gratuitas virtuais... E todas estas experiências acabam por me ensinar o que nenhum professor poderia alguma vez ensinar a ninguém há vinte e dois anos, quando eu nasci - há tão pouco tempo. Sinto que as gerações vivas neste momento são do mais sortudo possível! O quanto podemos aprender, as pessoas com quem podemos falar, os sítios que podemos conhecer, as línguas a que temos acesso!

 

E vocês? O que vos inspira?

ai, eu...!

Ando a ouvir músicas lamechas em português (The Gift, Mesa, Hands on Approach) e, depois, dá-me esta imensa vontade assolapada de ir escrever coisas desinteressantes, como devaneios existenciais, completamente descabidos e sem sentido (aparentemente) para os corações alheios. A verdade é que inspiração de qualidade resulta sempre, no meu caso, em criações literárias emocionalmente profundas. Veremos como isto corre.

dois "likes"

   Se existe algo nesta vida que merece um "gosto", são os momentos de inspiração e os abraços sentidos.


 


   Sabe tão bem ter, de repente, uma brilhante ideia! Aquela sensação de entusiasmo eleva-nos a auto-estima. Sentimo-nos capazes de qualquer coisa e não descansamos enquanto o produto da nossa mente, do nosso espírito livre e criativo, não vê a luz do dia. É a melhor terapia que existe para um dia menos bom ou para quando nos sentimos em baixo, bem debaixo da fossa. De repente, vemos cor, vida, sol, estrelas... vemos tudo!


 



Blue Dove, de Picasso


 


   E aqueles abraços que nos confortam para o resto da eternidade...? Ou assim pensamos nós, bem apertadinhos nos braços de quem nos quer bem. O amor parece indestrutível, não é verdade? Tornamo-nos indestrutíveis, inatingíveis, jamais intocáveis pelos males que nos rodeiam! Inspiramos e sentimos o aroma que nos tolda os sentidos, rendendo-nos ao seu maravilhoso efeito. Ludibriante, não é? O nosso nariz enterrado nas roupas, no peito ou na pequena covinha entre o ombro e o pescoço do nosso protector... Poderíamos permanecer assim até ao fim dos nossos dias.