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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Sobre criar e consumir: Marketing de Conteúdo - a moeda do século XXI (Rafael Rez)

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Apesar de ter parcialmente pago as propinas da licenciatura ao fazer trabalhos para uma agência de marketing digital, na produção de conteúdos que apareciam em blogs de empresas e personalidades, acho que só no último ano me tenho apercebido de todo o processo envolvido antes, depois e à volta dos ditos posts que eu já escrevo há alguns anos, pessoal e profissionalmente. Não se tratava apenas dum número estabelecido de regras de SEO e copywriting. Comecei a perceber a articulação com as redes sociais, o storytelling, os links afiliados, as estatísticas do analytics... Todo esse aparato fez-me sentir muito curiosa e comecei a procurar mais informação sobre o marketing de conteúdo.


Desde o fim de 2018 que andava a completar a certificação online em Marketing Digital do Atelier Digital Google. Durante as últimas semanas, finalmente deixei de o arrastar e passei a progredir um pouco todos os dias no curso. Então, descobri que, apesar de eu já ter uma noção bastante boa do que se passa na Internet e como funcionam os respectivos algoritmos e mecanismos, ainda não tinha consolidado todas essas impressões numa narrativa coesa que gerasse conhecimento propriamente dito.


Pelo meio, decidi comprar Marketing de Conteúdo - a moeda do século XXI, escrito pelo especialista brasileiro Rafael Rez. Em primeiro lugar, o livro está escrito duma forma muito clara e realmente útil. Depois, toda a paginação e restantes aspectos de design (sobre os quais não percebo nada, mas que me chamam sempre a atenção) constituíram o argumento final.


Para quem é este Marketing de Conteúdo?
Bem, eu não sou extremamente entendida no assunto, mas acho que é sempre útil perceber o outro lado do mercado. Ser uma parte passiva e desinformada no processo de venda (ou produção) e consumo não é para mim. Faço questão de saber o que se está a passar na Internet, já que ando por aqui tanto tempo por dia e alguns dos meus projectos pessoais e profissionais passam pelo seu uso.

 

Não acho que tenhamos de ter em vista tornarmo-nos criadores de conteúdo online para nos informarmos. Se concordam, talvez devam dar uma vista de olhos a este livro. Ainda por cima, há resumos no final de cada capítulo e muitas vezes o texto é apresentado em bullet points, o que facilita a compreensão. Se só alguns temas acerca do marketing de conteúdo vos interessam, também podem consultar o índice para melhor gerirem a vossa leitura.


Marketing de Conteúdo de Rafael Rez é um excelente convite à reflexão relativamente às mudanças que se estão a operar nos negócios por esse mundo fora. Qual é a empresa ou empreendedor individual que não tem um site, blog, página de Facebook ou de Instagram? Então, mais vale saber como fazê-lo de forma a aproveitar os recursos para tornar o negócio presente e relevante para os consumidores e potenciais clientes, que cada vez mais procuram soluções na Internet para os seus problemas ou necessidades.


O resto não me cabe a mim desvendar, até porque há tanto para escrever. Este livro é um manual irrepreensível, quer para criadores, quer para consumidores de conteúdo. Nem todos os tópicos me interessaram da mesma forma, mas sinto que, em conjunto com o curso em Princípios de Marketing Digital do Atelier Digital Google (que já terminei, aproveitando para recomendar a todos os curiosos!), o livro Marketing de Conteúdo contribuiu para a minha actualização de conhecimentos e para começar a experimentá-los em novos projectos. 

 

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E vocês, o que andam a ler ultimamente? Este tema do marketing digital interessa-vos ou preferem outro tipo de leitura? 📚

A leitura na era digital: Reader, Come Home (Maryanne Wolf)

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Comecei a ler Reader, Come Home - The Reading Brain in a Digital World (da investigadora Maryanne Wolf) no âmbito das minhas incursões recentes à literatura sobre cognição e a forma como o cérebro lê - ou seja, como nós, seres humanos, lemos. Eis a minha opinião e o resumo das ideias sobre este livro que me encheu as medidas.

 

Mais uma vez, o cérebro. A literacia digital e em papel. O conceito empatia, que tem alcançado algum destaque ultimamente, na academia e fora dela. A leitura (uma invenção cultural e para a qual o cérebro dos homens nem sequer nasce preparado) como meio de tornar as crianças de hoje em dia e dos próximos anos em cidadãos responsáveis, informados e críticos.


Maryanne Wolf tem dedicado a sua carreira académica a estudar o cérebro e a influência da leitura a nível neurológico, em termos interiores e exteriores. Afinal, mudanças causadas pelo exterior ao interior também provocam consequências exteriores. E por aí fora. A criação de hábitos de leitura sólidos desde cedo promove o desenvolvimento da inteligência, da memória, da atenção e do sentido crítico.


No entanto, este seu livro mais recente, Reader, Come Home, é mais um "sinal dos tempos", concentrando-se na passagem da leitura em papel, mais paciente e prolongada, para a leitura digital, facilmente interrompida pelas distrações doutras fontes ou mesmo que estão presentes em recursos do próprio texto (como os e-books para crianças ou até notícias online com hiperligações e pop-ups).

 

Nesta era digital, a própria autora deu por si a debater-se contra a sua incapacidade de apreciar os livros da sua infância e juventude, clássicos da literatura que moldaram a sua vida, mas que agora se apresentavam como obstáculos intransponíveis. Maryanne Wolf tinha perdido a capacidade de se concentrar em leituras mais desafiantes, que lhe pediam paciência e perseverança. Então, tanto a própria autora, quanto o "leitor" que ela interpela, são convidados a regressar à "casa" ou ao "lar" que é a leitura prazerosa, imersiva e prolongada que nos retira deste mundo. Certamente que todos nós que gostamos de ler desde pequenos nos lembramos de ser engolidos por um livro e, provavelmente, ainda hoje guardamos saudades dessas memórias.


Por estas razões, a investigadora da Tufts University, nos EUA, decidiu estudar a alteração nos seus hábitos de leitura e, consequentemente, nos hábitos de toda a gente, em particular de crianças, e o que fazer quando chega a altura de as expor a livros e/ou dispositivos electrónicos. 


Apesar de Reader, Come Home deixar mais hipóteses, preocupações e questões do que respostas empíricas, acho que me fez pensar sobre o que poderá ser feito no futuro para nos asseguramos de que criaremos cidadãos com literacia dupla, bilingues no que toca à leitura em papel e leitura digital, capazes de retirar de cada uma delas os melhores proveitos, atributos e capacidades cognitivas, não desprezando nem uns nem outros meios, mas sim navegando facilmente entre ambos os tipos.


Na minha opinião, Reader, Come Home é um livro para todos aqueles que se interessam pelo futuro dos livros e da leitura. Ler não é um processo cognitivo a que nos expomos "só porque sim". Ler mais deve, idealmente, aguçar a nossa reflexão e empatia, através do conhecimento e compreensão doutras vidas, assuntos que antes ignorávamos, articulação cuidada de pensamentos doutras pessoas. Ler bem, em geral, é uma necessidade e obrigação dos cidadãos que vivem numa democracia.

 

E vocês, ainda sabem o caminho de volta "a casa"?

Como ficar dependente (ou largar a dependência) das apps: Hooked, de Nir Eyal

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Continuo nesta saga de descobrir mais sobre como funciona o cérebro humano e como processa informação. Não é a minha área de estudo, mas é tão interessante!

 

Desta vez, roubei o presente de Natal que encomendei para a minha amiga Inês, o livro Hooked: How to Build Habit-Forming Products, do investigador e consultor Nir Eyal. Ela tinha-mo pedido pelo Natal, mas a encomenda atrasou-se imenso e demorou um mês a chegar. Então, mal ele chegou cá a casa, acabei por lhe pegar e só o larguei depois de o terminar (e porque, enfim, tive de o devolver à destinatária original).


Por coincidência, li o Hooked num momento em que me estou a des(a)pegar das redes sociais. Apesar de muitas das actividades do meu dia-a-dia ainda serem feitas a partir do telemóvel, como questões de trabalho ou escrever no blog, tenho tentado reduzir o uso ao essencial, eliminando tanto quanto possível as redes sociais e as apps que consomem muito tempo. Mesmo que seja um par de minutos aqui e outros ali, o tempo de uso vai-se acumulando ao longo do dia e gera-se uma certa dependência através do hábito de desbloquear o telemóvel, visitar o Instagram, o Facebook, o WhatsApp, o Goodreads, até o extrato do PayPal.


Estar Hooked é estar, de certa forma, preso a qualquer coisa, é vermo-nos envolvidos num processo, imersos num estado de constante curiosidade quanto ao que nos pode revelar a cada instante. É exactamente o hábito que nos leva à dependência, prevista pelos criadores dessas apps, para chamar a atenção de tantos utilizadores quanto possível.


O processo que percorremos até nos sentirmos "enganchados" tem quatro passos: um gatilho (primeiro interno, depois externo), que por sua vez nos leva a uma acção, que gera uma recompensa variável e que nos incentiva a um investimento, voltando ao início do ciclo e do gatilho - uma "comichão" reflexo da necessidade de usar o produto, a app, de novo. Desta forma, criamos um hábito, isto é, um comportamento executado sem pensar.


Agora, perguntam vocês: mas isto de se trazer para o mercado produtos que brincam com a mente dos clientes e que têm em conta o cultivo de hábitos não é manipulação? De facto, o próprio Nir Eyal aborda esta vertente ética. Segundo ele, nos negócios não há maneira de evitar "entrar na mente" dos clientes, e que deve ficar à consciência e responsabilidade dos empreendedores fazê-lo para o "bem" ou para o "mal" - o que mais deve interessar é pensar se o produto melhora ou não a vida dos utilizadores e se o próprio empreendedor também o usaria. Se se responder afirmativamente a essas duas perguntas, tanto melhor!


Por agora, com algumas reservas, acho que concordo com esse método de avaliação ética. Ler este livro foi uma boa experiência, tanto colocando-me do lado dos empreendedores, quanto dos utilizadores. Além disso, ver desconstruído o processo que leva à dependência das tecnologias também me motiva a largá-las, dado que agora conheço a tal "manipulação" e os truques usados para incentivar ao uso a que me encontro sujeita. Devemos usar seja que produto for como vitaminas, não como analgésicos (jargão farmacêutico do autor!).


No que toca a aspectos mais estruturais do livro, primeiro tenho de apontar uma falha: o subtítulo induziu-me ao erro de pensar em "produtos" em geral, mas, na verdade, os produtos discutidos são sempre apps e websites, não propriamente escovas de dentes ou lençóis. Por fim, é de louvar todo o livro Hooked enquanto um produto ele mesmo: não existe edição em paperback, a capa dura vem envolta numa sobrecapa colorida, a impressão é feita em papel daquele que nos leva a enfiar o nariz lá dentro, o tipo de letra é grande e há algumas imagens, tabelas e resumos de ideias aqui e ali, fazendo parecer que a leitura segue escorreita e rápida... É um produto muito eficaz a chamar e a prender a atenção do leitor!

 

Terminado o Hooked, continuo a agradecer sugestões de livros sobre temas afins.


Boas leituras! 📚🤓

Viver na ditadura da popularidade, criatividade, identidade única e algoritmos

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A Internet também me traz ansiedade. A volatilidade da informação e da forma como circula assusta-me: a rapidez vertiginosa com que as regras são alteradas, o tipo de discurso, as mil e uma artimanhas que surgem todos os dias para se ter o blog ou site mais lido ou o produto mais popular.


Como dizia Bauman, é tudo tão líquido. Quando sinto que estou, finalmente, a habituar-me a um tipo de linguagem e objectivos na Internet, eis que o jogo dá outra vez a volta. Também não sentem que, muitas vezes, vivemos submissos ao poder dos algoritmos e da manipulação da mente dos outros? Temos de ter as fotos de Instagram mais XPTO, definir uma paleta de cores pessoal, as palavras-chave certas, os títulos que causam mais sensação... E onde ficam a honestidade, simplicidade e autenticidade nisto tudo?


Já não nos representamos a nós mesmos. Representamos uma marca - agora, somos uma marca. Temos de investir em branding, porque, dizem, há que mostrar aquilo que nos distingue de todos os outros, mas, atenção, sempre seguindo regras estéticas, e de marketing, e de linguagem, e de não sei o quê que tem de ser feito, senão nunca sairemos da cepa-torta da produção caseira e amadora.


Como se houvesse mal nisso!


Para mim, alguns blogs e perfis continuam a ser um reduto do que eu esperava que toda a Internet continuasse a ser. Felizmente, nem toda a gente foi contaminada pelo jargão empresarial que retira a alegria de criar um projecto pessoal desinteressado.


A gestão de redes sociais fascina-me e, ao mesmo tempo, faz-me sentir pequenina. Fascina-me enquanto negócio, fascina-me que as empresas tentem acompanhar o ritmo dos dias e que tenham de se reinventar para sobreviver no mercado. Mas, então... e as pessoas? As pessoas também têm de se vender como se fossem empresas? Eu sei que há quem, realmente, seja uma empresa (o seu ganha-pão assim o determina), mas, então... e os outros?


Há dez anos que crio blogs só porque sim, porque gosto de escrever, de partilhar, de desabafar. Este foi criado há sete anos e meio e por aqui fiquei, e pode ter mudado muita coisa deste lado, mas o que não mudou foi a intenção de escrever mais e melhor enquanto desafio pessoal e de superação, sem olhar demasiado a números. Embora os números me digam quantas pessoas andam por aqui (o que é gratificante) continuo sempre a manter este espaço por gosto e não por quaisquer expectativas ou contrapartidas mercantilistas.


Um dia, pode ser que engula estas palavras e me renda a parcerias, estatísticas, dividendos. Quem sabe...? A verdade é que até o meu trabalho e ambições profissionais futuras dependem um pouco da Internet. No entanto, hoje não é esse dia. Por enquanto, o meu blog, Instagram e Facebook são meros passatempos, nos quais invisto sem ter em vista mais do que a diversão que me permitem ter e, quiçá, oferecer. São o meu laboratório de experiências, ocupam o tempo que não gasto a olhar para as paredes ou a consumir-me em aborrecimentos vários. Há quem faça miniaturas, há quem coleccione moedas, há quem catalogue passarinhos. Eu ando por aqui a debitar sobre coisas aleatórias que me interessam.


Os meus blogs e perfis preferidos continuam a ser aqueles que têm "gente dentro", e que não se vendem por tuta e meia. Não julgo quem se vende, mas sim o facto de que, hoje em dia, sinto que estão todos a vender-se e que é tudo mais do mesmo.


No outro dia, dizia um professor meu que "as tendências estão a mudar, ser-se criativo começa a ser exactamente não ter criatividade". E eu não digo que tenhamos de deixar de ser totalmente criativos, mas neste momento já me é muito difícil acompanhar tanta "criatividade". Fico cansada, desgastada pela produção constante, pela urgência das mensagens, pelo conceito de storytelling a ser usado para tudo e mais alguma coisa, em nome da popularidade e da tal "identidade única" que procuramos. Na esperança de estabelecermos um monopólio sobre a nossa auto-imagem, gritamos que somos diferentes de todos os outros, mas depois fazemos quase o mesmo, andamos pelas modas.


Estes são alguns motivos pelos quais me tenho tentado afastar das redes sociais. O desfile de histórias inspiradoras que vendem e que se vendem, do networking, da luta pelo primeiro lugar num mural de rede social alheio pedem de mim energia que não tenho. Até duma perspectiva empresarial e profissional, por mais quanto tempo aguentaremos tamanhas avalanches? Ainda será possível viver e ser-se relevante offline?


Serve este texto como desabafo e reflexão da própria.

Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas

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Solteiros ou comprometidos, casados, divorciados ou até viúvos, quem é que no século XXI não se perguntou já como será isso do online dating - encontros proporcionados por sites e apps, maioritariamente desenvolvidos desde os anos 90?

 

A verdade é que vejo imensa gente à minha volta a alinhar nestas ferramentas usadas para conhecer pessoas novas, incluindo eu. Há umas semanas, por coincidência depois duma experiência mais ou menos desapontante neste domínio, decidi ir à Fnac (os livros animam logo uma pessoa, não é?). E descobri este livro, Modern Romance, escrito pelo comediante Aziz Ansari em parceria com o sociólogo Eric Klinenberg. Fiquei particularmente curiosa, porque também eu já passei por um par de situações sobre as quais gostaria de ler, dum ponto de vista mais científico e universal. É para isso que os livros servem, não é?

 

Em primeiro lugar, sei que este ainda é um assunto "engraçado" para muita gente. Sair com pessoas que se conhece pela Internet ainda parece ser relativamente novo ou pouco generalizado em Portugal. Mas é um fenómeno tão válido quanto qualquer outro a ser investigado e discutido na área das ciências sociais e humanas.

 

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Sabiam que, à data de publicação do livro, um terço dos casamentos americanos tinha sido possível por o casal se ter conhecido pela Internet? E a tendência é estas estatísticas aumentarem ainda mais com o passar dos anos.

 

Como é referido em Modern Romance, há cinquenta ou sessenta anos os casais conheciam-se de forma diferente e tinham expectativas de vida quase opostas às nossas. O importante era casar com alguém minimamente decente, que vivesse perto, o homem trabalharia e a mulher seria quase sempre dona de casa, criariam uma família e morreriam felizes e contentes dessa forma - se tivessem sorte, senão estariam apenas reservados para uma vida comum medíocre.

 

Hoje em dia, a maioria dos jovens estuda até muito mais tarde, procura uma vida profissional satisfatória e estável, viaja e muda de cidade ou país com relativa facilidade, e, no que toca a casar e a ter filhos, procuramos fazê-lo com a nossa alma gémea, ou pelo menos com alguém que nos faça sentir não só confortáveis e amados, quanto também desafiados e atraídos de maneiras muito variadas. Chegamos a namorar muitos anos com a mesma pessoa, ou a gastar muitos anos de vida em busca dessa tal cara-metade.

 

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(Perdoem-me a falta de qualidade das imagens, nem sempre é possível ver bem os gráficos.)

 

Neste contexto académico e profissional tão intenso, em que os círculos sociais acabam por ser limitados, é compreensível que não tenhamos tanta disponibilidade para conhecer alguém realmente especial, pelo que o uso das tecnologias, não sendo um fim em si mesmo, é uma ferramenta que nos proporciona conhecer mais gente além do alcance das nossas vidas turbulentas, porventura encontrando alguém que nos encha as medidas.

 

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Contudo, paralelamente a esta parte mais teórica, o livro também expõe imensos dos problemas de quem utiliza as ferramentas de online dating. Eu já escrevi sobre algumas das minhas próprias experiências no blogue, mas foi sempre em tom de gozo, o que nem sempre espelha a minha atitude real perante o tema. Eu até levo o Tinder, a app que eu uso, mais ou menos a sério, mas, separadas as devidas excepções, poucas das pessoas com quem tenho chegado à fala encaram as interacções como seria esperado, quando comparamos a realidade do online dating em Portugal com a dos EUA, em destaque em Modern Romance. O livro menciona, por exemplo, o facto de haver pessoas que se envolvem pouco ou que deixam de responder de repente, após conversas extensas e aparentemente muito interessantes. Pensamos "olha que individuo tão agradável" e depois ele desaparece do mapa, após uma ou duas desculpas pouco convincentes. Ou mesmo silêncio.

 

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Por isso, já é a segunda vez que me inscrevo e já é a segunda vez que elimino a app, porque acaba por ser uma experiência que nem sempre traz à superfície o melhor de nós, e é preciso respirar fundo. Em suma, ler este livro trouxe-me algum consolo, por perceber que "pode acontecer a qualquer um de nós e são riscos que temos de correr".

 

Por outro lado, também sei de histórias fantásticas de quem se conheceu online e o livro conta outras tantas, que se apanharam nos grupos de indivíduos estudados pelos autores ou no trabalho doutros investigadores. Nem tudo é mau, nem tudo é bom, num catálogo tão vasto de possibilidades. O mesmo aconteceria, numa escala diferente, ao conhecer alguém pessoalmente desde o início. 

 

No entanto, os autores deixam claro: a chave para as coisas correrem bem é não nos esquecermos que, apesar de as pessoas com quem falamos por mensagens serem quase irreais até ao momento em que as vemos, todos continuamos a ser humanos do outro lado do ecrã. Temos sentimentos, preocupações, traumas, receios, experiências de vida únicas. Assim, devemos tentar ser tão decentes quanto possível, tal como seríamos se essas pessoas estivessem à nossa frente. E não nos devemos esquecer: as ferramentas online levam-nos a contactá-las, mas não substituem a parte do dating em si, conhecê-las ao vivo e a cores.

Aqui seguem alguns excertos que achei muito sucintos:

 

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Dito isto, adorei o livro Modern Romance. Apresenta um bom equilíbrio entre livro de ciência popular (quem gosta de antropologia, sociologia e psicologia como eu vai gostar desta leitura) e entretenimento. Tem apontamentos fora do comum, nomeadamente acerca da vida sexual dos japoneses, e os autores dão alguns testemunhos pessoais e dicas de como comunicar de forma mais eficiente. São estudados ainda outros temas, como a infidelidade e o fim das relações na era das mensagens instantâneas, as diferenças culturais no namoro à volta do mundo, o sexting e as redes sociais. Por vezes, há piadas desnecessárias, mas faz parte.

 

Excelente tentativa de desmistificar um assunto do qual tanta gente ri, mas que ainda nem toda a gente compreende!

O choque, o drama, o horror: apaguei o Tinder

 

Venho por este meio terminar, oficialmente, a saga tinderesca levada a cabo por esta vossa cara amiga nas últimas semanas. Acabou, apaguei o Tinder ao fim de mês e meio. Já deu para procrastinar imenso, deu para conhecer outras facetas da raça humana, o estudo foi profícuo e agora já chega. Acabou a brincadeira. Muitos de vós previram este marco na minha vida, o fim da minha paciência nesta nobilíssima rede social, e eis que estavam todos certos (dah, óbvio que estavam).

 

Eu não fui talhada para o engate, sou uma moça - relativamente - séria. Não me deixo convencer facilmente. Sou um público difícil. Não me impressiono, sou picuinhas, não gosto de loiros, não gosto de chungas, não gosto de artistas, não gosto de quem escreve com erros ortográficos, não me vejo a sair com estrangeiros, não tenho queda para meninos; ainda por cima, também tenho uma certa mania de que sou esperta q.b. e mais ou menos fofinha, então... Ok, so you're Brad Pitt, como diz a Shania Twain. That don't impress me much. 

 

À semelhança do que já referi por aqui, quase, quase nenhuma das minhas histórias fizeram História. Não me irei alongar muito mais sobre o assunto, mas vou já tratar de vos apresentar sucintamente algumas das minhas conclusões.

 

Cá vai disto. A curto prazo, é quase impossível encontrar grandes matches. É preciso ter-se a aplicação activa e ir-se fazendo swipes durante algum tempo, senão deixa de haver perfis disponíveis à nossa volta. Eu devo ter tido sorte de principiante quando instalei a aplicação, mas quando a voltei a usar, umas semanas depois, já se tinha tornado mais difícil fazer match, ou mesmo encontrar perfis que me convencessem minimamente a dar um like. Por isso, tentem usar o Tinder duma forma desportiva, experimental, e logo se vê. 

 

Quanto às expectativas que possam ter... Há de tudo no Tinder. Falo do que me compete, volto a sublinhar - rapazes/homens dos 22 aos 29, à volta de Lisboa - por isso deixo as restantes faixas etárias, orientações sexuais e localizações para quem conseguir escrever sobre o assunto. Assim sendo, não me parece que toda esta gente no Tinder esteja à procura dum amigo da cama, não me parece que só exista esse tipo de engate, mas - surpresa! - não se admirem se não encontrarem o amor duma vida ao virar da foto. Em geral, parece-me que a maioria deve estar lá para o mesmo que eu estive: para ver, experimentar, não morrer ignorante e dar uma oportunidade a uma forma menos tradicional de travar novos conhecimentos, quando a vida profissional/académica não nos permite sair dos mesmos círculos sociais. Pelo menos, serve para dinamizarmos a nossa vida social. Ficar parados é que não!

 

Contudo, não digo que não haja surpresas, porque as há. Eu tive uma certa quota de surpresa e, graças a isso, já posso dizer que saio desta aventura com saldo positivo, que é tudo o que me interessava e interessa. Uma vitória!!! FESTA! Já ouvi muitas histórias negativas contadas por algumas amigas e posso considerar-me uma sortuda. 

 

Em geral, gostaria de vos deixar uma última nota: talvez seja mesmo necessário gostar-se de conversa fiada para se ser bem sucedido no Tinder. Eu não tenho paciência para longas conversas de engate, mensagens que chegam por pombo-correio, tal é o tempo que esperamos por elas... Prefiro conhecer as pessoas como deve ser, quiçá pessoalmente, se começar a sentir que são boas conversadoras e interessantes, em vez de andar em círculos. Claro que a conversa de engate entretém, mantém uma chama acesa, mas a partir de certo ponto já não me apetece ser o velho esquentador cá de casa - ou se apaga, ou se deixa o lume ir por aí fora. Se gostarem de conversa fiada infinita, sou a primeira a confirmar que se vão divertir imenso. Se forem mais como eu, uma secazinha, acho que se devem dedicar aos jogos de tabuleiro (que, por acaso, já juntaram uma amiga minha ao namorado, por isso é capaz de ser boa ideia).

 

Então, ficamos assim. Estamos conversados? Ainda não?

Em poucas palavras: não há nada como tentar. Encarem o Tinder ou qualquer outra aplicação do género como uma experiência sociológica. Se tiverem um blogue, até podem escrever sobre ela. Se não tiverem, também podem entreter os vossos amigos com as vossas aventuras... ou desventuras (os meus acharam um piadão, vá-se lá saber porquê). Mas não levem o Tinder demasiado a sério. Vão em paz, para saírem em paz. 

 

E o Tinder pode ser o que vocês fizerem dele! Se forem para o regabofe, encontram-no. Se forem para o conto de fadas... não garanto que encontrem o príncipe encantado, mas com alguma sorte ainda sacam uma companhia para o lanche, e toda a gente gosta de comida. 

Por que é que passei a ouvir TED Talks diariamente (e por que é que os podcasts são melhores do que a televisão para mim)

Conheço muitas pessoas que chegam a casa e ligam a televisão "para fazer barulho". Eu ouço TED Talks e tenho-me tornado fã de podcasts exactamente pelo mesmo motivo.

 

Antes, fazia-o com a música, mas comecei a aperceber-me de que não sou assim tão produtiva, porque as canções, as letras, os ritmos me distraem. Então, passei a tentar vídeos do YouTube. No entanto, muitas das vezes os meus youtubers favoritos usam efeitos visuais que pedem a minha atenção, ou introduzem imagens ilustrativas que fazem falta à narrativa áudio. 

 

Foi assim que cheguei à conclusão de que teria de encontrar um qualquer barulho de fundo para me distrair, mas que, ao mesmo tempo, também não fosse um desperdício de tempo. Cheguei aos podcasts e às TED Talks dessa forma. Por vezes, nem estou a prestar atenção, mas uma ou outra coisa ficam. O Spotify é uma base excelente para procurarmos aquilo de que mais gostamos. Além disso, a aplicação TED encontra-se dividida em várias categorias, temas e listas de reprodução, que facilitam a navegação.

 

Há temas para todos os gostos, tanto no Spotify quanto na TED. Eu gosto de literatura, educação, cultura, psicologia/desenvolvimento pessoal, estilo de vida saudável, artes e entretenimento. Depois, ainda há desporto, música, humor, notícias, política, jogos, histórias... Porque não tentar um ou outro? Pode ser que gostem. E podem estar a fazer o que quiserem ao mesmo tempo, sem publicidade pelo meio!

Os aziados do São Valentim

Já sei que vêm daí alguns ataques em barda, mas eu gosto de picar e cá vai disto: odeio os aziados de São Valentim!

Obviamente, as vozes críticas dirão que eu tenho lá moral para falar, tenho o meu Valentine há montes de tempo, já devia era estar casada e com filhos há um par d'anos, ou que eu que não atire muitos foguetes, porque um dia ainda hei-de apanhar as canas.

Olhem, e sabem o que isso significa, minhas riquezas? Significa que vocês são UNS AZIADOS! 

 

O que eu realmente cá venho comunicar, o assunto que me leva a vir fazer queixinhas, é as pessoas por essa Internet fora que criticam o Dia dos Namorados, afirmando que isto é uma patetice e que isto é mas é um valente dia para se sair com os amigos (bem... pelo que tenho visto, é mais uma cena de amigas mulheres), enquanto se queixam dos ex-namorados, que amor a sério só existe nos filmes, estamos bem é sozinh@s, ninguém manda em nós, não temos que fazer o jantar a ninguém, saímos ou não é da nossa conta, vamos beber à nossa saudinha, blá blá blá - QUE SECA!

Por estes dias, existe ainda um segundo tipo de gente que me irrita de tédio - os que gostam de autocomiseração. Olhem para mim, que sou um forever alone. 14 de Fevereiro, para uns conhecido como Dia dos Namorados, para mim é mais uma terça-feira. Olhem para mim, coitadinho, sou feio, sou gordo, cheiro mal da boca, tenho fungos nos pés, jogo no computador 16 horas por dia, sou desempregado de profissão e vocação, mas ninguém me quer. OUTRA SECA!

 

São todos uns aziados e odeio (nem que temporariamente) quem tem este tipo de atitude. São uma mistura de velhos do Restelo com desmancha-prazeres. São gente que me causa ácidos, de tanto disparate que destilam.

 

Aos aziados que gostam da autocomiseração, porque a vida os surpreendeu com amores menos duradouros: celebrem o amor na mesma! Mesmo que o amor não dure, não deixa de ser amor, não deixou de vos fazer felizes a certo ponto e isso é que devia ser a parte mais importante.

Aos aziados que gostam da autocomiseração, porque é mais fácil queixarem-se do que agirem, façam o favor de enfrentar o touro pelos cornos: o amor não cai no céu e encontrá-lo também tem uma dose de esforço, seja ele amor apaixonado, amor de filho, amor de amigo, amor de dono de piriquito!

 

Outras espécies de "encalhados" que eu odeio:

- os moralistas que acham que o Dia dos Namorados é só mais um dia, mas que gostam muito do Pai Natal criado pela Coca-Cola e do Coelho da Páscoa;

- os que odeiam casais que estão felizes e que gostam de mandar postas de pescada sobre o quão foleiros parecemos;

- os que só celebram o Dia dos Namorados porque é o que toda a gente faz.

 

 

Atirem lá as pedrinhas (mas só depois de verem este vídeo e de lerem este e este texto como bibliografia complementar, uma vez que já é tarde aqui nas Ásias e este corpinho já não aguenta mais prosa).

Para o fim-de-semana prolongado...

#BreakingStereotypes é uma campanha do site "casamenteiro" Truly Madly. Pode não ser o apogeu das campanhas contra a discriminação, mas as fotos estão engraçadíssimas! - AQUI.

 

 Vi este filme hoje de manhã e adorei. Ultimamente, ando um bocado virada para a ficção científica, para as utopias, distopias e fantasias, por isso fiquei com vontade de ver O Dador de Memórias desde que saiu. Atenção que não é nenhuma obra-prima do cinema de sci-fi, mas não deixa de colocar algumas questões pertinentes: existe perfeição?; pode haver uma sociedade perfeita?; o que seria viver num mundo mais moderado, amorfo?

 

 

Não perdi a Grande Reportagem da SIC desta semana. Ainda que não veja a experiência Erasmus como uma espécie de bilhete em direcção ao amor (encontrei o meu em terra, ehehehe), acho que todo o processo e conceito é delicioso, mesmo que se sintam as naturais saudades de casa, o choque de não ter ali os paizinhos, de viver longe durante um ou dois semestres... Bem, eu até já senti um bocadiiiinho disso quando fiz o meu Erasmus+ de duas semanas, mas meh. Não há capital para aventuras mais duradouras!

 

Deixadas as sugestões, bom fim-de-semana de três dias para a malta procrastinadora =)

5 páginas a visitar no Facebook

Há que teeeeeeeempos que estou para escrever esta publicação, por isso vamos lá com isto pr'á frente! Apesar de não ser uma das piores viciadas em redes sociais, mesmo no que toca ao Facebook, sigo regularmente algumas páginas que ou pertencem a blogues ou são simplesmente coisas engraçadas e divertidas, que publicam conteúdos interessantes, sem deixarem de ter o seu "quê" de entretenimento.

Assim, esta lista destina-se principalmente a pessoas que, tal como eu, têm as suas prioridades virtuais definidas e, lá porque procrastinam, não quer dizer que o façam sem qualidade ou lógica.

 

 

As minhas 5 páginas favoritas no Facebook

 

1.

 

 

9GAG - quem segue a página de Facebook deste mesmíssimo blogue em que se encontra de momento, já deve ter notado que costumo partilhar imensas imagens da autoria do 9gag, originalmente um site humorístico. Não interessa qual a nossa idade, profissão, interesses, expectativas... o 9gag quase de certeza que há-de ter qualquer coisinha que nos agrade, um meme, uma frase, uma imagem, um comentário, you name it.

 

 

2.

 

 

Humans of New York - este projecto é um dos que mais me fascina. Tendo começado apenas por uma ideia, o fotógrafo Brandon Stanton encarregou-se de catalogar fotografias e histórias dos habitantes de Nova Iorque desde 2010. No entanto, graças a um convite da ONU, tem feito uma World Tour de Agosto a Setembro deste ano, no âmbito da qual já visitou países e retratou pessoas na Ucrânia, no Vietname, no Sudão, no Iraque, no Quénia... E a lista continua! Acompanho diariamente as novas fotografias e histórias na página de Facebook e acabo sempre por partilhar imensas, tanto no meu perfil pessoal quanto na página do blogue, por as achar tão inspiradoras. É curioso que, apesar das diferenças culturais e étnicas, o trabalho de Brandon Stanton consiga retratar tão bem o que todos estes indivíduos têm em comum: são humanos. As suas aspirações, medos e vidas acabam sempre por se relacionar umas com as outras, seja como for.

 

 

3.

 

 

Mashable - tomei conhecimento acerca do site Mashable por ter imensos artigos acerca de copywriting, ou seja, aquilo em que normalmente trabalho. Contudo, este é um site que sugere conteúdos acerca de tudo e mais alguma coisa, mesmo que foque com maior frequêcia o mundo dos media, das tecnologias e da Internet. Até fofocas sobre celebridades se encontram por lá! Por isso, seguir a respectiva página de Facebook permite-me estar actualizada acerca das novas publicações - ou, pelo menos, grande parte delas, já que são tantas e tantas e tantas!

 

 

4. 

 

 

Portuguese Sayings - a ideia desta página é valorizar a língua portuguesa, principalmente no estrangeiro. Pelo menos, é essa a ideia que é dada, uma vez que o seu conteúdo principal é a criação de wallpapers com traduções super-hiper-mega literais de provérbios portugueses para a língua inglesa. E quem não entender a intenção... well, unshit yourself!

 

 

5. 

 

O Sagrado Caderno das Piadas Secas

 

O Sagrado Caderno das Piadas Secas - gostam delas curtas e grossas, directas ao assunto e muito, muito secas? Estou a falar de anedotas, claro, principalmente as desta sagrada página, como o nome indica. Por vezes abusam e tocam em pontos intocáveis em termos religiosos e culturais, mas a maior parte das vezes adoro as piadas que publicam.

 

 

E pronto, eis mais uma ajudinha para uma procrastinação saudável. É provável que em breve encontrem por aqui a continuação desta lista de melhores páginas a visitar no Facebook, mas por enquanto vão-se distraindo com estas.