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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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As férias

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Ainda está por explicar o fenómeno psico-meteorológico que me tem afligido a carteira pelo menos uma vez por ano: em época de introspecção, a criatura Beatriz, presidente do clube de fãs do calor e luz lisboetas, ruma a Norte em modo "one woman show" para uns dias de excepcional clarividência e clareza interiores, convenientemente patrocinadas por nuvens baixas, vento agreste e temperatura/precipitação racha-dente. No destino, põe-se a admirar estantes de paperbacks, toda e cada uma das livrarias que lhe aparecem no diretório, os cenários dos seus romances preferidos ao vivo e a cores, descendentes de vikings a beber café aguado, e a sonhar acordada nos espaços verdes extensos e densos, na sombra de cidades industriais. Gosta de beber chocolate quente, de dormir a sesta nos autocarros das tours, de ligar à família a queixar-se da humidade nos ossos e da quantidade obscena de chineses nas atracções turísticas, e de comprar Toblerone a metade do preço. Diz sempre que vai para descansar, e raramente consegue dormir mais de duas horas seguidas à noite no hostel. Diz que vai para ler, e nunca termina um único livro. Diz que vai para escrever, e não escreve mais de três parágrafos. Enfim, por fim, as férias do espécimen. ✈️

Gosto tanto de viajar sozinha!

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Falta uma semana para me pôr daqui para fora... Que é como quem diz... Vou dar uma volta, arejar as ideias. Gosto muito de viajar, e gosto muito de viajar sozinha. De vez em quando, faz-me falta estar só, só porque me apetece. Além disso, para mim, uma viagem marca quase sempre um reinício, porque são mais ou menos férias, mas porque é mais um sítio que se conhece, que dá a conhecer outras sensações e emoções, onde tenho de pôr em prática competências e características que são redescobertas.

 

Desta vez, também é uma cidade nublada. Era suposto voltar à Escócia, mas os vôos estavam muito caros, não tenho muita vontade de ir ao Reino Unido durante a trapalhada que deveria ser o período oficial do Brexit, e assim sempre conheço um país onde nunca estive, mas sobre o qual tenho curiosidade. Há uma aura mística, escura, fria e húmida que me atrai nos países mais a Norte, que anuncia renovação, rejuvenescimento, isolamento necessário para pôr as ideias em ordem e realinhar ambições e crenças, que convida à introspecção, conversas com a própria da minha pessoa, austeridade nos pensamentos, libertação sem pressão... Este tipo de clima é absolutamente contrário ao que me atrai no resto dos meus dias (que eu sou mais do sol e do céu limpo), por isso deve ser o contraste a convidar uma mudança temporária de paradigma, desejada.


Provavelmente, se tivesse companhia, faria esta viagem acompanhada. No entanto, adoro planear viagens sem mais ninguém. Se viajasse acompanhada desta vez, iria quase de certeza planear outra aventura em breve, só pelo prazer de ser deixada em paz por alguns dias. Talvez por ser filha única, e ter sido uma criança solitária, talvez porque simplesmente adoro a minha independência e o meu espaço (mais uma vez, contrastando com a procura de quem me acompanhe na vida a longo prazo), estou tão entusiasmada por, um ano e meio depois de Edimburgo, poder explorar mais uma ou duas cidades, paisagens tão diferentes.


Em suma, gosto de me sentir estrangeira de vez em quando, como uma espectadora do mundo e de quem sou durante o resto do ano. Assim, recomendo a todas as pessoas que dêem um pulinho a um sítio onde se sintam assim, estrangeiros, quando precisam de ganhar objectividade sobre si mesmos e a vida rotineira que levam em solo-casa (desejável e desejada, desde que com peso e medida). Não há nada como sentirmo-nos deslocados para repensarmos no que andamos a ser e a fazer. Curiosamente, as minhas últimas viagens, até dentro do país, sozinha ou com outras pessoas, dão a impressão de separarem diferentes fases que ora terminam, ora começam. É poético q.b., mas também a vida deve ter a sua dose de poesia, como a métrica dum soneto. Há pausas que nos devolvem o fôlego, e eu preciso duma com certa urgência.

 

Let there be light, diz a fachada da Biblioteca de Edimburgo, uma frase que me acompanha desde que lhe pus os olhos em cima. A luz são os livros, as viagens reflectidas, as pessoas que vamos conhecendo, as ambições e o conhecimento que promovemos e criamos. A luz até pode existir no Inverno ou numa cidade na penumbra. Nunca sei muito bem do que vou à procura, mas alguma coisa hei-de encontrar. Tem sido sempre assim, um bocado às claras e às escuras.

 

E agora... Onde vou, onde vou? Para um sítio onde o chocolate quente deve saber ainda melhor, pois claro. ☕

Tornozelos ao léu: Moda Outono/Inverno 2018-2019

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No que toca a muitos aspectos inerentes à condição da criatura humana, sou um exemplar medíocre: nomeadamente, não sou gorda nem escanzelada, calço o 38 e meço 1,68m; na constituição física, nem sou bicho miúdo, nem super modelo.

 

Por isso, foi com grande surpresa (e consternação) que me apercebi que todas as calças que eu experimentava nas lojas me deixavam os tornozelos à mostra. Sempre curtas demais, o que não melhorou da colecção duma estação para a outra.

 

Ou eu teria crescido, ou todas as calças vendidas na Grande Lisboa teriam encolhido! Percorri Primark, C&A, H&M, Promod, El Corte Inglés, boutiques do metro, chineses... E da minha procura exaustiva e prolongada ainda só resultou um par, do ECI. Infelizmente, só tinham uma cor, senão teria trazido a gama inteira, tal é o desespero. Ora, foi-me acontecer isto a mim, que sempre fui daquelas pessoas - lá está, medíocres - que, depois dos 12, nunca tiveram de fazer ou deitar abaixo nenhuma bainha...

 

Depois, comecei a olhar para as pernas das minhas colegas (que é como quem diz... vocês percebem). Andavam todas piratas, mas piratas chiques! Calças de fugir à polícia, diria a minha avó. Tudo de tornozelo ao léu. Afinal, não estava sozinha nesta odisseia. As calças curtas desfilavam perante a minha estupefacção.

 

Então, concluí que as entidades da Moda, pessoas que pensam e criam roupa e suas respectivas tendências, decidiram que este Outono/Inverno vai tudo corrido a calças curtas. Não há abébias para friorentos com meias às listas ou do Harry Potter, isto é, para mim. Pensaram eles que o tornozelo se sente sufocado, quer ver mundo, instruir-se, apanhar ar fresco, contribuir para câimbras e músculos fracos. O que está na moda é o ténis estiloso com soquete tímido ou o botim maravilha com meia de vidro fina, tudo à mostra.

 

Contudo, desenganem-se: eu não me fico por aqui. Só descanso armada de calças que me batam no calcanhar ou quando declararem que as caneleiras voltaram às pernas do mundo. Eu cá ainda tenho as minhas, de quando estavam na moda em 2010. Prezo demasiado os recursos para aquecimento entre Outubro e Abril para os desperdiçar com modas e manias.

 

Nunca serei uma fashion icon, nem fashion influencer, nem somente fashion.

 

(Já agora, se souberem onde comprar calças decentes, HELP!)
(E já agora outra coisa, isto é só na moda feminina, os homens parecem estar a salvo.)

Lisboa com chuva

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É uma desolação, Lisboa com chuva. Esta cidade que, por norma, se apresenta sempre solarenga, com o céu cor de Tejo... Só apetece hibernar. Quando vivia em Banguecoque, havia meses em que chovia todos os dias, mas raramente me sentia tão vazia e com tão pouca energia quanto me sinto quando chove aqui em Portugal. Ainda por cima, está frio. Felizmente, já me voltei a habituar ao Inverno português, depois de ano e meio quase seguido de Verão eterno. Sinto-me três vezes mais infeliz, ou três vezes menos feliz, quando vejo as calçadas alagadas e as esplanadas vazias. Dá vontade de gritar o quão injusto é ver Lisboa assim. Espero que os santos meteorológicos tenham piedade de mim e do meu desconsolo, ao ver-me debaixo dum céu cinzento e escrava de chapéus-de-chuva.

 

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Constipação: um conto

Era uma vez (e agora viria uma vírgula, não sei porquê, nunca percebi) uma menina chamada Beatriz. Ela tinha (e tem) um namorado chamado Ricardo, um fofinho de primeira. Ah, e a Beatriz também tem uma (futura) sogra, de quem gosta muito, já agora.

A sogra da Beatriz é uma excelente mãe, por isso é óbvio que dá muitos miminhos aos filhos, o que, por sua vez, os tornou igualmente ou ainda mais extremosos para com as pessoas que os rodeiam. No caso do Ricardo, isso revela-se na sua relação com a Beatriz (yey!).

Os problemas começaram a surgir quando a sogra da Beatriz ficou constipada. Um miminho ali e outro aqui, pegou a maldita aos filhos, principalmente ao mais velho, que começou logo a sentir os efeitos catastróficos de um nariz entupido e brônquios congestionados com muita porcaria.

No entanto, sendo o Ricardo um namorado de primeira categoria, nunca, jamais deixaria de dar beijinhos à Beatriz, nem que fosse o fim do mundo - principalmente nessa situação.

Tudo isto para dizer que estou constipada desde Domingo, sem perspectivas de melhoras. Eu sabia que as relações nora-sogra têm de ser complicadas, der por onde der, mas nada deixava prever este desfecho de contágio bacteriano, microbiano, whatever!

 

AAAAH, não tenho sabor, não tenho cheiro, tenho o nariz entupido há três dias, dói-me o corpo, dói-me a cabeça e dói-me a alma!

Fónix, que briol!

Prontes, chegámos ao Inverno. E agora é camisolinhas de malha para aqui, sweat-shirts para ali, casacos e mais casacos para acólá... Começa a época da cebola-humana e, o que ainda é mais inesperado é a nossa atitude de surpresa, ano após ano, perante o início da estação fria. Eu incluo-me dentro desse grupo de pessoas (a maioria), que ficam muito abismadas com a primeira baixa radical de temperatura, e ainda fico mais aborrecida por tanto me aborrecer com o briol e a humidade com que os fenómenos climáticos nos presenteiam. Como se já não fosse de esperar...! Há dezoito Invernos que estou nisto, já devia estar habituada! Mas não, ainda me sinto muito ofendida durante os primeiros dias em que os meus pés e as minhas mãos passam de gelados a congelados e em que tenho de andar com os meus dez casacos atrás (isto é uma coisa pessoal, entre mim e o S. Pedro, ou seja lá quem for o santo que manda no clima!).

 

E agora? Se estou preparada para mais seis meses disto...?! Há alternativa?! Pelo menos, que não seja uma que implique comprar um bilhete de ida, para amanhã, e de volta, para Março, rumo ao Brasil ou a outro país do hemisfério Sul, porque dessa já eu me lembrei, só não tenho é capital de investimento.

Gosto #3

Gosto de dias inesperadamente luminosos no Inverno e de sentir o sol fraco na cara. Gosto da brisa tépida que me descongela do meio-gás em que permaneço até aos primeiros sinais da Primavera.

Gosto de dormir com o meu cão aos pés da cama, porque ele me aquece os meus, enquanto o mero facto de o ter perto de mim me aconchega, simplesmente pelo que representa o calor de outro corpo.

Gosto de abraços, porque aquecem, não só o físico, como também o coração, enquanto transmitem uma ternura que só quem nos é querido consegue transmitir. Pela mesma razão, gosto igualmente de dar as mãos (e as minhas estão sempre geladas!).

Gosto de beijos que incendeiam o ego e arredores, sejam breves, longos, ocasionais, repenicados, imprevistos, imprevisíveis, pedidos ou roubados. Aliás – toda a gente gosta.

Enfim, gosto da luz, do calor e do fogo.

 

(Já começa a estar frio.)

Inteligência rara

Ontem, mal vi um bocadinho de sol (pronto, era bem mais do que um mero bocadinho!), despi o pijama (quente, quase sufocante), vesti o biquíni e fui para o jardim apanhar sol e ler; estava uma brasa (o dia, não eu), mas soprava um ventinho mesmo irritante. Hoje, estou com uma pseudo-insolação/constipação. Como poderão aferir, as minhas ideias costumam ser geniais.

Moral da história: não fiquem demasiado eufóricos, mal a temperatura suba ligeiramente. Pode acabar em ranho... e ninguém gosta de ranho. Belhac.

Ei, mas pelo menos sou uma ranhosa - digamos que - bronzeada, capiche?