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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Viver sempre como se fosse o último ano: Não Respire (Pedro Rolo Duarte)

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Eu já quis ser jornalista e pensei mesmo que o seria desde os tempos de secundário até ao segundo ano de licenciatura (correspondente ao período de negação sobre o prazer que ensinar me dá). Por isso, até agora, ainda não fui jornalista, pois não. Mas uma coisa é certa: aquilo que eu mais gosto é de escrever (e de saber que há quem leia o que escrevo), continuo a ter o mesmo interesse, assim como de ler, e de ensinar, e de aprender. A recomendação que vos trago hoje relembrou-me por que é que o jornalismo fez parte dos meus planos no passado e, acima de tudo, por que motivo a escrita dificilmente deixará de ocupar um lugar prioritário no meu presente e futuro.

 

Por ter sido um livro tão falado à minha volta, que emocionou tanta gente, não esperava que Não Respire, de Pedro Rolo Duarte, também me engolisse como engoliu. Sou ligeiramente do contra, quase que espero sempre não ser conquistada pelo que conquista os outros. Além disso, mantive as expectativas baixas, principalmente porque me prendia o generation gap e as referências ao passado recente e a círculos profissionais e sociais que desconheço, e porque o autor marcou uma geração e um público que não tinha a certeza de que seriam os meus.

 

Afinal, talvez sejam, mas comecei muito a medo. Aliás, finalmente dei-me por vencida sobre se haveria de comprar o livro quando o encontrei na venda de livros em segunda mão da Rua da Anchieta (e o vendedor me fez um desconto), no dia 1 de Maio, e estive mais de dois meses com ele na estante a ganhar fôlego.

 

Ainda bem que assim foi. Se não me tivesse rendido à curiosidade acumulada, não teria lido as memórias de alguém que ainda tem tanto para ensinar e contar aos mais novos, enquanto recorda a sua infância, juventude e uma idade adulta cheíssima com que outros se identificarão directamente. Sinto que, esteja onde estiver, Pedro Rolo Duarte continua a sua obra por cada leitor que revisitar os seus trabalhos realizados em vida. O legado continua enquanto ainda houver quem o leia.

 

E este livro não é sobre o cancro, não é sobre Pedro Rolo Duarte estar doente e pensar que pode morrer. Antes pelo contrário, sem clichés, é uma celebração do que viveu, um esboço de autobiografia e uma menção especial às pessoas com quem se foi cruzando, pelo bem e pelo mal, sem vergonha ou arrependimento. Até às últimas cinco ou dez páginas, quando finalmente surge alguma preocupação acerca duma cirurgia arriscada, não existe sinal de derrota ou desânimo.

 

Entre textos escritos e publicados no passado, textos inéditos, a homenagem constante ao filho, à família e aos amigos, e notas curtas sobre o dia-a-dia, Pedro Rolo Duarte concentra-se no privilégio que é ter uma vida completa, fazendo-se aquilo de que se gosta e rodeando-se de pessoas inspiradoras e igualmente enérgicas, tudo com uma paixão admirável que transborda livro fora (e que me deu muita vontade para ir procurar mais sobre o seu contributo para o jornalismo português recente, seja na televisão, na imprensa (destaque para o DNA) ou mesmo no blog pessoal. Pelo que escreveu durante o seu último ano de vida e pelas crónicas repescadas, consegui ser contagiada pelo seu bom carácter, ética de trabalho e gozo pela mera possibilidade de estar vivo, não só quando soube que tinha cancro, mas em geral durante os seus cinquenta e três anos de vida. E conseguiu acabar o livro antes da história acabar.

 

Se querem ser ou são jornalistas, têm de ler este livro. Se gostam de bom jornalismo, também têm. Se vos interessam vidas cheias que vos deixem inspirados, força. Este Não Respire é tudo: memórias pessoais e profissionais de alguém que viveu intensamente as primeiras décadas pós-25 de Abril, é um pedaço de história do jornalismo recente em Portugal, na primeira pessoa, pelos olhos e palavras dum agente dessa realidade; é um elogio à vida e ao amor em todas as suas facetas. E vai-se lendo, uns textos mais desafiantes que outros, curtos e longos, bocadinhos de sabedoria de quem a foi acumulando pela experiência.

 

📚 Que outras histórias reais vos têm inspirado? 

Não nos tirem o jornalismo!

Perdeu-se o respeito pelo jornalismo. O Correio da Manhã está a ser censurado em praça pública e ninguém diz nada, ninguém faz nada. A maioria dos estudantes de Comunicação quer ser pivot ou jornalista de entretenimento. De fofocas. Os professores de jornalismo "a sério" são uma classe envelhecida. Os grandes jornalistas portugueses estudaram Direito e Economia. Têm idade para ser meus pais.
O que será do jornalismo português daqui a uns anos? Esquecerão os cidadãos que o jornalismo tem como objectivo mostrar a verdade e revelar o que quer ser camuflado? Esquecerão que o jornalismo tem de ser interventivo e revelador? Eu quero acreditar que não, mas é difícil. Quando o jornalismo se resumir à importância da difamação, da especulação, da protecção de interesses particulares e aos telejornais da SIC e da TVI, perderemos toda a noção do que é a liberdade de expressão e o direito à informação.

 

Uma pequena amostra do que me inquieta.

Judite de Sousa no telejornal, ou não

Das memórias que tenho, não me lembro de alguma vez ter gostado particularmente da Judite de Sousa. Compreendo que chegou a uma posição profissional muito favorável na televisão portuguesa, mas não a considero uma jornalista. Considero-a uma apresentadora, e a um nível inferior ao da Júlia Pinheiro ou da Fátima Lopes nos últimos meses.
Desde que lhe faleceu o filho que o profissionalismo da Judite de Sousa tem caído desmesuradamente. De facto, admiro-lhe a força de vontade para se manter activa, apesar da tragédia que lhe aconteceu e que não se deseja a ninguém, mas muitas das suas qualidades profissionais encontram-se (especialmente) desaparecidas desde então, o que não me parece positivo nem para ela, nem para a TVI, nem para os telespectadores.
Depois da morte de um filho, ainda por cima único, é previsível que uma pessoa se sinta em baixo, baixo, baixo. Que a sua imagem se degrade e que a pessoa envelheça. Que perca muita da sua força.
E por isso é que não consigo encontrar nenhuma justificação para a insistência da TVI em manter a Judite de Sousa como pivot do telejornal da noite. Ainda há uns meses fez as capas de imensas revistas por ter sido "internada em estado grave". Em emissão, a voz quebra-se-lhe frequentemente, o seu aspecto físico mostra uma mulher debilitada, o discurso não é fluente. Inclusivamente, ontem, ficou emocionada durante a entrevista que fez a Simone de Oliveira. Aliás, a entrevista depressa se transformou numa sessão de aconselhamento, em que a entrevistadora Judite decidiu perguntar (de forma naaada explícita) à entrevistada Simone de que forma é que sobrevivera e conseguira arranjar motivação para superar os momentos mais duros da sua vida. E ainda colocavam em questão a credibilidade jornalística do telejornal da TVI por causa dos 20 minutos de Ricardo Araújo Pereira??? Pois agora é a minha vez de a desafiar com a hora e meia de Judite de Sousa. Ou será que aquela conversa fiada e mais infeliz não poderia ser guardada para os bastidores? Por que motivo é que os telespectadores são convidados a assistir ao drama alheio? Não chegam as telenovelas?
Por muito tristes que sejam os motivos desta ausência de profissionalismo, há que estabelecer limites. Precisar de trabalhar para superar uma perda de modo menos dramático não implica obrigatoriamente que a pessoa se vá mostrar em plena forma no desempenho das suas funções. Muito pelo contrário. Especialmente porque ocupa uma função que lhe garante muita visibilidade pública, para o bem e para o mal, Judite de Sousa devia ser afastada dos ecrãs durante mais algum tempo. Não digo que tenha de deixar de trabalhar, mas sim que poderia começar a fazê-lo mais atrás das câmaras do que à frente delas. Ah e tal, mas à frente é que ela se sente bem, a fazer aquilo em que é melhor profissional. Então, nesta altura do campeonato, imagine-se o que fará de pior.
Esqueçam os sentimentalismos de blogosfera. Nada de "coitada, morreu-lhe o filho, não lhe podemos tirar a última coisa positiva na sua vida". É do desempenho de uma profissão que estamos a falar.

 

O príncipe "resgatador"

Fez-se uma série-documentário sobre os resgates “arriscados” do Príncipe William enquanto piloto da força aérea britânica, mostrando, nomeadamente, o resgate que prestou a uma criança que se meteu em sarilhos ao brincar com os amigos. Uau. Não me digam que também o filmaram a apanhar um gato do cimo de uma árvore! A sério, ainda matam o herdeiro da coroa inglesa, watch out!
Ehn. Para mim, o príncipe William é um homem demasiado seboso e sonso para que mereça o meu respeito enquanto futuro monarca de um dos reinos mais célebres da Europa. Tem um arzinho muito débil, simultaneamente presunçoso e calculista – tal como a mãezinha dele, a princesa Diana. Atirem-me lá pedrinhas, mas o homem é um franganote (e está a ficar careca, brrr). Anda o irmão mais novo, o príncipe Harry (ruivo e podre de giro, charmoso q.b.), no meio dos confrontos do Afeganistão, participando ininterruptamente em missões eufemisticamente perigosas, e sua alteza diverte-se a ser a estrela do seu próprio documentário sobre “trivialidades”… Haverá maior exemplo para o povo inglês? Será que ainda farão um reality show sobre os dramas da gravidez da Kate, sobre a sua vida de futura mamã real?
Compreendo que, actualmente, se aprecie bastante o jornalismo sensacionalista, cujo objectivo não é destacar a matéria ou o sujeito sobre o qual se fala, mas sim criar audiências e mediatismo. Porém… não estarão a passar os limites do aceitável? Digam-me vocês.

diz que sou uma espécie de ecologista

   Não sou vegetariana, mas também não visto peles. Por vezes, esqueço-me das luzes ligadas e passo mais tempo do que devia no computador. Ainda assim, sou cuidadosa com as torneiras, tomo banhos rápidos e não desperdiço a água que fica no copo por não me apetecer beber mais. Tento andar o máximo possível de transportes públicos. Moro numa vivenda construída de raiz pela minha família mas, apesar de termos abatido muitos pinheiros do terreno para que tal fosse possível, deixámos alguns deles e plantámos imensas flores, árvores de fruto e arbustos, mais ou menos rasteiros. Avistamos permanentemente pássaros e insectos de várias espécies.


   Reconheço que não sou o exemplo mais completo de alguém que protege a Natureza com garras e dentes, mas não deixo de me sentir escandalizada com certos abusos. Um desses abusos é a desflorestação cada vez mais intensa de florestas inteiras, nomeadamente as que albergam fauna e flora das mais diversificadas do mundo. Enquanto escrevo estas palavras, lembro-me de imediato da Amazónia e imagino que vocês invoquem, igualmente, uma imagem semelhante - é inevitável. Mas a Amazónia não é a única floresta do mundo e não nos devemos esquecer que não é só com ela que nos devemos preocupar. Existem tantos outros territórios que merecem ser protegidos...!


   Hoje, falo-vos das vastas e densas florestas de S. Tomé e Príncipe. As suas ilhas são reconhecidas pela fantástica biodiversidade nelas presente e, mais dia, menos dia, alguém há-de tentar destruir tais cenários idílicos. Na verdade, o perigo já espreita e é cada vez mais eminente. Agora, são as perigosas monoculturas; amanhã, alguém há-de ter a ideia das prospecções em busca do ouro negro - o petróleo. A pouco e pouco, como quem não quer a coisa, estão a ser deitadas abaixo inúmeras florestas.


   Foi neste contexto que o meu colega Mário Lopes - um grande aspirante a jornalista! - escreveu o artigo "São Tomé e Príncipe: desflorestação ameaça biodiversidade", fruto de muito trabalho de investigação e escrito como poucos (jovens) conseguem. É um pouco extenso, mas vale a pena ser lido com teimosa atenção. Enquanto cidadãos conscienciosos, devemos tomar atenção ao que se passa no mundo.


 


diz que sou uma espécie de ecologista

   Não sou vegetariana, mas também não visto peles. Por vezes, esqueço-me das luzes ligadas e passo mais tempo do que devia no computador. Ainda assim, sou cuidadosa com as torneiras, tomo banhos rápidos e não desperdiço a água que fica no copo por não me apetecer beber mais. Tento andar o máximo possível de transportes públicos. Moro numa vivenda construída de raiz pela minha família mas, apesar de termos abatido muitos pinheiros do terreno para que tal fosse possível, deixámos alguns deles e plantámos imensas flores, árvores de fruto e arbustos, mais ou menos rasteiros. Avistamos permanentemente pássaros e insectos de várias espécies.

   Reconheço que não sou o exemplo mais completo de alguém que protege a Natureza com garras e dentes, mas não deixo de me sentir escandalizada com certos abusos. Um desses abusos é a desflorestação cada vez mais intensa de florestas inteiras, nomeadamente as que albergam fauna e flora das mais diversificadas do mundo. Enquanto escrevo estas palavras, lembro-me de imediato da Amazónia e imagino que vocês invoquem, igualmente, uma imagem semelhante - é inevitável. Mas a Amazónia não é a única floresta do mundo e não nos devemos esquecer que não é só com ela que nos devemos preocupar. Existem tantos outros territórios que merecem ser protegidos...!

   Hoje, falo-vos das vastas e densas florestas de S. Tomé e Príncipe. As suas ilhas são reconhecidas pela fantástica biodiversidade nelas presente e, mais dia, menos dia, alguém há-de tentar destruir tais cenários idílicos. Na verdade, o perigo já espreita e é cada vez mais eminente. Agora, são as perigosas monoculturas; amanhã, alguém há-de ter a ideia das prospecções em busca do ouro negro - o petróleo. A pouco e pouco, como quem não quer a coisa, estão a ser deitadas abaixo inúmeras florestas.

   Foi neste contexto que o meu colega Mário Lopes - um grande aspirante a jornalista! - escreveu o artigo "São Tomé e Príncipe: desflorestação ameaça biodiversidade", fruto de muito trabalho de investigação e escrito como poucos (jovens) conseguem. É um pouco extenso, mas vale a pena ser lido com teimosa atenção. Enquanto cidadãos conscienciosos, devemos tomar atenção ao que se passa no mundo.

 

"Noites em São Carlos" - o artigo que escrevi

Como já vos tinha contado anteriormente, escrevi um artigo sobre a exposição "Noites em São Carlos" para a Fórum Estudante. Portanto, agora que já foi publicada na Internet, deixo-vos na sua companhia... aqui. Espero que tenham mesmo oportunidade de visitá-la. Eu, pelo menos, rendi-me. Não é uma daquelas visitas guiadas super enfadonhas, pelo que de certeza que vão gostar, talvez adorar.


Já agora, o que acham do artigo? Deixem-me sugestões!

Braga #11

Saí mesmo no Correio do Minho hoje de manhã. Ainda não li a edição em jornal, mas a da Internet está assim. Não tarda nada, tenho por aí os paparazzis e os stalkers todos à minha perna. Oh, mon Dieu, ser celebridade custa. Agora sei o que é ser como a Madonna da Margem Sul, em digressão por Braga.

eu recomendo (imperdível)

Hoje, tive a oportunidade de ler a crónica semanal do Rodrigo Guedes de Carvalho na revista TV Mais. A rubrica chama-se "O País e o Mundo" e, esta semana, o tema é a privacidade de uma figura dita pública, tratado na primeira pessoa. Penso que é uma leitura relativamente curta e imperdível, abordando algo extremamente presente no nosso dia-a-dia - a invasão da privacidade pelos media, neste caso, a invasão da privacidade de um jornalista, o próprio autor da crónica. A mim, deu-me para reflectir sobre este tipo de situações desagradáveis que mancham a dignidade da nossa sociedade e da nossa imprensa. Enquanto cidadãos conscientes, o mínimo que se pode pedir é que estejamos atentos e tenhamos uma opinião madura sobre assuntos tão polémicos quanto este.