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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O fim dos anos "teen" (nãããão!)

Os últimos tempos têm sido de constante mudança. Não sou só eu - também todos os meus amigos estão a tornar-se indivíduos adultos e a definir com cada vez mais clareza que tipo de pessoa, com que tipo de interesses, com que tipo de ambições vão ser.

Ando muito nostálgica por estes dias. Neste grupo, há quem já esteja a dar os primeiros passos numa carreira musical, há quem já esteja quase a acabar os seus cursos, há quem tenha terminado relações de longo prazo sem muito mais futuro, há quem continue à procura de novas soluções e de novos caminhos. Mas todos, todos nós começamos a ficar cada vez mais diferentes uns dos outros. As personalidades que têm sido moldadas durante anos anteriores estão a estruturar-se e a solidificar-se. Mesmo que as pessoas se encontrem em permanente evolução ao longo da vida, creio que no final da adolescência deixe de haver aquela mudança constante que sentíamos quando tínhamos 15, 16, 17, 18 anos. Foi como se, entre os 19 e os 21 anos, se estivesse a operar uma magia qualquer.

O meu grupo de amigos, não aqueles que fiz posteriormente na faculdade, mas sim aqueles com que cresci (uns, desde os tempos de colégio, outros que conheci no secundário) enchem-me de uma ternura imensa. A diferença de idades, entre os 17 e os 23 anos, não interfere, porque andamos todos muito a par dos restantes no que toca à evolução pessoal. Penso que, acima de tudo, fico feliz por ninguém estar a ficar para trás e por poder assistir ao que cada um vai fazendo com a sua vida.

Tenho muita sorte por todos os meus amigos gostarem uns dos outros. Eu sou amiga de todos eles, nem todos são amigos do peito entre si, mas entendemo-nos às mil maraviilhas e, quando uma parte do grupo se decide juntar, juntam-se todos e acabou-se. Acho que já o referi aqui imensas vezes e hei-de repeti-lo sempre que me sentir tão nostálgica quanto neste momento.

É o fim dos teen, não é? Está-me a bater aquela impressãozinha que me aperta o coração.

Tornar-se adulto deve ser "isto"... O pessoal não sabe se há de permanecer nos teen, se há-de ser c'xido.

Acho mas é que "isto" é tudo muito repentino e precoce, pá! Estou mas é depressiva!

Dos outros #43

"Nada há de mais caracteristicamente juvenil do que o desprezo pela juvenilidade. A criança de oito anos despreza a de seis e alegra-se por já estar a ficar tão grande. O estudante liceal está firmemente determinado a não ser criança e o universitário a não ser liceal. Se estamos decididos a erradicar, sem lhes avaliarmos os méritos, todos os aspectos da nossa juventude, poderíamos começar por aí, pelo snobismo cronológico característico da juventude. E então onde iria parar essa crítica que tanta importância atribui ao facto de se ser adulto, ao mesmo tempo que instila o medo e a vergonha relativamente a qualquer prazer que possamos compartilhar com os muito jovens?"

 

C. S. Lewis, A Experiência de Ler

A minha tese sobre o crescimento

Ultimamente, anda tudo muito nostálgico por estas bandas. A afirmação ainda se torna mais sólida, uma vez que a maioria dos blogues que leio são escritos por raparigas que, tal como eu, estão agora a terminar o 12º ano. São logo três ou quatro que têm vindo a emocionar-se com o último teste do secundário, com o facto de, enfim, estarem a crescer e prestes a iniciar uma nova fase das suas vidas.

Por meu turno, eu cá estou bué no chillax. Há uns meses, estive pior. Até há poucas semanas! À medida que o tempo passa, vou ficando cada vez mais decidida sobre o próximo passo a dar e vou-me habituando à ideia de já ser uma jovem adulta, a ter de tomar certas decisões que poderão ditar o meu futuro a médio e a longo prazo. Acho que, na verdade, me comecei a compenetrar de toda essa evolução a partir do momento em que percebi que existe uma probabilidade elevada de a minha relação com o Ricardo se prolongar indefinidamente no tempo, seja lá ele qual for e signifique o que significar. Comprometermo-nos com alguém do modo como eu escolhi comprometer-me com o senhor meu namorado (e ele comigo, espero eu) tem muito que se lhe diga, e, digam o que disserem, é (positivamente!) inigualável o sentimento que surge quando temos em mente engendrar um plano de vida adulto incluindo outra pessoa, uma de quem nós gostamos imenso e com quem desejamos partilhar o que temos para dar e receber.

Portanto, como estava a contar-vos, não me está a fazer impressão nenhuma assistir ao fim dos meus tempos de escola e de infância (apesar de continuar a sentir-me uma criança crescida e de desconfiar que continuarei a senti-lo pela vida fora, se os deuses o permitirem). Conheço quem até se encontre em negação e se queira prender a todo o custo a esta época da vida em particular, para não ter de crescer! Na minha humilde opinião, nunca pensei que crescer fosse tão divertido. Há sempre novidades e noto uma evolução constante em mim - enquanto rapariga, enquanto mulher, enquanto indivíduo. Crescer não me tem obrigado a abdicar da minha dose pessoal de brincadeira, de sonhos e de bichinhos imaginários. Muito pelo contrário. Quanto menos nova fico, melhor aprecio o que há para apreciar no mundo e mais ambições junto à minha vasta colecção!

Terminar o ensino secundário e seguir para a universidade é apenas um pequeno passo a percorrer numa estrada sem percurso planeado (e muito menos um fim agendado). Tanto pode virar à esquerda como à direita, tanto pode ir dar a um oásis quanto a um deserto. Completar os 18 anos nem sequer deve ser muito diferente de ter completado os 16 ou os 17. Tornar-me-ei, oficialmente, adulta - mas os deveres e os direitos que me pertencem, tenho vindo a alcançá-los progressivamente.

Não sou daquelas pessoas com horror ao desenrolar dos anos e ao envelhecimento. Porém, também não pertenço ao grupo dos maníacos que querem pular os teens à força toda. Haja moderação!

A única certeza que guardo é a de ter sede da própria da vida. Quanto mais a bebo, mais a quero. Se sou assim com esta idade, imaginem-me daqui a uns anos! Granda maluca, como diria um amigo meu.

há piercings e piercings

Não gosto de piercings no nariz. Pronto, já disse. Alguns de vós não concordarão comigo - desculpem, porque, a mim, faz-me impressão. Acho que fica inestético na maioria das pessoas. Parece que têm ali uma verruga ou um macaquinho gigante! Chamem-me mente retrógada, mas só o seria se não apreciasse piercings de todo, o que não é verdade. Além dos do nariz, só não aprecio os piercings atravessados horizontalmente por baixo do umbigo, no fundo das costas ou nos lábios, pois, do meu ponto de vista, não têm nexo nenhum e, no caso dos últimos, desgastam os dentes e magoam as gengivas.


No entanto, os da língua são totalmente aceitáveis e gosto bastante deles na cartilagem perto do ouvido ou até na orelha (desde que não sejam em quantidade desmedida, como algumas pessoas fazem - dois ou três bastam, e só de um lado!), no umbigo ou na sobrancelha. Até nem acho que fiquem mal em rapazes! O segredo, como em tudo, é não abusar.


 



E aqui está um excelente exemplo do que é perder a noção do exagero.

há piercings e piercings

Não gosto de piercings no nariz. Pronto, já disse. Alguns de vós não concordarão comigo - desculpem, porque, a mim, faz-me impressão. Acho que fica inestético na maioria das pessoas. Parece que têm ali uma verruga ou um macaquinho gigante! Chamem-me mente retrógada, mas só o seria se não apreciasse piercings de todo, o que não é verdade. Além dos do nariz, só não aprecio os piercings atravessados horizontalmente por baixo do umbigo, no fundo das costas ou nos lábios, pois, do meu ponto de vista, não têm nexo nenhum e, no caso dos últimos, desgastam os dentes e magoam as gengivas.

No entanto, os da língua são totalmente aceitáveis e gosto bastante deles na cartilagem perto do ouvido ou até na orelha (desde que não sejam em quantidade desmedida, como algumas pessoas fazem - dois ou três bastam, e só de um lado!), no umbigo ou na sobrancelha. Até nem acho que fiquem mal em rapazes! O segredo, como em tudo, é não abusar.

 

E aqui está um excelente exemplo do que é perder a noção do exagero.

quando o povo grita

   Muitas são as pessoas que andam a criticar estas últimas manifestações de ontem, 15 de Setembro de 2012, todas elas apresentando o seu ponto de vista e os respectivos argumentos que entendo como extremamente válidos. Contudo, devo confessar que sou mais do que a favor destas manifestações, depois de pesado o que é conveniente e inconveniente.


   Como cheguei a referir, ontem estive em Setúbal desde manhã cedo até ao final da tarde, pelo que tive a oportunidade de assistir à formação e ao decorrer da manifestação que deu a volta à Avenida Luísa Todi, terminando na Praça do Bocage, em frente da Câmara Municipal, onde a multidão permaneceu durante mais de uma hora, continuando os cânticos e manifestos. Claro que, em termos de dimensão, não chegou nem aos tornozelos das de Lisboa e do Porto, o que não invalidou que se sentisse a força de todas aquelas pessoas que reivindicavam aquilo a que têm direito.


   No que toca a estas manifestações, sou realmente a favor que seja organizadas e  levadas a cabo. Independentemente de haver certas pessoas que vão para lá flanar, outras tantas, a maior parte, leva a situação muito a sério. Além disso, qual é o problema de algumas pessoas serem apanhadas a sorrir, enquanto marcham? São horas e horas a percorrer as ruas e, como é evidente, vai crescendo um sentimento de camaradagem e de (ilusória?) esperança entre a população que une forças e faz por impressionar.


   Infelizmente, eu e o meu pai estivemos ocupados na feira de antiguidades de Setúbal (a venda de livros não é o nosso sustento, mas é algo que, de duas em duas semanas, vai ajudando a pagar certas despesas que não conseguiríamos aguentar de outro modo) mas, se tivéssemos tido disponibilidade, ter-nos-íamos juntado à multidão e gritado com todas as nossas forças! Temos motivos para isso! Sim, foi o “povo” que votou nestes crápulas que dizem “andar a fazer o melhor que podem”… No entanto, não foi a minha família que o fez, nem as famílias de muitas dessas pessoas que, ontem, se fizeram ouvir. E, mesmo que tivéssemos parte da culpa no cartório, jamais o senhor ministro, durante as eleições, referiu que tomaria as medidas drásticas que está a tomar, enquanto vai contratando mais uns quantos guarda-costas e seguranças, tudo financiado pelo bolso do contribuinte, antes que alguém tenha a coragem de o atacar fisicamente. Talvez imensa gente tenha sido ingénua ao ponto de acrescentar mais uns pontinhos à vitória dos nossos líderes, é verdade. Todavia, temos de enfrentar a verdade: na altura, ou se votava em branco ou se fazia um-dó-li-tá, que os candidatos eram todos da mesma laia. Não me venham dizer que, com mais umas eleições, ainda gastaríamos mais dinheiro, porque o país, antes de elas acontecerem, teria era de aguentar com uma revolução de todo o tamanho, em que o sistema político e social fosse todo renomeado e reformado. Isto não se resolve com umas meras eleiçõezinhas da treta… Para metermos no governo uma qualquer figura como o António José Seguro, que em muito me parece semelhante ao Passos Coelho (chamem-lhe mania da perseguição, sexto sentido, o que preferirem), entre outros camaradas do género, mais vale estarmos quietinhos. O povo não anda a manifestar-se para que o resultado seja nulo, não senhor!


   Podem achar-me demasiado nova para ser dona de uma opinião que valha a pena ser ouvida, mas é assim que me sinto quando a universidade, para mim, poderá tratar-se de uma mera miragem, quando o meu pai diz que tem de pensar depressa em emigrar, que isto só tem tendência a piorar, quando me lembro que a minha avó tem quase setenta e um anos e toda a reforma que tem serve para nos ajudar a sobreviver um dia de cada vez, quando a minha tia (com quem também vivemos) e o meu pai são indivíduos altamente qualificados, que estudaram - e estudam! - durante anos a fio e continuam a ganhar uma miséria de um salário que nem provém de uma actividade ligada à sua formação académica – e sorte a deles, a de terem emprego!


   Eu, por meu turno, vou escrevendo, e cada prémio literário amealhado, cada cêntimo que me é dado por eles, entra de imediato numa conta poupança que se destina a financiar parte dos meus estudos universitários – que, mais uma vez, nem sei se conseguirei sustentar, dado que as bolsas de estudo e de mérito foram quase todas cortadas.


   É muito triste saber que, ainda há pouco tempo, eu tinha os próximos anos planeados e que, como quem não quer a coisa, essas expectativas se encontram cada vez mais baixas, bem baixas. Hoje, aumentam os preços de X e Y; amanhã, criam mais uma nova taxa absurda; daqui a uns dias, voltam a baixar os salários e as reformas. Em suma, começaremos a desejar não ter nascido, se o panorama persistir.


   Já agora, quais são as minhas expectativas para o futuro? Nenhumas, pois mais vale nem as ter, não é verdade? Sei que quero continuar a estudar durante muitos anos, ser profissionalmente bem-sucedida, casar, ter filhos, sentir-me realizada – enfim, seguir o curso natural da vida que um jovem idealiza em pensamento. Porém, de que serve o meu querer ou o dos restantes portugueses? Não serve de nada.


   Portanto, penso que sim, que devemos continuar a manifestar o nosso desagrado, nem que seja para nos sentirmos melhor ao fim do dia, sabendo que tentámos, ainda que em vão. Devemos permanecer unidos! Estou solidária para todos os que abandonam o país, as suas famílias e tudo o que conhecem, sem bilhete de regresso, sem qualquer esperança que os faça ficar por cá. Deixo aqui a minha mensagem de apelo a todos os que se sentem ultrajados pelos seus próprios governantes, que tanto prometem, nada fazem e, como se não bastasse, continuam a humilhar quem depositou a sua confiança neles.

quando o povo grita

   Muitas são as pessoas que andam a criticar estas últimas manifestações de ontem, 15 de Setembro de 2012, todas elas apresentando o seu ponto de vista e os respectivos argumentos que entendo como extremamente válidos. Contudo, devo confessar que sou mais do que a favor destas manifestações, depois de pesado o que é conveniente e inconveniente.

   Como cheguei a referir, ontem estive em Setúbal desde manhã cedo até ao final da tarde, pelo que tive a oportunidade de assistir à formação e ao decorrer da manifestação que deu a volta à Avenida Luísa Todi, terminando na Praça do Bocage, em frente da Câmara Municipal, onde a multidão permaneceu durante mais de uma hora, continuando os cânticos e manifestos. Claro que, em termos de dimensão, não chegou nem aos tornozelos das de Lisboa e do Porto, o que não invalidou que se sentisse a força de todas aquelas pessoas que reivindicavam aquilo a que têm direito.

   No que toca a estas manifestações, sou realmente a favor que seja organizadas e  levadas a cabo. Independentemente de haver certas pessoas que vão para lá flanar, outras tantas, a maior parte, leva a situação muito a sério. Além disso, qual é o problema de algumas pessoas serem apanhadas a sorrir, enquanto marcham? São horas e horas a percorrer as ruas e, como é evidente, vai crescendo um sentimento de camaradagem e de (ilusória?) esperança entre a população que une forças e faz por impressionar.

   Infelizmente, eu e o meu pai estivemos ocupados na feira de antiguidades de Setúbal (a venda de livros não é o nosso sustento, mas é algo que, de duas em duas semanas, vai ajudando a pagar certas despesas que não conseguiríamos aguentar de outro modo) mas, se tivéssemos tido disponibilidade, ter-nos-íamos juntado à multidão e gritado com todas as nossas forças! Temos motivos para isso! Sim, foi o “povo” que votou nestes crápulas que dizem “andar a fazer o melhor que podem”… No entanto, não foi a minha família que o fez, nem as famílias de muitas dessas pessoas que, ontem, se fizeram ouvir. E, mesmo que tivéssemos parte da culpa no cartório, jamais o senhor ministro, durante as eleições, referiu que tomaria as medidas drásticas que está a tomar, enquanto vai contratando mais uns quantos guarda-costas e seguranças, tudo financiado pelo bolso do contribuinte, antes que alguém tenha a coragem de o atacar fisicamente. Talvez imensa gente tenha sido ingénua ao ponto de acrescentar mais uns pontinhos à vitória dos nossos líderes, é verdade. Todavia, temos de enfrentar a verdade: na altura, ou se votava em branco ou se fazia um-dó-li-tá, que os candidatos eram todos da mesma laia. Não me venham dizer que, com mais umas eleições, ainda gastaríamos mais dinheiro, porque o país, antes de elas acontecerem, teria era de aguentar com uma revolução de todo o tamanho, em que o sistema político e social fosse todo renomeado e reformado. Isto não se resolve com umas meras eleiçõezinhas da treta… Para metermos no governo uma qualquer figura como o António José Seguro, que em muito me parece semelhante ao Passos Coelho (chamem-lhe mania da perseguição, sexto sentido, o que preferirem), entre outros camaradas do género, mais vale estarmos quietinhos. O povo não anda a manifestar-se para que o resultado seja nulo, não senhor!

   Podem achar-me demasiado nova para ser dona de uma opinião que valha a pena ser ouvida, mas é assim que me sinto quando a universidade, para mim, poderá tratar-se de uma mera miragem, quando o meu pai diz que tem de pensar depressa em emigrar, que isto só tem tendência a piorar, quando me lembro que a minha avó tem quase setenta e um anos e toda a reforma que tem serve para nos ajudar a sobreviver um dia de cada vez, quando a minha tia (com quem também vivemos) e o meu pai são indivíduos altamente qualificados, que estudaram - e estudam! - durante anos a fio e continuam a ganhar uma miséria de um salário que nem provém de uma actividade ligada à sua formação académica – e sorte a deles, a de terem emprego!

   Eu, por meu turno, vou escrevendo, e cada prémio literário amealhado, cada cêntimo que me é dado por eles, entra de imediato numa conta poupança que se destina a financiar parte dos meus estudos universitários – que, mais uma vez, nem sei se conseguirei sustentar, dado que as bolsas de estudo e de mérito foram quase todas cortadas.

   É muito triste saber que, ainda há pouco tempo, eu tinha os próximos anos planeados e que, como quem não quer a coisa, essas expectativas se encontram cada vez mais baixas, bem baixas. Hoje, aumentam os preços de X e Y; amanhã, criam mais uma nova taxa absurda; daqui a uns dias, voltam a baixar os salários e as reformas. Em suma, começaremos a desejar não ter nascido, se o panorama persistir.

   Já agora, quais são as minhas expectativas para o futuro? Nenhumas, pois mais vale nem as ter, não é verdade? Sei que quero continuar a estudar durante muitos anos, ser profissionalmente bem-sucedida, casar, ter filhos, sentir-me realizada – enfim, seguir o curso natural da vida que um jovem idealiza em pensamento. Porém, de que serve o meu querer ou o dos restantes portugueses? Não serve de nada.

   Portanto, penso que sim, que devemos continuar a manifestar o nosso desagrado, nem que seja para nos sentirmos melhor ao fim do dia, sabendo que tentámos, ainda que em vão. Devemos permanecer unidos! Estou solidária para todos os que abandonam o país, as suas famílias e tudo o que conhecem, sem bilhete de regresso, sem qualquer esperança que os faça ficar por cá. Deixo aqui a minha mensagem de apelo a todos os que se sentem ultrajados pelos seus próprios governantes, que tanto prometem, nada fazem e, como se não bastasse, continuam a humilhar quem depositou a sua confiança neles.

tumblr? não, obrigada.

   De há um tempo para cá que o Tumblr se tem tornado o centro das atenções, entre todas as outras redes sociais. Pelos vistos, é do interesse geral re-publicar imagens de outros perfis (atentando, a meu ver, contra toda e qualquer noção de direito de autor), imagens essas que nem sequer consistem em mostrar algo belo e digno de ser partilhado com o mundo.


   Ainda me lembro... Quando o Tumblr começou a ser utilizado por conhecidos meus, as imagens não passavam de frases e ensinamentos daqueles de que eu não gosto nada (quem segue o meu blogue sabe a que me refiro - uma estupidez autêntica, um vómito de egocentrismo) escritos por cima de um fundo colorido ou uma imagem ainda mais foleira. Já nesses primórdios me recusei a criar afeição pelo que tantos outros achavam divertidíssimo. No entanto, continuei a justificar a minha indiferença com o facto de a maioria dos meus interesses e desinteresses não coincidir com os dos restantes seres humanos e, se tal estivesse a acontecer novamente, a minha admiração seria nula.


   Com o passar dos meses, assisti à expansão do Tumblr com duvidosas suspeitas de que não passava de uma fantochada em crescimento. Tais suspeitas foram-se cimentando, a pouco e pouco, em certezas quanto ao conteúdo em causa. As imagens foram-se tornando progressivamente mais agressivas face à minha sensibilidade de algodão (difamarem injustamente a minha geração através de fotografias de jovens raparigas nuas ou semi-nuas e rapazes a fumarem um charro, promovendo a indecência e o descurar dos bons valores morais? Dispenso), a função "ask" (plágio de segunda categoria ao Formspring) quase me causa urticária graças à invasão de privacidade que representa e o descaramento dos ditos "Anónimos" é a razão pela qual deixei de nutrir o mínimo respeito pela sua forma de intervenção em perfis alheios.


   Ou seja, do meu ponto de vista, o Tumblr é um dos símbolos da estupidificação generalizada, além de que é uma épica perda de tempo, podendo marcar a juventude de uma maneira inesquecivelmente negativa, deixando mazelas irreversíveis no evoluir (ou regredir) de mentalidades, tal como todas as outras redes sociais... Apenas piorando o nível de gravidade.


 


   Porém, existem sempre excepções à regra. Esta é uma delas.

"ai, se eu tji pego" (levas com a vassoura)

Hoje, vi e ouvi criancinhas (que quase nem sabiam falar) a cantarolar "ai se eu tji pego, ai, ai, se eu tji pego", enquanto brincavam nos escorregas do parque infantil, saltitando e fazendo a sua vidinha de criança, normalérrima, sem sequer se aperceberem do significado da letra. Mais uma vez, digo: felizes são as almas puras. Fiquei absolutamente chocada e tenho cada vez mais nojo a quem produz músicas (cacas) destas.

no facebook

Qual é a cena de, de há uns tempos para cá, as pessoas começarem a pedir para os outros porem "likes" nas suas próprias fotos, partilhando-as no seu mural do Facebook? Do género "põe gosto, mas NA FOTO, não na publicação! ♥".


 


Que piroseira, Jesus, nossa senhora da Agrela e que todos os santinhos ajudem esta juventude (à qual eu pertenço).