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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Gosto de escrever sobre livros, mas agora não me apetece

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Para mim, gostar de livros é gostar de aprender, ter curiosidade e ter a humildade de reconhecer que há tanto que existe por saber e contar que, não sabendo nós (ainda) o que é, outros no-lo poderão dizer.

 

Além disso, compro muitos livros, bem mais do que consigo ler. Já perdi a conta a quantos livros comprei no último ano, mas vejo pela minha estante que vários ainda aguardam pelo seu momento de glória. Ainda esta semana comprei mais dois - serão os últimos de 2019? O ritmo a que encho prateleiras vai variando, e sonho com o dia em que seja capaz de ler tudo o que lá vai parar; e também com o dia em que seja capaz de escrever sobre tudo o que leio.

 

A propósito, gosto de escrever sobre livros, mas não me apetece fazê-lo neste momento. Um apontamento aqui e outro ali são suficientes por agora. Continuo a ler, mas preciso de tempo para assimilar a leitura, mesmo que não escreva sobre ela. As listas do que li andam por aí, estreladas no Goodreads, mas de palavras para as descrever ando parca. Talvez porque os temas têm sido quase sempre os mesmos, e todos de não-ficção, meio filosofia, meio psicologia, não sei bem o que acrescentar. Só sei que tenho gostado deste silêncio e apreciado a introspecção, tenho aproveitado o conhecimento e as histórias.

 

Assim, deixo-vos com esta reflexão e com alguns dos livros da minha pilha recente, dos que li e vou lendo (ver fotografia no topo). Quando se gosta mesmo daquilo que se estuda (finalmente, já não era sem tempo!), parece que todos os autores que se conhecem e todos os capítulos que se devoram são poucos.

 

Um dia destes, volto com mais ideias livrescas! 📚

A leitura na era digital: Reader, Come Home (Maryanne Wolf)

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Comecei a ler Reader, Come Home - The Reading Brain in a Digital World (da investigadora Maryanne Wolf) no âmbito das minhas incursões recentes à literatura sobre cognição e a forma como o cérebro lê - ou seja, como nós, seres humanos, lemos. Eis a minha opinião e o resumo das ideias sobre este livro que me encheu as medidas.

 

Mais uma vez, o cérebro. A literacia digital e em papel. O conceito empatia, que tem alcançado algum destaque ultimamente, na academia e fora dela. A leitura (uma invenção cultural e para a qual o cérebro dos homens nem sequer nasce preparado) como meio de tornar as crianças de hoje em dia e dos próximos anos em cidadãos responsáveis, informados e críticos.


Maryanne Wolf tem dedicado a sua carreira académica a estudar o cérebro e a influência da leitura a nível neurológico, em termos interiores e exteriores. Afinal, mudanças causadas pelo exterior ao interior também provocam consequências exteriores. E por aí fora. A criação de hábitos de leitura sólidos desde cedo promove o desenvolvimento da inteligência, da memória, da atenção e do sentido crítico.


No entanto, este seu livro mais recente, Reader, Come Home, é mais um "sinal dos tempos", concentrando-se na passagem da leitura em papel, mais paciente e prolongada, para a leitura digital, facilmente interrompida pelas distrações doutras fontes ou mesmo que estão presentes em recursos do próprio texto (como os e-books para crianças ou até notícias online com hiperligações e pop-ups).

 

Nesta era digital, a própria autora deu por si a debater-se contra a sua incapacidade de apreciar os livros da sua infância e juventude, clássicos da literatura que moldaram a sua vida, mas que agora se apresentavam como obstáculos intransponíveis. Maryanne Wolf tinha perdido a capacidade de se concentrar em leituras mais desafiantes, que lhe pediam paciência e perseverança. Então, tanto a própria autora, quanto o "leitor" que ela interpela, são convidados a regressar à "casa" ou ao "lar" que é a leitura prazerosa, imersiva e prolongada que nos retira deste mundo. Certamente que todos nós que gostamos de ler desde pequenos nos lembramos de ser engolidos por um livro e, provavelmente, ainda hoje guardamos saudades dessas memórias.


Por estas razões, a investigadora da Tufts University, nos EUA, decidiu estudar a alteração nos seus hábitos de leitura e, consequentemente, nos hábitos de toda a gente, em particular de crianças, e o que fazer quando chega a altura de as expor a livros e/ou dispositivos electrónicos. 


Apesar de Reader, Come Home deixar mais hipóteses, preocupações e questões do que respostas empíricas, acho que me fez pensar sobre o que poderá ser feito no futuro para nos asseguramos de que criaremos cidadãos com literacia dupla, bilingues no que toca à leitura em papel e leitura digital, capazes de retirar de cada uma delas os melhores proveitos, atributos e capacidades cognitivas, não desprezando nem uns nem outros meios, mas sim navegando facilmente entre ambos os tipos.


Na minha opinião, Reader, Come Home é um livro para todos aqueles que se interessam pelo futuro dos livros e da leitura. Ler não é um processo cognitivo a que nos expomos "só porque sim". Ler mais deve, idealmente, aguçar a nossa reflexão e empatia, através do conhecimento e compreensão doutras vidas, assuntos que antes ignorávamos, articulação cuidada de pensamentos doutras pessoas. Ler bem, em geral, é uma necessidade e obrigação dos cidadãos que vivem numa democracia.

 

E vocês, ainda sabem o caminho de volta "a casa"?

Dos outros #43

"Nada há de mais caracteristicamente juvenil do que o desprezo pela juvenilidade. A criança de oito anos despreza a de seis e alegra-se por já estar a ficar tão grande. O estudante liceal está firmemente determinado a não ser criança e o universitário a não ser liceal. Se estamos decididos a erradicar, sem lhes avaliarmos os méritos, todos os aspectos da nossa juventude, poderíamos começar por aí, pelo snobismo cronológico característico da juventude. E então onde iria parar essa crítica que tanta importância atribui ao facto de se ser adulto, ao mesmo tempo que instila o medo e a vergonha relativamente a qualquer prazer que possamos compartilhar com os muito jovens?"

 

C. S. Lewis, A Experiência de Ler

Dos outros #42 - edição especial com comentário

Estou quase a acabar de ler um livro chamado Os Portugueses, do jornalista inglês Barry Hatton (que vive em Portugal há cerca de 28 anos). Este excerto é apenas uma das imensas pérolas que o autor refere acerca dos tugas - perdão, portugueses! - e só lendo o livro todo é que se acredita que, realmente, somos uma sub-espécie humana muito curiosa. Depois de passar 2 semanas a viver com pessoas doutros 4 países, não podia deixar de sublinhar que tudo o que o autor teoriza é verdade, provavelmente em todos os aspectos da nossa vida. Graças a estra grande obra-prima da literatura cultural, fiquei a conhecer-me muito melhor e aos meus compatriotas (pronto, pronto, mais opiniões no outro blogue, quando terminar a leitura).

Apesar de ser um bocadinho longo, aconselho-vos a lerem todo este parágrafo. Vale a pena!

 

Os portugueses tornaram-se adeptos de se irem safando, um talento para a adaptabilidade chamado «desenrascanço», aperfeiçoado por séculos de dificuldades. Trabalhos paralelos ajudam a manter as dificuldades à porta. Fora das cidades, as pessoas têm em geral um bocado de terra onde plantam legumes e, mesmo nas cidades, podem encontrar-se faixas de terreno plantadas no meio do trânsito intenso. A sociedade parece obedecer a regras informais. A ajuda vem da família ou dos vizinhos, ligados por uma rede informal que compensa as limitações do sistema. Não é o modelo da moderna UE, mas mais uma inspiração do passado. Arranjar alguma coisa que é precisa implica alguns telefonemas para amigos dos amigos - relações úteis chamadas «cunhas» - porque o Estado, pensam as pessoas, nunca vos dará nada de bom grado. Estas relações substituem os parâmetros do mérito e da justiça pois, dizem os portugueses, não se trata de «saber como» mas de «conhecer quem». E, esperando por um milagre como o regresso de el-rei D. Sebastião, os portugueses são os europeus que gastam mais, em termos relativos, na lotaria do Euromilhões. Tal como aqueles que afastam os receios de uma repetição do terramoto de 1755, estes jogadores depositam a sua fé na providência e apostam pouco na possibilidade de triunfar através da sua própria iniciativa. 

 

Barry Hatton, Os Portugueses

 

 

 

 

 

 

Venho por este meio expor a minha maior compulsão:

 

Estar em pausa lectiva permite-me ter muito tempo livre para ler e, já agora, para andar a passear pelas livrarias em saldos. E para os aproveitar, obviamente! É um salve-se quem puder! Eu cá já naufraguei. Para aí umas quatro vezes. Ter uma espécie de emprego novo - logo, um poucochinho mais de disponibilidade monetária - também não ajuda.

Goodreads - 2013 Reading Challenge

A 20 e poucas páginas de cumprir o meu 2013 Reading Challenge de 50 livros, o meu ego literário não poderia estar mais inchado. 50 livros é muita página, mas gostei de lê-los quase todos e não sinto que os tenha engolido com os olhos sem os saborear. Excepto um ou outro, assim mais para o traiçoeiro, não me arrependo de ter lido nenhum. Na verdade, a minha lista ultrapassa muito os 50 livros, se se contar com aqueles que eu não acabei, que deixei a meio ou que simplesmente eram uma grande seca, ou seja, 50 são só aqueles que eu realmente terminei.

 

Em suma, acho que, para 2014, terei de diminuir o meu desafio para uns 30 livros, no máximo, porque já esta última fase de 2013 foi complicada em termos de disponibilidade para a leitura recreativa - diz que a culpa é da faculdade.

 

E vocêses? Quantos livros leram este ano? E de quais é que gostaram mais? Recomendem-me os que quiserem, porque - já sabem - eu cá não sou esquisita (MAAAAS, pelo amor da santa, vocês livrem-se de me virem com Nora Roberts, Nicholas Sparks a.k.a. Nicolau Faísca ou com a tiazoca da Margarida Rebelo Pinto, que eu enxovalho-vos em blogue público, seus patifezinhos).

 

2013 Reading Challenge

Leitora Hiperactiva Anónima faz um esforço para combater a sua compulsão

Já prometi a mim mesma que, antes de me aventurar noutro livro, antes sequer se virar a primeira página, tenho acabar de ler alguns dos que tenho a monte em cima da mesa de cabeceira. O Harry Potter e a Ordem da Fénix tem de ser já o próximo e já estou a pouco mais de cem páginas do final. A seguir, do que depender da minha vontade consciente, têm de marchar também os últimos dois capítulos d'O Ano da Morte de Ricardo Reis. Para terminar de vez com a leitura de Verão pendente, La tentation de l'Occident, do francês André Malraux - um escritor do início do século XX - é um caso urgente. Entretanto, Uma Família Inglesa, do grande Júlio Dinis, e uma antologia poética de Bocage. Outra compilação de poesia: Tantas Mãos, a Mesma PrimaveraA Causa das Coisas, do Miguel Esteves Cardoso, em que não pego desde o início do ano. Recentemente, comecei a ler Où allons-nous?, originalmente escrito em Inglês por um dos meus ídolos, Martin Luther King Jr. - nem que seja para praticar o meu Francês, hei-de devorá-lo num instante. Pelo meio, acrescem-se mais quatro livros destinados ao estudo ou para trabalhos da faculdade, número esse que terá tendência a crescer até ao final do semestre. 

 

Faltam cerca de sete semanas para 2013 acabar. Para completar o objectivo a que me propus - ou seja, 50 livros lidos num ano - deverei ler ou terminar mais oito. Estou inacreditavelmente confiante de que ultrapassarei essa quantidade. Estou determinada a acabar com a compulsão de pegar em vários livros simultaneamente e de descriminar leituras começadas há mais tempo pelas recentemente iniciadas. C'est fini.

Outro dos desafios que prometi cumprir é o de ler toda a saga Harry Potter até ao final do ano, o que não vai nada mal, com quase cinco livros dos sete concluídos.

 

Dito isto, ai de mim se não deixar de ser uma Leitora Hiperactiva Anónima! Eu quero ou não quero passar a ler apenas um ou pouco mais do que um livro de cada vez??! Resposta: óbvio que quero, é que nem penso duas vezes. Muitas pessoas não entendem o quão complicado é ser-se um LHA, mas só quem o é poderá ser capaz de o sentir na pele. E é duro (de uma maneira extremamente negativa, não se iludam).

 

A cerca de sete semanas de 2013 acabar, comprometo-me a tentar ser menos LHA em 2014. Está dito!

 

***

 

- O QUE EU JÁ LI EM 2013 - 

Das minhas (graves) patologias

Por norma, considero-me uma leitora hiperactiva. Talvez, quem sabe, tenha acabado de criar um novo conceito, aplicável a muito boa gente, mas só agora materializado.

Um leitor hiperactivo, digo eu, é um leitor que não se consegue limitar a ler um livro de cada vez. Para ele, está fora de questão começar e acabar de ler um único volume sem antes ter iniciado a leitura de mais meia dúzia.

Eu sou assim, sem tirar nem pôr. E não há muito tempo, parafraseando um tal spot publicitário de uma marca de chá gelado que me recuso a patrocinar. Ainda me lembro da altura em que pegava num calhamaço e, do início ao fim, me concentrava só nele. Fossem cem ou oitocentas páginas, não nos descolávamos até que um desfecho no enredo ou um to be continued nos separasse.

Esta patologia de que sofro – ter-me tornado leitora hiperactiva – persegue-me, se tanto, desde o fim do ano passado. Acho que se foi agravando com o livre e frequente acesso à biblioteca local, onde existem livros sofrivelmente interessantes (a par, infelizmente, duma prateleira quase cheia de Margarida Rebelo Pinto), mas onde também coabitam grandes obras da literatura nacional e internacional que eu não me importaria de trazer para casa às catrefadas. Uma pessoa chega ali, àquela pequena sala a que chamam oficialmente "pólo de leitura", e abastece-se até cinco livros duma cajadada durante quinze dias. Esses cinco livros, somados às dezenas de outros que essa pessoa (eu) tem em casa, resultam numa enorme dor de cabeça literária.

Por qual começar a demanda? Qual o mais interessante? O da capa feia com um título sugestivo ou o da capa bonita com um título lamechas? O que é super popular ou o que só é conhecido por um grupo de leitores muito restrito? O que foi recomendado pela amiga ou o que foi publicitado na Internet? Com tanta questão em aberto, vai-se pegando em todos, apenas por segurança e para que nenhum se sinta inferiorizado: vinte páginas daqui, cinco dali, mais três capítulos dacolá.

 

Só que isto tem de acabar. Ai tem, tem! Estou farta de perder o fio à meada aos diversos enredos, estou farta de ir perdendo o interesse por alguns! Pretendo recuperar a minha dignidade de leitora, dê por onde der! Quero voltar ao meu estado inicial de leitora regrada e fiel ao seu livro, sem affairs pelo meio.

 

E o que me dizem vossemecês? Existe por aí mais alguém que se considere um leitor hiperactivo? Se sim, acusem-se e poderemos formar uma espécie de LHA - Leitores Hiperactivos Anónimos. Ideias para combater o bicho não me faltam.