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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Uma visita rápida (mas muito prazerosa) à Livraria Déjà Lu

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Gosto de livrarias. Gosto de procurar e encontrar pechinchas. Portanto, gosto de livrarias e de procurar e encontrar pechinchas em livrarias.

 

Por isso, não admira que tenha gostado da Déjà Lu imediatamente, ao primeiro passo. A Déjà Lu é uma livraria solidária em Cascais, que vende livros em segunda mão (já lidos, tal como indica o seu nome), e cuja receita reverte para causas e instituições de apoio a pessoas com Trissomia 21. Por todas estas razões e mais algumas, é uma livraria incrível para os amantes de boas leituras e de um bom cantinho onde as encontrar.

 

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Desde que conheci o João que pensei "agora é que vou conhecer a Déjà Lu !". Ele é de Cascais, então eu ainda achava que teria mil desculpas para ir à Cidadela. Entretanto, já passaram quase dois anos, a pandemia meteu-se pelo caminho, algumas mudanças na vida e na geografia roubaram-nos a atenção e só este fim de semana é que lá fomos, para aproveitar um curto passeio nestes últimos dias de Verão.

 

Finalmente, saciei a curiosidade.

É preciso salientar que, se um dia eu puder ter uma livraria, ela vai ter de ser tão acolhedora quanto a Déjà Lu. Vai ser bem arejada e iluminada, vai ter tapetes, sofás, cores quentes e uma decoração alusiva à paixão pelas viagens, pelos autores, pela escrita, pelo ambiente aconchegante e convidativo.

 

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Eis uma livraria arrumada, com pessoas simpáticas a atender (a quem nem perguntei o nome, agora que penso nisso...), os livros organizados de forma impecável, as sugestões personalizadas a piscarem-nos o olho, variedade e quantidade para todos os gostos (incluindo uma selecção de livros de arte muito jeitosa, que cativou logo o João). Ainda por cima, os preços são realmente justos e acessíveis - o livro mais caro que terei visto custava 8€, salvo erro, mas na secção de livros em inglês encontrei alguns a 3€!

 

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Gostei de tudo e só tive pena de chegar uma hora antes do fecho. Se tivesse tido mais tempo, teria explorado todos os títulos e cantinhos com maior atenção e disponibilidade. Assim, restou-me procurar e perguntar por títulos específicos, dar uma volta mais ou menos apressada pelas três salas que compõem a livraria Déjà Lu e prometer mais visitas para breve.

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Desta primeira visita, trouxe Deixem Passar o Homem Invisível, de Rui Cardoso Martins (6€), um autor português que quero ler assim que possível.

 

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A Livraria Déjà Lu fica na Cidadela de Cascais, no primeiro edifício logo à esquerda de quem entra no forte, no primeiro andar. Se vierem de carro, podem tentar deixá-lo no parque de estacionamento mesmo à entrada, nos parques pagos subterrâneos ali perto ou, como nós, no parque do Cascais Villa, assim aproveitando um passeio a pé mais longo.

Encomendar livros durante o estado de emergência: um dilema

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Hoje encomendei imensos livros dum site nacional, porque têm um dia de descontos e eu quis aproveitar para conseguir alguns livros que tenho vontade de ler/ter há muito tempo.


Sei que muitas pessoas têm o emprego em risco, empresas que não sabem o dia de amanhã, e sinto o assunto de forma aguda porque o meu pai trabalha na Sá da Costa (Lisboa) e tiveram de fechar ao público. As perdas vão ser mais que muitas. Na Sá da Costa, continuam a trabalhar em armazém, dizem que têm trabalho para dois meses, mas e depois...? Tenho medo que os serviços e indústrias ligados aos livros, que me são tão queridos, sejam irreversivelmente afectados e que, mesmo a meio gás, seja uma parte da economia a sucumbir (ainda por cima, sendo Portugal um mercado muito pequeno). Assim, ao fazer a encomenda, pensei "é uma empresa portuguesa, mandei vir livros da autores e editoras nacionais, vou dar-lhes um empurrão." Infelizmente, a realidade é espinhosa e fui alertada para o seguinte: há pessoas a trabalhar na distribuição, que estão na rua, enquanto eu estou resguardada em casa. Nem todos temos trabalho durante esta pandemia, e muito menos são aqueles que o podem fazer a partir do seu lar.


E, agora, devemos parar tudo? Ou devemos continuar a tentar estimular o que ainda sobrevive nestes tempos estranhos, principalmente pequenas empresas do país? Afinal, sabe-se lá até quando é que poderemos, sequer, fazer encomendas...

 

Fica por aqui o dilema.

Descobrir uma livraria nova: Bookshop Bivar, Lisboa

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Esta semana, deixo um desafio a quem adora livros: tentem descobrir uma livraria nova. Não vale Fnac, Bertrand ou a do supermercado. Tentem antes dar uma hipótese às livrarias independentes, pequenas, de bairro.


Muitas vezes, as livrarias independentes são negócios de dimensão minúscula, mas que trazem o rendimento e alimentam a paixão de uma família. Quem nos atende tem um cuidado especial, aquele espaço pertence-lhe e também o seu tempo, que pode ser livremente dedicado ao cliente ou mesmo numa conversa simpática.


Ontem, descobri a Bookshop Bivar, entre o Saldanha e Arroios (Lisboa). Tudo em inglês e em segunda mão, tem clássicos, literatura de cordel, não-ficção, ficção, fantasia, livros técnicos, marketing, educação, psicologia... o que se quiser. Até tem um sofá muito catita para repousarmos enquanto escolhemos o que queremos levar. E, depois, tem aquele encanto de se encontrar achados por género, nome de autor por ordem alfabética, ou perguntar à Eduarda (a dona da livraria, açoriana do Canadá, cujo coração já foi conquistado por Lisboa) se tem "aquele livro".

 

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No meu caso, a Eduarda não tinha o livro que eu procurava (How Fiction Works, James Wood), mas acabou por me sugerir outro relacionado que acabei por levar, porque foi a recomendação certa e assertiva, touché - um conjunto de ensaios chamado Creators on Creating


Obviamente, já ando a falhar na resolução de ano novo sobre comprar apenas 10 livros em 2019. Quando pensei em visitar a Bookshop Bivar, já sabia que a tarde não terminaria sem um volume extra na estante. Sou muito previsível e descobrir uma livraria nova é claramente uma óptima desculpa para arranjar mais livros.

 

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Se alinharem neste desafio, não se esqueçam de vir cá contar como foi!

 

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Bookshop Bivar: Rua de Ponta Delgada 34A, 1000-169 Lisboa (entre o Saldanha e Arroios)

Sabe tão bem comprar um livro novo!

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Uma das coisas que a minha família raramente me recusou até eu começar a trabalhar foi a compra de livros. Comprar um livro novo nunca fez mal a ninguém! Nunca tive todos os brinquedos que quis, nem todos os CDs e DVDs, muito menos consolas de jogos. Nem sempre podia ter a roupa que estava na moda, ou incorrer em gastos supérfluos só porque sim. 

 

Por outro lado, até era incentivada a comprar um livro novo de vez em quando. Se não ia eu à livraria, alguém me ia trazendo um ou outro consoante os meus gostos. Lembro-me de a minha tia me trazer muitos livros d'Os Cinco, d'Uma Aventura e daqueles cheios de pop-ups e relevos. Já em pequena queria ter os livros, não apenas para os ler, mas porque gostava de os ter, do entusiasmo de papel a cheirar a novo, das lombadas e capas intocadas, sem vincos, sem vestígio de pó, humidade ou outra humanidade, porque gostava de lhes tocar e de os ver na estante, sabendo que eram meus. Claro que também ia à biblioteca e trazia de lá muitos livros, claro que lia os livros da escola, mas comprar um livro novo era todo uma outra experiência. E a Feira do Livro?! Mais um hábito ao qual fui iniciada desde bem pequena, com repercussões para o resto da vida. É raro o ano em que não vá lá, pelo menos para comprar um livro simbólico.

 

Farto-me de comprar livros, pelo que nem sempre consigo ler todos. No entanto, a promessa de que os poderei ler quando bem me apetecer não tem comparação. Olho-lhes para os títulos, organizo-os na estante, imagino-me a conhecer essas palavras que ainda me são desconhecidas. Não me lembro dalguma vez ter sido doutra forma. Se me dissessem que já veio gravado no meu código genético, eu acreditaria.

 

Por estes motivos, uma das minhas actividades favoritas é visitar livrarias (por motivos estratégicos e de variedade de oferta, a Fnac tem sido a minha predilecta). Gosto de pegar em vários livros que me pareçam interessantes, amontoá-los no colo e sentar-me a dar-lhes uma vista de olhos. Ultimamente, de forma a reduzir desilusões, antes de comprar um livro novo tenho tentado ler as primeiras páginas. Também costumo analisar o que os meus contactos do Goodreads com gostos semelhantes tenham opinado. Perco algum tempo por semana nesta selecção, cujo objectivo oscila entre uma compra hipotética ou um sonho-acordado. Nem sempre tenho orçamento para comprar o que quero, nem sempre os livros em análise parecem justificar o gasto. Mas esse contacto inicial ninguém me tira!

 

Hoje de manhã encomendei um livro que ainda há-de demorar uns dias ou semanas a chegar. Em situações como esta, o mais difícil é a espera. A expectativa. O entusiasmo. A contagem decrescente. O prazer e a vontade de lhe pegar que se encontram suspensos pelo processamento, expedição, envio... Eu até consigo arranjar o livro em formato digital, "mas não é a mesma coisa". Se eu pudesse, se eu tivesse dinheiro e logística, tinha tudo em papel. Tudo em estantes que nunca mais acabam. 

 

É tão bom comprar um livro novo, não é?

Não gostei do LxFactory, não gostei da livraria Ler Devagar, mas percebo o seu charme

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Talvez tenha sido por causa da chuva, talvez tenha sido por causa do frio, mas não gostei do LxFactory (também não gostei da livraria Ler Devagar, mas já lá iremos). Depois duma vida inteira a viver perto de Lisboa e de muitos anos a lá estudar, fui para a Tailândia em pleno desconhecimento deste sítio in

Agora que voltei, estabeleci como objectivo visitar todos os locais que ainda não conheça em Lisboa e que eu sinta que me possam surpreender. Foi mesmo com isso na mente que fui visitar o LxFactory. Até combinei um plano completo com a minha amiga Carolina, para poder experimentar todas as variantes possíveis do dito spot. Almoçámos lá, visitámos todos os tipos de loja e quase nos aventurámos numa sobremesa.

 

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Aqui seguem algumas impressões...

 

Ora, ponto número 1: os preços no LxFactory encontram-se inflaccionados pela taxa do "ser da moda", isto é, quem lá vai deve estar normalmente disposto a gastar mais dinheiro do que se fosse a outro sítio qualquer. Começou com o preço do almoço. 3€ por uma sopa numa taça minúscula, por onde se poderia beber chá, mais 3€ por um crepe de legumes com 5cmx2cm. Por pessoa, tudo isto. Ah, e um litro de água custou 3,50€ (a dividir pelas duas). Eu sei que Lisboa não é a cidade mais barata do mundo, mas achei isto uma roubalheira. Pelo menos, as doses poderiam ser mais simpáticas. Todos os outros restaurantes tinham menús completos por uma média de 15€. Oh. Meu. Deus. Tentámos as sobremesas, mas, pelo menos a mim, pareceu-me um excesso pagar quase quatro euros por uma fatia de bolo (disclaimer: depois de sairmos do LxFactory, fomos a uma pastelaria local, mesmo à saída).

 

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Ora, ponto número 2: o sítio não é assim tão bonito, nem agradável. Está bem, na semana passada esteve sempre a chover, o piso estava molhado, o céu nublado, as pessoas tristes e os cabelos ao vento. Mas não senti vibrações positivas enquanto estive no LxFactory, só senti um ambiente de coolness forçada. Não senti sequer que fosse um sítio tão artístico como tanta gente diz em todo o lado. Salvaram-se alguns graffitis interessantes, uma e outra mensagem curiosa, mas é só. Sem ser as esplanadas dos restaurantes, nem havia muitos bancos para os visitantes se poderem sentar e apreciarem as vistas.

 

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Ora, ponto número 3: depois de almoço, fomos à livraria Ler Devagar. Obviamente, eu estava entusiasmadíssima, poderia dar pulos de alegria por finalmente visitar esta livraria santificada nos blogues. Felizmente, também tinha um certa noção de que me poderia vir a desiludir. Pois, desiludi-me. Tem uma boa seleccção de poesia - devo reconhecer - mas o resto dos livros fica áquem das expectativas, não porque seja maus, mas sim porque são os mesmos livros que encontramos em qualquer outra livraria. A forma como estão organizados também não é nada de jeito, até me pareceu que estavam misturados autores portugueses com estrangeiros, não-ficção com ficção, géneros distintos com outros. Promoções... poucas, nem os preços me cativaram. Ficam no olho os mecanismos suspensos e alguns outros detalhes fofinhos, por exemplo, nos cafés dentro da livraria.

 

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Ora, ponto número 4: só encontrei uma casa-de-banho em todo o recinto. Sublinho, até: uma sanita. E tive dores de barriga. E tinha três pessoas atrás de mim, à espera que eu saísse. Não, não foi o momento mais confortável da minha vida, tive de apressar os meus assuntos e isso não me deixou muito feliz. (Se calhar, até havia mais casas-de-banho, mas o facto de eu não as ter encontrado também diz muito.)

 

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Ora, ponto número 5: safam-se mesmo os graffitis e a decoração de certas lojas. Pagam-se preços inflaccionados em todo o LxFactory, mas ao menos enchemos o olho nalguns (repito - alguns) sítios. Ainda assim, penso que esses pormenores são mais bonitos em foto do que ao vivo. Pronto, digamos que o LxFactory é um sítio fotografável,giro para o Instagram. 

 

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Após reflectir sobre a minha experiência, tive mesmo de chegar à conclusão de que não gostei do LxFactory. Fiz por tudo para não ser do contra, tentei procurar pontos positivos, mas concluí sempre que, com tantos locais lindos e maravilhosos em Lisboa, com uma área tão extensa e felizmente renovada à beira do Tejo, com prédios de todos os séculos e mais alguns que não encontramos em mais nenhuma cidade, com tanto espaço verde e urbano onde dá para lavar os olhos e também a alma... O que é que o LxFactory tem de especial? Bem... publicidade? Bom nome? É giro ir-se lá uma vez, ver como é e tal... e pronto. Não lhe consigo achar piada, principalmente quando penso no resto de Lisboa, na paz, beleza, tradição e inovação que esta cidade combina.

 

Contudo, fico humildemente à espera dos vossos comentários! Acham que estou a exagerar? Que deveria ter visto coisas que não vi, para as quais não olhei como deve ser? Que ainda me posso vir a surpreender se lá voltar mais uma vez? Veremos.

 

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