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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Lord Ennui deseja-vos um óptimo Domingo e semana que vem

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O meu gato, Lord Ennui, é um gato exótico de pêlo curto. É dos bichos mais lindos que já vi, é tão macio que passo a vida a afagá-lo e a apertá-lo. Tem a particularidade carismática de ter nascido com um bigode senhorial marcado no focinho. Por isso é que se chama Lord. Ennui, porque parece sempre zangado ou aborrecido com uma qualquer mundanidade. E tem classe e uma arrogância [aparente] de gente letrada em França. No entanto, não só é o gato mais bonito, quanto é o mais querido, pacífico e simpático. É um gato que me acorda todas as manhãs sem se impor, vem de mansinho com patas de neve; chega-se a mim muitas das vezes em que me sinto em baixo; quando trabalho de madrugada, deita-se em cima da minha secretária enquanto dou aulas ou vem simplesmente cumprimentar-me por alguns minutos até começarem; está sempre pronto a brincar; perdoa-me as judiarias a que o forço e os abraços estrafegados. É um gato com bom coração, se é que isso seja possível. É generoso. Afável. Compreensivo. É o meu gato favorito em todo o mundo. Tornou-me, de certa forma, uma cat person, quando eu sempre proclamei o título de amante de cães, ponto finalFoi o meu maior companheiro enquanto estive em Banguecoque e foi, provavelmente, o melhor souvenir que eu poderia ter trazido de lá.

 

Decidi partilhar estas fotos convosco, apenas para vos desejar um óptimo Domingo e semana que aí vem, cheios de energias positivas. E quem, afinal, não gosta de gatos? Todos gostam (excepto os alérgicos)!

 

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Nota: Lord Ennui não foi comprado, mas sim resgatado. Não vos aconselho comprarem animais a criadores, mesmo que queiram muito uma raça. Tentem adoptar de alguém que faça criação, mas não pelo dinheiro, ou adoptem animais de canis, animais da rua ou de ninhadas perdidas. Lord Ennui foi, exactamente, resgatado dum criador que não tratava bem os gatos. O que lhe interessava era o lucro. Por causa disso, outros gatos da mesma pessoa nasceram ou ficaram doentes. Muitos dos animais vendidos, em Portugal ou seja onde for, trazem doenças por causa de más condições de higiene ou negligência. Pensem bem, antes de tomarem uma decisão! :)

Os problemas em adoptar um gato "em segunda mão"

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Como sabem, adoptei o excelentíssimo Lord Ennui há quase dois meses. Ele tem cerca dum ano, parece ser feliz comigo, come bem mas sem ser uma grande despesa, é saudável, não é exigente nos brinquedos (basta enrolar um bocado de papel higiénico ou arranjar uma caixa de plástico que faça barulho) e está cada vez mais a habituar-se a ser um "gato de companhia".

 

 

No entanto, Lord Ennui não tem só qualidades. O primeiro defeito que tem é... não foi bem tratado pelo antigo dono. E agora vocês dizem "mas isso não é defeito". Bem, para muitos poderia ser. Para mim, é um desafio.
Para muitos, poderia ser, porque um gato - ou qualquer outro ser vivo - negligenciado no passado é um gato com falta de confiança nos humanos.
Lord Ennui adaptou-se instantaneamente à vida num apartamento. Massajou o tapete e roeu-me os dedos dos pés de imediato, encontrou a caixa de areia, demonstrou interesse no chuveiro e não foi esquisito com a comida.

 

No entanto, desde o primeiro dia que notei que não estava habituado a ser o que eu chamo um "gato de companhia". Não sabia saltar para o sofá, não gostava de colo, escondia-se frequentemente debaixo do mobiliário, não se deixava apanhar.

 

A única coisa que sei sobre o passado deste gato é que pertencia a um criador sem escrúpulos. Foi exactamente isso que me disseram. Mais não sei. Uma veterinária recolheu-o e foi à clínica dela que o fui buscar.

Portanto, adoptei um gato desconfiado. Um gato "bicho do mato". Um gato em segunda mão.
Felizmente, está a ficar cada vez mais confortável na rotina da vida caseira.

 

Agora, um mês e meio depois, pede muitos mimos. Aprendeu a comunicar. Vai à janela. Começa a perceber quando está a ser chamado. Sobe para o sofá e para a cama. Pede sempre um pedaço da nossa comida. Corre pela casa em acessos de alegria súbita. Brinca sem fim, incluindo à apanhada connosco.

 

Mas, antes de todo este processo, foi preciso muita calma. Eu queria muito um gato de colo, que gostasse de estar comigo. No entanto, não é possível esperar tal coisa de Lord Ennui. É um gato traumatizado, cujos traumas eu não conheço. Muito prático, não é?
Não é prático, mas é uma missão.

Há que ser paciente. Já diz o ditado: "gato escaldado...". A seu tempo, um gato desconfiado aprende a ser um gato relaxado.

 

Seja como for, não me arrependo um único minuto de adoptar Lord Ennui, indomável, terrível, trapezista, atleta, arisco, mas um gato que, sendo amado como é, só pode ser feliz. Só espero que pare de atirar tudo para o chão, de esconder canetas, de rasgar a cortina do chuveiro e de dormir em cima da minha cara durante a noite.