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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

a moldura

    O destino daquela moldura é não ter uma fotografia tua. Vou ocupando-a com as fotos dos outros que me acalentam o coração, revezando-as, aleatoriamente, tentando preencher o vazio que encontro, uma vez que, a tua, jamais poderei mostrar ao mundo. A tua... A nossa foto...! A nossa amizade... o que nos une!


    O que mais me magoa é não poder estar à vontade para partilhar o que fomos construindo, apesar de todas as adversidades e das supostas impossibilidades que, afinal, não passavam de remotas possibilidades que, juntos, conseguimos concretizar. Ninguém - repito, ninguém - acreditou em nós. Ora era eu a fraca, ora eras tu a minha fraqueza, como se fôssemos incompatíveis: o bem versus o mal.


   Se eu tirasse aquela fotografia do envelope, seria tudo muito mais simples. Talvez perdesse importância, depois de acontecer, ou talvez me confortasse e mantivesse o significado inicial.


    Eu gostaria apenas de não ter de ocultar a tua existência aos que mais amo...

então

   Estavas a olhar profunda e atentamente para mim. Estarias curioso, impaciente ou inexpressivo? Não sei, não sei. No entanto, ali estavas, tão perto e disponível...! Podia ter congelado o momento. Nós os dois, mortais em nada iguais, víamo-nos frequentemente em situações tais que difícil seria esquecê-las. Tu, moreno, despenteado, nada meu, alimentavas a minha aura, tornando-a superior a qualquer dimensão.


   Então, abracei-te. Perdoa-me - não resisti. Culparei, assim, a tua irresistibilidade e aroma de mais ninguém. Saciei o desejo de um aperto, aproximando os meus erros dos teus, tornando-os um pouco menos humanos e mais perdoáveis. Não foram bons, aqueles efémeros segundos? Não te marcaram? Não, eu sou a tua marca e, tu, a minha. 


   O derradeiro momento da separação, do beijo de despedida e do leve, breve e desmotivado aceno chegou, mas tu fugiste dele. Não olhaste para trás; nunca olhas para trás. Porquê? Só queria, uma vez na vida, ter a satisfação e o consolo de te poder atirar um beijo ou presentear-te com um sorriso (já) saudoso.


   Sinto saudades de um desses momentos de despedida, porque, antes dele, haverá sempre um abraço.