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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

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16/30 (detesto chuva)

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Eu detesto chuva e sinto o desconforto que a humidade me traz fisicamente. Há uns anos, sempre que a humidade aumentava, mesmo que ainda não estivesse a chover, eu ficava com umas dores de cabeça que apareciam de surpresa, até eu ter percebido o que se passava e passar a estar psicologicamente preparada para a depressão externa e interna.

 

Por isso, estou a detestar estas semanas, ainda por cima semanas em que não me faltam actividades nas quais deveria estar a ocupar a cabeça. Já não sofro com as tais dores de cabeça, mas fico desprovida da quantidade mínima de energia para conseguir pensar. Aliás, estou a escrever este texto em cima da hora, isto é, pouco antes da meia noite. Não sei se já notaram, mas já falhei um dos dias do desafio, então acho que pode compensar escrever qualquer coisa hoje, só para não perder o ritmo (um dos princípios que James Clear defende no seu livro Hábitos Atómicos é não deixar de praticar o "show up").

 

Tem estado a chover, e a chuva deixa-me ainda mais exausta, ansiosa e deprimida. Não admira que, quando eu morava em Banguecoque, estivesse muitas vezes a sentir-me eu mesma na sarjeta, apesar de me ter habituado um pouco. Será comum, esta sensação de impotência ou cansaço associados aos fenómenos meteorológicos?

 

Curiosamente, a minha cidade favorita é capaz de ser Edimburgo, onde chove bastante e faz frio, mas quando chove e faz frio enquanto estou em Edimburgo, eu gosto. Acho encantador. Inspirador. Acolhedor. Mal posso esperar por lá poder voltar, assim que seja seguro viajar só porque sim. Quero conhecer mais sítios na Escócia, mesmo que esteja a cair um dilúvio.

 

Por agora, no Alentejo, quero o sol quente de volta. Preciso de escrever e de trabalhar nos próximos dias e não me posso dar ao luxo de aturar a escuridão e estas cores horríveis no horizonte.

 

Na foto: eu a apanhar chuva na Escócia, em Maio de 2018, e a achar muito bonito e pitoresco.

irónico

   Já há uns dias, desde que começou a fazer sol A SÉRIO, com temperaturas superiores a vinte graus, que ando a pensar em escrever qualquer coisa sobre isso. Quer dizer... passámos de vestir CAMISOLAS DE LÃ DE GOLA ALTA e CASACÕES DE DUAS TONELADAS para, agora, vestirmos T-SHIRTS e CASACOS LEVEZINHOS.


   Mas, de repente, não é que cai um dilúvio, surge uma tempestade que mais parece vinda de um qualquer fenómeno tropical e os trapinhos primaveris que decidimos vestir por causa do solinho bom tornam-se alvos facilmente derrotados pela carga de água que levamos em cima? Onde andam os chapéus de chuva, quando mais precisamos deles? Ninguém os tem, todos os querem e os pré-adolescentes (aka turmas do 5º, 6º e 7º ano) gritam que nem loucos, histerizados pelo ribombar dos trovões e pelos raios súbitos e alarmantes. A multidão agita-se, encolhendo-se no minúsculo bar da escola, os decibéis triplicam e a minha cabeça lateja de dor. A electricidade falha de vez em quando e o frio inesperado piora as minhas dores musculares (não pratiquem desporto sem aquecerem primeiro!).


   Foi uma tarde interessante.