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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Tornozelos ao léu: Moda Outono/Inverno 2018-2019

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No que toca a muitos aspectos inerentes à condição da criatura humana, sou um exemplar medíocre: nomeadamente, não sou gorda nem escanzelada, calço o 38 e meço 1,68m; na constituição física, nem sou bicho miúdo, nem super modelo.

 

Por isso, foi com grande surpresa (e consternação) que me apercebi que todas as calças que eu experimentava nas lojas me deixavam os tornozelos à mostra. Sempre curtas demais, o que não melhorou da colecção duma estação para a outra.

 

Ou eu teria crescido, ou todas as calças vendidas na Grande Lisboa teriam encolhido! Percorri Primark, C&A, H&M, Promod, El Corte Inglés, boutiques do metro, chineses... E da minha procura exaustiva e prolongada ainda só resultou um par, do ECI. Infelizmente, só tinham uma cor, senão teria trazido a gama inteira, tal é o desespero. Ora, foi-me acontecer isto a mim, que sempre fui daquelas pessoas - lá está, medíocres - que, depois dos 12, nunca tiveram de fazer ou deitar abaixo nenhuma bainha...

 

Depois, comecei a olhar para as pernas das minhas colegas (que é como quem diz... vocês percebem). Andavam todas piratas, mas piratas chiques! Calças de fugir à polícia, diria a minha avó. Tudo de tornozelo ao léu. Afinal, não estava sozinha nesta odisseia. As calças curtas desfilavam perante a minha estupefacção.

 

Então, concluí que as entidades da Moda, pessoas que pensam e criam roupa e suas respectivas tendências, decidiram que este Outono/Inverno vai tudo corrido a calças curtas. Não há abébias para friorentos com meias às listas ou do Harry Potter, isto é, para mim. Pensaram eles que o tornozelo se sente sufocado, quer ver mundo, instruir-se, apanhar ar fresco, contribuir para câimbras e músculos fracos. O que está na moda é o ténis estiloso com soquete tímido ou o botim maravilha com meia de vidro fina, tudo à mostra.

 

Contudo, desenganem-se: eu não me fico por aqui. Só descanso armada de calças que me batam no calcanhar ou quando declararem que as caneleiras voltaram às pernas do mundo. Eu cá ainda tenho as minhas, de quando estavam na moda em 2010. Prezo demasiado os recursos para aquecimento entre Outubro e Abril para os desperdiçar com modas e manias.

 

Nunca serei uma fashion icon, nem fashion influencer, nem somente fashion.

 

(Já agora, se souberem onde comprar calças decentes, HELP!)
(E já agora outra coisa, isto é só na moda feminina, os homens parecem estar a salvo.)

Dez perguntas de gaja a que (ainda) não tenho resposta

1 - Qual é a diferença entre fazer o risco nos olhos com lápis ou com eyeliner?

2 - É normal cair-nos imenso cabelo sempre que o lavamos?

3 - A esteticista tem nojo de nós quando aparecemos todas peludas e pensa mal das nossas pessoas por termos sido badalhocas e nos termos desleixado de tal forma?

4 - É aceitável e frequente faltar-nos a paciência para exterminar a nossa monocelha em insistente crescimento?

5 - Os saltos altos são desconfortáveis por natureza, quem os usa sofre horrores e sacrifícios ou sou só eu que não acerto na marca e na sapataria certas e que, enfimm sou uma anormalóide com pés de homem?

6 - As leggings podem usar-se por baixo de vestidos sem nos deixarem pirosonas?

7 - Os enroladores de pestanas não as enfraquecem?

8 - Aquilo de dizerem que, se fizermos a depilação com cera, obtemos duas semanas sem pêlos, é a mais pura das mentiras - não é?

9 - Os cremes que supostamente retardam o crescimento dos pêlos funcionam ou é só marketing? E não fazem mal à pele?

10 - Uma senhora a sério que se preze não come nem se maquilha nos transportes públicos?

Também tenho um amigo que demora duas vidas a arranjar-se, por isso não digam que são só as mulheres!


A propósito, nós não vamos à casa-de-banho juntas para ficarmos no mesmo cubículo a ver a outra fazer chichi; nós vamos à casa-de-banho juntas para podermos ir falando umas com as outras, cada uma de seu lado da porta, ok? E eu só tenho UM par de botins de salto alto que só usei uma vez, encontrando-se o resto dos meus sapatos em vias de irem para o lixo, tal é o uso, ou, pelo menos, em estado de contínua degradação. E nós, mulheres ou seres que ascenderão a tal num dia destes, precisamos de malas porque, ao contrário dos homens, usamos calças justas ou saias, ficando feio se se vir ali um telemóvel ou uma carteira a emergirem dos bolsos (ou a pedirem para serem "resgatados" por mãos alheias, além de que nos magoam as pernas); aproveitamos a fundura de algumas malas para despejar, por conveniência, aquilo que os homens não têm nos seus bolsos e hão-de precisar, eventualmente (lenços de papel, por exemplo). Quanto à demora e à picuinhice nas lojas, existem patologias e Patologias, sendo que, pessoalmente, tenho de argumentar que nem todos os seres humanos têm um corpo relativamente quadrado, tendo em vez disso curvas em tudo quanto é sítio, ou falta delas (factor pouco atractivo) pelo que é preciso saber escondê-las meticulosamente ou, pelo contrário, saber exagerá-las, daí os nossos dilemas no que toca a comprar nem que seja uma única peça de roupa. Quanto à síndrome da Primark, juntem o ponto anterior ao facto de nos encontrarmos numa das catedrais comerciais com preços mais baixos, não só em roupa, como igualmente em lingerie, malas, acessórios, maquilhagem, etc, etc.

Mais alguma coisa?

modas e outras coisas que nem têm nada a ver com o assunto

Perguntei à minha melhor amiga, a Cara de Panqueca, sobre o que poderia eu escrever. Ela respondeu "moda". Eh pá, eu de moda percebo pouco e, quando tem de ser, lá finjo que sei qualquer coisinha, mas este não é momento para fingimentos. Este é o momento em que eu digo, muito sabiamente, que as únicas peças de vestuário que deveriam ser proibidas por lei (com direito a pagamento de coima, porque "multa" é uma palavra demasiado normal) são a tanga e a cueca elástica que certos homens se (in)dignam a envergar na praia, quer sejam as criaturas bonitas, feias, bem ou mal apetrechadas, tenham vinte ou duzentos anos. O spandex para uso masculino devia ser severamente punido! Hoje, vivi um daqueles momentos que, decerto, me marcará durante muitos anos (ok, é-me quase indiferente): vi os testículos e o pénis de um senhor a debaterem-se dentro de licra apertadíssima, mesmo à frente da minha toalha, toldando-me a bela paisagem marítima que se impunha uns metros à frente. Eu sei, um pesadelo, caro leitor! Recorrendo a uma expressão corriqueira, o primeiro pensamento que me ocorreu foi "MAS QUE PORRA É ESTA?". Perdi as estribeiras! Felizmente, a minha atenção voltou imediatamente a ser resgatada pelas nobres (e engraçadíssimas!) palavras de Ricardo Araújo Pereira, no seu excepcional e inesquecível livro de crónicas "Boca do Inferno". Ainda dizem que é impossível existirem livros capazes de salvar vidas!

sobre as liquidações totais

Hoje, passei por uma loja que vai fechar e está a vender tudo a 70% e 90% do preço marcado. Entrei (estava tudo de pantanas e muitos dos expositores até já estavam vazios), corri para a secção dos biquínis, tirei e experimentei o modelo que melhor me ficaria e lá o trouxe para casa, muito contente e orgulhosa das compras baratinhas que acabara de fazer - também comprei um sutiã e paguei, no total, menos de cinco euros. Nisto tudo, não me apercebi que o padrão do biquíni tem, na verdade, chitas. O meu cérebro encontrava-se, no momento, inebriado pela adrenalina desse fenómeno a que chamam "saldos".

moda, moda, moda

A moda é relativa. Sim, para mim, é. Na minha perspectiva, é. De acordo com o que vejo, é. Uma coisa são tendências, outra coisa é a moda. Quase ninguém está na moda, por muito que se regozije a gritar aos ventos sobre a sua sabedoria no assunto, "as rendas estão na moda, as cores vivas estão na moda, as sandálias assim e assado estão na moda", pois eu aposto todos os meus dentinhos em como essa certa pessoa continua a usar aquele vestido com folhos que comprou no ano passado (à parte a minha humilde ignorância, julgo que esta Primavera/Verão tal já é considerado démodée). Tudo isto para concluir que a moda é um mito muito feio, um pretexto para andarmos a comprar aquelas roupas novas, lindíssimas, segundo as tendências, essa perdição de rendas, folhos, cores, tecidos, texturas, blá, blá, blá.... E que ninguém nos censure, porque pelo menos andamos bonitinhos e arranjadinhos e ficamos com a auto-estima em alta!