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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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O luto e a impotência da perda: The Year of Magical Thinking (Joan Didion)

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Life changes fast. Life changes in the instant. You sit down to dinner and life as you know it ends.

 

Já perderam alguém querido de um momento para o outro? Já vos aconteceram situações inesperadas que mudaram a vossa vida para sempre?

 

É este o mote para todo o livro The Year of Magical Thinking, de Joan Didion. Deve ser o livro mais triste, mas também dos mais bonitos que li este ano. Joan Didion é conhecida por ter tido uma carreira completamente ligada à escrita, nomeadamente na Vogue, na revista The New Yorker e como guionista (como o remake de A Star is Born de 1976), mas este é um livro, digamos, de memórias.


Quem também conheceu no trabalho e a acompanhou durante mais de quarenta anos de vida foi o marido, o também escritor John Dunne. The Year of Magical Thinking não é só sobre ele, mas sobre o seu falecimento e o ano que se seguiu. Este é um livro sobre o luto, o que por si só é triste, mas que neste caso tem todo o contexto dum casamento feliz que lhe precedeu.

 

O luto de Didion consiste numa tentativa constante de reconstrução dos factos que levaram ao momento em que John se sentou para jantar e teve um ataque cardíaco, revisitando recordações desde o momento em que se casaram até à noite de 30 de Dezembro de 2003. Por isso, o sentimento de impotência prevalece, mesmo quando são contadas memórias felizes. A autora quer ter respostas que, na verdade, são óbvias. Como e de que morreu o marido? Ela poderia ter feito alguma coisa para o evitar? Como é que poderiam ter tido uma vida ainda melhor? Deveria ter lido melhor os sinais, tanto os sinais médicos quanto os esotéricos? Que entrelinhas lhe falharam?

 

Para mim, o mais importante a reter e a apreciar neste livro é o raciocínio de alguém que perdeu a sua pessoa favorita no mundo, embora não acredite que seja o melhor trabalho escrito fale Didion. O que faz deste livro tão bonito é o carinho omnipresente e a falta que faz a pessoa com quem se escolheu passar a vida.


Por outro lado, a dor. Li a maior parte de The Year of Magical Thinking antes de adormecer e tive quase sempre sonhos relacionados com a perda súbita de alguém, ou com a impotência e casualidade da maioria dos eventos na nossa vida, que não podemos controlar. A procura desse controlo é vã, mas devolve-nos algum conforto, por nos fazer parecer que estamos a tentar tanto quanto possível. No caso de Didion, nada iria mudar o facto de o marido sofrer de problemas cardíacos, com predisposição genética e detectados várias décadas antes da morte, mas mesmo assim a procura incessante de respostas mostra-se tão inevitável quanto a doença (da filha de ambos, Quintana) e a morte.


Assim, se procuram entender melhor o a relação entre os vivos e os mortos, o amor que sobrevive a qualquer um, se perderam um ente querido e precisam de consolo e catarse, se querem ler sobre casamentos e histórias de amor que só a morte separa... The Year of Magical Thinking é o que vos faz falta na estante. Não é uma leitura emocionalmente fácil, mas de certeza que nos enternece.

 

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🤯E agora que já terminei este livro fininho, mas pesadote... O que recomendam de mais leve e para a boa disposição das pré-férias, com dias tão bonitos?

Para onde foi o Finn Hudson?

 

Cory Monteith, protagonista da série Glee, cantor exímio, actor sofrível, carinha laroca e, aparentemente, viciado em "substâncias", morreu ontem num hotel em Vancouver, aos 31 anos. Agora é esperar para ver como é que os produtores da série se vão desenrascar sem a sua estrela. É desta que a Rachel fica com o Brody, que de sonso não tem nada e de bom rapaz (em vários aspectos, se é que me entendem) tem tudo.

 

Nobody said it was easy...

 

3 anos sem Saramago

É verdade. Assim, num ápice, já contamos três anos desde a morte do nosso Nobel português, José Saramago, que nos deixou a 18 de Junho de 2010. Connosco, permaneceu a sua criatividade e o empenho que colocou em toda a sua obra, a sua devoção à língua portuguesa como poucos escritores ainda a têm. Jamais se publicará uma obra nova da autoria de José Saramago, jamais faremos fila na Feira do Livro para lhe pedirmos um autógrafo (eu fiz duas vezes... e, incredulamente, não era assim tão grande quanto a imaginaríamos). Jamais este "nosso" Saramago escreverá uma linha que nos ajude a entender o verdadeiro valor do património linguístico que temos e o seu alcance. Jamais Saramago escreverá uma linha que nos faça visitar outras épocas e realidades, do modo como só ele sabia contar histórias. E isso é que é triste.

 

Já lá vão três anos.

 

 

 

 

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.

o que eu andava a precisar de ler

   Infelizmente, nos últimos tempos, poucos têm sido os livros que me têm cativado desde o início até ao fim, causando-me uma sede incontrolável de os acabar de ler em tempo recorde. Lembro-me de, há já alguns anos, conseguir embrenhar-me nas histórias e sentir-me presa a elas, como um compromisso, até depois de as terminar, mas essa situação começou a tornar-se um fenómeno cada vez mais raro. Apenas o voltei a sentir este Verão, quando li "Maldito Karma", de David Safier, e ontem e hoje, enquanto lia "O Outro Lado", de Gabrielle Zevin. Ambos os livros se desenrolam em torno de uma temática um bocado estranha - a morte - mas é incrível a maneira optimista como a abordam e as lições que nos transmitem, um mais dirigido para adultos e o outro para jovens, respectivamente.


   Apesar de poderem parecer enredos pouco elaborados, cada pormenor descrito dá a ideia de ter sido infimamente pensado, como uma ciência. Nada é deixado ao acaso, por muito que nos demos ao trabalho de procurar um qualquer erro ou cálculo mal efectuado. Tanto o "Maldito Karma" como "O Outro Lado" têm uma escrita simples e ligeiramente humorística, até porque se tratam de histórias contadas na primeira pessoa. Li-os em menos de dois dias cada um!


   Já andava a precisar de ler algo assim, soft, sem deixar de ser boa literatura! Recomendo-os a toda a gente que procure algo do género!



o que eu andava a precisar de ler

   Infelizmente, nos últimos tempos, poucos têm sido os livros que me têm cativado desde o início até ao fim, causando-me uma sede incontrolável de os acabar de ler em tempo recorde. Lembro-me de, há já alguns anos, conseguir embrenhar-me nas histórias e sentir-me presa a elas, como um compromisso, até depois de as terminar, mas essa situação começou a tornar-se um fenómeno cada vez mais raro. Apenas o voltei a sentir este Verão, quando li "Maldito Karma", de David Safier, e ontem e hoje, enquanto lia "O Outro Lado", de Gabrielle Zevin. Ambos os livros se desenrolam em torno de uma temática um bocado estranha - a morte - mas é incrível a maneira optimista como a abordam e as lições que nos transmitem, um mais dirigido para adultos e o outro para jovens, respectivamente.

   Apesar de poderem parecer enredos pouco elaborados, cada pormenor descrito dá a ideia de ter sido infimamente pensado, como uma ciência. Nada é deixado ao acaso, por muito que nos demos ao trabalho de procurar um qualquer erro ou cálculo mal efectuado. Tanto o "Maldito Karma" como "O Outro Lado" têm uma escrita simples e ligeiramente humorística, até porque se tratam de histórias contadas na primeira pessoa. Li-os em menos de dois dias cada um!

   Já andava a precisar de ler algo assim, soft, sem deixar de ser boa literatura! Recomendo-os a toda a gente que procure algo do género!