Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Os anjos não têm sexo, ok?

Ontem à noite dei conta de um ambiente tenso no Facebook graças a uma reportagem da TVI, que muitos jovens classificaram de escandalosa e, no mínimo, inapropriada. Fiquei curiosa. Primeiro, até pensei que se referiam ao novo programa do Nurb, do Kiko is Hot, da Anny is Candy e do Diogo Sena, quando mencionaram algo como "jovens que não sabem do que falam", entre outros tantos "elogios". Não é que eu os considere como tal, mas acredito que exista muita gente a pensar desse modo (haters). Contudo, depressa me apercebi que, para tanto estrilho, a sua causa deveria ser outra coisa. E era.

O episódio de ontem da rubrica Repórter TVI chama-se, então, "O Sexo dos Anjos" (também a poderão ver no site da TVI). Só o nome já é sugestivo o suficiente. Boa estratégia de marketing! Só que, cá para mim, tudo o que junte anjinhos com sexo só pode cheirar a mostarda queimada, e com toda a razão. Repetiram a dita reportagem ainda há bocado, no fim do telejornal das 13h, e, previsivelmente, passei esses vinte e cinco minutos a praguejar conta a televisão.

Rescaldo: o jornalista foi realmente inapropriado, não soube explorar o tema e generalizou uma imagem desagradável da minha (nossa!) geração, baseando-se em meia dúzia de entrevistas. Demonstrou uma irrepreensível falta de tacto quando se limitou a entrevistar apenas um tipo de jovem, ao invés de tentar cobrir uma maior variedade de indivíduos.

Bem sei que, infelizmente, miúdas como as que figuravam nesta reportagem é o que não falta por este país, por este mundo fora. Confirmo que representam uma grande parte da população adolescente e que não são exemplo para ninguém. Não as conheço, não sei quais são as suas origens e abstenho-me de fazer juízos de moral para além da imagem que elas se limitaram a fornecer aos telespectadores. Mostraram-nos ser apoiantes de um pseudo-movimento feminista (uma delas chegou a dizer a célebre frase "quando uma rapariga tem três parceiros numa semana, nós sabemos o que ela é; quando um rapaz faz o mesmo, é um garanhão") de que sou a maior opositora (cá para mim, se levam a sua vidinha dessa maneira, são todos uns vadios, sem selecção de sexo). Mostraram-nos as suas roupas justas, curtas e provocantes, a sua melhor - e mais exagerada - maquilhagem, as suas pernas, os seus rabos, as suas mamas, a sua lata, os piropos que lhes "mandam" quando saem à noite... Mas coitadas, à falta de miolos, têm de exibir o corpinho, o seu único trunfo disponível...
Quanto a terem abordado o tema da música, compreendo o papel sexual que ela desempenha na nossa sociedade, mas não será menor do que o desempenhado pelas outras artes. Vivemos num mundo em que a liberdade artística não conhece limites, portanto... porque não? Porque não meter meninas parcialmente nuas e transpiradas em videoclipes, porque não pô-las a dançar de um modo absurdamente sexual, porque não escrever letras foleiras que incitem ao "acasalamento"? 
Ah, e já que falamos em acasalamento, por que raio é que a pornografia, de repente, é chamada ao assunto, acusando-a de exercer pressão sobre quem a vê? A pornografia ilude tanto o seu público, aumentando-lhe as expectativas quanto à sua vida sexual, quanto as comédias românticas protagonizadas pelo Justin Timberlake, pelo Ryan Reynolds, pelo George Clooney, pela Scarlett Johansson, pela Sandra Bullock, pela Sarah Jessica Parker (e por aí fora) os iludem quanto à sua vida sentimental... Olá, sejam bem-vindos ao mundo real, onde não existem pessoas perfeitas, casais perfeitos, relações físicas/emocionais perfeitas, corpos perfeitos, locais perfeitos ou momentos perfeitos!

Para finalizar, sem dúvida que esta reportagem deverá ter suscitado muita curiosidade, exaltação mediática e audiências para a TVI. Se esse era o seu objectivo, conseguiram. No entanto, é lamentável que tenham reduzido a condição do jovem português à de alguém que só vive para o sexo, em função da sua imagem, e que não tem outras preocupações senão a de "engatar" e de ser "engatado", qual homem das cavernas.
Deixo a sugestão à TVI - sugestão essa que, provavelmente, nunca será lida nem aproveitada - para que seja feita, já agora, outra reportagem sobre o RESTO dos jovens do nosso país - aqueles que estudam, trabalham, fazem por ser cidadãos e, em geral, pessoas melhores, que são intelectual e emocionalmente equilibrados e que se sabem divertir sem serem demasiado promíscuos fora da sua intimidade, aqueles que merecem ser colocados em destaque em horário nobre!