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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas

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Solteiros ou comprometidos, casados, divorciados ou até viúvos, quem é que no século XXI não se perguntou já como será isso do online dating - encontros proporcionados por sites e apps, maioritariamente desenvolvidos desde os anos 90?

 

A verdade é que vejo imensa gente à minha volta a alinhar nestas ferramentas usadas para conhecer pessoas novas, incluindo eu. Há umas semanas, por coincidência depois duma experiência mais ou menos desapontante neste domínio, decidi ir à Fnac (os livros animam logo uma pessoa, não é?). E descobri este livro, Modern Romance, escrito pelo comediante Aziz Ansari em parceria com o sociólogo Eric Klinenberg. Fiquei particularmente curiosa, porque também eu já passei por um par de situações sobre as quais gostaria de ler, dum ponto de vista mais científico e universal. É para isso que os livros servem, não é?

 

Em primeiro lugar, sei que este ainda é um assunto "engraçado" para muita gente. Sair com pessoas que se conhece pela Internet ainda parece ser relativamente novo ou pouco generalizado em Portugal. Mas é um fenómeno tão válido quanto qualquer outro a ser investigado e discutido na área das ciências sociais e humanas.

 

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Sabiam que, à data de publicação do livro, um terço dos casamentos americanos tinha sido possível por o casal se ter conhecido pela Internet? E a tendência é estas estatísticas aumentarem ainda mais com o passar dos anos.

 

Como é referido em Modern Romance, há cinquenta ou sessenta anos os casais conheciam-se de forma diferente e tinham expectativas de vida quase opostas às nossas. O importante era casar com alguém minimamente decente, que vivesse perto, o homem trabalharia e a mulher seria quase sempre dona de casa, criariam uma família e morreriam felizes e contentes dessa forma - se tivessem sorte, senão estariam apenas reservados para uma vida comum medíocre.

 

Hoje em dia, a maioria dos jovens estuda até muito mais tarde, procura uma vida profissional satisfatória e estável, viaja e muda de cidade ou país com relativa facilidade, e, no que toca a casar e a ter filhos, procuramos fazê-lo com a nossa alma gémea, ou pelo menos com alguém que nos faça sentir não só confortáveis e amados, quanto também desafiados e atraídos de maneiras muito variadas. Chegamos a namorar muitos anos com a mesma pessoa, ou a gastar muitos anos de vida em busca dessa tal cara-metade.

 

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(Perdoem-me a falta de qualidade das imagens, nem sempre é possível ver bem os gráficos.)

 

Neste contexto académico e profissional tão intenso, em que os círculos sociais acabam por ser limitados, é compreensível que não tenhamos tanta disponibilidade para conhecer alguém realmente especial, pelo que o uso das tecnologias, não sendo um fim em si mesmo, é uma ferramenta que nos proporciona conhecer mais gente além do alcance das nossas vidas turbulentas, porventura encontrando alguém que nos encha as medidas.

 

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Contudo, paralelamente a esta parte mais teórica, o livro também expõe imensos dos problemas de quem utiliza as ferramentas de online dating. Eu já escrevi sobre algumas das minhas próprias experiências no blogue, mas foi sempre em tom de gozo, o que nem sempre espelha a minha atitude real perante o tema. Eu até levo o Tinder, a app que eu uso, mais ou menos a sério, mas, separadas as devidas excepções, poucas das pessoas com quem tenho chegado à fala encaram as interacções como seria esperado, quando comparamos a realidade do online dating em Portugal com a dos EUA, em destaque em Modern Romance. O livro menciona, por exemplo, o facto de haver pessoas que se envolvem pouco ou que deixam de responder de repente, após conversas extensas e aparentemente muito interessantes. Pensamos "olha que individuo tão agradável" e depois ele desaparece do mapa, após uma ou duas desculpas pouco convincentes. Ou mesmo silêncio.

 

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Por isso, já é a segunda vez que me inscrevo e já é a segunda vez que elimino a app, porque acaba por ser uma experiência que nem sempre traz à superfície o melhor de nós, e é preciso respirar fundo. Em suma, ler este livro trouxe-me algum consolo, por perceber que "pode acontecer a qualquer um de nós e são riscos que temos de correr".

 

Por outro lado, também sei de histórias fantásticas de quem se conheceu online e o livro conta outras tantas, que se apanharam nos grupos de indivíduos estudados pelos autores ou no trabalho doutros investigadores. Nem tudo é mau, nem tudo é bom, num catálogo tão vasto de possibilidades. O mesmo aconteceria, numa escala diferente, ao conhecer alguém pessoalmente desde o início. 

 

No entanto, os autores deixam claro: a chave para as coisas correrem bem é não nos esquecermos que, apesar de as pessoas com quem falamos por mensagens serem quase irreais até ao momento em que as vemos, todos continuamos a ser humanos do outro lado do ecrã. Temos sentimentos, preocupações, traumas, receios, experiências de vida únicas. Assim, devemos tentar ser tão decentes quanto possível, tal como seríamos se essas pessoas estivessem à nossa frente. E não nos devemos esquecer: as ferramentas online levam-nos a contactá-las, mas não substituem a parte do dating em si, conhecê-las ao vivo e a cores.

Aqui seguem alguns excertos que achei muito sucintos:

 

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Dito isto, adorei o livro Modern Romance. Apresenta um bom equilíbrio entre livro de ciência popular (quem gosta de antropologia, sociologia e psicologia como eu vai gostar desta leitura) e entretenimento. Tem apontamentos fora do comum, nomeadamente acerca da vida sexual dos japoneses, e os autores dão alguns testemunhos pessoais e dicas de como comunicar de forma mais eficiente. São estudados ainda outros temas, como a infidelidade e o fim das relações na era das mensagens instantâneas, as diferenças culturais no namoro à volta do mundo, o sexting e as redes sociais. Por vezes, há piadas desnecessárias, mas faz parte.

 

Excelente tentativa de desmistificar um assunto do qual tanta gente ri, mas que ainda nem toda a gente compreende!

O melhor que um amigo nos pode dizer

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Não costumo pensar em mim como tendo resposta para seja qual for o menor problema à face do universo. Eu nem a cozinhar sou boa. Nunca fui popular. Não sei nadar. Sou terrível a matemática, sou daquelas que se perde em contas de subtrair. Sou a mais nova dos meus amigos. Por norma, tenho poucos filtros, falo do coração e com o coração na boca. Às vezes, acho que me acontece tudo sem argumento. Ultimamente, só tenho velejado as ondas da vida ao sabor do vento. Logo se vê. 

 

Mas alguma coisa devo andar a fazer bem. Ontem, uma amiga disse-me que gostaria de ser mais como eu, seguindo o que eu faço e a maneira como lido com diversas situações e pessoas. Isto é o melhor que um amigo nos pode dizer, principalmente se for uma pessoa que tenhamos sempre admirado de volta.

 

Podemos conquistar a admiração de qualquer pessoa, mas conquistar a admiração dum amigo é das melhores sensações possíveis. É preciso tocarmos a fasquia com o efeito em dobro - por vezes, não temos objectividade suficiente para avaliar um amigo em toda a sua plenitude, verdade seja dita; é difícil esquecermo-nos de que aquele indivíduo extremamente competente em tantos domínios é o mesmo a cujos piores momentos nós assistimos na primeira fila.

 

Claro que, inevitavelmente, os nossos amigos vêem algo de especial em nós, ou nem sequer o seriam. Mas chegar ao ponto de nos confirmarem, verbal e abertamente, que querem ser mais como nós... É qualquer coisa.

 

É ainda infinitamente mais saboroso um amigo dizer que quer ser como nós exactamente numa questão que pensávamos não dominar. A minha amiga não me disse "quero dar aulas com a mesma alegria que tu". Ela disse-me, literalmente, "vou adoptar a tua visão de vida" (logo a mim, que me considero cada vez mais míope em tanto assunto). Pelos olhos dos outros, é como se descobríssemos facetas nossas que desconhecíamos e às quais nunca demos importância. Pelos olhos dos outros, descobrimos o quão mais fortes e competentes somos na realidade.

 

O melhor que um amigo nos pode dizer é que somos uma referência, um exemplo a seguir. Não há palavras para descrever tamanha gratidão por esta partilha.

 

Finalmente, proponho: e que tal, para começar bem a semana, dedicarmos dois minutos do nosso dia a elogiar um amigo? 

Pedir desculpa não está na moda

É triste, mas pedir desculpa não está na moda. Apercebo-me de que há cada vez menos gente a fazê-lo e só pode ser esse o motivo da sua escassez. Os influenciadores desta era não devem referir o conceito muitas vezes. 

 

À minha volta, pessoas que trabalham comigo, que privam comigo ou até com quem tento apenas estabelecer algum tipo de contacto evitam ter de me dedicar este gesto tão simples, mas tão importante na manutenção da nossa face e relações cordiais com os outros. Em vez disso, resta-nos o silêncio e uma sensação ácida a desconforto.

 

Pedir desculpa fica tão bem, e sabe tão bem receber estas palavras de vez em quando. Demonstram cuidado, respeito e consideração. Não é preciso sermos melhores amigos ou família para as trocarmos. Basta esbarrarmos num desconhecido na rua.

 

Vou ter de trocar a reunião X para outro dia. Desculpa.
Não estou com disposição para jantar hoje. Desculpa.
Vou chegar atrasada. Desculpa.
Esqueci-me do que me tinhas pedido. Desculpa.
Vou ter de te interromper. Desculpa.
Um qualquer erro/inconveniente/situação inesperada/factor de desilusão/contexto de embaraço. Desculpa.

 

Claramente, não tenho em mente que seja necessário andarmos todos de cabeça baixa a pedir desculpa uns aos outros de forma constante. No entanto, reconhecer as nossas falhas, por mínimas ou acessórias que sejam, mostra uma vulnerabilidade e humildade, ou mera humanidade, muito atraentes.

 

"Ah, mas a intenção estava lá."

 

Como é que eu hei-de saber, se ela não se materializou? As palavras, tal como os gestos, servem para serem utilizadas. Para comunicarmos e cooperarmos - digo eu, que me interesso académica e pessoalmente pela comunicação humana, em estudar e criar significado.

 

Digo eu, que tento ser sempre a primeira a dar o braço a torcer quando fico em falha para com alguém e que me sinto tão aliviada por haver maneira de me expressar nesse sentido. E que, de igual modo, sou a primeira a tentar compreender, aceitar e valorizar um pedido sincero de desculpas. Errar, falhar, desiludir, magoar, não corresponder às expectativas acontece a todos. Pedir desculpa não resolve tudo, mas é uma gentileza. 

 

Peço desculpa por este desabafo sentido e pesaroso.

 

E obrigada (que também é outra palavra a cair em desuso, sobre a qual poderemos discutir noutro dia).

Ler mais autores portugueses e lusófonos tem sido o meu objectivo literário para 2018

Há muitas pessoas que não conseguem viver sem filmes, outras que não passam sem séries, ou que sentem necessidade de ir ao ginásio todos os dias. Eu preciso de ler, se não todos os dias, muito regularmente. Por isso, tenho tentado ler em maior quantidade e qualidade, porque sei que me faz sentir melhor e mais feliz. Neste caso, decidi investir em ler mais autores portugueses e lusófonos como objectivo literário para 2018.

 

 

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 (O meu desafio anual no Goodreads até agora.)

 

Ler mais autores portugueses e lusófonos tem sido o meu objectivo literário para 2018 por várias razões.

 

Em primeiro lugar, acho que apoiar o que é nacional é uma mais-valia. Não entrando em sentimentos nacionalistas nem "o que é nacional é que é bom", acredito que nos fica bem valorizar o que é feito por portugueses e em língua portuguesa, porque é muito fácil entusiasmarmo-nos mais com o que vem do estrangeiro e tendemos a esquecer-nos das nossas origens e um pouco da nossa identidade. Consumimos imensa cultura inglesa e americana, por exemplo, nem que seja por serem tão "vendidas" pelos meios de comunicação. É-lhes dada imensa visibilidade, o que nem sempre acontece em semelhante proporção quando se trata de criações ou produtos portugueses.

 

Este é o meu caso. Estudei literatura inglesa e americana, tive professores ingleses e americanos, cresci a ver séries da Fox e do AXN (e reality shows do TLC), a ver os Simpsons e comédias românticas de Hollywood, a ler Harry Potter e Crónicas de Nárnia, falo inglês todo o dia, todos os dias, há mais de dois anos, por causa do meu trabalho, refugio-me nessa língua que já considero um pouco minha... por isso sei o quão fácil (e cómodo) é pegar num paperback em inglês (que, ainda por cima, é mais barato) em vez de investir num autor português publicado em capa dura. A certa altura, até os temas são mais familiares. 

 

Por outro lado, eu quero lembrar-me e estar em contacto com todas as minhas tais "identidades" ou "origens". Quero saber tanto quanto possível sobre um povo e sobre o outro (e outro, e outro, e outro). Esse é outro motivo pelo qual quero ler mais autores portugueses. Quando os leio, também me sinto em casa, a beber da nossa língua, pessoas, culturas e mentalidades. É a língua portuguesa que me fascina, até mais do que a inglesa, ou a francesa e a espanhola. Para mim, é um desafio, ainda por cima por achar que os nossos escritores adoptam frequentemente um tom muito nostálgico, triste e insatisfeito através da sua escrita (sei que pode ser cultural, mas...). Assim, tenho tentado encontrar autores que contrariem ou equilibrem essa tendência. Também quero ler sobre gente feliz.

 

Finalmente, leio imenso porque quero aprender a escrever com quem percebe do assunto. Só grandes leitores podem dar, no mínimo, escritores medíocres. Respeito quem o faz bem e sei que têm muito a ensinar-me. O que escreveram os clássicos? O que escreveram autores X e Y? O que andam a escrever os contemporâneos? O que os torna não interessantes? O que os faz ganhar prémios? O que os faz serem tão aclamados pela crítica e pelo próprio público?

 

Até agora, em 2018 ainda só li cerca de oito livros escritos em língua portuguesa. No entanto, tenho feito um esforço por comprar mais e interessar-me pela literatura nacional e lusófona recente e das últimas décadas, tentanto intercalar um livro em português a cada leitura noutra língua (inglês, quase sempre). O mais difícil é explorar novos temas, a que a literatura estrangeira não me habituou. Mas, cada passo a seu tempo, há que começar por algum lado.

 

Também aceito dicas e sugestões de quem esteja a tentar fazer o mesmo que eu, dando uma oportunidade aos autores de língua portuguesa! O que andam a ler? Ou quem? E como são os vossos hábitos de leitura?

Os homens são de Marte, as mulheres são de Vénus, mas andamos todos à volta do sol

Todos precisam de ver o espectáculo de stand-up Elder Millennial, no Netflix!

 

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Os homens são de Marte, as mulheres são de Vénus. Eles, básicos. Elas, complicadas. O sexo masculino é mais prático e físico, o feminino é fala-barato, verbal, emocional.

 

Poderia passar aqui o dia a debitar estereótipos acerca dos dois sexos que coabitam na nossa imaginação humana como sendo o gato e o rato. No entanto, para quê perpetuar e insistir em estereótipos, quando podemos fazer um levantamento dos ditos cujos e gracejar sobre o seu efeito nas nossas vidas?

 

 

Se gostam de stand-up comedy, são capazes de se rir da vossa própria pessoa e sexo que vos calhou e gostariam de ter algumas luzes extra acerca de como homens ou mulheres pensam quando se envolvem, recomendo-vos este espectáculo, Elder Millennial, da Iliza Shlesinger, uma comediante americana que já conquistou a minha admiração. Aliás, diria que, se gostam da portuguesa Mariana Cabral, aka Bumba na Fofinha, vão adorar esta minha sugestão.

 

Já eu, ri-me que nem uma perdida ao assistir a esta hora a "cortar na casaca" dos dois lados, mas de forma muito educativa e pedagógica. É que, mais estereótipo, menos estereótipo, a Iliza tem razão. Temos de arranjar uma forma de conseguir comunicar, homens e mulheres, para chegarmos a algum lado (nem que seja à perpetuação da raça humana e, vá, para alguma diversão). Há que aprender a falar a língua duns e doutros, meet each other halfway.

 

Além disso, as imitações e exageros da Iliza são duma pessoa se engasgar em gargalhadas. Ele é pavões, rolas, cães, coiotes, ... E, claro, dos homens e das mulheres "à caça".

 

Ora, digam lá que não é um espectáculo engraçado e tão cheio de graça! Promete...

 

(Se tiverem mais recomendações do género, estejam à vontade na caixa de comentários!)

Não falo de política neste blogue: porquê?

Quando comecei este blogue, escrevia frequentemente sobre política, sobre notícias ou sobre assuntos actuais. Deixei de o fazer por alguns motivos, ao longo dos anos. Passei a escrever mais sobre trivialidades e nulidades, deixando as actualidades para quem de respeito e autoridade. Ou coragem.

 

É preciso ter coragem para comentar seja o que for. Há sempre quem leia a nossa opinião e partilhe a sua de forma construtiva e diplomática, há quem perca a noção e entre pelo ridículo de atacar a pessoa que escreve de imediato. Aliás, até a comentar um filme se vê o que espera quem queira escrever sobre seja o que for. É preciso comentar tudo com pés de lã. 

 

Por vezes, sinto que há problemas de interpretação do outro lado. Ou talvez seja eu quem os tem, quem sabe? Há quem não entenda sarcasmo, ironia, piadas, há quem não tenha sensibilidade quando se trata de assuntos sensíveis. Certas pessoas perdem-se no conteúdo. Por exemplo, quando escrevi sobre as minhas primeiras experiências do Tinder (apenas o assunto mais inócuo e engraçado de sempre), há uns meses, emergiram imensos ofendidinhos. Perdiam-se nas entrelinhas, atiravam logo pedrinhas em vez de lerem a totalidade do texto. Até assuntos banais ganham a dimensão de catástrofe social. 

 

E o meu blogue nem é muito conhecido! Sim, tenho alguns leitores habituais (cujos comentários e reacções me deixam muito feliz, obrigada por estarem desse lado ♥), mas também recebo feedback de algumas pessoas que caem aqui de pára-quedas e entram logo na ofensiva. Nem imagino quem tenha blogues com projecção, porque eu bem leio o tipo de comentários que recebem por dá cá aquela palha

 

Desta forma, tento não escrever sobre assuntos sérios, como política ou economia, porque sinto que, além de não ter o conhecimento suficiente para me poder defender em caso de ataque, há sempre o perigo de ser mal interpretada à espreita.

 

Logo eu, que escrevo mais para entreter e deixar as pessoas felizes, do que para causar o caos e o drama!

Desculpem o desabafo. Às vezes, tem de ser.

Fui ver o Mamma Mia! 2 e achei o filme uma parolice

Atenção: risco de spoilers ligeiros, se bem que já conhecemos todos o enredo, por isso é mais uma questão estética.

 

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Sexta-feira à noite, amigos que gostam de musicais e lamechice - qual o melhor plano do que ver o filme Mamma Mia! Here We Go Again? Claro que tínhamos de o fazer. Infelizmente, os boatos que já tínhamos ouvido revelaram-se verdadeiros: o Mamma Mia 2 é uma parolice, um filme bastante mauzinho.

 

Comecemos pelo facto de que, como em todos os franchises, o risco de repetição e enjôo é bastante elevado. O primeiro não é um filme brilhante, mas entretém e é minimamente credível. Tem lógica, princípio, meio e fim, uma premissa que nos envolve no enredo, que nos faz sentir próximos das personagens e das suas histórias.

 

Já este Mamma Mia 2... É só canções e pedaços de passado. Memórias repescadas, actores reformados repescados, cantores reformados repescados, enredo repescado. Tudo em segunda mão. Chocou-me principalmente sentir que todo o filme me causava vergonha alheia, desconforto, #cringiness. A performance terrível da maioria dos actores, a montagem e edição deficientes, a narrativa previsível, o absurdo em todo o lado. Sim, é ficção. Sim, é um filme para entreter as massas, não é suposto ser uma obra de arte. Mas há mínimos olímpicos a cumprir.

 

No final, ficou a sensação de que desenterraram uns quantos ossos e tentaram fazer sopa do cozido com eles. Ficou, claro, um sentimento de enorme desilusão. Se é para se fazer, que se tente fazer qualquer coisa boa, positiva para o mundo, que acrescente. Só os cenários e figurinos me consolaram. Nem sei como tem mais de sete pontos no IMDB.

 

Mamma Mia! 2 é só um filme para ganhar uns trocos e recuperar uns quantos dinossauros, um centro de dia ou caixote da reciclagem para não deixar o franchise ou os artistas cair no esquecimento (sim, Cher e Andy García, estou a olhar para vocês...). Um desperdício. Vejam antes na Internet, se têm curiosidade. Ou quando estrear na televisão.

Teremos sempre o Tejo

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Não admira que Camões tenha pedido inspiração às Tágides, porque um rio com uma luz assim só poderia albergar ninfas e vida fantástica, seres míticos e lágrimas de quem viu os seus ir e regressar ao longo de séculos. O rio Tejo tem, para mim, uma aura mágica. Chamem-me romântica ou pirosa, mas não consigo negar que este rio exerce um efeito libertador, relaxante e criativo sobre mim. Consigo estar sentada à beira-mar durante várias horas - algures numa esplanada, no chão, num banco, num muro ou na relva - a pensar, a ler e a escrever. Sinto-me mais leve, mais feliz e produtiva quando o faço. Aliás, alguns textos aqui publicados tomaram forma perto do Tejo. Trabalho perto quase todos os dias e, por vezes, tiro uns minutos para me sentar a vê-lo, aos cacilheiros, aos veleiros e aos cruzeiros. É frequente lá almoçar ou comer um gelado, se estiver sol - tanto melhor.  A margem Sul do outro lado, o Cristo Rei a despontar no meio das nuvens, uma ponte de cada lado a cruzar o horizonte. O Tejo é o meu sítio especial.

 

Como não amar o Tejo? Nos melhores e nos piores dias, tê-lo-emos, sempre.

Este não é um texto sobre estradas

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Este não é um texto sobre estradas. 

 

Vamos lá ser directos e linguisticamente vagos sobre este tema: acabar uma relação de longa duração é uma... isso. Ficamos virados do avesso. Desorientados. Parece que perdemos uma parte do que (pensávamos que) éramos. É como se, a meio da peça que estamos a representar, nos faltasse subitamente o guião. Não há encenador que nos valha, os dramaturgos ficaram sem material e nós somos meros actores sem linhas para dizer.

 

Os seguintes pensamentos podem surgir aleatoriamente, por isso perdoem-me alguma incoerência ou atabalhoamento, já que a génese deste texto resultou duma conversa igualmente experimental que tive com um amigo (aquele que, ainda por cima, é das psicologias) e também me serve de chuva-de-ideias para o que ando a escrever. Se tiverem algo a partilhar, força!

 

O que senti de imediato, na altura, é que acabar uma relação é vermo-nos obrigados a alterar uma data de hábitos que tomávamos como garantidos, parte fixa dos nossos dias. Podia até ser apenas uma chamada ou uma mensagem antes de dormir. Podia ser um hobbie partilhado que passamos a fazer sozinhos, um nome que já não ouvimos ninguém chamar-nos (nem que seja o típico "oh amor"). Com mais ou menos margem de previsão, passamos a integrar e a adoptar novos ritmos, novos hábitos que substituem os antigos. Quebra-se a rotina.

 

Além disso, numa relação de longa data, ficamos com a sensação de conhecer a outra pessoa melhor do que ninguém e que, por outro lado, essa pessoa nos compreende como nenhum outro consegue. Não é preciso justificarmos a forma como nos sentimos ou comportamos. O outro entende o nosso horário de sono, o gancho das piadas que contamos, a nossa hesitação em situações sociais, com que tipo de pessoas mais simpatizamos, já sabe em que preciso momento vamos esconder a cara num filme de terror, lê as entrelinhas com fluência e é capaz de prever em quem votamos a cada nova época de eleições e porquê.

 

O que me leva àquilo em que desabou a tal conversa:
Quando, finalmente, começamos a ganhar alguma clareza e a tentar conhecer outras pessoas, resta-nos uma situação ambígua: por um lado, olhamos para trás, para esse cenário onde fomos tão felizes e nos sentimos tão confortáveis, mas cujo caminho se tornou uma estrada cheia de buracos que já não dá para retomar; por outro, um caminho virgem de terra batida onde temos de construir estradas a partir do nada, desde o início.

 

E construir estradas novas tem tanto de trabalho meritório quanto de tarefa hercúlea! Mas é uma real estucha, parece que nunca dá em nada e há mesmo caminhos que temos de abandonar, porque não há alcatrão que pegue nesses terrenos lamacentos onde chove e deslizam solos constantemente. E quando há rios (quiçá, mares) pelo meio e é preciso erguer pontes? Só de pensar, já me sinto exausta. Sim, é uma aventura, que lindo que é admirar a obra feita no final, mas ninguém nos oferece garantias de que aquela estrada alguma vez vai ser funcional! Ou que, no final, não se revela uma via estreita onde se anda de bibicleta com canteiros de flores (o que não é nada mau, mas e o investimento já levado a cabo em materiais para as infraestruturas rodoviárias?). É que uma pessoa até guarda na memória algumas noções de como ir dum sitio ao outro e de como desbravar caminho, vai olhando para a estrada antiga em busca de inspiração, mas o método é sempre diferente, são novos tempos, novos terrenos, novos veículos em circulação. Assim sendo, dá vontade de ficar antes em casa, criar gatos e viver as aventuras dos livros, que é mais económico e polui menos.

A minha história de amor-ódio com o ginásio (quem não tem uma é um ovo podre)

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Este blogue tem andado ora muito lamechas, ora muito intelectualóide, por isso vamos lá agitar as procrastinações com um tema mais levezinho (menos para mim, que sofro com ele): a minha história de amor-ódio com o ginásio. E quem diz ginásio diz qualquer tipo de actividade física que peça deste corpinho mais do que os movimentos levantar-sentar numa cadeira, num sofá ou numa cama.

 

Por causa dum golpe de sorte, consegui na roleta russa da genética uma tendência a parecer magra sem me esforçar muito. O pior é que isto se deve à ausência de massa muscular, i.e., eu sou mesmo uma trinca-espinhas sem bife para amostra, mas não deixo de ter massa gorda que tem de ser controlada. Seja como for, tenho a resistência duma galinha, a força dum espantalho e um problema nas costas que me há-de atormentar até ao final dos meus dias, por isso não tenho alternativa senão fazer qualquer coisa - pronto, fazer tudo, desde cardio até musculação, passando por pilates.

 

Assim sendo, pelo menos três vezes por semana, lá me levanto ainda mais cedo ou marco as minhas aulas para mais tarde, porque ir ao ginásio tem de ser das primeiras coisas que faço depois de acordar, ou então vou arranjando desculpas até regressar a casa. Não devia custar muito ir ao ginásio, porque fica mesmo ao lado da estação de comboios, por onde eu tenho inevitavelmente de passar todo o santo dia de semana e até alguns feriados e fins-de-semana (#miúdasuburbana #margemsulwayoflife #fertagusforever). Infelizmente, custa sim, nem eu sei bem como.

 

Isto de ir ao ginásio é um tormento!

 

No entanto, quando saio do ginásio, sinto-me toda uma nova pessoa, mais feliz, satisfeita com o grande feito de ter levado a cabo uma tarefa que acredito ser indispensável ao bem-estar mental e físico sem lhe ter voltado costas, por ser uma couch potato por natureza, obrigada a contrariar os seus instintos básicos de viver ao grande estilo dum canguru bebé. Penso que ainda é esse sentimento de missão cumprida e libertação de endorfinas que me faz ir voltando. Passo por fases em que pago a mensalidade para lá pôr os pés uma ou duas vezes num mês inteiro, mas também há alturas em que me consigo aguentar com pelo menos duas vezes por semana. 

 

Em geral, tento ver as idas ao ginásio como sendo tão importantes quanto tomar um medicamento que me tenha sido prescrito, e que a longo prazo me há-de fazer bem, mesmo que não seja possível ver resultados imediatos; ou tão essencial quanto comer um pequeno-almoço completo todas as manhãs. Tem de fazer parte da rotina. Se não fizer, ninguém morre, mas eu não quero chegar entrevada aos 30.

 

Por um lado, adoro ir ao ginásio e fazer exercício. No fundo-fundinho, sei que é necessário e que acabo por ficar sempre mais em paz comigo e com o mundo. Por outro, não há forma de contornar este assunto, sendo feliz e saudável sem precisar dum fardo extra, pois não? É pena.