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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

comprido e profundo

   Há já um tempo que me apercebi desta minha insensibilidade emocional. Ninguém me desperta o interesse, ninguém me causa curiosidade. Sinto-me como se não precisasse de conhecer mais ninguém para ser feliz. Estranho, não?


   Antes, qualquer um me cativava e era fácil afeiçoar-me às pessoas. Agora, sou quase bicho-do-mato. Conservo o meu espaço, defendendo-o com unhas e dentes. Não gosto particularmente da situação, quando alguém se afeiçoa demasiado a mim. Das duas uma – ou tento afastar essa pessoa, sem que o perceba, para não a magoar, ou deduzo imediatamente que seja por interesse e fecho-me em copas.


   Talvez eu tenha chegado a um ponto de saturação, depois de me terem magoado vezes sem conta. Fui iludida por muitas pessoas que eu achava serem merecedoras da minha amizade, num regime contínuo e sem tréguas. Era tão ingénua…! Tropecei insistentemente nas mesmas pedras e tanto bati com a cabeça que, subitamente, aprendi a lidar com futuros incidentes da maneira mais extrema. Não foi intencional e foi algo súbito, da noite para o dia, apesar de me ter apercebido gradualmente, durante os últimos tempos.


   No entanto, prefiro que assim seja, do que como era antes, pois, agora, posso considerar-me alguém ponderado. Não quero sofrer outra vez.


   Daqui em diante, quem quer que me queira conquistar, terá de o merecer verdadeiramente, além de ter de dar provas disso. Tenho a noção de que só me deixarei fascinar por pessoas que demonstrem alguma característica única, nem que seja a maneira de sorrir ou o modo como pousam os cotovelos em cima da mesa. Terão de saber lidar comigo. Pode parecer que tenho um feitio fácil, mas admito que as pessoas que me são próximas chegam a perder a cabeça, graças à minha falta de tacto – ainda que inconsciente -, às minhas brincadeiras parvas e às minhas mudanças de humor desprovidas de bom senso, já para não referir a capacidade que possuo para me prender a determinados sentimentos que deviam pertencer ao passado.


   Portanto, peço desculpa a quem tenho afastado, pedindo, também, muito encarecidamente, que não me chamem nem fofinha nem amor, enquanto eu não vos chamar a vocês, e muito menos que disparem gosto muitos de tis, adoro-tes, amo-tes e i love yous, como se fôssemos os melhores amigos desde a creche. (E, na verdade, a minha melhor amiga de há quase onze anos só diz que me adora. Agora, entendam isso como bem vos aprouver.)

dor de cotovelo

Inês: Estas miúdas já me estão a enojar com tanta dor de cotovelo.


Beatriz: Aí vão duas.


Inês: Aposto que lhe metem montes de creme antes de saírem de casa.


Beatriz: AHAHAHA. Concordo. Podiam eram esfoliá-los de vez em quando, porque a porcaria já se acumula.


Inês: Aquilo já deve ter bolhas e deve ser por isso que quando as encontrei estavam de casaco. Agora tudo faz mais sentido.

eram dois

   Eram dois - dois que se amavam, dois que não expressavam o que sentiam, dois que não eram felizes um com o outro. Entre eles existia algo que os separava, apesar do quão próximos se haviam tornado. Seria ciúme? Seria ódio? Seriam os outros?


   O orgulho inflamava o mais puro sentimento que os unia, enquanto essa sua união em chama lenta ardia. A culpa era dos outros. A culpa era dos outros!, porque nenhum dos dois se culparia. Ele achava-a demasiado... demasiado tudo - e ele não se deixaria prender. Ela quase desistia, pois faltava-lhe o fôlego para combater as chamas - sozinha, ou desse ele conta do que lhes ia acontecendo. Ambos precisavam de se confrontar urgentemente.