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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

E o povo é que paga

A "segurança" de alguns dos membros do governo português - Passos Coelho em destaque, pois claro - e do Cavaco Silva foi reforçada com mais elementos efectivos. Despede-se a função pública e fazem-se cortes na defesa do país, mas há sempre dinheiro para zelar pelas tripas e pelos miolos dos fofos, só porque suas excelências têm medo das cada vez mais frequentes manifestações de descontentamento através da música "Grândola, vila morena" e das reacções que poderá despertar. Já sempre ouvi a minha avó dizer que quem tem cu, tem medo!

Pedro Passos Coelho

ALERTA BANDEIRA!

Hoje, dia 5 de Outubro de 2012, o 102º aniversário desde a implantação da República Portuguesa, a bandeira nacional foi hasteada de pernas para o ar, pelo presidente da república Cavaco Silva (e restantes responsáveis pelo acto, como se pode confirmar na imagem)na Câmara Municipal de Lisboa, um dos locais das comemorações. Não sei até que ponto isto não terá sido um mero desleixo*, algo que aconteceu sem querer, tal como nos estão a fazer crer em todos os canais da televisão que estão ligados em minha casa - três televisões, três canais diferentes. É que nem a queriam endireitar! Será este um sinal de mudança, de revolução? Ficarei atenta, de qualquer modo, porque, a mim, parece-me que se está a fazer História neste momento. Nada é em vão...


 



*(segundo códigos militares, a bandeira ao contrário significa que o local foi tomado pelos inimigos)


 


Vídeo: http://www.tvi.iol.pt/videos/13712035

ALERTA BANDEIRA!

Hoje, dia 5 de Outubro de 2012, o 102º aniversário desde a implantação da República Portuguesa, a bandeira nacional foi hasteada de pernas para o ar, pelo presidente da república Cavaco Silva (e restantes responsáveis pelo acto, como se pode confirmar na imagem)na Câmara Municipal de Lisboa, um dos locais das comemorações. Não sei até que ponto isto não terá sido um mero desleixo*, algo que aconteceu sem querer, tal como nos estão a fazer crer em todos os canais da televisão que estão ligados em minha casa - três televisões, três canais diferentes. É que nem a queriam endireitar! Será este um sinal de mudança, de revolução? Ficarei atenta, de qualquer modo, porque, a mim, parece-me que se está a fazer História neste momento. Nada é em vão...

 

*(segundo códigos militares, a bandeira ao contrário significa que o local foi tomado pelos inimigos)

 

Vídeo: http://www.tvi.iol.pt/videos/13712035

quando o povo grita

   Muitas são as pessoas que andam a criticar estas últimas manifestações de ontem, 15 de Setembro de 2012, todas elas apresentando o seu ponto de vista e os respectivos argumentos que entendo como extremamente válidos. Contudo, devo confessar que sou mais do que a favor destas manifestações, depois de pesado o que é conveniente e inconveniente.


   Como cheguei a referir, ontem estive em Setúbal desde manhã cedo até ao final da tarde, pelo que tive a oportunidade de assistir à formação e ao decorrer da manifestação que deu a volta à Avenida Luísa Todi, terminando na Praça do Bocage, em frente da Câmara Municipal, onde a multidão permaneceu durante mais de uma hora, continuando os cânticos e manifestos. Claro que, em termos de dimensão, não chegou nem aos tornozelos das de Lisboa e do Porto, o que não invalidou que se sentisse a força de todas aquelas pessoas que reivindicavam aquilo a que têm direito.


   No que toca a estas manifestações, sou realmente a favor que seja organizadas e  levadas a cabo. Independentemente de haver certas pessoas que vão para lá flanar, outras tantas, a maior parte, leva a situação muito a sério. Além disso, qual é o problema de algumas pessoas serem apanhadas a sorrir, enquanto marcham? São horas e horas a percorrer as ruas e, como é evidente, vai crescendo um sentimento de camaradagem e de (ilusória?) esperança entre a população que une forças e faz por impressionar.


   Infelizmente, eu e o meu pai estivemos ocupados na feira de antiguidades de Setúbal (a venda de livros não é o nosso sustento, mas é algo que, de duas em duas semanas, vai ajudando a pagar certas despesas que não conseguiríamos aguentar de outro modo) mas, se tivéssemos tido disponibilidade, ter-nos-íamos juntado à multidão e gritado com todas as nossas forças! Temos motivos para isso! Sim, foi o “povo” que votou nestes crápulas que dizem “andar a fazer o melhor que podem”… No entanto, não foi a minha família que o fez, nem as famílias de muitas dessas pessoas que, ontem, se fizeram ouvir. E, mesmo que tivéssemos parte da culpa no cartório, jamais o senhor ministro, durante as eleições, referiu que tomaria as medidas drásticas que está a tomar, enquanto vai contratando mais uns quantos guarda-costas e seguranças, tudo financiado pelo bolso do contribuinte, antes que alguém tenha a coragem de o atacar fisicamente. Talvez imensa gente tenha sido ingénua ao ponto de acrescentar mais uns pontinhos à vitória dos nossos líderes, é verdade. Todavia, temos de enfrentar a verdade: na altura, ou se votava em branco ou se fazia um-dó-li-tá, que os candidatos eram todos da mesma laia. Não me venham dizer que, com mais umas eleições, ainda gastaríamos mais dinheiro, porque o país, antes de elas acontecerem, teria era de aguentar com uma revolução de todo o tamanho, em que o sistema político e social fosse todo renomeado e reformado. Isto não se resolve com umas meras eleiçõezinhas da treta… Para metermos no governo uma qualquer figura como o António José Seguro, que em muito me parece semelhante ao Passos Coelho (chamem-lhe mania da perseguição, sexto sentido, o que preferirem), entre outros camaradas do género, mais vale estarmos quietinhos. O povo não anda a manifestar-se para que o resultado seja nulo, não senhor!


   Podem achar-me demasiado nova para ser dona de uma opinião que valha a pena ser ouvida, mas é assim que me sinto quando a universidade, para mim, poderá tratar-se de uma mera miragem, quando o meu pai diz que tem de pensar depressa em emigrar, que isto só tem tendência a piorar, quando me lembro que a minha avó tem quase setenta e um anos e toda a reforma que tem serve para nos ajudar a sobreviver um dia de cada vez, quando a minha tia (com quem também vivemos) e o meu pai são indivíduos altamente qualificados, que estudaram - e estudam! - durante anos a fio e continuam a ganhar uma miséria de um salário que nem provém de uma actividade ligada à sua formação académica – e sorte a deles, a de terem emprego!


   Eu, por meu turno, vou escrevendo, e cada prémio literário amealhado, cada cêntimo que me é dado por eles, entra de imediato numa conta poupança que se destina a financiar parte dos meus estudos universitários – que, mais uma vez, nem sei se conseguirei sustentar, dado que as bolsas de estudo e de mérito foram quase todas cortadas.


   É muito triste saber que, ainda há pouco tempo, eu tinha os próximos anos planeados e que, como quem não quer a coisa, essas expectativas se encontram cada vez mais baixas, bem baixas. Hoje, aumentam os preços de X e Y; amanhã, criam mais uma nova taxa absurda; daqui a uns dias, voltam a baixar os salários e as reformas. Em suma, começaremos a desejar não ter nascido, se o panorama persistir.


   Já agora, quais são as minhas expectativas para o futuro? Nenhumas, pois mais vale nem as ter, não é verdade? Sei que quero continuar a estudar durante muitos anos, ser profissionalmente bem-sucedida, casar, ter filhos, sentir-me realizada – enfim, seguir o curso natural da vida que um jovem idealiza em pensamento. Porém, de que serve o meu querer ou o dos restantes portugueses? Não serve de nada.


   Portanto, penso que sim, que devemos continuar a manifestar o nosso desagrado, nem que seja para nos sentirmos melhor ao fim do dia, sabendo que tentámos, ainda que em vão. Devemos permanecer unidos! Estou solidária para todos os que abandonam o país, as suas famílias e tudo o que conhecem, sem bilhete de regresso, sem qualquer esperança que os faça ficar por cá. Deixo aqui a minha mensagem de apelo a todos os que se sentem ultrajados pelos seus próprios governantes, que tanto prometem, nada fazem e, como se não bastasse, continuam a humilhar quem depositou a sua confiança neles.

quando o povo grita

   Muitas são as pessoas que andam a criticar estas últimas manifestações de ontem, 15 de Setembro de 2012, todas elas apresentando o seu ponto de vista e os respectivos argumentos que entendo como extremamente válidos. Contudo, devo confessar que sou mais do que a favor destas manifestações, depois de pesado o que é conveniente e inconveniente.

   Como cheguei a referir, ontem estive em Setúbal desde manhã cedo até ao final da tarde, pelo que tive a oportunidade de assistir à formação e ao decorrer da manifestação que deu a volta à Avenida Luísa Todi, terminando na Praça do Bocage, em frente da Câmara Municipal, onde a multidão permaneceu durante mais de uma hora, continuando os cânticos e manifestos. Claro que, em termos de dimensão, não chegou nem aos tornozelos das de Lisboa e do Porto, o que não invalidou que se sentisse a força de todas aquelas pessoas que reivindicavam aquilo a que têm direito.

   No que toca a estas manifestações, sou realmente a favor que seja organizadas e  levadas a cabo. Independentemente de haver certas pessoas que vão para lá flanar, outras tantas, a maior parte, leva a situação muito a sério. Além disso, qual é o problema de algumas pessoas serem apanhadas a sorrir, enquanto marcham? São horas e horas a percorrer as ruas e, como é evidente, vai crescendo um sentimento de camaradagem e de (ilusória?) esperança entre a população que une forças e faz por impressionar.

   Infelizmente, eu e o meu pai estivemos ocupados na feira de antiguidades de Setúbal (a venda de livros não é o nosso sustento, mas é algo que, de duas em duas semanas, vai ajudando a pagar certas despesas que não conseguiríamos aguentar de outro modo) mas, se tivéssemos tido disponibilidade, ter-nos-íamos juntado à multidão e gritado com todas as nossas forças! Temos motivos para isso! Sim, foi o “povo” que votou nestes crápulas que dizem “andar a fazer o melhor que podem”… No entanto, não foi a minha família que o fez, nem as famílias de muitas dessas pessoas que, ontem, se fizeram ouvir. E, mesmo que tivéssemos parte da culpa no cartório, jamais o senhor ministro, durante as eleições, referiu que tomaria as medidas drásticas que está a tomar, enquanto vai contratando mais uns quantos guarda-costas e seguranças, tudo financiado pelo bolso do contribuinte, antes que alguém tenha a coragem de o atacar fisicamente. Talvez imensa gente tenha sido ingénua ao ponto de acrescentar mais uns pontinhos à vitória dos nossos líderes, é verdade. Todavia, temos de enfrentar a verdade: na altura, ou se votava em branco ou se fazia um-dó-li-tá, que os candidatos eram todos da mesma laia. Não me venham dizer que, com mais umas eleições, ainda gastaríamos mais dinheiro, porque o país, antes de elas acontecerem, teria era de aguentar com uma revolução de todo o tamanho, em que o sistema político e social fosse todo renomeado e reformado. Isto não se resolve com umas meras eleiçõezinhas da treta… Para metermos no governo uma qualquer figura como o António José Seguro, que em muito me parece semelhante ao Passos Coelho (chamem-lhe mania da perseguição, sexto sentido, o que preferirem), entre outros camaradas do género, mais vale estarmos quietinhos. O povo não anda a manifestar-se para que o resultado seja nulo, não senhor!

   Podem achar-me demasiado nova para ser dona de uma opinião que valha a pena ser ouvida, mas é assim que me sinto quando a universidade, para mim, poderá tratar-se de uma mera miragem, quando o meu pai diz que tem de pensar depressa em emigrar, que isto só tem tendência a piorar, quando me lembro que a minha avó tem quase setenta e um anos e toda a reforma que tem serve para nos ajudar a sobreviver um dia de cada vez, quando a minha tia (com quem também vivemos) e o meu pai são indivíduos altamente qualificados, que estudaram - e estudam! - durante anos a fio e continuam a ganhar uma miséria de um salário que nem provém de uma actividade ligada à sua formação académica – e sorte a deles, a de terem emprego!

   Eu, por meu turno, vou escrevendo, e cada prémio literário amealhado, cada cêntimo que me é dado por eles, entra de imediato numa conta poupança que se destina a financiar parte dos meus estudos universitários – que, mais uma vez, nem sei se conseguirei sustentar, dado que as bolsas de estudo e de mérito foram quase todas cortadas.

   É muito triste saber que, ainda há pouco tempo, eu tinha os próximos anos planeados e que, como quem não quer a coisa, essas expectativas se encontram cada vez mais baixas, bem baixas. Hoje, aumentam os preços de X e Y; amanhã, criam mais uma nova taxa absurda; daqui a uns dias, voltam a baixar os salários e as reformas. Em suma, começaremos a desejar não ter nascido, se o panorama persistir.

   Já agora, quais são as minhas expectativas para o futuro? Nenhumas, pois mais vale nem as ter, não é verdade? Sei que quero continuar a estudar durante muitos anos, ser profissionalmente bem-sucedida, casar, ter filhos, sentir-me realizada – enfim, seguir o curso natural da vida que um jovem idealiza em pensamento. Porém, de que serve o meu querer ou o dos restantes portugueses? Não serve de nada.

   Portanto, penso que sim, que devemos continuar a manifestar o nosso desagrado, nem que seja para nos sentirmos melhor ao fim do dia, sabendo que tentámos, ainda que em vão. Devemos permanecer unidos! Estou solidária para todos os que abandonam o país, as suas famílias e tudo o que conhecem, sem bilhete de regresso, sem qualquer esperança que os faça ficar por cá. Deixo aqui a minha mensagem de apelo a todos os que se sentem ultrajados pelos seus próprios governantes, que tanto prometem, nada fazem e, como se não bastasse, continuam a humilhar quem depositou a sua confiança neles.