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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Ainda Alain de Botton e o amor: como 'The Course of Love' também me conquistou

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Depois do livro Essays in Love (em português, Ensaios de Amor), de Alain de Botton, li o outro que tinha comprado ao mesmo tempo quando estive na Escócia, que se chama The Course of Love (ou O Curso do Amor). Parece mais do mesmo, chover no molhado, mas não. Os ensaios foram o primeiro livro escrito pelo autor - aos 21 anos. Por outro lado, o segundo título é o seu romance mais recente. 

 

Mas vamos lá ver o que mais me agradou nesta leitura, de forma breve e sucinta.

 

Não deixando totalmente de parte a minha adoração pela pirosice que o amor pode trazer quando vivido em pleno, acho que inevitavelmente me tenho tornado um bocado mais céptica e cautelosa no que toca a este tópico tão sensível. Já dizia o ditado popular que gato escaldado... Além disso, deixei de me convencer com histórias de amor medíocres, cópia a papel químico das anteriores, boy meets girl, e depois já se sabe como todo o enredo se desenvolve - após um conflito lá pelo meio, acabam felizes para sempre, mas de forma muito irreal (a sério que nem uma discussão acerca de quem vai levar o lixo...?). Assumo-me uma enorme fã, por exemplo, da reflexão da voz narrativa acerca das complexidades humanas. É principalmente isto que mais me tem fascinado nos livros de Alain de Botton.

 

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Assim sendo, este é o segundo livro escrito pelo mesmo autor, sobre a mesma questão do amor como ele é na vida real, para pessoas reais, que me conquistou - uma lufada de ar fresco. Desta vez, no lugar do amor na idade jovem, pouco maduro, que termina numa separação efusiva, The Course of Love leva-nos a conhecer quase duas décadas vividas em conjunto pelos protagonistas (Rabih e Kirsten), desde o dia em que se conhecem, até ao momento em que, ao fim de tantos-tantos-tantos anos de casados, atingem uma dita maturidade e se começam realmente a compreender e a aceitar que o amor é mais do que uma emoção forte e que pode ser, por exemplo, os mundos que construíram em conjunto, o companheirismo, a família, os pequenos pedaços de vida diária, as memórias partilhadas.

 

Mais uma vez, este é, não só um romance, não só uma história de amor "baseada na vida real", como também uma espécie de ensaio filosófico e ainda uma exposição sobre temas ligados à psicologia. Muito destaque é conferido à dimensão interior, aos pensamentos, recalques, passado traumatizante das duas personagens principais e à forma como a relação com as respectivas figuras parentais afecta o seu comportamento na sua relação adulta, enquanto namorado e namorada, marido e mulher.

 

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Finalmente, tenho alguns comentários adicionais que gostaria de partilhar convosco.

 

Em primeiro lugar, acho que vou passar a oferecer este livro a todos os noivos para cujo casamento eu seja convidada. Aliás, tenho uma amiga que se vai casar no fim do ano e que vai ser a minha cobaia (nem que seja porque ela já manifestou vontade de ler este livro, quando publiquei uma passagem no Instagram). Ficam servidos com uma belíssima história de amor real e munidos de algumas reflexões que toda a gente deve ter em mente quando decide embarcar num compromisso sério ou mesmo para a vida

 

Em segundo lugar, tenho de recomendar este livro não só aos recém ou brevemente casados, como ainda com igual urgência a qualquer pessoa que precise de reflectir no que significa apaixonarmo-nos, aproximarmo-nos e levarmos uma relação amorosa a bom porto.

 

É uma leitura leve, descontraída (não obriga a um esforço mental desmesurado), mas após a qual não sentimos ter desperdiçado o nosso tempo. Alain de Botton é tudo em um: escritor, filósofo, psicólogo, sociólogo, amigo.

Um tipo de pessoa muito especial

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Há pessoas que passam despercebidas a vida inteira. Há pessoas que precisam de se esforçar para se fazerem ver. Há pessoas que entram numa sala e a iluminam. E há pessoas que, sorrateira, humilde e discretamente, conquistam toda a gente à sua volta em todas as salas do mundo.

 

A Inês é o melhor exemplo deste último tipo de pessoa. A existência deste perfil na Inês é tão icónico que ela nunca foi minimamente gozada no colégio nem na escola. Partindo do princípio de que os dois melhores amigos dela eram "gordos" e passaram a infância a ser achincalhados (eu incluída nesse par), de que a Inês teve dentes de tubarão até aos doze ou treze anos e de que não é uma super-modelo (apesar de ser elegante, gira gira tipo helicóptero, ter estilo e ter uns olhos clarinhos, uns caracóis maravilhosos e pele de bebé), a Inês poderia, no mínimo, ter aguentado umas bocas infantis no colégio.

 

Mas não.

 

Não conheço uma única pessoa que alguma vez tenha dito mal da Inês nas costas. Não conheço uma única pessoa que não goste dela. Em vinte e três anos, isto é um feito. Nem no auge das intrigas do sexto ou sétimo ano a Inês foi vítima do quotidiano "não sei quem gosta de não sei quem". Nunca ouvi rumores, boatos ou comentários maldosos sobre ela. Nunca, nunca, nunca.

 

A Inês emana uma calma que até pode não ser a que ela sente por dentro, mas que deixa os que a rodeiam muito impressionados (deixa-me a mim, pelo menos). A Inês é capaz de entrar calada e sair muda dum sítio qualquer, mas de certeza que, passados dez minutos, já tem no mínimo três pessoas à volta dela. A Inês não precisa de falar para ter o mundo aos pés dela. Perguntem ao resto dos amigos dela... Todos a têm como referência, seja qual for a crise em que estejam. A Inês é aquela amiga que tem sempre solução para todas as neuras dos que lhe pedem ajuda.

 

A Inês tem este poder sobre os outros de os fazer sentir parvos, tontos, mas sem os humilhar. Cada vez que me chateio com ela, até posso espernear, mandar vir, ter dúvidas existenciais... mas fico sempre com a sensação de que a Inês me vai levar a melhor e vai acabar a ter razão (em dezassete anos de amizade, ela só não teve razão uma vez, que aconteceu para aí há um mês, vocês vejam).

 

Ainda por cima, além de todos estes atributos invejáveis, a Inês é intelectual e emocionalmente inteligente e tem um coração do tamanho do mundo. Estão a ver aquelas pessoas "que nunca fariam mal a uma mosca" se o puderem evitar? A Inês é uma delas. Nunca diz asneiras (e repreende quem as diga ao lado dela), não grita no trânsito, diz o que tem a dizer directamente a quem o tem de dizer, a coisa mais violenta que já a ouvi gritar em quase duas décadas é o ocasional "OH BEATRIZ!". A Inês é tão boa pessoa, que passou dois meses a mediar o fim duma relação entre dois dos melhores amigos, que lhe andaram a esfregar o juízo constantemente, cada um a puxar para um lado, até aquilo ter mesmo dado as últimas. Mas ela fê-lo, como faz tudo na vida, com uma graça, paciência e bom senso que a maioria de nós perde ao fim de dois dias numa situação de tensão.

 

Não, nem sempre concordo com o que a Inês diz ou faz. Por vezes, sinto que andamos repetidamente às avessas por causa dos mesmos problemas. No entanto, não conheço ninguém com a cabeça e o coração tão no sítio, com valores morais e éticos tão definidos e tão correcta para com os restantes seres humanos do mundo.

 

Tenho uma sorte enorme por a Inês, calma, discreta e muito (muito, muito, muito, muito) mais calada do que eu, fazer parte da minha vida. 

 

Parabéns, Inês! Este é o teu postal de aniversário, porque os de papel são caríssimos e não dá para os ler a muitas pessoas ao mesmo tempo. Até já, que estou atrasada para o nosso almoço.

Cinco minutos para um ligeiro ataque de nervos

Aqui vai disto, desculpem o desabafo e alguma ocasional falta de chá... 

 

Muito obrigada a quem, no dia de ontem (coincidentemente dia de jogo do Benfica) colou e espalhou pastilha elástica no meu carro - vermelho. Comprei o carro há duas semanas, durante a noite ele fica dentro de casa, durante o dia fica no parque da estação, e já me esfolaram o guarda-lamas de trás, mais agora este presente, que é só mesmo maldade. Ontem tirei o carro do parque e, quando cheguei a casa, reparei na grande bosta pegajosa por cima do farol esquerdo. Eu quero acreditar que é tudo da minha cabeça, mas eu sei lá, fico mesmo com a mania da perseguição clubística. Nenhum outro carro que a minha família tenha tido (pretos e verdes-escuros) alguma vez sofreu danos destes.


Gente que vandaliza carros ou qualquer outro património alheio, seja por que motivo for, seja pelas cores da bola, seja pela adrenalina, seja pela ruindade intrínseca... Há pessoas neste mundo que trabalham e poupam dinheiro para terem coisas boas ou, pelo menos, decentes, que não têm borlas dos paizinhos e que dão realmente valor ao que podem ir arranjando. Um carro de cilindrada baixa com dezoito anos pode parecer uma piada para vocês, mas é o único que eu consegui comprar. Ando a trabalhar desde que completei a idade mínima legal, ando a estudar arduamente e a vender a alma para tirar um bom mestrado, para depois me colarem pastilha elástica no carro??? A sério??? Acharam que a pintura do carro estava demasiado bem estimada, não? 

 

(E, se tiver sido pelo Benfica, a sério mesmo??? Tinha de me calhar logo a mim, cujas observações mais inteligentes sobre qualquer jogo de futebol dizem quase sempre respeito ao corte de cabelo e aos traseiros dos jogadores? A sério que a bola vos tira qualquer bom senso que ainda restasse?) Que falta de civismo, empatia, bom senso, respeito, tudo tudo tudo!

 

Se vocês têm a vida facilitada e não dão valor ao que têm, o problema é vosso, mas não lixem o que é dos outros. Desculpem lá qualquer coisinha ter calhado eu arranjar um carro vermelho, é que foi mesmo sem querer. Cambada de anormais, foda-se. Hão-de se espetar e esventrar muito nos vossos Audis e Mercedes. 

 

 

-- Retomamos agora o percurso mais educado deste blogue. Obrigada. 

Pensamentos sobre tentar escrever um livro (outra vez), auto-censura e outras inquietações

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Ando a tentar escrever um livro há anos. Há cerca duma década (portanto, quando era um bebé), ganhei alguns prémios literários revelação a nível nacional, no secundário ganhei outros do município onde estudei, cheguei a escrever um ou dois livros pequenos e muito maus, e, depois disso, parece que fui amaldiçoada por uma praga que me impede de prosseguir além da terceira ou quarta página de seja o que for que tente criar, por muito boa que a premissa inicial seja.

 

Eu sei o nome dessa praga. Aliás, foram várias. Foram as ilusões e desilusões da adolescência. Foi a adaptação à escola pública. A descoberta de autores que eu pensava - e penso - nunca ser capaz de superar. Foram os exames nacionais. A entrada na universidade. Conjugar estudos e trabalho. Viagens, intercâmbios. Foi o fim da licenciatura e o processo de "adultização". Foi o trabalho e os estudos simultâneos outra vez. Foi o meu regresso e as respectivas desventuras. Foi a permanente auto-censura de achar que nunca sou capaz de escrever nada de jeito, ou que não tenho experiência de vida que me credibilize.

 

Mas, na verdade... Sabem o que foi? Sabem o que talvez ainda seja? Falta de concentração. Falta de compromisso. Muitas e variadas desculpas. Socorrer-me da alegria e da tristeza para justificar a minha falta de acção. Ora estou tão feliz que nem tenho tempo para escrever, porque uma pessoa feliz não é tão criativa. Ora estou tão infeliz que não arranjo paciência para pensar nos meus dramas, quanto mais nos das personagens.

 

Entretanto, esgotei as desculpas. Tenho trabalhado muito menos do que alguma vez trabalhei nos últimos cinco anos da minha vida. Ando num período em que não me sinto arrasada por nenhum sentimento positivo ou negativo que me permitam desleixar e entrar num novo ciclo de "não tenho cabeça para escrever".

 

No início da semana passada, recomecei a escrever. Uma coisa é escrever um texto para o blogue, que me costuma levar duas ou três horas a escrever, na loucura, e em que só me preocupo com as minhas inquietações. O registo é informal, é só uma espécie de monólogo. O formato é simples, o enredo vai-se desenvolvendo sem eu ter de puxar pela cabeça, a trama é muitas vezes desinteressante e, em geral, não estou preocupada se vou suscitar vozes críticas ou não.

 

Então, comecei a escrever uma coisa qualquer que tem de ter qualidade literária, gerar interesse e ter o potencial de criar reacções nos outros, de ser relevante para mais alguém além de mim. Quer dizer, não sou do tipo de pessoa que escreve para ficar na gaveta. Ah, e também tenho de o fazer de modo a não olhar para o texto, franzir o sobrolho e pensar, de novo, "mas que grande porcaria, ainda não vai ser desta".

 

Escrever um livro, ou essa coisa qualquer (que não tem outro nome) assim é difícil, porque é um compromisso a longo prazo. Não se escrevem dez páginas num dia. Ontem, por exemplo, escrevi um parágrafo. Noutros dias, se calhar vou só reler e rever. Ou pensar. Vou ter de aguentar esta história que tenho na cabeça por meses. Ou pior, anos. Vou ter de arranjar uma lógica para o que quero contar. Quem são os protagonistas... ainda nem sei bem. Tenho de conhecer essa gente toda. Tenho de lhes dar um propósito na vida e um motivo para existirem na minha cabeça.

 

Quando começo a escrever, sei o que quero contar, mas não como o fazer. Por vezes, só quero que essa narrativa passe a existir, à custa de duas cenas que imaginei e que tenho de encaixar algures. Isto quer dizer que ando a tentar escrever pelo menos uma centena de páginas, somente porque ando a idealizar umas quatro. Não faz sentido, mas sinto-me no dever de as pôr na ordem.

 

Outro factor de censura quanto a escrever um livro é ter medo que alguém que faça parte da minha vida real se reveja nem que seja numa borbulha duma personagem e me venha pedir satisfações. "Olha lá, isto não sou eu?" Já aconteceu e a ideia teve de ficar na gaveta. Neste momento, estou a tentar adoptar uma posição mais neutra, mas também mais discreta. Obviamente, é impossível não incluir detalhes, características ou manias de pessoas que eu conheço (nem que seja alguém que eu tenha visto ou ouvido no comboio, o que também já aconteceu), por isso faço questão de entrar em enormes afazeres mentais para camuflar e misturar tudo o que possa. Se não conseguir fazê-lo por algum motivo, tenciono comunicá-lo a quem o tiver de fazer, se essa altura chegar (afinal, o que escrevo até pode nunca chegar a ver a luz do dia).

 

Deixei-me de censuras e auto-censuras, ando mais num "logo se vê", excepto no que toca a escrever com regularidade e disciplina. Por outro lado, há que ver esta tentativa como um passatempo mesclado de ambição pessoal. Sem pressão... Bem, só  bocadinho. Desde que li o Bird by Bird da Anne Lamott que meti na cabeça que "pássaro a pássaro" é a melhor estratégia. Vamos ver se também funciona comigo. Quão difícil pode ser escrever um livro? Muito. Mas ninguém gosta mais de desafios do que eu. 

 

(Se não for desta, têm permissão para me azucrinar a cabeça.)

A minha vida: uma espécie de HIMYM meets This is Us meets Sex and the City meets Gossip Girl meets Modern Family, mas numa produção tuga de baixo custo

Alguma vez pararam para pensar nas vossas vidas e chegaram à conclusão de que, sim senhora, arranjaram grandes argumentistas para as escrever? 

 

 

Os meus são do melhor que há. Bestiais. Do catano. Brilhantes. Magníficos. Especialistas em novelas brasileiras da Globo e dramalhões da TVI, sem deixarem de ter um toque NBC ou Fox. Não são Eças nem Saramagos, não há incesto nem cegueiras colectivas pelo meio, mas criam muito plot twist e variedade de personagens - para que toda a população esteja bem representada.

 

Começa com um bebé multiracial  (não se nota, mas é sempre engraçado referir) numa família monoparental. Desde o início, há drama e suspense, sempre ali à beirinha do corriqueiro, novela barata por encomenda. Há pais que abandonam os filhos, pouca sorte no amor que se herda pelo sangue e se contagia pelo ar que respiramos. Há sempre pelo menos uma personagem que dá uma facadinha pelas costas. Há várias caras-metade que mudam de ideias a cada episódio. Tratam-se temas relevantes do panorama actual, como a homossexualidade, saúde mental e depressões, a intolerância à lactose, a inflação no mercado imobiliário em Lisboa, avós que criam os netos, o emprego e desemprego de jovens hiper-qualificados, a emigração e os encontros proporcionados pelas redes sociais. Há gravidezes e bebés, há casamentos finos, há quem não consiga sair de casa dos pais e quem viva em caves. Há sempre alguma personagem que, de repente, se muda para o outro lado do mundo. Ou do país. Há coscuvilheiras de serviço. Há personagens que surgem do nada e que deixam o espectador abismado e desconfiado, há personagens secundárias que são repescadas de temporadas anteriores e se tornam principais, há personagens que já lá estão há tanto tempo que já fazem parte da família e outras que desaparecem sem aviso (diz que é dos cortes no orçamento).

 

Obviamente, este texto seria ainda mais engraçado e explícito se eu usasse o meu blogue para lavar roupa suja, deixando-me de rodeios, ao melhor estilo de Taylor Swift/meter a boca no trombone, por isso partilho apenas o comentário vago "e vocês nem sabem da missa a metade!".

 

De qualquer forma, os grandes críticos (que, simultaneamente, são personagens recorrentes no enredo) estão fartos de aclamar esta produção. Dizem eles, por exemplo:
- Não consigo acompanhar a tua vida, há alterações a cada meia hora.
- Espera que vou buscar pipocas.
- Perdi-me na história, podes voltar atrás?

 

Adoro esta novela. Talvez investisse numas duas ou três temporadas mais secazinha, calminhas, mas não a trocaria por nenhuma outra. Mal posso esperar pelos próximos desenvolvimentos!

 

Contem-me as vossas, vamos lá trocar cromos.

Sete anos a procrastinar (que também é viver)

Na nossa cultura, o número sete tem um significado místico, simbólico. Já ouvi falar duma teoria qualquer segundo a qual, de sete em sete anos, iniciamos novos ciclos na nossa vida. De sete em sete anos, podemos olhar para trás e perceber que somos pessoas diferentes do que éramos sete anos atrás.

 

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Neste dia 30 de Junho, celebram-se sete anos de Procrastinar Também é Viver (que teve outros nomes no início, mas este foi o que ficou). 

 

Partindo do facto óbvio de que, há sete anos, eu era apenas mais uma miúda adolescente, como tantas outras, cujos objectivos imediatos na vida eram ter uma nota desnecessariamente alta no exame nacional de MACS (disciplina que continuo a odiar na forma de Métodos de Investigação), entrar em Ciências da Comunicação na FCSH (ainda bem que não aconteceu) e erradicar o acne (preocupação que ainda me acompanha), é igualmente óbvio que muita coisa coube entre 2011 e 2018.

 

Coube metade do secundário, coube a licenciatura, coube meio mestrado inacabado, vinte meses a viver do outro lado do mundo, o fim do "amor" (inserir um sem número de aspas) adolescente assolapado e estúpido, coube todo um grande amor feliz, couberam grandes desilusões, coube a recuperação de dois anos caóticos, mas também muitas surpresas agradáveis, coube (graças ao blogue) uma reportagemquinze minutos na televisão nacional, sabe-se lá quantos cursos, estágios, trabalhos e empregos, a carta de condução e agora o primeiro carro, coube mais duma centena de livros, talvez duas, pude viajar e conhecer algumas cidades europeias, participar em programas de intercâmbio, houve sempre espaço para o Harry Potter e para Narnia, houve espaço e tempo para conhecer imensas pessoas, para conhecer a maioria dos meus amigos, para criar não sei quantos canais de YouTube, ter uma banda ranhosa, começar a escrever uns vinte livros que nunca consegui levar além da décima página...

 

Aliás, como devem sentir todas as pessoas quando passam pela transição da adolescência para a vida adulta, fica a parecer que toda a nossa existência se resume aos acontecimentos dos últimos anos.

 

Por fim, nem me atrevo a adivinhar o que terei feito daqui a sete anos, onde terei ido ou quais os grandes marcos alcançados desde este momento até então. Daqui a sete anos terei trinta anos, o que me parece, simultaneamente, tão remoto e tão palpável, tão outra realidade ao virar da esquina. Serei mais velha do que qualquer um dos meus amigos, ainda que metade deles já esteja mais perto dos trinta do que dos vinte neste momento.

 

Contudo, não nego que tenho imensa curiosidade em saber o que vai caber nestes anos todos. De facto, tenho tido a sorte (digo eu, optimista incurável) de não conseguir planear quase nada do que me tem acontecido, embora gaste imenso tempo a fazer planos e castelos no ar. Acredito que os próximos oitenta e quatro meses não fujam muito à regra.

 

O que eu gostaria de perguntar à minha versão de trinta anos: fizeste o doutoramento, continuas a ser professora, conseguiste entrar na academia, residiste noutra cidade ou país, fizeste Erasmus, abriste o tal negócio com alguns amigos ou sozinha, já escreveste algum livro, compraste uma casa, viveste ou vives mais algum grande amor, casaste, tiveste filhos, está toda a gente viva e de boa saúde, continuas a escrever no blogue, continuas a procrastinar o que não deves???

 

Um dia, hei-de saber. 

 

Façamos um brinde imaginário aos próximos sete, imprevisíveis, anos. Que sejam tão ou ainda mais felizes do que os anteriores! E que este blogue e quem o lê continue a fazer parte dos meus dias. Que continuemos todos por aqui. 

 

Obrigada por continuarem a ler o que não me cabe na caixa craniana e por continuarem a dar sentido à minha procrastinação. Que ela seja a vossa também. 🎉

EU FUI... ao Rock in Rio pela primeira vez

Finalmente, tive outra experiência que me faltava na lista "coisas que eu não fiz quando era adolescente e que me vejo obrigada a fazer, antes que a idade adulta me engula, vingando o meu 'eu' de 15 anos": fui ao primeiro dia do Rock in Rio 2018 (momento de histerismo!!!!!!!!!!!!!!!!!!).

 

Há quatro anos, participei num passatempo dos Blogs do Sapo e ganhei dois bilhetes para o Rock in Rio 2014. No entanto, na altura houve um problema e, em vez de receber os bilhetes, recebi uma recompensa diferente. Ora, até há bem pouco tempo as prioridades não eram gastar dinheiro em festivais (pagar propinas, talvez), depois a vida pôs-se à frente e ultimamente ando a concretizar imensos planos, ideias e futilidades que não tive a oportunidade de viver antes, seja por motivos logísticos ou financeiros. Um deles tinha de ser ir ao Rock in Rio.

 

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Estava eu a dizer que fui ao Rock in Rio no dia 23 de Junho, este último sábado. Partiu tudo duma ideia peregrina que me ocorreu menos duma semana antes, do género "vamos lá cometer uma pequena loucura inesperada na conta bancária", e depois arrastei uma amiga que também andava a precisar de espairecer e sair de casa. 

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Então, no dia, chegámos às 18h, ainda ouvimos um pouco do Diogo Piçarra à distância, sentadas na relva, apreciámos os arredores, arranjámos uma bebida e umas batatas fritas, e fomos ver, em primeiro lugar... a Carolina Deslandes. Não, não tem muito de rock, mas ficámos na fila da frente, onde também encontrámos fãs pré-adolescentes, os respectivos pais e até os namorados das mais crescidas (que aparentavam não saber muito bem como lá tinham ido parar). Foi um máximo, cheio de glamour... ou não! Claro que foi um concerto fofinho, familiar, a acompanhar um final de tarde bastante agradável. Só fiquei ligeiramente desgostosa quando "A Miúda Gosta" (apenas uma das minhas músicas favoritas de sempre) foi cantado em dueto com a Maro, cuja voz acho que não se enquadra na música, mas de resto o concerto foi irrepreensível.

 

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O problema foi a hora de jantar. Por acaso, já tínhamos comido qualquer coisa, mas não conseguimos encontrar mais nenhum sítio onde voltar a comer sem ter de esperar em filas por menos de meia hora. Só alguns stands é que tinham snacks e pouca gente, então jantámos pipocas. Na minha mais humilde opinião, de quem não é letrada nestas lides, o catering ficou muito aquém das expectativas. Havia imensas barraquinhas e construções abismais dos parceiros, para distribuir brindes inúteis e fazer publicidade, mas alimento para o estômago nem por isso. Centenas de milhares de pessoas no recinto, e ficou apenas a lição aprendida de levar farnel numa próxima vez.

 

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Além disso, acredito que ainda haja margem para melhorar o acesso às atracções. Por exemplo, ainda pensámos em ir à roda gigante, mas, mais uma vez, encontrámos uma fila que demoraria três horas a escoar. Outros espaços nem se percebia o que eram, porque nem lá conseguíamos chegar perto. Ficou a impressão de que andam a vender mais bilhetes do que a quantidade de pessoas que têm condições para receber e entreter devidamente. Tendo em conta o preço que pagamos pelos bilhetes...

 

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Outro reparo é a falta de "qualidades verdes" que o RiR se orgulha tanto de ter. Excepto o copo de plástico que podemos voltar a encher e que serve de souvenir, todo o festival deve ter produzido imenso lixo desnecessário em brindes, caixas e caixinhas de comida e até em embalagens dos bilhetes vendidos pela Fnac - separador de cartão, dentro de caixa de cartão, envolvido numa película de plástico - um desperdício.

Por outro lado, os meus mais sinceros parabéns pelas instalações sanitárias, que, mesmo nojentas, existiam em número suficiente para uma pessoa não ficar com as cuecas na mão pelo caminho. 

 

Quanto ao resto dos concertos, ainda ouvimos os Bastille à noite (que foram fraquinhos, e o vocalista passou o concerto a dizer "Obrigada!", só me apetecia romper pela multidão e ir lá dar-lhe uma aula de Português até ele deixar de repetir a mesma coisa - e mal, "é OBRIGADO, que você é um homem!" - para fazer aquilo que lhe competia, cantar) e vimos o fogo-de-artifício antes dos Muse. Foi bonito, sim senhor. Não ficámos para os Muse, mas deve ter sido um concerto excelente, para variar, tirando o facto de que estava lá meio mundo e não se iria avistar grande coisa para o palco, mesmo em cima da colina. Nem quero imaginar como terá sido a noite passada, com lotação esgotada! A manter estas características, não aconselho o RiR a quem tenha dificuldades na mobilidade ou leve a família atrás. 

 

Finalmente, deixo uma dica infalível para quem não dispensa a sua garrafa de água e ainda vai ao Rock in Rio no próximo fim-de-semana. Já que as equipas de segurança nos tiram as tampas da garrafas que levarmos, vocês levem uma tampa suplente escondida algures (super rebeldes). E não se esqueçam da marmita! De nada.

 

Veredicto: ir ao primeiro dia do Rock in Rio 2018 foi uma experiência positiva. Deu para entender a relevância que lhe atribuem, aquilo de que me andaram a falar estes anos todos. Há todo um ambiente a explorar. Vale pelo matar da curiosidade e, quando se vai com amigos, tudo corre bem ou ainda melhor. É um evento descontraído, mesmo não sendo o melhor. Caso haja disponibilidade no orçamento, ir é a melhor solução para tirar as teimas, como eu fiz. Para ver os grandes artistas... é que recomendo que fiquem em casa, porque, na melhor das hipóteses, se não forem de acampar à frente do Palco Mundo às 13h... dificilmente terão boas condições de visibilidade. 

Há dias

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Há dias que correm bem - com sol, metafórico e literal. Continuo a acreditar que é possível atrair boas energias, se assim o desejarmos. Nem sempre nos rodeamos de quem as tenha, mas fica a oportunidade de remarmos contra a maré, de também sermos nós a começar essa cadeia e partilha. Há dias em que quase tudo parece estar onde deve estar, pelo menos nesse momento, tudo encaixa. Há dias em que sentimos uma gratidão enorme pelo que nos foi reservado devido ao encontro de todos os efeitos-borboleta e circunstâncias que nos levaram até ao ponto actual. Há dias que, não sendo os mais felizes de sempre, nos alegram. Há dias em que a energia não falta, em que há motivação. É difícil alguma vez alcançar a perfeição e a paz total, também há sempre qualquer coisinha que poderia cair melhor nos eixos. No entanto, por que não parar e apreciar o que já temos à frente? Afinal, há ainda mais dias pela frente para tentar alcançar o que nos falta. Nunca estaremos absolutamente contentes, mas o melhor disso é viver para e pela experiência.

Amanhã, até podemos não nos lembrar do bem que nos soube o dia anterior, só que isso já é só problema do nosso "eu" futuro, ele que se amanhe. Mesmo assim, temos aquela sensação de que há-de correr tudo bem. Há-de fazer tudo sentido outra vez, tal como no dia em que estes pensamentos de invencibilidade nos ocorrem. 

 

Há dias assim. 

 

"Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light." - já dizia o maior feiticeiro de todos os tempos, Albus Dumbledore. 

Estar, apenas

Noto um certo desconforto, quase tabu, quanto ao facto de se fazer coisas sozinho, sem outras pessoas. É a ditadura da companhia. Vejo que muitas pessoas ainda não dominam a arte de se estar com os seus próprios pensamentos, a sua própria presença, de apenas se estar.

 

Atenção, que eu sou a primeira a reconhecer que não consigo meditar. Há sempre algum raciocínio a interromper o vazio, por muito que eu tente. Tenho uma mente hiperactiva. Digo que estou cansada, que tenho a cabeça em papa, mas continuo a magicar seja o que for.

 

Mas consigo fazê-lo sozinha. Aliás, talvez seja por isso que me sabe tão bem estar sozinha e fazer mil e uma actividades sozinha. Gosto de viajar sozinha, gosto de ir a museus, à praia, a cafés, andar a vaguear em ruas... sozinha (frequentemente com um livro, mas divago).

 

No Domingo, fui à praia depois dalgumas horas de trabalho. Levei dois livros (lá está, elementos omnipresentes) para terminar, um chapéu de sol, uma toalha, o telemóvel e uma coluna. Em primeiro lugar, adoro conduzir. Não sou de ir a grandes velocidades, mas, se houver alguma forma de meditação para mim, é pegar no carro e ir não sei onde, só estou concentrada em não meter o carro nalgum buraco ou espetar-me contra alguma árvore ou poste, e isso obriga-me a parar a hiperactividade cerebral. Segundo, ir à praia ou para uma esplanada, principalmente se estiver sol, seja Inverno ou Verão, deve estar no meu top 3 de actividades favoritas de todo o sempre (não há nada que me deixe com melhor humor).

 

E assim me fazem feliz, com uma tarde de silêncio e sol.

 

Aposto que ser filha, neta e sobrinha única, e a mais velha numa década de todos os primos em terceiro grau, tenha influência no assunto. E só ter ido para a escola aos cinco anos, #superantisocial. Sempre estive por minha conta. Por outro lado, passo o dia a dar aulas, a falar constantemente, em duas línguas, cinco a sete dias por semana, e de vez em quando só me apetece desligar da ficha e parar de me ouvir a mim mesma, nem é necessariamente aos outros.

 

Por exemplo, neste exacto momento estou sentada numa esplanada do Cais do Sodré, a ouvir a música do café e a olhar para o Tejo, enquanto acabo de escrever este texto (curiosamente, continuo a tentar comunicar com o resto do mundo, até quando estou sozinha, mas isso é porque sou tagarela, mesmo calada). É a minha hora de almoço, mas podia acontecer a qualquer altura. Para mim, acaba por ser tão bom estar sozinha quanto se estivesse com outra pessoa, mas ambas as opções são positivas, não vejo nenhuma como melhor ou pior, mais ou menos aceitável. Não vejo estar sozinha como significado de estar só.

 

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Não é óptimo estarmos como queremos, onde queremos, tão agradável quanto estar com outras pessoas? Na minha opinião, há momentos e tempo para tudo. Há dias em que só nos apetece estar na companhia doutras pessoas, e há dias em que nada é melhor do que estar individualmente, apenas. Estar.

O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton

Alguma vez se depararam com um livro que tenha surgido no momento certo, mas por mero acaso? Fazia-vos falta um livro assim, vocês pensavam que seria impossível alguém contar uma história que vos fizesse sentir menos desamparados ou sozinhos no vosso mundo, na vossa causa, e esse mesmo livre caiu de pára-quedas nos vossos dias?

 

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Eu sei o que isso é. Passei tantos meses à procura dum livro que tivesse tudo na medida certa - introspecção, filosofia, reflexão, carisma, mas que viesse justificar e validar as minhas ideias, sem deixar de ter uma dose de lamechice, sem ser só teoria, acrescentando um enredo que servisse de exemplo às minhas inquietações actuais - e, depois de muitas visitas, a muitas livrarias, em Portugal e na Escócia, encontrei este, um exemplar único, sem destaque, enfiado numa estante a abarrotar duma Waterstones em Glasgow: Essays in Love, do autor multifacetado Alain de Botton.

 

O meu maior problema com os livros sobre a temática "amor" é que considero quase todos um desperdício de tempo, sou incapaz de ler tamanha treta, nunca os levo a sério, têm sempre imenso mel, ou drama, ou futilidade em doses que sou incapaz de digerir. A vida é pirosa, mas não tanto. A vida não é um romance de cordel, mesmo com a sua inevitável banalidade e aleatoriedade.

 

Então, ao encontrar este livro, senti que o autor conseguiu incluir quase todas as posições sobre o amor e relações em que acredito, ou pelas quais já passei. O início da história de amor dos dois protagonistas é um pouco irracional, mas o resto da narrativa faz todo o sentido.

 

Além disso, este livro não é só um romance. Não é só um livro de histórias. Como escreveu o autor, em 2015, num posfácio incluído na edição que tenho, o seu objectivo era ficar a meio, entre um romance e um ensaio sobre o que é o amor entre duas pessoas, como ele surge, acontece e - eventualmente - termina. E recomeça, acreditem ou não.

 

Senti, pela primeira vez na vida, que este é o livro que eu gostaria de ter escrito ou de vir a escrever. Sem tirar nem pôr. Não é "um livro deste género", é "precisamente este livro". Nele, o amor não é idealizado. É narrado um amor, num contexto próximo ao meu (protagonistas jovens em início de carreira, classe média, numa cidade europeia). Consigo identificar-me e encontrar aspectos em comum. É também para isto que serve a arte, para nos representar, e eu fiquei a sentir-me representada. A cada página, eu só pensava "mas isto já me aconteceu!" ou "isto poderia ter-me acontecido!".

 

Sim, este livro conta uma história de amor e desamor, mas fá-lo duma forma pensada, que nos obriga a usar o cérebro. Não é o típico "boy meets girl" dos best-sellers de supermercado. Senti que o Essays in Love me desafiou enquanto leitora, pôs-me a reflectir nas minhas experiências, conferiu ao assunto mais batido, piroso e repetitivo do mundo uma aura de intelectualidade, de assunto académico, didático, de relevância. Deixou de parte a superficialidade das relações, das borboletas na barriga e do vazio a que nos entregamos quando acabam. Fez com que tudo isso se tornasse um assunto de adultos, respeitável. 

 

E sabem da melhor? O autor, Alain de Botton, escreveu este livro no verão dos seus vinte e um anos. 21. Como é possível que tanta sabedoria, ou tacto, tenha saído da cabeça e das mãos dum indivíduo tão jovem? O que é que a maioria de todos nós já tinha feito aos 21 anos? Olhem, eu tinha-me licenciado, tinha ido estagiar para Banguecoque e pouco mais, mas não, não tinha escrito o livro que inauguraria uma carreira brilhante e demonstraria todo o potencial da minha mente. Fica prometido que irei, com toda a certeza, ler mais livros do Alain De Botton, nem que seja o que comprei em simultâneo ao Essays in Love, que se chama The Course of Love (mais lamechice pseudo-intelectual, previsivelmente).

 

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E por aí, alguma sugestão de bons livros que me queiram deixar? Não tem de ser sobre este assunto, claramente, por isso estejam à vontade! Agora, ando também a ler Sapiens, De Animais a Deuses, e estou a gostar bastante. Encontrem-me no Goodreads e vamos falando.