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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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5 coisas que aprendi a trabalhar por conta própria

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Eu sei que há muitas pessoas que prezam horários de trabalho fixos, apenas da hora X à hora Y. Gostam de entrar no trabalho sempre à mesma hora, sair e bater com a porta, não pensar em nada que fique dentro do escritório. Eu não sou assim. Prefiro trabalhar por conta própria, a título individual, mesmo que tenha de fazer alguns sacrifícios.

 

No entanto, desde que o comecei a fazer há uns meses que tenho aprendido que trabalhar a título individual, trabalhar por conta própria ou em freelance tem as suas peculiaridades.

 

Aqui segue uma lista de algumas das coisas que tenho aprendido sobre este regime de trabalho, que fui reunindo nos últimos tempos!

 

1. Não há horários fixos semanais, não há folgas, não há fins-de-semana... a menos que os criemos!

Quando há trabalho, há trabalho. Esta é a lição que mais me custou aprender. Posso desde já dizer que não tenho um dia completamente livre há cerca dum mês, mas que, entretanto, decidi bater com a mão na mesa e começar a impor-me algum descanso. A saúde vem primeiro, tanto a física quanto a mental. Ter uma manhã ou uma tarde livre é bom; no entanto, não serve para muito, quando muitas das vezes até temos assuntos pessoais para tratar, pessoas que precisam da nossa ajuda, um recado qualquer para fazer... Muitas das vezes, o trabalho aparece a meio do dia e até corta o ritmo do descanso, por muito que nos tentemos abstrair. 

Por isso, esta semana estabeleci que vou ter o feriado e o Domingo sem trabalho. Há quem aguente muito tempo sem um dia inteiro para espairecer, mas eu já estou a atingir o meu nível de ruptura. Mesmo que os restantes dias sejam mais ocupados, há que fazer escolhas. Se há clientes, se há aulas para dar... terão de esperar, terão de se cingir ao horário que lhes apresento. Considero indispensável criar estes limites, não só para com os outros, mas também para connosco, nós mesmos.

 

2. É muito fácil nunca dizer "não" ao trabalho que nos é dado

Uma das características do trabalho em freelance ou por conta própria é a instabilidade. Para mim, ela pode ser aproveitada de forma positiva (detesto manter rotinas por mais do que umas semanas, adoro desafios e conhecer ou estar com pessoas novas), só que há sempre o risco eminente de se tornar uma fonte de insegurança - por exemplo, insegurança financeira.

É difícil dizer "não" a trabalho que me dêem, por ter noção de que tenho de aproveitar enquanto ele existe. Duma semana para a outra, posso ficar um montante equivalente no rendimento. Ou pode acontecer algum imprevisto doutro lado. Por isso, tento aceitar todo o trabalho que surja, porque "nunca se sabe". E, depois... regressamos ao ponto #1! 

Quaisquer que sejam os benefícios mais imediatos, estabelecer limites e horários de trabalho diário e semanal é indispensável. Tenho tentado impor isto à forma como lido com o meu trabalho. Às vezes, nem tem de ver com a quantidade, mas sim com a intensidade e o esforço mental e físico. Puxar a corda invisível da nossa resistências, vezes sem conta, pode não beneficiar todas as partes da nossa vida. Se não é por nós que decidimos parar, que seja pelos outros, por aqueles que nos rodeiam e se preocupam e querem/precisam de passar tempo connosco.

 

3. Se formos bons no que fazemos, há feedback positivo imediato na forma de recomendação (em inglês, word of mouth)

Gosto muito de trabalhar desta forma, porque estou em contacto directo com muitas pessoas, possibilitando uma interacção próxima e uma partilha de pensamentos e opiniões imediata. Se gostarem do meu trabalho, é-me dito na hora e consigo assistir a reacções ao vivo. Além disso, se formos bons no que fazemos, se as pessoas com quem trabalhamos (alunos, no meu caso) ficarem satisfeitas, irão contá-lo aos amigos ou conhecidos, registar uma boa avaliação se for a nível digital, promover o nosso trabalho duma ou doutra maneira. Poderão até começar a criar redes e recomendações em cadeia (já me aconteceu!). A palavra será passada, trabalho puxa trabalho. 

 

4. Desafios constantes são necessários

É fácil acomodarmo-nos, quando não temos estímulos externos que nos vão empurrando para o próximo degrau (uma reunião a aproximar-se, um chefe ou supervisor, uma mãe, uma avaliação profissional ou escolar, uma oportunidade de promoção em vista). Desta forma, ao trabalhar por conta própria, podemos cair na tentação de apenas fazer o que já é seguro e cujos resultados já conhecemos. No entanto, não é assim que entramos num ciclo vicioso, pouco saudável e motivador? Não digo que nos tenhamos sempre de desafiar a nível profissional, mas então não devemos encontrar outras fontes de desafio, como um novo passatempo? Ou apenas trabalhar num local diferente dos dias anteriores? Ou trocar ideias, marcar um lanche, com alguém que também queira partilhar as suas ideias - por exemplo, outro freelancer, mesmo que doutra área? Estas são algumas das minhas sugestões para manter a sanidade inteira e a criatividade a fluir.

 

5. Trabalhar como freelancer pode ser solitário, mas não estamos sozinhos

Pessoalmente, este aspecto não me afecta tanto. Afinal, uma professora, ainda que por conta própria, precisa de alunos, e os alunos são pessoas. Passo quase todo o dia acompanhada, pessoalmente ou à distância. No entanto, é importante destacá-lo - se não fosse este o meu caso, se eu apenas trabalhasse à frente do computador ou ao telemóvel, sei que esta seria uma vida mais solitária. Há muita gente nestas condições, cada vez mais, à medida que o trabalho remoto se torna um fenómeno mais frequente. Felizmente, temos espaços recentes de co-working, o que poderá atenuar o isolamento de quem trabalha sozinho. Trabalhar por conta própria não tem de ser "a partir de casa", pode ser a partir de sítios onde outros se juntem a fazer o mesmo (por exemplo, procurem em grupos de Facebook outros freelancers/nómadas digitais que se reúnam informalmente em cafés!). 

A nível pessoal, à falta dos colegas de trabalho tradicionais, há que manter relações fortes após o fim do dia. Podem ser relações mais superficiais, de circunstância ou próximas, que nos assegurem a ideia de que, mesmo que trabalhemos sozinhos, continuamos a estar rodeados de pessoas que não nos deixam ficar sós.

 

***

Por fim, gostaria de deixar uma "porta" aberta aos restantes trabalhadores por conta própria ou em título individual: o que aprenderam com a vossa rotina? E que dicas deixam aos mais inexperientes? Partilhem tudo isto na caixa de comentários!

Sem literatura portuguesa na biblioteca local?

Tenho lido bastante, principalmente autores portugueses e livros de ciência popular e escrita criativa em inglês. Na verdade, já li quase todos os livros que tinha por ler nas minhas estantes, excepto aqueles com histórias mais pesadotas, de fazer chorar corações empedernidos (estou a olhar para vocês, Vitorino Nemésio e Harper Lee). 

 

Por isso, ontem decidi ir à biblioteca local, da vila onde moro e onde estudei. Costumava ir lá e encontrar sempre um livro qualquer com o qual me conseguisse entreter. Chegava a levar à meia dúzia de livros para casa. Mesmo que não lesse todos, havia sempre um ou outro que me chamava a atenção (por exemplo, os escritos de Martin Luther King Jr., os romances de Murakami, Vasco Graça Moura...). Há alguns anos, até cheguei a trabalhar para a versão de jardim dessa biblioteca local, durante as férias, por isso, depois dalguns anos sem a visitar, tinha na cabeça uma ideia satisfatória do que lá poderia procurar. 

 

Ontem, visitei essa biblioteca local, porque fiquei sem material de leitura em casa que me entretivesse, sem me massacrar a cabeça com tristezas irremediáveis (como aconteceu com dois dos últimos livros que li) mas que também não me fizesse perder tempo. Ia à procura de literatura portuguesa, em particular, talvez Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, Afonso Cruz, os vencedores de prémios Leya ou APE (todos lidos por imensos portugueses, famosos, com tiragens relativamente altas por edição), ou um autor ainda desconhecido que por lá tivessem.

 

Não tive sorte nenhuma nesta dita biblioteca local. Entre Saramago (cuja obra já vive em grande peso cá em casa), Margarida Rebelo Pinto, Gustavo Santos na prateleira de Psicologia (!!!!!!!), Tiago Rebelo (não faz o meu estilo) e um ou outro Eça, restavam poucas opções. Aliás, os que restavam já eu li durante o ensino secundário, durante a época em que ia à biblioteca todas as semanas. Mesmo as estantes de literatura traduzida pareceram-me, de súbito, insuficientes. Nicholas Sparks, J. D. Robb, Stephanie Meyer, Emily Giffin...

 

Obviamente, saí de lá desiludida. Ficou a sugestão de procurar o que queria na biblioteca municipal (que fica a 20 km de distância, muito perto). É suposto esta biblioteca local, da junta de freguesia, servir pelo menos 25 mil habitantes. No entanto, não sei como poderá esta selecção limitada - e limitativa - de livros suprir as necessidades duma população em aumento constante, e com níveis de literacia também crescentes. 

 

Fica o desabafo. Tenho saudades de estudar na FLUL para poder usar a biblioteca da faculdade. 

As pessoas não se sentam para beber café

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As pessoas não se sentam para beber café. Esta constatação ocorreu-me enquanto eu, sentada a beber café, percebi que a maioria dos clientes se ficava pelo balcão. Um café. Um café e um pastel de nata, por algum golpe do acaso. Até há quem leve o café num daqueles copos de plástico ou cartão para "ir bebendo".

 

Estas pessoas não se sentam para beber café. Então, pergunto-me: quão triste ou sintomático é este facto? Não há tempo a perder. Não há tempo para beber café. Alguns só se sentam para tomar o pequeno-almoço, mas não os vejo permanecerem no mesmo lugar por mais do que o estritamente necessário. É tudo à pressa.

 

Não há tempo para apreciar o momento. Não há tempo para as pessoas se sentarem a beber café. É tudo a correr.

 

Para mim, não há melhor do que me poder sentar, nem que seja por dez minutos, a beber café e a ler (ou a escrever, que é o que estou a fazer neste instante, como podem conferir nestas palavras).

 

Só há tempo para trabalhar. Dá-se o nosso tempo aos outros, mas não de forma directa. Troca-se tempo por um rendimento e não há oportunidade para se trocar esse tempo por memórias em família, enriquecimento pessoal, saídas com amigos, sítios novos, um café e um livro.

 

Esta é uma das minhas dores do crescimento. Tenho uma fobia enorme a ser também contagiada por esta falta de dez minutos para parar e pensar. Ou, apenas, desligar.

 

Fotografia ilustrativa não patrocinada, infelizmente. 

Uma terra para gente mesmo muito rica

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Tenho andado a evitar politiquices aqui pelo blogue, mas há um tema actual que me mexe com os nervos e que eu também sinto necessidade de partilhar convosco, para que mais vozes se possam juntar e mais cabeças possam pensar. Vamos falar sobre o preço das rendas em Lisboa e arredores, vamos falar da impossibilidade de viver em Lisboa ou num raio de 50km, vamos falar sobre a eminência daquela voz que nos diz - a nós, gente miúda quase graúda que quer sair de casa dos papás - que nunca iremos passar da cepa torta, porque tudo aponta para que nunca tenhamos dinheiro para ir viver sozinhos, ou mesmo com as caras metades, ou amigos, ou sequer constituir família.

 

Porque isso, viver em Lisboa, em 2018, é só para ricos. Mas gente mesmo muito rica. 

 

Neste momento, é cada vez mais difícil para qualquer pessoa encontrar uma casa para arrendar em Lisboa e arredores. O preço das rendas (e dos imóveis para venda) é superior aos salários e reformas dos cidadãos, há até quem se veja despejado da casa onde morou toda a vida por causa da actualização do contrato (sempre com valores a apontar para cima) ou porque o proprietário quer vender. Poder ter um tecto em Lisboa é um luxo. 

 

Para alguém da minha geração, é impossível entrar no mercado imobiliário; para as restantes gerações, é impossível ficar. Mesmo com rendimentos superiores ao salário mínimo, com 1000€ ou 2000€...

 

Como é que alguém com um salário líquido de 1000€ consegue pagar um T0 a 500€ em Lisboa? Ou um T2 a 1300€? Ou um T3 a 2000€? Até no concelho onde eu resido, a 30km de Lisboa, um apartamento T2 custa 400€ e os preços têm estado a subir constantemente nos últimos dois anos, porque muitas famílias se têm mudado ainda mais para Sul desta Margem. Soma-se o passe combinado de transportes públicos, 100€, três horas na deslocação diária, e aí está a Matemática feita.

 

Por causa destas rendas ridículas - e rendimentos ainda mais incompatíveis com todo o cenário nacional - pessoas como eu e até as restantes pessoas que vivem comigo não conseguem deixar de viver todas num agregado familiar gigante e, apesar de unido, cheio de incompatibilidades que vão surgindo por causa dessa condição. Em alternativa, estamos condenados a ter roommates para sempre. 

 

E eu... 

Como todas as pessoas, quero ter um espaço só meu, sobre o qual se possa dizer que fui eu que conquistei. Pode não ser agora. Contudo, um dia, talvez daqui a um par de anos, cinco, aos trinta, aos trinta e cinco...

 

Se arrumei, arrumei; se desarrumei, desarrumado estará. Se cheguei tarde, seja. Cedo, ainda bem. Convidar alguém sem pedir licença, entrar e sair porque sim, gerir o que é mesmo meu.

 

Todos têm direito a ter um tecto sobre as suas cabeças, a formarem família, a tornarem-se independentes, a deixarem os pais gozar a sua própria independência depois duma vida a criarem-nos.

 

Nem sei porque me estou a justificar.

 

No outro dia, pensei "nunca vou conseguir sair daqui [da casa da minha família]". É triste, mas uma verdade que se aproxima a passos largos da minha vida. 

 

Quando é que esta bolha vai abrandar? Ou rebentar? 

 

E há quem ache mal a minha geração gostar de lanchar nos cafés da moda... é das únicas coisas que [ainda] nos resta! 

Não gostei do LxFactory, não gostei da livraria Ler Devagar, mas percebo o seu charme

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Talvez tenha sido por causa da chuva, talvez tenha sido por causa do frio, mas não gostei do LxFactory (também não gostei da livraria Ler Devagar, mas já lá iremos). Depois duma vida inteira a viver perto de Lisboa e de muitos anos a lá estudar, fui para a Tailândia em pleno desconhecimento deste sítio in

Agora que voltei, estabeleci como objectivo visitar todos os locais que ainda não conheça em Lisboa e que eu sinta que me possam surpreender. Foi mesmo com isso na mente que fui visitar o LxFactory. Até combinei um plano completo com a minha amiga Carolina, para poder experimentar todas as variantes possíveis do dito spot. Almoçámos lá, visitámos todos os tipos de loja e quase nos aventurámos numa sobremesa.

 

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Aqui seguem algumas impressões...

 

Ora, ponto número 1: os preços no LxFactory encontram-se inflaccionados pela taxa do "ser da moda", isto é, quem lá vai deve estar normalmente disposto a gastar mais dinheiro do que se fosse a outro sítio qualquer. Começou com o preço do almoço. 3€ por uma sopa numa taça minúscula, por onde se poderia beber chá, mais 3€ por um crepe de legumes com 5cmx2cm. Por pessoa, tudo isto. Ah, e um litro de água custou 3,50€ (a dividir pelas duas). Eu sei que Lisboa não é a cidade mais barata do mundo, mas achei isto uma roubalheira. Pelo menos, as doses poderiam ser mais simpáticas. Todos os outros restaurantes tinham menús completos por uma média de 15€. Oh. Meu. Deus. Tentámos as sobremesas, mas, pelo menos a mim, pareceu-me um excesso pagar quase quatro euros por uma fatia de bolo (disclaimer: depois de sairmos do LxFactory, fomos a uma pastelaria local, mesmo à saída).

 

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Ora, ponto número 2: o sítio não é assim tão bonito, nem agradável. Está bem, na semana passada esteve sempre a chover, o piso estava molhado, o céu nublado, as pessoas tristes e os cabelos ao vento. Mas não senti vibrações positivas enquanto estive no LxFactory, só senti um ambiente de coolness forçada. Não senti sequer que fosse um sítio tão artístico como tanta gente diz em todo o lado. Salvaram-se alguns graffitis interessantes, uma e outra mensagem curiosa, mas é só. Sem ser as esplanadas dos restaurantes, nem havia muitos bancos para os visitantes se poderem sentar e apreciarem as vistas.

 

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Ora, ponto número 3: depois de almoço, fomos à livraria Ler Devagar. Obviamente, eu estava entusiasmadíssima, poderia dar pulos de alegria por finalmente visitar esta livraria santificada nos blogues. Felizmente, também tinha um certa noção de que me poderia vir a desiludir. Pois, desiludi-me. Tem uma boa seleccção de poesia - devo reconhecer - mas o resto dos livros fica áquem das expectativas, não porque seja maus, mas sim porque são os mesmos livros que encontramos em qualquer outra livraria. A forma como estão organizados também não é nada de jeito, até me pareceu que estavam misturados autores portugueses com estrangeiros, não-ficção com ficção, géneros distintos com outros. Promoções... poucas, nem os preços me cativaram. Ficam no olho os mecanismos suspensos e alguns outros detalhes fofinhos, por exemplo, nos cafés dentro da livraria.

 

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Ora, ponto número 4: só encontrei uma casa-de-banho em todo o recinto. Sublinho, até: uma sanita. E tive dores de barriga. E tinha três pessoas atrás de mim, à espera que eu saísse. Não, não foi o momento mais confortável da minha vida, tive de apressar os meus assuntos e isso não me deixou muito feliz. (Se calhar, até havia mais casas-de-banho, mas o facto de eu não as ter encontrado também diz muito.)

 

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Ora, ponto número 5: safam-se mesmo os graffitis e a decoração de certas lojas. Pagam-se preços inflaccionados em todo o LxFactory, mas ao menos enchemos o olho nalguns (repito - alguns) sítios. Ainda assim, penso que esses pormenores são mais bonitos em foto do que ao vivo. Pronto, digamos que o LxFactory é um sítio fotografável,giro para o Instagram. 

 

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Após reflectir sobre a minha experiência, tive mesmo de chegar à conclusão de que não gostei do LxFactory. Fiz por tudo para não ser do contra, tentei procurar pontos positivos, mas concluí sempre que, com tantos locais lindos e maravilhosos em Lisboa, com uma área tão extensa e felizmente renovada à beira do Tejo, com prédios de todos os séculos e mais alguns que não encontramos em mais nenhuma cidade, com tanto espaço verde e urbano onde dá para lavar os olhos e também a alma... O que é que o LxFactory tem de especial? Bem... publicidade? Bom nome? É giro ir-se lá uma vez, ver como é e tal... e pronto. Não lhe consigo achar piada, principalmente quando penso no resto de Lisboa, na paz, beleza, tradição e inovação que esta cidade combina.

 

Contudo, fico humildemente à espera dos vossos comentários! Acham que estou a exagerar? Que deveria ter visto coisas que não vi, para as quais não olhei como deve ser? Que ainda me posso vir a surpreender se lá voltar mais uma vez? Veremos.

 

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Como a perturbação do regresso, ou síndrome do retorno, tem afectado a minha vida

O que será a perturbação do regresso - também conhecida por síndrome do retorno e outros nomes - e como afecta a vida de quem a sente? Nunca tinha ouvido tal coisa até uma prima, que também vive fora do país, ter partilhado um artigo sobre este assunto no Facebook. 

 

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 (A vista da janela do meu quarto, um cenário que, passem os anos que passem, e mesmo quando construíram as casas no horizonte, parece nunca mudar... Um cenário que me fascina e me faz sentir, realmente, em casa.)

 

No passado...

Sempre senti a perturbação do regresso depois de regressar das minhas viagens de curta duração (o máximo foi duas semanas há três anos e meio, quando fiz duas semanas de intercâmbio em Newcastle), mas nunca juntei todos os sintomas para chegar a um resultado conclusivo, sumário. Sentia-me mais do que cansada da viagem, sentia-me exausta, tinha alguma necessidade de estar sozinha enfiada na cama. No entanto, este estado letárgico durava apenas um ou dois dias e depois a vida retomava o seu ritmo.

Obviamente, não há comparação entre essas emoções e sensações depois de viagens tão curtas e a grande viagem que foi a minha vida em Banguecoque. Desta vez, penso que, seja lá o que isso for, a perturbação do regresso não só me tocou, como me deu um chapadão com mão rija. Mais dum mês depois, ainda não me sinto completamente refeita deste susto.

 

Mas a perturbação do regresso é uma coisa a sério?

Parece que esta perturbação do regresso pode não ser um fenómeno médico/mental/psicológico com muita literatura científica na qual nos possamos basear para afirmar tudo com muita certeza e clareza. No entanto, sinto que este conceito faz sentido e que até me ajuda a organizar o que sinto e penso. Talvez outros o percebam da mesma forma. 

 

O que sinto eu, realmente?

Que é reconfortante, consolador, perceber que este avalanche de sentimentos e pensamentos tem uma razão de ser, não sendo uma anormalidade no planeta. Que haverá por aí mais gente com o mesmo. Que esta desorientação tem uma origem... e, por consequência, um fim à vista. Depois de tantos estímulos ininterruptos por tanto tempo, depois de tanto desconforto e adaptação, desconforto e adaptação... Depois de tanto entusiasmo e grandes expectativas acerca do regresso... Depois de tantas experiências que não pude partilhar... Depois de tudo o que vivi... Depois de tanto tempo longe das pessoas mais próximas, mesmo que sempre em contacto à distância...

Depois de tudo isto, ficou-me a sensação de aborrecimento sem causa, de incompreensão, de desconforto até nos lugares que me deixariam mais à vontade em circunstâncias normais (em casa, por exemplo), de despertença, de desconhecimento até das pessoas que melhor conheço e até o contrário: as pessoas que me rodeiam sentem também este afastamento. E, ainda depois de tudo isto, fica o sentimento de culpa exactamente pelo que sinto, que é descabido! (Afinal, eu queria era voltar para casa! E agora, que voltei, qual é o meu problema???) 

 

Só quem volta o sente?

Pessoalmente, acho que todos os envolvidos no dia-a-dia de quem vai e regressa acabam por sentir um certo choque. Há alterações na interacção, nos encontros, por causa do que aconteceu dos dois lados entretanto. Nem que seja pelo hábito ou pela falta de hábito, todos sentimos surpresa, apreensão, incompreensão...

 

Essa perturbação é para sempre?

Claro que tudo isto é irracional. Aos poucos, a normalidade dos dias vai-se reconstituindo. Já comecei a estar com mais amigos. Mesmo tendo recomeçado a trabalhar uns dias depois de voltar, agora começo a fazê-lo aproveitando-o. A perturbação do regresso não existe para sempre. Qualquer coisa chamada síndrome do retorno só pode existir após... o retorno. Há que pensar que isto é o que chamamos simplesmente "o choque inicial".

 

O que fazer para ultrapassar a parte difícil do regresso?

Além disso, arranjei estratégias para combater emoções menos positivas relacionadas com esta síndrome do retorno. Tenho-me tentado desafiar, trabalhando com pessoas diferentes, tentando pensar em projectos pessoais, investindo em formação em áreas profissionais com as quais não lidei ultimamente, mas relacionadas com a minha formação anterior (como o jornalismo). Até me inscrevi numa pós-graduação, mas não abriu por falta de candidatos. Em Setembro, começo o meu mestrado, e até lá vou-me entretendo com trabalho e outros estudos paralelos. Quanto à parte humana do assunto... É tentar levar as reaproximações com calma. Tudo há-de voltar ao seu sítio de antes, ou, em alternativa, de encontrar novas posições e alinhamentos. 

 

Estou mesmo a tentar ver o copo meio cheio, pode ser que funcione!

 

E vocês, têm alguma experiência semelhante ao que se descreve sobre a perturbação do regresso? Já passaram pelo mesmo? Têm algumas dicas para quem está a levar com esta bomba no momento?

Ser professor é fácil

Quando digo que dou explicações, acompanho alunos, dou aulas aqui, ali e online, há quem diga "eu também poderia fazer isso". Fazem parecer que ensinar é fácil, que ser-se professor é fácil e que qualquer um o pode executar como quem dá aquela palha. Pega-se num livro, nuns exercícios dumas cópias que temos lá em casa, e já está. O que é, realmente, fácil é acreditar nesta falácia.

 

Sim, de facto, qualquer um pode ser professor, ou explicador, ou dar umas aulas. O mais difícil é, na minha opinião de quem anda a tentar ser bem-sucedida no que faz há cinco anos, fazê-lo bem. Deve ser como o que se diz sobre ter-se filhos: fazê-los é simples, o complicado é criá-los. Apoio algo semelhante no que toca a ensinar: todos podem tentar, mas muito menos pessoas conseguirão fazê-lo como deve ser ou atingindo os requisitos mínimos decentes (por exemplo, não matar os alunos de aborrecimento).

 

Além disso, vejo uma certa condescendência da parte de quem pensa que ensinar é uma tarefa quase intuitiva. Desvalorizam a vocação, a inclinação, a formação, o investimento pessoal, económico e profissional de quem se esforça verdadeiramente para o fazer melhor. 

 

Tive professores no ensino secundário e nas universidades onde estudei e trabalhei que, acredito, nunca abriram um livro sobre educação, psicologia, métodos ou abordagens de ensino na vida. Ensinam como quem atira postas de pescada. Muitos pertencem à geração dos professores "porque calhou", "porque as escolas e universidades precisavam" (por exemplo, depois do 25 de Abril). Quem mais sofre com este cenário desencorajador são sempre os alunos. Não é suficiente saber-se tudo sobre relações interculturais, engenharia bioquímica, ginástica ou filosofia antiga: há que saber passar a mensagem, comunicar e suscitar reacções [positivas/construtivas] na plateia... que são os alunos, seres humanos susceptíveis a estímulos que passam por muito mais do que receber e absorver informação de forma passiva.

 

Não digo que todos os professores sem formação em educação ou pedagogia são obrigatoriamente maus profissionais. Algumas pessoas têm uma veia especial e inata para o ensino, são empáticas e flexíveis, aprendem e apreendem com a experiência (também conheci pessoas assim). Infelizmente, muitos mais são os professores nestas condições que o são sem merecerem.

 

Não pretendo, com isto, atirar areia para os olhos de ninguém, muito menos maldizer seja quem for. Pretendo apenas chamar-vos a atenção para quando lerem barbaridades como "quem sabe fazer, tem a profissão; quem não sabe fazer, só ensina" ou "dás umas explicações? Hás-de me dizer como fazes!".

 

Estou a milhas de distância de ser a professora perfeita. Sou demasiado nova, ainda tenho muito a aprender, muito conhecimento a obter que meio mestrado e um par de cursos não conseguem juntar, ainda não lidei com todos os tipos de alunos possíveis (se bem que já colecciono uma boa variedade). No entanto, esta é uma daquelas profissões que gostaria de manter pela vida fora. Receber o incentivo dos meus alunos e colegas ajuda bastante. Vejo-me a fazer outras coisas, a ganhar experiência naquilo que quero partilhar com os meus alunos, mas ensinar traz-me uma alegria imensa. 

E traz-me trabalho que nunca mais acaba. Os tais investimentos multilaterais. 

 

Por isso, deixo-vos um apelo: não desvalorizem quem ensina (no mínimo, quem ensina como deve ser). Se tiverem filhos ou crianças pequenas nas vossas famílias, façam-lhes ver o quão importante e difícil o trabalho dum professor é, mesmo o dum "tutor" ou "explicador". Se não fossem os professores competentes, apaixonados, inspiradores, trabalhadores que foram encontrando pela vida fora, que seria de toda a gente deste mundo?

Bateu a nostalgia de quem vai voltar a Portugal em menos de dois dias

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 (Há bocadinho, quando cá cheguei.)

 

Na literatura e no cinema, ou apenas na nossa imaginação, existe uma pergunta omnipresente: se soubesses que irias morrer amanhã, o que farias hoje?

Felizmente, não conto morrer tão depressa. No entanto, saber que me vou mudar dum país a 10 000 km de volta para Portugal, e que aqui poderei não voltar tão rapidamente, traz-me uma nostalgia indescritível. Aliás, vou tentar descrevê-la agora, mas não tenho a certeza se me farei entender tão bem quanto desejo.

 

Tenho quase completa certeza de que voltarei a Banguecoque ou à Tailândia no futuro. Quero, pelo menos, mostrar ao meu namorado onde vivi, já que a minha família nuclear cá me foi visitando. O que me causa nostalgia é saber que Banguecoque é uma cidade em mutação acelerada e o que eu conheço hoje já poderei desconhecer daqui a um ano (é verdade). Só na minha avenida, prevêem a conclusão da nova linha de sky train entre este e o próximo ano). Além disso, há sítios aos quais sei que muuuuuito dificilmente poderei regressar, como é o caso do meu estúdio (aquela unidade particular onde vivi durante onze meses e meio) ou do meu condomínio (terei muitas saudades da minha piscina e do ambiente verde e tons de terra dum lado e, do outro, as torres brancas e cinzentas).

 

Deste modo, fiquei com vontade de regressar ou visitar muitos sítios onde não tive tempo de ir, ou porque me senti forreta ou por falta de planeamento. O meu falecimento para Banguecoque e para a Tailândia como os conheço é já daqui a 36 horas e eu não completei a minha bucket list. Nem a meio cheguei. Na semana passada pensei "se morresses agora, ou no mínimo sabendo que vais regressar a Portugal, onde irias?" e fiz imensos planos, mas a vida quotidiana aconteceu e fiquei pela rama. 

 

Seja como e onde for, esta nostalgia deve-se, em grande parte, a saber que este tempo já não volta, porque eu sou agora uma pessoa que se vai apagar no momento em que o avião descolar em direcção à Europa. Não desdenho a pessoa que penso ser aqui na Tailândia, mas sei que também quero experimentar outras versões de mim. Os primeiros quase dois anos da minha vida adulta pós-estudos foram passados aqui, onde tive o meu primeiro emprego, onde vivi sozinha, experimentei muitas coisas novas (comida, pessoas "aspas aspas que é como quem diz", sentimentos, roupa, forma de pensar e estar)... Mas sei que não quero continuar a ser a mesma que sou neste lado, quero antes encontrar um equilíbrio entre o que sou agora, dia 29 de Janeiro de 2018, quem era no dia 22 de Junho de 2016 e quem me vejo sem no futuro.

 

Divago. Voltando ao que me apetece partilhar...

Enquanto escrevo, estou à beira da minha piscina, a tal piscina do condomínio onde vivo (é relativamente normal e barato para alguém da classe média tailandesa viver num condomínio com condições e infraestruturas semelhantes). Custa um pedacinho chorudo da alma sair desta espreguiçadeira onde me encontro sentada, sabendo bem que é provável que nunca mais eu venha a estar neste preciso ponto do globo. Eu sou dada a nostalgias, é um facto que tenho aprendido a aceitar, mas eu tenho quase a certeza que nunca mais vou estar neste sítio, muito menos a esta hora (vou devolver a chave amanhã à tarde), com esta vista nocturna, mas calorosamente iluminada e reflectida na água.

 

E estou a escrever-vos, presentemente no telemóvel, porque não conheço outra forma de lidar com este luto alegre de quem sabe que se está bem aqui, mas que há momentos para tudo na vida, estando eu especialmente entusiasmada por poder partilhá-los com aqueles que mais amo, em vez de o fazer em regime semi-solitário, o que - convenhamos - é bem melhor.

 

Então, pronto. Daqui a 48 horas já estarei com um pé a apontar para Lisboa e, quando assim for, esta nostalgia há-de se encontrar bem enterrada em sonhos e expectativas mais europeias e invernais.

 

(Uma certeza eu tenho: quando puser o nariz fora do avião em Lisboa, hei-de sofrer com saudades do bafo de poluição e humidade De Banguecoque... mas só momentaneamente, que uma pessoa nunca tem fôlego nesta terra!) 

 

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(Agora mesmo.) 

Para onde vamos depois de terminar o ensino secundário?

Vai fazer cinco anos que terminei o ensino secundário. Parece pouco, mas meia década já deu para muito. O mais curioso, para mim, é a diversidade de caminhos das pessoas com quem andei na escola - do meu ano e sem ser do meu ano.

 

Há muita gente que já anda em mestrados, há quem tenha repetido o secundário no ensino profissional, há quem tenha ido logo trabalhar, há quem concilie estudos e trabalho. Há quem já tenha filhos, há quem só tenha coleccionado namorados. Alguns já vão no segundo filho e/ou no 35º namorado/a.. Há quem se tenha tornado jogador de futebol, há quem se tenha casado ou tido filhos com um. Outros participaram na Casa dos Segredos, e/ou iniciaram negócios. Há quem tenha ido para a tropa ou para a marinha. Alguns emigraram ou foram estudar para fora do país ou para o outro lado de Portugal. Uns trabalham nos supermercados onde vamos todos os dias, outros trabalham em escritórios de alto gabarito ou bancos, ou são professores ou educadores, engenheiros de várias áreas, biólogos, psicólogos (vários), animadores socioculturais, antropólogos, actores, ...

 

Depois de terminar o ensino secundário, nenhum outro casal de pombinhos sobreviveu, pelo menos dos que me lembre do meu ano. A maioria das pessoas engordou. Muitas das miúdas "todas boas" do secundário estragaram-se. Há muitas que não eram "as mais boas", mas que ficaram bem giras. Os rapazes tornaram-se, por norma, melhores do que estavam (a puberdade mais tardia ajudou). Por outro lado, há quem já pareça ter quarenta anos, antes sequer de avistar os 25. E há quem continue na mesma. 

 

Antes de terminar o ensino secundário, nunca pensei no quão diferentes poderiam vir a ser os caminhos futuros de tanta gente que cresceu na mesma vila e frequentou as mesmas escolas/cafés/parques/centros comerciais durante tantos anos. Começamos todos no mesmo sítio, de forma semelhante, partilhamos a infância e/ou a adolescência, mas seguimos por vias tão criativas quanto o nosso ADN. A vida é uma coisa estranha, não é?

5 coisas de que tenho saudades em Portugal

De facto, não há melhor lição do que esta, quando vivemos longe de Portugal: tomamos tantas coisas por garantidas, mas das quais sofremos horrores com saudades, quando nos afastamos do nosso país.

Esta é a minha lista de coisas de que tenho saudades - em Portugal - aqueles gestos, sítios, objectos, rotinas... Acho que algumas pessoas entenderão o que quero dizer!

 

1. A emoção à flor da pele
Quando estava em Portugal, achava que algumas pessoas eram um pouco hipócritas nos seus actos. Demasiadas fofinhices, demasiada simpatia, demasiado entusiasmo, mas ia-se a ver e era tudo um exagero.
No entanto, agora que estou longe, tenho saudades de abraços, beijinhos de olá e adeus, sentir empatia, sentir um certo conforto nessas palavras, mesmo quando parecem ser ditas em vão. Quem diria que eu viri a ter saudades disto?

 

  

2. A variedade de sabores
A comida tailandesa tem dois sabores: ou sabe a alho, ou sabe a chili. Na minha opinião, a portuguesa tem esses dois e mais uns três milhões. Além disso, para quem gosta de comer carne (tal como eu, apesar de não muita), viver na Tailândia, onde a carne tem sabor a nada, é uma experiência quiçá aborrecida. Valha-nos a variedade de vegetais e a comida de rua tailandesa, para equilibrar o consumo dos sabores dos dois países. Só de pensar em comida portuguesa, já estou aqui a salivar por uma carne de porco à alentejana, um cozido à portuguesa, um bitoque com batatas fritas, um bacalhau com natas, ou pastéis de bacalhau, alheira com ovo... Vocês não me tentem!

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 Num dos dois restaurantes portugueses em Banguecoque, antes de comer uma bela pratada de bacalhau com natas. *feliz*

 

3. Pão e bolos
Sim, também há pão e bolos em Banguecoque, guardem os vossos terrores. O problema é mesmo a falta de pão e bolos "como deve ser" - isto é, com uma textura consistente, com sabor a mais do que mero açúcar refinado. Sim, e o pão também é quase sempre doce e mole por estas bandas! Onde já se viu tal desplante? Já os bolos, desfazem-se em migalhas, sabem todos ao mesmo e não enchem nem um rato. Fazem-me falta pães salgados, rijos, mas fresquinhos, acabados de sair do forno, quentinhos, sem sabor a conservantes. Sinto saudades de bolos que me satisfaçam a gula. Até existem cá em Banguecoque, o problema é o 💰💰. Há uns dias, mandei vir quatro pães... por quinze euros. Haja paciência para o luxo de se ser portuguesa..!

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Nesta foto, ainda me sentia muito impressionada pelo tamanho deste bolo de noiva! Logo depois, disseram-me que nem os bolos de noiva são reais! São só papel e os noivos cortam-nos unicamente para fazer vista!

 

 

4. Saber que, se sair do local X à hora Y, chegarei ao local A à hora B
Confusos? O trânsito de Banguecoque é imprevisível, excepto algumas alturas do dia ou da semana em que já há um padrão óbvio (pelo menos, para quem cá vive há um ano e meio). De resto, basta uma formiga ser atropelada para filas e filas de carros ficarem bloqueadas num raio de dez quilómetros. O trânsito é insuportável e pouco recomendável a cardíacos, ansiosos e claustrofóbicos. É necessária uma dose divina de paciência ou a coragem de chamar um táxi-mota. Por causa de todo este stress do trânsito inesperado e sempre caótico, tenho saudades de Portugal, por pelo menos ser previsível e não ficarmos meia hora dentro do carro para percorrer 5km.

E os transportes públicos??? Senhores, que desgraça! A rede é bastante eficiente fora da hora de ponta (há comboio, skytrain, metro, autocarro, várias linhas até de barco), mas basta chover um bocadinho, ser sexta-feira à noite e as horas de ponta ficam ainda mais insuportáveis ao ponto de tudo parar - e, com isto, até deixar de haver táxis disponíveis. Ficamos eternamente à espera dum comboio que chegará "dentro de 10 minutos".

 

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Atentai nestas caras de desorientação e no mar de gente numa plataforma que, mesmo sendo extensa, fica a parecer minúscula! E até parecemos um bocadinho mais ordenados porque é preciso fazer fila para entrar no comboio.

 

5. Espaços verdes e abertos, ar livre e fresco
Esplanadas, parques, jardins, pracetas, estar à janela. Enquanto escrevo este texto, é Inverno em Banguecoque e está mais ou menos frio (20ºC muito ventosos), mas este não costuma ser o caso. De Fevereiro a Novembro, está sempre abafado, ou a chover, ou o sol é demasiado forte. Em todo o caso, o ar está demasiado poluído para se "apanhar ar fresco". Tenho imensas saudades de me sentar debaixo do sol ameno de Lisboa num final de tarde, a comer um gelado, ou ir almoçar, literalmente, fora. Tenho imensas saudades do meu quintal, com árvores de fruto, um sofá de baloiço, relva, as vozes familiares dos vizinhos ao longe, os cães e os gatos a pedirem mimo, seja Inverno ou Verão. Portugal tem sítios lindos onde ir passear, até Lisboa ou o Porto ainda têm dimensões e população razoáveis que permitem preservar a qualidade de vida. Podemos passear, passar tempo no exterior, desfrutar da Natureza... 

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 Uma foto de há uns dias, da minha rua em Portugal, quando o meu pai foi passear com a nossa cadela. 

 

Finalmente, haverá por aí alguém que também viva no estrangeiro ou que já tenha vivido? O que acrescentariam a esta lista? Tenho a certeza de que poderia ainda mencionar mais uns tópicos, por isso estejam à vontade.

Portugal, chego em menos de um mês!