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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Pequeno aparte para os meninos "daquelas" praxes

Prometes honrar o traje e os teus padrinhos?

Pretendes honrar a tua instituição de ensino, a tua comissão de praxes e a tua família?

 

Então, estuda, vai às aulas e sê produtivo para o país, em vez de andares para aí com tretas a gastar o dinheiro dos teus paizinhos e dos contribuintes. E o teu tempo. Não sei que porcaria de honra é que se dá ao traje, se não se vai à faculdade para se fazer aquilo a que ela se destina, em primeiro lugar.

 

3, 2, 1, e este comentário vai-me meter num 31.

Universidade #5 - Praxe ou não, eis a questão!

E... as aulas do ensino superior estão prestes a começar! Faltam mais ou menos 5 dias para o aclichézado "primeiro dia do resto das vossas vidas" e, com ele, chega a altura de decidir serem praxados. Ou não serem praxados.

Recentemente, o Governo lançou uma campanha de sensibilização para a existência de praxes violentas, com o intuito de que estas sejam denunciadas. O que é certo é que o que é bom para uns é terrível para outros e cada um gosta do que gosta. Reconheço que deve haver por aí muita praxe a atentar contra os direitos dos colegas, pessoalmente acho a maioria (violenta ou não violenta) um bocado ofensiva contra a minha personalidade, mas há muita gente que as adora e o que é que se pode fazer? Por isso, penso que esta campanha de sensibilização terá como principal objectivo pôr-nos a reflectir no que é realmente adequado em contexto de praxe, o que é óptimo. Assim, ninguém tem de ameaçar acabar com as praxes, não correndo também o risco de se ser encarado como apoiante cego.

 

No ano passado, contei-vos que desertei da minha praxe ao fim de três horas. Enfim, aquilo não era meeeeesmo para mim. Detesto que mandem em mim, detesto que me gritem e que me coloquem imposições, ainda que seja "na brincadeira". Para mim, a melhor integração parte do facto de sermos todos iguais, num contexto de equidade e de disponibilidade. Não quis saber se, algumas horas depois, ao final do dia, aqueles colegas iriam despir as suas capas e revelarem-se uns bacanos para mim. Ao iniciar o meu 1º ano na faculdade, o que eu precisava era de colegas que fossem bacanos desde o início até ao fim, que me ajudassem a qualquer momento e que não me dissessem que ou escolhia ser praxada durante duas semanas, sem ir a quase aula nenhuma, ou então não valia a pena fazê-la.

Obviamente, escolhi não ser praxada. Não ando a pagar mais de 1000€ por ano e a trabalhar que nem uma louca para depois andar a baldar-me logo às primeiras aulas. Se a praxe não coincidisse com o período de aulas, ainda era capaz de repensar a minha decisão. No entanto, dadas as circunstâncias, jamais me arrependi neste último ano de não ter alinhado.

 

Ao não ir à praxe, tive tempo de conhecer igualmente alguns colegas que, esses sim, me ajudaram ao longo de todo o ano. A faculdade é conhecida pelas festas e pelos bons bocados que se passam com o "pessoal", mas também é um período em que toda a ajuda é pouca para nos mantermos fiéis aos nossos objectivos. Por isso, só tenho a agradecer tê-los conhecido, aos colegas que me fizeram sentir bem-vinda, mesmo sendo caloiros como eu.

Duas semanas depois do início das aulas, quando a praxe finalmente terminou, os que haviam participado nela caíram de pára-quedas nas aulas. Muitos aguentaram-se bem, outros nem por isso. O meu curso não é o mais difícil, mas exige empenho, assim como todos os outros. 

 

Não achei que tivesse perdido alguma da minha (suposta) experiência académica por não ter sido praxada e, por este ano, não praxar. O traje não me seduz muito, travei amizades na mesma. Há tanto em frequentar o ensino superior sem ser a praxe! Há tanto de inédito, há tanto de agradável.

 

Não pensem que, por não participarem na praxe, não farão amigos e que não travarão bons conhecimentos. Pensem sempre que dizer "sim" ou "não" fica ao vosso critério. Que todas as praxes são diferentes. Que as pessoas são diferentes. Que cada um deve ficar na sua. O vosso melhor amigo pode estar a adorar a praxe dele, e ser fixe, e ser divertidíssimo, mas que isso não significa que a vossa seja tão positiva quanto a dele - às vezes nem sequer por ser perigosa ou humilhante, apenas porque vocês não são do tipo de entrar nessas coisas.

 

A minha opinião não é anti-praxe. A minha opinião é anti-abusos e anti-falta de auto-estima, é pró-decisões tomadas com responsabilidade e reflexão acerca daquilo que realmente nos agrada na vida, acerca das nossas prioridades. Aquilo que defendo é que, em caso de dúvida, experimentar não custa!

Não sou (totalmente) contra a praxe

   Como cheguei a contar-vos, abandonei a “minha” praxe ao fim de três horas. Não me identifiquei, achei que a minha vida não dependia daquilo e que tinha mais que fazer. Tive colegas que passaram, noite e dia, durante duas semanas, imersos nos rituais de praxe. Não foram às aulas durante esses dez dias úteis e julgo que continuaram a faltar pontualmente sempre que havia algum evento relacionado.

   (Não me interpretem mal: eu falto a algumas das minhas aulas, chego atrasada propositadamente, sei que muitas delas são inúteis. Porém, nos primeiros dias de faculdade, eu queria era assistir a tudo e mais alguma coisa, pôr-me a par do que se passava naquele mundo novo, que tipo de professores eram os meus, se as matérias eram fáceis ou difíceis. Afinal, é para isso que estou a pagar mais de mil euros por ano - fora o resto.)

   Mas, voltando ao tópico inicial, a ideia dos doutores e veteranos era que os caloirinhos passassem o máximo de tempo possível nas praxes, mesmo que tivessem que faltar a compromissos e por aí fora. Eu é que fugi enquanto pude, eu que trabalhava na altura e eu que não ousava que colocassem em questão a minha assiduidade e participação nas aulas. Sim, foi uma escolha, e não fui a única a tomá-la, de entre todos os colegas.

   O que ainda me faz comichão é dizerem que é preciso haver praxe para os alunos se poderem integrar e conhecerem-se uns aos outros e à cidade onde estudam. Por acaso, infelizmente, na minha faculdade, até acho que isso é uma realidade: depois de abandonar a praxe, foram mais as vozes que se desagradaram do que as que apoiaram, e nenhum suposto doutor ou veterano se chegou ao pé de mim e se voluntariou para me apresentar fosse o que fosse. Se não tivessem sido alguns amigos mais velhos que conhecia noutros cursos a orientarem-me, os meus primeiros dias na FLUL ter-se-iam passado num reboliço, sem conhecer os cantos à casa nem as suas histórias e particularidades. Porém, nada de preocupações! Fiz bons conhecimentos na mesma, estabeleci óptimas relações com os meus novos colegas e no espaço de três ou quatro dias já estava fina, como se sempre ali tivesse estudado!

   Então, é preciso participar na praxe para sermos ajudados? É preciso participar na praxe para fazermos amigos? É preciso ser-se um doutor ou veterano trajado para se ajudar um caloiro não praxante? É preciso ser-se aceite em determinado grupo para nos sentirmos integrados nalguma coisa? É preciso faltar às aulas e sair-se à noite e tratar pessoas com a nossa idade na terceira pessoa, com deferência, para se ter toda a experiência académica em dia?

   Se não têm “aptidões sociais”, meus caros, arranjem-nas. Chamam-se carisma, simpatia, abertura de espírito, lata, desenrascanço. Chama-se “saber-se afirmar perante os outros”, “ter-se personalidade”. Não é preciso ir-se para a praxe para se fazerem amigos para a vida durante os nossos tempos universitários! Mas esperem…

   Não me quero aqui armar em desmancha-prazeres ou chata-do-contra, quero apenas mostrar a minha opinião, e ela é: não sou contra a praxe. Sou sim, contra a praxe violenta, que desrespeita os direitos individuais dos que nela participam. Sou, também, contra a praxe elitista, através da qual se estipulam hierarquias e lugares sociais – todos os seres humanos devem conviver em equidade, logo, se os estudantes são seres humanos (acho eu!), devem respeitar esse preceito.

   E a minha opinião é, igualmente: que haja fiscalização. Que ponham a polícia, as direcções das faculdades, as associações de estudantes ou o diabo a quatro, mas as praxes têm de ser fiscalizadas, para evitar que aconteçam mais desgraças como a que aconteceu no Meco e, provavelmente, em tantos outros pontos do país. E – aí sim – se a fiscalização ainda for ineficiente e não houver outra maneira de parar os excessos, não vejo que arranjem mais soluções senão ilegalizar o ritual de praxe em definitivo e absoluto. Será mesmo complicado…

   Por isso, não sou totalmente contra a praxe porque cada um tem o que quer e merece, e, se gosta de levar com farinha e pastilha elástica no cabelo, isso é lá com a sua pessoa; e, se gosta que lhe façam monocelhas e que o obriguem a rastejar na lama, ninguém lhe deve negar tal prazer masoquista. Até acredito que existam boas e recomendáveis praxes, cheias de boas intenções e excelentes para semear amizades duradouras e inesquecíveis. No entanto, alguém tem de defender os caloiros que não sabem dizer não quando existem abusos. Alguém tem de os fazer ver a luz, seja ela o que for, para que o ciclo não se perpetue e para que no ano que vem ou para o próximo eles não ajam da mesma maneira enquanto doutores, veteranos, duxes ou o que raio lhes chamarem, face às novas larvas, bichos, caloiros.

   E vejam mas é se começam a ajudar os caloiros não praxados a integrar-se, porque eles também são caloiros e também precisam de novos amigos! ‘Tá bem? Pode ser?

As 5 publicações mais procrastinadas dos últimos 6 meses

  1. Desertora de praxes - AQUI! - 426
  2. Assalto no Parque da Bela Vista - 422
  3. Das minhas (graves) patologias - 317
  4. O Massacre não massacrou muito - 225
  5. Temos caloira! - 118

Percebe-se porquê. Excepto a número 2 e a número 3, as outras fazem todas parte da minha transição secundário-faculdade, um assunto a que tenho dado bastante ênfase pelos motivos óbvios e que tem levado a alguma partilha de experiências e discussões da parte de quem está atento a este tipo de publicações. Além disso, das cinco, só a última é que não foi destacada pelos Recortes do Sapo. O certo é que a maioria delas corresponde às que eu mais gostei de escrever, portanto parece que fui bem-sucedida a passar a mensagem pretendida!

Dispenso

Dispenso pessoas que (me) arregalam os olhos enquanto falam.

Dispenso pessoas que chamam as outras, subrepticiamente, de ignorantes.

Dispenso pessoas que acham que a sua área de estudos é a melhor, a mais bonita, a mais sublime, a mais interessante - enfim, o suprassumo.

Dispenso pessoas que, em vez de (me) explicarem do que raio é que estão a falar, fazem uma chuva-de-ideias com vários conceitos e, logo a seguir, sem nenhuma conclusão retirada, (me) devolvem a pergunta, qual batata quente.

Dispenso pessoas que, em vez de (me) explicarem do que raio é que estão a falar, me mandam ler o livro X do autor Y (como se eu já não tivesse leituras obrigatórias suficientes até ao fim do ano).

 

Sumariamente, dispenso a minha professora de C&S. Obrigada, podem ficar com ela (e com as suas famosas lições de etimologia e mitologia grega e latina). Talvez eu deva realmente seguir o seu sapientíssimo conselho e ler os livros que se farta de recomendar... durante as quatro horas semanais supostamente destinadas às aulas! Porque, lá no fundo, até sou capaz de aprender mais qualquer coisita que não seja as minhas respostas (e as de todos os meus colegas) serem demasiado abstractas e gerais e imperceptíveis e tal e cenas.

 

 

Ah, e também dispenso esta chuvinha molha-parvos-e-destrói-colunas-vertebrais.

E gente trajada.

O que é demais enjoa.

Desertora de praxes - AQUI!

Durante estes últimos dias, comecei a ficar um pouco confusa no que toca à minha opinião sobre as praxes. Quais os benefícios? Quais as desvantagens? Afinal, o que é que se ganha e se perde? Apesar de a minha posição inicial ter sido "eu faço as praxes, porque quero experimentar tudo o que tenha que ver com a vida académica, além de que é uma tradição", surgiu-se-me um impasse inesperado com o aproximar do primeiro dia de faculdade (hoje!).

 

Em primeiro lugar, como já devem ter percebido mais ou menos, eu faço parte daquele grupo de pessoas que gosta é de cumprir com horários e compromissos, certinha e - digamos-  ajuizada q.b.. No que toca à escola, ainda mais o sou, e com assuntos como este não se brinca. Portanto, quando me falaram em "ter, eventualmente, que faltar para poder participar nas praxes", não achei piadinha nenhuma. O quê...???! Faltar logo às primeiras aulas do ano/da faculdade???! Nem pensar, fora de questão! Por muito que me garantam que, aos professores, tanto se lhes dá, a mim é uma coisa que me importa, não estar presente no momento das apresentações ou, possivelmente, perder matéria. Isto era o que me deixava menos atraída pelas praxes, mas há mais...

Há praxes e praxes, não é verdade? Há umas que valem a pena e outras que são uma bela bosta. Pelo que tinha ouvido dizer, as da FLUL nem sequer eram por aí além, assim meias fracotas e sem muito interesse. Meh. Só vendo... - tal como o tipo de veteranos/doutores que por lá houvesse.

 

Mas eu tinha taaaaaaaaaanta curiosidade!

 

Deste modo, restava-me uma única alternativa - experimentar a dita da praxe, já que hoje até seria um dia totalmente livre. Tive para aí dois segundos para pensar, enquanto saía nas cancelas do Metro ("és de Direito?, és de Direito?, és de Direito?", perguntava um mar de trajados... de Direito) e avistava, lá ao fundo, perto da saída, meia dúzia de doutores com cartões-à-aeroporto, clamando por caloirinhos fresquinhos de Letras. Ia ou não ia?

 

E fui, nem que fosse só para tirar as teimas!

 

Tentar nunca matou ninguém, é certo. Infelizmente, ia-me matando a mim. De tédio, pela desorganização da praxe e pelas sucessivas tentativas pouco esmeradas de improviso por parte de veteranos e doutores. De enjôo, depois de me pôrem a rebolar na relva. De dor e comichão, porque aqui a je ia toda fresqujnha de calções e de cavas e ficou toda arranhada. De cansaço, por ter sido obrigada a rastejar e a correr atrás de um doutor infiltrado, disfarçado de caloiro desobediente, que tínhamos de apanhar e esmagar num moche. De sujidade, pelas porcarias com que me borraram (pff, devem ser mesmo pinturas faciais, a julgar pela esfregadela que já dei ao meu braço esquerdo e continuar a lá estar escrito "CALOIRA CC"), inclusivamente nas unhas que eu tinha arranjado e pintado ainda ontem à tarde! E não me chamem picuinhas, porque, se a experiência tivesse valido a pena, eu nem me queixava, limitando-me a passar um algodão de acetona pelo assunto!

OK, a intenção foi boa, o pessoal até era bacano, mas eu não me identifiquei com a praxe. Até posso dizer que - pronto, pronto - não foi mau de todo e sempre deu para me ambientar, nem que tenha sido um bocadichinho de nada, mas mais não posso dizer. Não é nada contra quem goste e faça questão de praxar e ser praxado... Contudo, pessoalmente, podia ter passado sem aquelas míseras três horas (ao fim das quais me escapuli porque "tinha de ir trabalhar").

 

Desertei da minha praxe, não me orgulho, mas lá é que eu não volto.

 

 

(Nota: a hierarquia, do menos para o mais "privilegiado", é a seguinte: caloiro (1º ano), doutor (2º/3ºano), veterano (aquele que já lá anda por gosto, chamemos-lhe assim.)