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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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O discurso de Marcelo

Hoje, antes de actuar no concerto comemorativo de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo de Carvalho dizia que só esperava que o nosso novo Presidente da República tomasse para si a função de moralizar o país.
 
De facto, Marcelo começou bem. Deu uma lição de retórica, de História, de Geografia e de Literatura a Portugal, logo que chegou. Falou sobre a sociedade, a cultura e a economia. Citou escritores que nos são próximos. Deixou uma mensagem de encorajamento e esperança para quem mais precisa dela. Foi educado, correcto no discurso e nos modos. Pareceu-me transparente, coerente e genuíno nas palavras e nas emoções. 
Da minha parte, resta-me ficar na expectativa de que faça justiça ao seu primeiro discurso enquanto PR durante os próximos anos e de que não se torne em mais um bibelot na cena política portuguesa.
 

 
 

era uma vez, Portugal...

   Hoje, todos os telejornais da uma da tarde fizeram questão de mostrar, como notícias de destaque, o jogo entre Portugal e a Alemanha e as "individualidades" do nosso país a fazerem show para o povinho.


   Quanto a este último evento, devo começar por dizer que quase me confundiram. Então, hoje não é dia 9? E eles já andam a comemorar o dia de Portugal? Isso não é só amanhã? Pois, quase que me apanharam... É que, cá para mim, todas aquelas visitas do Cavaco Silva e da sua corte ao Mosteiro de Jerónimos e ao túmulo de Luís de Camões, aqueles passeios de fachada pela Mouraria e de eléctrico pela Baixa não passam de uma escandalosa ofensa à inteligência dos portugueses. Em primeiro lugar, repito: o Dia de Portugal só se deve comemorar (rufos) no dia de Portugal!; em segundo, não percebi o objectivo de a corte presidencial andar pela cidade a fazer fita para os meios de comunicação, afirmando e e reafirmando que Portugal é isto e aquilo, que temos potencial e que temos de ser optimistas, quando já estamos bem velhos de saber como Portugal já passou melhores dias, sejamos sinceros de uma vez por todas (basicamente, divertiram-se a fazer teatro e a arrear o presunto para português ver); em terceiro, por favor, parem de gastar o dinheiro do contribuinte com estas porcarias desnecessárias, porque nem sequer no Terreiro do Paço o excelentíssimo presidente Cavaco Silva teve público para assistir à sua humilhaçã... (perdão) cerimónia de honras militares, nem no içar da bandeira na Rua Augusta. Eu ainda pensei que estava a ver mal a reportagem, mas Lisboa estava realmente deserta, tanto de civis como de turistas.


   Quando ao jogo Portugal-Alemanha, só esperava, no mínimo, que fizessem menos alarido. Já estou farta de ouvir que estamos (eu não) muito orgulhosos dos nossos jogadores, que depositamos imensa confiança neles, que eles são os máióres e que trabalham que sa fartam (só aquele Cristiano Ronaldo...! Mas isso são outras águas), que as nossas comunidades emigrantes estão a vibrar imenso com este espectáculo... Nem é que me importe grande coisa que lhes dêem tempo de antena, mas Portugal tem tanta, tanta coisa para valorizar sem ser o futebol e os seus craques, não só no desporto, como também na cultura, na ciência, na juventude, na iniciativa, na paisagem, na gastronomia, e nada disso é devidamente mostrado ao estrangeiro, para que possam ver que não somos apenas uma data de cro magnons com baixos níveis de escolaridade e uma taxa de desemprego abismal em relação ao resto da União Europeia.


   Ah, e depois destes noticiários da treta, o que é que uma pessoa minimamente racional retira? Andam a festejar o 10 de Junho no dia 9 porque, se perdermos o jogo de hoje, o espírito orgulhoso nacionalista há-de ir por água abaixo. Afinal, ninguém quer um povinho desanimado e com falta de vontade de celebração no seu dia especial. Parece que, lá no fundo, todos nós já sabemos que não há craque que nos acuda as preces e que não estamos assim tão confiantes quanto à nossa prestação em Lviv, não é, senhor presidente da república?


 


Cavaco corre risco de ser beijado à força na Mouraria


Nome da notícia de onde retirei esta imagem: "Cavaco corre risco de ser beijado à força na Mouraria". Cheira-me que já tem muita sorte se não correr o risco de levar um tiro ou de levar com um balde de dejectos em cima, janela fora, água vai, desculpe, foi um acidente!