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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Entretanto, outras procrastinações

Uma entrevista com o Sérgio Godinho, que tem um podcast sobre a vida, as iniciativas e o potencial do interior de Portugal. Falo um pouco (bem... muito!) sobre a mudança para Vila Viçosa, que ainda era (e é) recente.

 

 

Três crónicas que escrevi para a o Sapo 24. Podem clicar aqui ou na imagem para ler.

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(Perdoem-me a quantidade saturante de fotos minhas. É o que se arranja...!)

3/30 (procrastinação e perfeccionismo)

Tenho este blog desde que era adolescente, andava na escola secundária e começava a minha carreira altamente especializada em fazer tudo e mais alguma coisa. Nessa altura, eu já tinha uma bolsa para estudar francês na Alliance Française, escrevia para a Fórum Estudante, tocava guitarra, fazia covers no YouTube, fazia uma disciplina extracurricular e jogava (ou tentava jogar) voleibol no desporto escolar.

 

Ainda assim, aos 16 anos, eu já sabia que procrastinar era o que eu realmente fazia, ainda antes desta palavra ser popular na Internet. Eu procrastinava umas ocupações com outras, umas ideias com outras, umas ambições com outras. Alguns anos mais tarde, fiz uma licenciatura generalista q.b. exactamente porque não me conseguia comprometer com nada mais específico, nem queria. Eu queria tudo.

 

Continuei a procrastinar sem limites, e cada vez mais sem nenhuma lógica ou rumo, até não aguentar mais as consequências negativas. Após 9 meses de terapia, eu agora sei que a procrastinação que me deu tantos frutos até certa altura se foi transformando num presente envenenado. A procrastinação que me incita à variedade de iniciativa, à criatividade e à aprendizagem também pode ser a procrastinação que me desconcentra de objectivos a médio e a longo prazo, a que me impede de desenvolver competências específicas e a que me faz, no final de contas, perder o tempo, assim como o juízo.

 

Não me recordo com precisão de qual foi o primeiro momento da minha vida em que comecei a procrastinar, ou quando me terei apercebido disso. Mas eu sei que a procrastinação sempre foi um subterfúgio. Se eu não conseguisse atingir o sucesso (ou seja, a perfeição) em determinado projecto, teria sempre outros. Se eu não quisesse encarar a realidade de uma falha, poderia orientar os meus esforços em direcção a diferentes alvos. Claro que só recentemente comecei a articular estas ideias, e no entanto elas não são assim tão difíceis de entender.

 

A procrastinação conferiu-me um manto de sucesso e várias vitórias em várias frentes. Depois, não deixando de me trazer algumas alegrias, também se revelou o que tenho vindo a descobrir: a procrastinação também é uma forma de auto-sabotagem, mascarando a dor ou a dificuldade que sinto na concretização do que é, naturalmente, menos agradável ou que revela imperfeições.

 

Mas a vida é feita de dissabores, tanto quanto, ou mais do que de beleza e leveza. Enfrentar a falha, a dor e a dificuldade é parte do processo. Ser perfeccionista não me faz bem. Não faz bem a ninguém. Esperar passar pela vida sem encarar o que há de menos belo, poético, doce ou fácil não é realista.

 

Procrastinar também é viver, mas só o pode continuar a ser com algumas adendas, avisos e notas de rodapé.

2/30 (sopa)

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Faço sopa sempre que possível. Não gosto da maioria dos vegetais cozidos, aos pedaços, no prato. Não foi à falta de tentativa da minha avó, que me obrigou a comer feijão verde, brócolos e couve-flor com peixe cozido durante muitos anos, mas essa foi uma estratégia falhada; e eu só descobri que até nem desgosto de brócolos e couve-flor depois dos 20. Por outro lado, detesto abertamente feijão verde em todo o lado, mesmo na sopa.

 

É sobre isso que decidi escrever hoje. Sobre sopa. Descobri que adoro todos os vegetais (excepto feijão verde, já disse? E talvez couves de Bruxelas) cozidos e moídos dentro duma panela, se bem misturados com uma base de cenoura e/ou abóbora.

 

(Consta que, quando eu era bebé, uma médica disse que não me deveriam dar a comer tanta abóbora, porque eu estava a ficar demasiado amarela. Consta também que é o resultado normal, quando um dos pais é asiático e o outro é loiro e pálido.)

 

Uma coisa que também descobri recentemente é que a minha avó andou a retardar um amor por sopa que só se manifestou em mim quando deixei de lhe repetir o gesto de pôr azeite na mistura. Avó, se estás a ler isto, agora já sabes por que razão me vês tantas vezes a comer sopa, agora que eu é que mando na panela. Além disso, a sopa fica muito melhor quando leva ervas e especiarias (alecrim e ervas da Provença são os meus favoritos até agora). 

 

Sempre que faço sopa, é igualmente inevitável pensar naquelas pessoas privilegiadas q.b. que se podem dar ao luxo de afirmar, com toda a segurança: a sopa é uma refeição saudável, tão variada e tão barata, com uma sopa não se passa fome. Vê-se logo que não sabem o preço a que estão a abóbora, a beterraba, a beringela, a cebola, o pepino ou a batata doce; ou talvez essas pessoas só ponham cenoura e água nas sopas delas. E também não devem fazer a mínima ideia de que um corpo humano precisa de proteína e outros nutrientes que só se encontram noutras comidas, e que ninguém merece ir para a cama só com "um caldinho", a não ser que faça questão disso (como é o meu caso ao Domingo).

1/30 (cá de cima)

Decidi escrever pelo menos 200 palavras por dia no blog, durante um mês. Inspirada numas modas que vi passarem pelo Twitter, proponho-me a exercitar o músculo da observação, do comentário e da palavra inteira. Outro objectivo é apenas escrever e habituar-me ao uso do "melhor feito que perfeito". Assim dito, assim escrito, assim começo! Sem edição ou revisão.

 

Mudei-me há três meses e uma semana para uma vila no interior, como já aqui contei. Não obstante as circunstâncias actuais, o contexto, as condicionantes, acho que nunca gostei tanto de viver num sítio como gosto de viver aqui. Para quem já morou no centro de uma metrópole com dez milhões de habitantes, morar no centro de uma vila histórica com sete mil, mesmo que numa avenida principal e vizinha de não uma, não duas, mas três esplanadas é um descanso. Também já morei perto doutra avenida principal, num subúrbio, e também já morei num bairro à beira de um pinhal. Mas aqui é que eu gosto de estar.

 

Escrevo este texto sentada no sótão, que é como quem diz, no terraço acima do sótão. A brincar, chamo-lhe um rooftop, como se ensaiasse o conceito que me apaixonou do cimo de prédios com 45, 50, 55, 60 andares em Banguecoque. Pois ensaio, e ensaio bem. Daqui de cima, vejo as pessoas a passar, a passear e a conversar nas três esplanadas da que eu considero ser a melhor esquina de Portugal.

 

Cá de cima, também vejo telhados, telhados e mais telhados. E o castelo. E a torre da igreja do castelo. E os ramos de uma árvore centenária que cresce em direcção ao infinito, ramos densos, verdes e ricos onde se escondem os ninhos da passarada que me empresta banda sonora o dia inteiro e espectáculos aéreos nestes fins de tarde primaveris.

 

Cá de cima, escrevo. Como é óbvio. E leio, e procrastino o jantar, como hoje, como agora.

 

Mas já comia. Amanhã continuo. Este mês continuo.

Best of Procrastinar 2018-2020

Ora, bom dia! [Deve ser a primeira vez que inicio um texto desta forma; há uma primeira vez para tudo...]

 

Reconheço que não tenho sido uma companhia muito assídua, mas estes dias são uma amálgama de semanas, então tenho perdido a noção do tempo, assim como uma certa inspiração para escrever. Porém, acompanhando o fim do estado de emergência, conto recomeçar o hábito de publicar qualquer coisa uma vez por semana, seja sobre livros, filmes, séries, eventos ou aleatoriedades.

 

Entretanto, uma vez que as procrastinações estão quase a celebrar os seus 9 anos (em Junho), decidi organizar uma lista de "Best of Procrastinar" dos últimos 2, isto é, entre Março de 2018 e Abril de 2019. Assim, aqui fica o registo ou repositório das minhas 40 publicações preferidas, ordenadas da mais recente à mais antiga. Não vos convido a ler todas, que 40 textos são muita palavra, mas acredito que haja uma ou outra que tenham gostado de ler pela primeira vez e à qual vos apeteça voltar, ou que encontrem algum título desconhecido que vos interesse e assim conheçam um pouco mais do que existe lá para trás, no passado do blog. 

Sem mais demoras...

 

BEST OF PROCRASTINAR 2018-2020

 

  1. O tempo em conflito
  2. O amor e a loiça
  3. Quem é que escreveu o teu texto?
  4. Dá vontade de dizer "forever and ever"
  5. Procrastinar ainda é viver?
  6. São só fotografias
  7. A última romântica
  8. As férias
  9. Gosto tanto de viajar sozinha!
  10. Vistos, ouvidos e validados
  11. A nécessaire da pessoa com quem fui de férias
  12. As dores de um blog
  13. Emprestar livros: uma reflexão simpática
  14. Como concretizar todas as ideias que nos aterram na cabeça?
  15. Escrever, pôr tudo cá fora: Bullet Journal, journalling, to-do lists e outros estrangeirismos de caneta no papel
  16. Sobre quem conversa e quer conversar
  17. Não terminar livros
  18. Há um ano em Portugal
  19. Viver na ditadura da popularidade, criatividade, identidade única e algoritmos
  20. Ler e ser lido; escrever sobre quem escreveu
  21. Eu, Inês
  22. Sabe tão bem comprar um livro novo!
  23. Ser adulto é...
  24. Blogue, baú de memórias, caixinha de recordações
  25. Coisas boas atraem coisas boas, uma explicação científica
  26. 36 perguntas que levam ao amor - a minha experiência pessoal
  27. Vergonha alheia
  28. Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas
  29. Este não é um texto sobre estradas
  30. Ainda Alain de Botton e o amor: como 'The Course of Love' também me conquistou
  31. Pensamentos sobre tentar escrever um livro (outra vez), auto-censura e outras inquietações
  32. Há dias
  33. Estar, apenas
  34. O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton
  35. Alguma vez estamos preparados para o próximo passo?
  36. As viagens também servem para arejar as ideias
  37. As pessoas não se sentam para beber café
  38. Sobre a felicidade dos outros
  39. Sobre flores (e copos, vá)
  40. Com o que se parece um desgosto?

 

Para mim, procurar o que escrevi nos últimos anos foi um exercício construtivo. A verdade é que serviu para reler alguns textos dos quais já não me lembrava, para perceber a evolução do que escrevo e para revisitar momentos ou pensamentos nos quais, muitas vezes, já nem me reconheço. A memória prega-nos partidas, já escrevia Julian Barnes em The Sense of an Ending, por isso escrever um blog vai atrasando o esquecimento ou, talvez, imortalizando aquilo que me pareceu relevante partilhar.

 

A quem passa por aqui, obrigada pelas procrastinações contínuas e por tornarem o acto da escrita menos solitário!

O tempo em conflito

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Foi da minha relação com o tempo, por vezes conflituosa, que nasceu este blog. Aliás, da minha relação conflituosa com o tempo nasceu tudo o que alguma vez fiz e conquistei, e também tudo aquilo contra o qual luto diariamente – a ansiedade, o pânico, a procrastinação, a impotência, a fraca eficiência, o forte perfeccionismo. A culpa. São muitos os nomes, mas dizem todos o mesmo.

 

Quando tinha 17 ou 18 anos, li um dos únicos livros que me fez pensar que essa minha relação cada vez mais conflituosa com o tempo poderia eventualmente conhecer a paz: How to Be Idle, de Tom Hodgkinson. Continua a ser, na minha cabeça, um dos livros de que mais gostei na vida, mesmo sem nunca ter arranjado coragem para o reler desde então. No entanto, continuo a seguir o trabalho do autor e tenho a certeza: pode haver tempo para tudo, há melhores filosofias sobre a gestão do tempo que eu tenho adoptado durante os meus primeiros anos de vida adulta, sem sequer me aperceber.

 

Sem sequer me aperceber, absorvi o que ensina esse modo de estar, o modo que não condena o prazer e o lazer. Há que fazer o máximo de trabalho, no mínimo de tempo, alcançando os melhores resultados. Não pretendo ser mais rica ou famosa, se isso significar que trabalho mais do que seis ou sete horas por dia, se isso me impede de continuar a estudar e de arranjar mil e um projectos paralelos que tanto me preenchem, se isso me impede de desfrutar duma vida familiar e duma vida social ricas. Não há margem para perfeccionismos, pais e mães de morais pouco generosas.

 

Por outro lado, é também dessa procura de equilíbrio constante que parte o resto do conflito. (A culpa, os hábitos enraizados, a moral partilhada, a sociedade…) Misturo, constante e inevitavelmente, trabalho e lazer. Chego a sentir-me obcecada pela gestão do tempo útil, ora pela produtividade, ora pelos resultados, ora por querer alcançar um El Dorado do nada fazer, essa sensação de despreocupação que raramente desce em mim. Canso-me imenso, desnecessariamente, a ligar e a desligar a ficha. Faz-me falta a fruição e o flow, esses estados de espírito de quem vive leve, mesmo que ocupado, imerso no mundo.

 

Procrastinar também é viver, porque sempre disse que procrastino umas tarefas com outras, umas obrigações com outras, uns passatempos com outros, mas, quase a bater os 25 anos, vejo-me forçada a repensar o significado dessa prática na minha vida neste momento. Já não sou adolescente, começo a ter cada vez mais deveres aos quais não posso fugir, e recuso-me a trabalhar por conta de outrém, pois dificilmente me desabituo ao trabalho por conta própria.

 

E é ao trabalhar por conta própria que ainda mais aprofundo aquele conflito sobre o qual vos contava, ainda que seja aí que também procuro uma solução mais activamente. Costumo brincar com a situação ao dizer “a minha chefe nunca me dá férias” ou “a minha chefe é que manda”, para expressar esta dualidade oscilatória entre sentir-me cheia de liberdade, porque nestas condições posso fazer o que me apetecer, e sentir-me muito responsável, demasiado responsável, pelas minhas finanças, pelo meu negócio, pelas minhas actividades. Sei bem que posso morrer tanto da cura, quanto poderia morrer da doença. Que ética de trabalho? Mas que ética para o resto da vida?

 

Por agora, concluo: está quase tudo relacionado com o vocabulário e a narrativa com os quais descrevo este conflito com o tempo: procrastinar também é viver, relembro. Procrastinar é aceitável, relembro. Viver concretiza-se, no meu contexto pessoal e específico, nas condições que melhor me parecerem.

 

Procrastinar também é viver. Serei a única com mantras aos quais tenho de voltar, uma e outra vez, para voltar a encontrar o meu lugar no mundo? A plasticidade das narrativas pessoais fascina-me (daí interessar-me tanto por psicologia e educação). A reinvenção do que nos define traz poder. Que histórias contamos sobre nós mesmos, a nós mesmos?, perguntam investigadores como James Pennebaker ou escritores como Will Storr. E como é que essas histórias nos descrevem uns aos outros?

 

A minha história confessa que, neste momento, batalha contra o tempo, mas simultaneamente com ele. Afinal, a ansiedade, o pânico, a procrastinação, a impotência, a fraca eficiência, o forte perfeccionismo… tudo isso não pode ocupar a totalidade do meu espectro de atenção disponível. O tempo em conflito pode dar tréguas.

 

(A fotografia deste post foi tirada perto da minha casa, a 18 de Abril de 2020, um dia de céu muito limpo, com a Serra da Arrábida a espreitar lá ao fundo. É em dias de céu limpo que pensamos melhor.)

Procrastinar ainda é viver?

Sento-me ao computador, o que não é tão comum ultimamente. Se antes procrastinava muito ao computador, hoje faço-o no telemóvel; por isso, sento-me ao computador e trabalho. Se antes tinha medo da página em branco, esse medo persistiu. No entanto, escrever no blog sempre foi mais fácil: pela ausência de pressão; pelas expectativas de mero treino como objectivo primário; pela imediatez associada a este tipo de plataformas.

 

Criei este blog como mais uma procrastinação produtiva. Detesto sentir que não estou a fazer nada de jeito, então preciso de ver resultados, até das minhas distracções. Sou obstinada no que toca a não desperdiçar tempo, e uma forma de rentabilizar o tempo que, de qualquer forma seria de trabalho, é usar a procrastinação inevitável para criar novos projectos e para fazer surgir mais ideias. Dessa mesma forma nasceu o lema de que procrastinar também é viver - dependendo de que modo de procrastinação escolhemos. 

 

Oito anos volvidos, assim continua esse lema a crescer e a solidificar. Muito do que tenho feito a nível pessoal e profissional tem origem nesta prática. Sou muito criativa e descubro imensos interesses novos quando me abstraio da tarefa inicial, ganho um raciocínio divergente e mesmo disruptivo quando combino diversas actividades. Claro que é de evitar uma rotação constante de tarefas, mas na minha opinião a distracção ocasional também pode gerar dividendos.

 

Alguns exemplos:

Da procrastinação do estudo, criei o blog. Do blog, pratiquei a escrita e dois anos depois fiz algum trabalho como copywriter, a escrever para blogs de clientes de todos os tipos. Procrastinei esse part-time e o estudo para a licenciatura com formações paralelas. Nessas formações paralelas, aprendi competências e obtive ferramentas que se revelaram extremamente valiosas na prática e no currículo, quando aceitei dar aulas em Banguecoque, e mesmo até hoje. Depois, voltei para Portugal e continuei a escrever e a procrastinar. Procrastinei os mestrados anteriores a estudar tópicos sobre psicologia, que apliquei a bem ou a mal, sempre que possível, nesse âmbito. Comecei a olhar para outros cursos, e descobri o mestrado que frequento neste momento (em Psicologia). Desisti dum, inscrevi-me no outro. Procrastino os trabalhos do mestrado a escrever sobre os mesmos temas para o P3. E procrastino o trabalho com a criação de um clube de escrita. E procrastino projectos do trabalho com outros projectos do trabalho (felizmente, trabalho por conta própria e posso fazer basicamente o que me apetecer para ganhar dinheiro - pronto, com as devidas aspas).

 

É provável que este modus operandi pareça demasiado caótico para muitas pessoas, mas para mim é o ideal. Às vezes, é complicado gerir um horário em que tudo é trabalho e tudo é lazer, ambos com grande potencial, mas eu não conheço outra forma de viver. Por isso é que gosto de ser professora, formadora e eterna estudante. Por isso é que quero continuar sem um único chefe, ou é com vários ou sou eu a CEO do meu tempo (e olhem que posso ser a chefe mais bondosa, mas também a mais implacável de sempre, que já estive um ano e tal sem férias e calha com alguma frequência trabalhar duas ou três semanas seguidas sem folgas, mesmo que equilibre com uma disponibilidade mais flexível e com a procrastinação do costume).

 

Portanto, sim: procrastinar ainda é viver. Pode não ser a opção de gestão de tempo mais óbvia, mas por aqui vai resultando e prosperando.

Sento-me ao computador e escrevo. Escrever é procrastinação, escrever é procrastinado, escrever é omnipresente.

Indo eu, indo eu... a caminho do segundo trimestre de 2019

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O segundo trimestre de 2019 começou hoje e eu já sei que vai ter de abarcar muita aventura. É como uma mala de viagem: no início não sabemos como, mas no final tem de caber tudo. Tanta coisa parece estar para acontecer ainda antes de o Verão chegar... Por exemplo - e entre outras mil coisas já na lista - hoje mudei-me para um espaço de co-working e foi o primeiro dia em que levei isto do trabalho por conta própria a 100%. Apesar de já o fazer informalmente há um ano, só nos últimos tempos é que tenho pensado em estratégias a médio e longo prazo para levar um negócio meu a bom porto. Tem de dar para mais do que pagar as propinas e a gasolina. Sinto que assumi um compromisso. Então, mas não sou eu a procrastinadora de serviço? Já dizia em 2014 que procrastino tarefas importantes com outras recém-criadas, uma prática obviamente saudável. Ainda em fase de experiências, estou optimista. No entanto, por hoje ter sido "este primeiro dia", parece que ainda nem é real. Ainda não tive oportunidade de assimilar esta pequena, grande alteração na minha forma de estar e pensar, mas lá chegarei.

 

Há cerca de duas semanas, também comecei a escrever no Ano 13. Não sei se é blog, se é site, se é ideia empreendedora ou lá o que os meus professores do mestrado lhe chamariam, mas sei que é algo que me tem feito repensar no que faço pessoal, profissional e academicamente. Ainda está muito incompleto, mas não me importo se lhe derem uma vista de olhos. Que tal?

 

E, depois, todo o buliço do mestrado, estágio, tese ou relatório. Novas ideias todos os dias, mais livros e artigos para ler, autores para descobrir. Entro em qualquer livraria, online ou física, e apetece-me encomendar ou trazer de lá metade da loja. Trabalhos para aqui, apresentações para acolá, e este semestre quase todos os seminários são sobre empreendedorismo e gestão e tudo parece feito para nos levar ao limite do entusiasmo, e eu sinto-me realmente entusiasmada, mas só espero ter energia, e estofo, e fôlego para tanta criatividade, e inovação, e ideias para (mais) negócios, e houvesse mais dinheiro, e horas em cada dia, e vontade de explodir, e vocês haviam de ver se eu não passava tudo do papel para a vida real.

 

Então, como podem verificar por este relato aproximado e apressado, ando um pouco ocupada e muito calma - maaaaas... nunca o suficiente para não tirar um curso em Stress e Relaxamento em Contexto Escolar. AH AH AH! Como diz a minha psicóloga (ou será que fui eu que pensei? ou ambas?), é fácil falar e dizer aos outros o que fazer; mais difícil é fazê-lo nós mesmos. Viva o desafio do que é humanamente possível!

 

O primeiro trimestre de 2019 já se passou. Também não sei como, mas acho que é um sentimento partilhado por algumas pessoas à minha volta. Não dei por nada, os dias correram. Será que o mesmo vai acontecer com os próximos meses? Quantas mudanças cabem em três meses, cerca de 90 dias? Quantas decisões importantes? Quantos compromissos inaugurados? Quantas oportunidades para alterar o curso dos eventos actuais? 

 

Vou dando notícias. Entretanto, se precisarem de aulas de Português ou Inglês em Lisboa, lembrem-se de que eu sou professora dessas línguas e que o meu escritório fica bem no centro da cidade, a cinco minutos de duas estações de Metro. Faço atenções aos leitores procrastinadores, sem códigos de desconto internéticos e tudo.

Olá, olá! Ainda está aí alguém?

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Eu sei, tenho andado muito desaparecida. Poderia dizer que não tenho tido tempo, mas seria mentira. Prefiro dizer que não tenho tido disponibilidade mental. Quando escrevo para o blogue, gosto de o fazer sem preocupações, sem outras prioridades a martelarem-me a cabeça. Infelizmente, nem sempre consigo essa clareza.

 

Sou muito ineficiente na organização de tarefas e tenho tentado melhorar essa fraqueza, equilibrando deveres e lazeres, trabalhos que me dão gozo e aqueles que têm de ser porque sim. Para isso, tenho usado o meu Bullet Journal sempre que possível. Mas nem sempre tem sido "possível", recompensador ou motivador. Se alguém tiver ideias mais fora da caixa relacionadas com a superação de fases menos criativas, por favor, partilhe-as!

 

Também tenho aproveitado a última semana e meia para estar com os meus amigos, quando não estive afundada em trabalho, trabalhos e estudo. Os jantares de Natal, a folia e correria desta época também cansam, mesmo sendo uma das mais agradáveis alturas do ano.

 

A procrastinação (ou apenas olhar para o ar) ainda me ocupa demasiado tempo, por isso ando a tentar arranjar mais formas de rentabilizar o meu tempo sem sentir que o desperdiço. Tenho tentado ler alguns livros novos e hei-de cá vir contar-vos sobre eles "ASAP".

 

Começo já esta semana, antes que o ano acabe e pareça que não tenho feito mais nada senão procrastinar sem viver. Não queremos cá disso!

 

(Espero também continuar a ver-vos por aqui e que não se tenham impacientado demasiado com esta ausência temporária! ♥)

Algumas ideias sobre O Método Bullet Journal: o livro vale a pena?

Na semana passada, fui ao Clube de Leitura organizado pela Sónia na Fnac do Colombo e, antes de começarmos, dei uma olhadela a alguns livros dos quais tenho ouvido falar. Calhou um deles ser O Método Bullet Journal, do designer Ryder Carroll, que a Cláudia já tinha mencionado no blog dela. Eis algumas considerações sobre este livro, e não só...

 

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Desde o primeiro ou segundo ano da licenciatura que mantenho cadernos. A certo ponto, deixaram de ser meras listas de tarefas para fazer para passarem a incluir todo o tipo de apontamentos, incluindo os das aulas, trabalho, eventos aos quais ia, estágios, ideias aleatórias...

 

Depois, fui para Banguecoque e grande parte dessa vontade de escrever em cadernos desvaneceu. Cheguei a comprar vários, na esperança de resgatar esse prazer de escrever no papel, mas nunca fui bem sucedida. Nessa altura, perdi a ligação a muitas das coisas que tinham feito sentido nos meus métodos de organização dos últimos anos, o que foi uma pena, porque talvez eu tivesse lidado melhor com algumas mudanças e frustrações se lhes tivesse permanecido fiel e tivesse feito um esforço mais consistente para continuar o que já costumava fazer.

 

No entanto, o que lá vai já passou e o chamamento pelo papel e caneta regressou. Desde que comecei este mestrado que tenho sentido vontade de voltar aos cadernos e caderninhos, só não sabendo bem como ou quando.

 

O livro do qual vos quero escrever, O Método Bullet Journal, acabou por ser a minha desculpa perfeita. Li os primeiros capítulos e senti que o método faria sentido para mim, se o tentasse aplicar. Sim, porque há mesmo um método! Pelo menos, ali estava uma oportunidade de recomeçar a tomar notas.

 

Como o criador do método explica, este é um projecto analógico, isto é, faz-se em papel e não numa app, num telemóvel ou num computador. É uma forma de sairmos da frente dum ecrã e relaxamos através da escrita à mão. Além disso, ao contrário do que alguns utilizadores dos BuJo possam fazer parecer na Internet, o objectivo deve ser criar um caderno funcional, e não necessariamente bonito. Para mim, que possuo sérios obstáculos cognitivos na área da representação visual, essas são óptimas notícias, bastante encorajadoras.

 

Assim sendo, claro que decidi criar o meu BuJo nessa sexta-feira, ainda por cima último dia de Novembro, a desculpa feita à medida. O dia seguinte marcaria o início da minha experiência com o BuJo. Até agora, já passou mais duma semana e continuo a passar tempo com o meu várias vezes por dia.

 

E agora especificamente quanto ao livro...
Adorei o que li quando encontrei O Método Bullet Journal na Fnac, mas à medida que fui progredindo na leitura também me fui desapontando. De facto, gostei muito dos primeiros dois capítulos, "A Preparação" e "O Sistema", ambos sobre aspectos mais técnicos do BuJo (como organizar as várias partes, os símbolos, as colecções...), enquanto o resto do livro me pareceu uma perpetuação de clichés e amálgama de ideias de auto-ajuda, repetitivos e sem grande nexo. Por exemplo, gostaria muito de ver mais exemplos de BuJo bem-sucedidos, como os que são mostrados, e que estes também viessem acompanhados algum tipo de explicação mais detalhada sobre a sua elaboração e funcionamento.

 

Seja como for, não deixou de ser uma leitura construtiva. Só não consigo gostar totalmente dela como gostei até à página 123. Acho que talvez faça mais sentido ver mais materiais sobre o BuJo no YouTube e no Instagram para aprofundar a minha própria prática (vejam o vídeo que vos deixo no fim deste texto). Como é destacado no livro, já há uma grande comunidade construída à volta destes "diários com método".

 

Como estamos quase a terminar o ano, penso que me resta desafiar-vos a darem uma oportunidade ao Bullet Journal. Sentem que vos falta uma estrutura para organizarem o vosso tempo? Precisam de algo que vos ajude a orientar as vossas actividades diárias, mas também a reflectir no passado e a fazer planos para o futuro? Acham que todos os meios são poucos para vos afastarem finalmente da procrastinação e do vício das tecnologias? Tentem fazer um BuJo ou um qualquer diário de ideias.