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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Best of Procrastinar 2018-2020

Ora, bom dia! [Deve ser a primeira vez que inicio um texto desta forma; há uma primeira vez para tudo...]

 

Reconheço que não tenho sido uma companhia muito assídua, mas estes dias são uma amálgama de semanas, então tenho perdido a noção do tempo, assim como uma certa inspiração para escrever. Porém, acompanhando o fim do estado de emergência, conto recomeçar o hábito de publicar qualquer coisa uma vez por semana, seja sobre livros, filmes, séries, eventos ou aleatoriedades.

 

Entretanto, uma vez que as procrastinações estão quase a celebrar os seus 9 anos (em Junho), decidi organizar uma lista de "Best of Procrastinar" dos últimos 2, isto é, entre Março de 2018 e Abril de 2019. Assim, aqui fica o registo ou repositório das minhas 40 publicações preferidas, ordenadas da mais recente à mais antiga. Não vos convido a ler todas, que 40 textos são muita palavra, mas acredito que haja uma ou outra que tenham gostado de ler pela primeira vez e à qual vos apeteça voltar, ou que encontrem algum título desconhecido que vos interesse e assim conheçam um pouco mais do que existe lá para trás, no passado do blog. 

Sem mais demoras...

 

BEST OF PROCRASTINAR 2018-2020

 

  1. O tempo em conflito
  2. O amor e a loiça
  3. Quem é que escreveu o teu texto?
  4. Dá vontade de dizer "forever and ever"
  5. Procrastinar ainda é viver?
  6. São só fotografias
  7. A última romântica
  8. As férias
  9. Gosto tanto de viajar sozinha!
  10. Vistos, ouvidos e validados
  11. A nécessaire da pessoa com quem fui de férias
  12. As dores de um blog
  13. Emprestar livros: uma reflexão simpática
  14. Como concretizar todas as ideias que nos aterram na cabeça?
  15. Escrever, pôr tudo cá fora: Bullet Journal, journalling, to-do lists e outros estrangeirismos de caneta no papel
  16. Sobre quem conversa e quer conversar
  17. Não terminar livros
  18. Há um ano em Portugal
  19. Viver na ditadura da popularidade, criatividade, identidade única e algoritmos
  20. Ler e ser lido; escrever sobre quem escreveu
  21. Eu, Inês
  22. Sabe tão bem comprar um livro novo!
  23. Ser adulto é...
  24. Blogue, baú de memórias, caixinha de recordações
  25. Coisas boas atraem coisas boas, uma explicação científica
  26. 36 perguntas que levam ao amor - a minha experiência pessoal
  27. Vergonha alheia
  28. Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas
  29. Este não é um texto sobre estradas
  30. Ainda Alain de Botton e o amor: como 'The Course of Love' também me conquistou
  31. Pensamentos sobre tentar escrever um livro (outra vez), auto-censura e outras inquietações
  32. Há dias
  33. Estar, apenas
  34. O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton
  35. Alguma vez estamos preparados para o próximo passo?
  36. As viagens também servem para arejar as ideias
  37. As pessoas não se sentam para beber café
  38. Sobre a felicidade dos outros
  39. Sobre flores (e copos, vá)
  40. Com o que se parece um desgosto?

 

Para mim, procurar o que escrevi nos últimos anos foi um exercício construtivo. A verdade é que serviu para reler alguns textos dos quais já não me lembrava, para perceber a evolução do que escrevo e para revisitar momentos ou pensamentos nos quais, muitas vezes, já nem me reconheço. A memória prega-nos partidas, já escrevia Julian Barnes em The Sense of an Ending, por isso escrever um blog vai atrasando o esquecimento ou, talvez, imortalizando aquilo que me pareceu relevante partilhar.

 

A quem passa por aqui, obrigada pelas procrastinações contínuas e por tornarem o acto da escrita menos solitário!

O tempo em conflito

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Foi da minha relação com o tempo, por vezes conflituosa, que nasceu este blog. Aliás, da minha relação conflituosa com o tempo nasceu tudo o que alguma vez fiz e conquistei, e também tudo aquilo contra o qual luto diariamente – a ansiedade, o pânico, a procrastinação, a impotência, a fraca eficiência, o forte perfeccionismo. A culpa. São muitos os nomes, mas dizem todos o mesmo.

 

Quando tinha 17 ou 18 anos, li um dos únicos livros que me fez pensar que essa minha relação cada vez mais conflituosa com o tempo poderia eventualmente conhecer a paz: How to Be Idle, de Tom Hodgkinson. Continua a ser, na minha cabeça, um dos livros de que mais gostei na vida, mesmo sem nunca ter arranjado coragem para o reler desde então. No entanto, continuo a seguir o trabalho do autor e tenho a certeza: pode haver tempo para tudo, há melhores filosofias sobre a gestão do tempo que eu tenho adoptado durante os meus primeiros anos de vida adulta, sem sequer me aperceber.

 

Sem sequer me aperceber, absorvi o que ensina esse modo de estar, o modo que não condena o prazer e o lazer. Há que fazer o máximo de trabalho, no mínimo de tempo, alcançando os melhores resultados. Não pretendo ser mais rica ou famosa, se isso significar que trabalho mais do que seis ou sete horas por dia, se isso me impede de continuar a estudar e de arranjar mil e um projectos paralelos que tanto me preenchem, se isso me impede de desfrutar duma vida familiar e duma vida social ricas. Não há margem para perfeccionismos, pais e mães de morais pouco generosas.

 

Por outro lado, é também dessa procura de equilíbrio constante que parte o resto do conflito. (A culpa, os hábitos enraizados, a moral partilhada, a sociedade…) Misturo, constante e inevitavelmente, trabalho e lazer. Chego a sentir-me obcecada pela gestão do tempo útil, ora pela produtividade, ora pelos resultados, ora por querer alcançar um El Dorado do nada fazer, essa sensação de despreocupação que raramente desce em mim. Canso-me imenso, desnecessariamente, a ligar e a desligar a ficha. Faz-me falta a fruição e o flow, esses estados de espírito de quem vive leve, mesmo que ocupado, imerso no mundo.

 

Procrastinar também é viver, porque sempre disse que procrastino umas tarefas com outras, umas obrigações com outras, uns passatempos com outros, mas, quase a bater os 25 anos, vejo-me forçada a repensar o significado dessa prática na minha vida neste momento. Já não sou adolescente, começo a ter cada vez mais deveres aos quais não posso fugir, e recuso-me a trabalhar por conta de outrém, pois dificilmente me desabituo ao trabalho por conta própria.

 

E é ao trabalhar por conta própria que ainda mais aprofundo aquele conflito sobre o qual vos contava, ainda que seja aí que também procuro uma solução mais activamente. Costumo brincar com a situação ao dizer “a minha chefe nunca me dá férias” ou “a minha chefe é que manda”, para expressar esta dualidade oscilatória entre sentir-me cheia de liberdade, porque nestas condições posso fazer o que me apetecer, e sentir-me muito responsável, demasiado responsável, pelas minhas finanças, pelo meu negócio, pelas minhas actividades. Sei bem que posso morrer tanto da cura, quanto poderia morrer da doença. Que ética de trabalho? Mas que ética para o resto da vida?

 

Por agora, concluo: está quase tudo relacionado com o vocabulário e a narrativa com os quais descrevo este conflito com o tempo: procrastinar também é viver, relembro. Procrastinar é aceitável, relembro. Viver concretiza-se, no meu contexto pessoal e específico, nas condições que melhor me parecerem.

 

Procrastinar também é viver. Serei a única com mantras aos quais tenho de voltar, uma e outra vez, para voltar a encontrar o meu lugar no mundo? A plasticidade das narrativas pessoais fascina-me (daí interessar-me tanto por psicologia e educação). A reinvenção do que nos define traz poder. Que histórias contamos sobre nós mesmos, a nós mesmos?, perguntam investigadores como James Pennebaker ou escritores como Will Storr. E como é que essas histórias nos descrevem uns aos outros?

 

A minha história confessa que, neste momento, batalha contra o tempo, mas simultaneamente com ele. Afinal, a ansiedade, o pânico, a procrastinação, a impotência, a fraca eficiência, o forte perfeccionismo… tudo isso não pode ocupar a totalidade do meu espectro de atenção disponível. O tempo em conflito pode dar tréguas.

 

(A fotografia deste post foi tirada perto da minha casa, a 18 de Abril de 2020, um dia de céu muito limpo, com a Serra da Arrábida a espreitar lá ao fundo. É em dias de céu limpo que pensamos melhor.)

Procrastinar ainda é viver?

Sento-me ao computador, o que não é tão comum ultimamente. Se antes procrastinava muito ao computador, hoje faço-o no telemóvel; por isso, sento-me ao computador e trabalho. Se antes tinha medo da página em branco, esse medo persistiu. No entanto, escrever no blog sempre foi mais fácil: pela ausência de pressão; pelas expectativas de mero treino como objectivo primário; pela imediatez associada a este tipo de plataformas.

 

Criei este blog como mais uma procrastinação produtiva. Detesto sentir que não estou a fazer nada de jeito, então preciso de ver resultados, até das minhas distracções. Sou obstinada no que toca a não desperdiçar tempo, e uma forma de rentabilizar o tempo que, de qualquer forma seria de trabalho, é usar a procrastinação inevitável para criar novos projectos e para fazer surgir mais ideias. Dessa mesma forma nasceu o lema de que procrastinar também é viver - dependendo de que modo de procrastinação escolhemos. 

 

Oito anos volvidos, assim continua esse lema a crescer e a solidificar. Muito do que tenho feito a nível pessoal e profissional tem origem nesta prática. Sou muito criativa e descubro imensos interesses novos quando me abstraio da tarefa inicial, ganho um raciocínio divergente e mesmo disruptivo quando combino diversas actividades. Claro que é de evitar uma rotação constante de tarefas, mas na minha opinião a distracção ocasional também pode gerar dividendos.

 

Alguns exemplos:

Da procrastinação do estudo, criei o blog. Do blog, pratiquei a escrita e dois anos depois fiz algum trabalho como copywriter, a escrever para blogs de clientes de todos os tipos. Procrastinei esse part-time e o estudo para a licenciatura com formações paralelas. Nessas formações paralelas, aprendi competências e obtive ferramentas que se revelaram extremamente valiosas na prática e no currículo, quando aceitei dar aulas em Banguecoque, e mesmo até hoje. Depois, voltei para Portugal e continuei a escrever e a procrastinar. Procrastinei os mestrados anteriores a estudar tópicos sobre psicologia, que apliquei a bem ou a mal, sempre que possível, nesse âmbito. Comecei a olhar para outros cursos, e descobri o mestrado que frequento neste momento (em Psicologia). Desisti dum, inscrevi-me no outro. Procrastino os trabalhos do mestrado a escrever sobre os mesmos temas para o P3. E procrastino o trabalho com a criação de um clube de escrita. E procrastino projectos do trabalho com outros projectos do trabalho (felizmente, trabalho por conta própria e posso fazer basicamente o que me apetecer para ganhar dinheiro - pronto, com as devidas aspas).

 

É provável que este modus operandi pareça demasiado caótico para muitas pessoas, mas para mim é o ideal. Às vezes, é complicado gerir um horário em que tudo é trabalho e tudo é lazer, ambos com grande potencial, mas eu não conheço outra forma de viver. Por isso é que gosto de ser professora, formadora e eterna estudante. Por isso é que quero continuar sem um único chefe, ou é com vários ou sou eu a CEO do meu tempo (e olhem que posso ser a chefe mais bondosa, mas também a mais implacável de sempre, que já estive um ano e tal sem férias e calha com alguma frequência trabalhar duas ou três semanas seguidas sem folgas, mesmo que equilibre com uma disponibilidade mais flexível e com a procrastinação do costume).

 

Portanto, sim: procrastinar ainda é viver. Pode não ser a opção de gestão de tempo mais óbvia, mas por aqui vai resultando e prosperando.

Sento-me ao computador e escrevo. Escrever é procrastinação, escrever é procrastinado, escrever é omnipresente.

Indo eu, indo eu... a caminho do segundo trimestre de 2019

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O segundo trimestre de 2019 começou hoje e eu já sei que vai ter de abarcar muita aventura. É como uma mala de viagem: no início não sabemos como, mas no final tem de caber tudo. Tanta coisa parece estar para acontecer ainda antes de o Verão chegar... Por exemplo - e entre outras mil coisas já na lista - hoje mudei-me para um espaço de co-working e foi o primeiro dia em que levei isto do trabalho por conta própria a 100%. Apesar de já o fazer informalmente há um ano, só nos últimos tempos é que tenho pensado em estratégias a médio e longo prazo para levar um negócio meu a bom porto. Tem de dar para mais do que pagar as propinas e a gasolina. Sinto que assumi um compromisso. Então, mas não sou eu a procrastinadora de serviço? Já dizia em 2014 que procrastino tarefas importantes com outras recém-criadas, uma prática obviamente saudável. Ainda em fase de experiências, estou optimista. No entanto, por hoje ter sido "este primeiro dia", parece que ainda nem é real. Ainda não tive oportunidade de assimilar esta pequena, grande alteração na minha forma de estar e pensar, mas lá chegarei.

 

Há cerca de duas semanas, também comecei a escrever no Ano 13. Não sei se é blog, se é site, se é ideia empreendedora ou lá o que os meus professores do mestrado lhe chamariam, mas sei que é algo que me tem feito repensar no que faço pessoal, profissional e academicamente. Ainda está muito incompleto, mas não me importo se lhe derem uma vista de olhos. Que tal?

 

E, depois, todo o buliço do mestrado, estágio, tese ou relatório. Novas ideias todos os dias, mais livros e artigos para ler, autores para descobrir. Entro em qualquer livraria, online ou física, e apetece-me encomendar ou trazer de lá metade da loja. Trabalhos para aqui, apresentações para acolá, e este semestre quase todos os seminários são sobre empreendedorismo e gestão e tudo parece feito para nos levar ao limite do entusiasmo, e eu sinto-me realmente entusiasmada, mas só espero ter energia, e estofo, e fôlego para tanta criatividade, e inovação, e ideias para (mais) negócios, e houvesse mais dinheiro, e horas em cada dia, e vontade de explodir, e vocês haviam de ver se eu não passava tudo do papel para a vida real.

 

Então, como podem verificar por este relato aproximado e apressado, ando um pouco ocupada e muito calma - maaaaas... nunca o suficiente para não tirar um curso em Stress e Relaxamento em Contexto Escolar. AH AH AH! Como diz a minha psicóloga (ou será que fui eu que pensei? ou ambas?), é fácil falar e dizer aos outros o que fazer; mais difícil é fazê-lo nós mesmos. Viva o desafio do que é humanamente possível!

 

O primeiro trimestre de 2019 já se passou. Também não sei como, mas acho que é um sentimento partilhado por algumas pessoas à minha volta. Não dei por nada, os dias correram. Será que o mesmo vai acontecer com os próximos meses? Quantas mudanças cabem em três meses, cerca de 90 dias? Quantas decisões importantes? Quantos compromissos inaugurados? Quantas oportunidades para alterar o curso dos eventos actuais? 

 

Vou dando notícias. Entretanto, se precisarem de aulas de Português ou Inglês em Lisboa, lembrem-se de que eu sou professora dessas línguas e que o meu escritório fica bem no centro da cidade, a cinco minutos de duas estações de Metro. Faço atenções aos leitores procrastinadores, sem códigos de desconto internéticos e tudo.

Olá, olá! Ainda está aí alguém?

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Eu sei, tenho andado muito desaparecida. Poderia dizer que não tenho tido tempo, mas seria mentira. Prefiro dizer que não tenho tido disponibilidade mental. Quando escrevo para o blogue, gosto de o fazer sem preocupações, sem outras prioridades a martelarem-me a cabeça. Infelizmente, nem sempre consigo essa clareza.

 

Sou muito ineficiente na organização de tarefas e tenho tentado melhorar essa fraqueza, equilibrando deveres e lazeres, trabalhos que me dão gozo e aqueles que têm de ser porque sim. Para isso, tenho usado o meu Bullet Journal sempre que possível. Mas nem sempre tem sido "possível", recompensador ou motivador. Se alguém tiver ideias mais fora da caixa relacionadas com a superação de fases menos criativas, por favor, partilhe-as!

 

Também tenho aproveitado a última semana e meia para estar com os meus amigos, quando não estive afundada em trabalho, trabalhos e estudo. Os jantares de Natal, a folia e correria desta época também cansam, mesmo sendo uma das mais agradáveis alturas do ano.

 

A procrastinação (ou apenas olhar para o ar) ainda me ocupa demasiado tempo, por isso ando a tentar arranjar mais formas de rentabilizar o meu tempo sem sentir que o desperdiço. Tenho tentado ler alguns livros novos e hei-de cá vir contar-vos sobre eles "ASAP".

 

Começo já esta semana, antes que o ano acabe e pareça que não tenho feito mais nada senão procrastinar sem viver. Não queremos cá disso!

 

(Espero também continuar a ver-vos por aqui e que não se tenham impacientado demasiado com esta ausência temporária! ♥)

Algumas ideias sobre O Método Bullet Journal: o livro vale a pena?

Na semana passada, fui ao Clube de Leitura organizado pela Sónia na Fnac do Colombo e, antes de começarmos, dei uma olhadela a alguns livros dos quais tenho ouvido falar. Calhou um deles ser O Método Bullet Journal, do designer Ryder Carroll, que a Cláudia já tinha mencionado no blog dela. Eis algumas considerações sobre este livro, e não só...

 

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Desde o primeiro ou segundo ano da licenciatura que mantenho cadernos. A certo ponto, deixaram de ser meras listas de tarefas para fazer para passarem a incluir todo o tipo de apontamentos, incluindo os das aulas, trabalho, eventos aos quais ia, estágios, ideias aleatórias...

 

Depois, fui para Banguecoque e grande parte dessa vontade de escrever em cadernos desvaneceu. Cheguei a comprar vários, na esperança de resgatar esse prazer de escrever no papel, mas nunca fui bem sucedida. Nessa altura, perdi a ligação a muitas das coisas que tinham feito sentido nos meus métodos de organização dos últimos anos, o que foi uma pena, porque talvez eu tivesse lidado melhor com algumas mudanças e frustrações se lhes tivesse permanecido fiel e tivesse feito um esforço mais consistente para continuar o que já costumava fazer.

 

No entanto, o que lá vai já passou e o chamamento pelo papel e caneta regressou. Desde que comecei este mestrado que tenho sentido vontade de voltar aos cadernos e caderninhos, só não sabendo bem como ou quando.

 

O livro do qual vos quero escrever, O Método Bullet Journal, acabou por ser a minha desculpa perfeita. Li os primeiros capítulos e senti que o método faria sentido para mim, se o tentasse aplicar. Sim, porque há mesmo um método! Pelo menos, ali estava uma oportunidade de recomeçar a tomar notas.

 

Como o criador do método explica, este é um projecto analógico, isto é, faz-se em papel e não numa app, num telemóvel ou num computador. É uma forma de sairmos da frente dum ecrã e relaxamos através da escrita à mão. Além disso, ao contrário do que alguns utilizadores dos BuJo possam fazer parecer na Internet, o objectivo deve ser criar um caderno funcional, e não necessariamente bonito. Para mim, que possuo sérios obstáculos cognitivos na área da representação visual, essas são óptimas notícias, bastante encorajadoras.

 

Assim sendo, claro que decidi criar o meu BuJo nessa sexta-feira, ainda por cima último dia de Novembro, a desculpa feita à medida. O dia seguinte marcaria o início da minha experiência com o BuJo. Até agora, já passou mais duma semana e continuo a passar tempo com o meu várias vezes por dia.

 

E agora especificamente quanto ao livro...
Adorei o que li quando encontrei O Método Bullet Journal na Fnac, mas à medida que fui progredindo na leitura também me fui desapontando. De facto, gostei muito dos primeiros dois capítulos, "A Preparação" e "O Sistema", ambos sobre aspectos mais técnicos do BuJo (como organizar as várias partes, os símbolos, as colecções...), enquanto o resto do livro me pareceu uma perpetuação de clichés e amálgama de ideias de auto-ajuda, repetitivos e sem grande nexo. Por exemplo, gostaria muito de ver mais exemplos de BuJo bem-sucedidos, como os que são mostrados, e que estes também viessem acompanhados algum tipo de explicação mais detalhada sobre a sua elaboração e funcionamento.

 

Seja como for, não deixou de ser uma leitura construtiva. Só não consigo gostar totalmente dela como gostei até à página 123. Acho que talvez faça mais sentido ver mais materiais sobre o BuJo no YouTube e no Instagram para aprofundar a minha própria prática (vejam o vídeo que vos deixo no fim deste texto). Como é destacado no livro, já há uma grande comunidade construída à volta destes "diários com método".

 

Como estamos quase a terminar o ano, penso que me resta desafiar-vos a darem uma oportunidade ao Bullet Journal. Sentem que vos falta uma estrutura para organizarem o vosso tempo? Precisam de algo que vos ajude a orientar as vossas actividades diárias, mas também a reflectir no passado e a fazer planos para o futuro? Acham que todos os meios são poucos para vos afastarem finalmente da procrastinação e do vício das tecnologias? Tentem fazer um BuJo ou um qualquer diário de ideias.

 

 

Não tenho cá procrastinado

Perdoem-me os dois ou três leitores habituais a falta de assiduidade na procrastinação blogosférica. Há fases assim. Felizmente! Nem blogue, nem Instagram, e Facebook reduzido. Ainda se escapa o Goodreads. Também já passei por algumas fases excessivas, mas, de facto, sinto falta de escrever aqui com mais regularidade. Na verdade, até tenho escrito alguns textos, mas ou os deixo a meio, ou serão publicados nos próximos dias (viva!).

 

Começo o meu mestrado na segunda-feira. Finalmente sinto alguma estabilidade pseudo-profissional - aliás, trabalho não me falta e já o começo a recusar quando aparece mais. Dum ponto de vista pessoal, têm-me acontecido coisas estupendas. À maioria dos meus amigos também. Tirando um ou outro desgosto ou imprevisto desagradável, não mudaria nada. Gente querida e feliz à minha volta. Livros. Desafios. E o tempo que vai voando quando estamos bem.

 

Piroseiras de quem está naquela altura do mês... Não me liguem, mas eu hei-de voltar melhor na próxima vez.

 

Bom fim-de-semana! 

Sete anos a procrastinar (que também é viver)

Na nossa cultura, o número sete tem um significado místico, simbólico. Já ouvi falar duma teoria qualquer segundo a qual, de sete em sete anos, iniciamos novos ciclos na nossa vida. De sete em sete anos, podemos olhar para trás e perceber que somos pessoas diferentes do que éramos sete anos atrás.

 

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Neste dia 30 de Junho, celebram-se sete anos de Procrastinar Também é Viver (que teve outros nomes no início, mas este foi o que ficou). 

 

Partindo do facto óbvio de que, há sete anos, eu era apenas mais uma miúda adolescente, como tantas outras, cujos objectivos imediatos na vida eram ter uma nota desnecessariamente alta no exame nacional de MACS (disciplina que continuo a odiar na forma de Métodos de Investigação), entrar em Ciências da Comunicação na FCSH (ainda bem que não aconteceu) e erradicar o acne (preocupação que ainda me acompanha), é igualmente óbvio que muita coisa coube entre 2011 e 2018.

 

Coube metade do secundário, coube a licenciatura, coube meio mestrado inacabado, vinte meses a viver do outro lado do mundo, o fim do "amor" (inserir um sem número de aspas) adolescente assolapado e estúpido, coube todo um grande amor feliz, couberam grandes desilusões, coube a recuperação de dois anos caóticos, mas também muitas surpresas agradáveis, coube (graças ao blogue) uma reportagemquinze minutos na televisão nacional, sabe-se lá quantos cursos, estágios, trabalhos e empregos, a carta de condução e agora o primeiro carro, coube mais duma centena de livros, talvez duas, pude viajar e conhecer algumas cidades europeias, participar em programas de intercâmbio, houve sempre espaço para o Harry Potter e para Narnia, houve espaço e tempo para conhecer imensas pessoas, para conhecer a maioria dos meus amigos, para criar não sei quantos canais de YouTube, ter uma banda ranhosa, começar a escrever uns vinte livros que nunca consegui levar além da décima página...

 

Aliás, como devem sentir todas as pessoas quando passam pela transição da adolescência para a vida adulta, fica a parecer que toda a nossa existência se resume aos acontecimentos dos últimos anos.

 

Por fim, nem me atrevo a adivinhar o que terei feito daqui a sete anos, onde terei ido ou quais os grandes marcos alcançados desde este momento até então. Daqui a sete anos terei trinta anos, o que me parece, simultaneamente, tão remoto e tão palpável, tão outra realidade ao virar da esquina. Serei mais velha do que qualquer um dos meus amigos, ainda que metade deles já esteja mais perto dos trinta do que dos vinte neste momento.

 

Contudo, não nego que tenho imensa curiosidade em saber o que vai caber nestes anos todos. De facto, tenho tido a sorte (digo eu, optimista incurável) de não conseguir planear quase nada do que me tem acontecido, embora gaste imenso tempo a fazer planos e castelos no ar. Acredito que os próximos oitenta e quatro meses não fujam muito à regra.

 

O que eu gostaria de perguntar à minha versão de trinta anos: fizeste o doutoramento, continuas a ser professora, conseguiste entrar na academia, residiste noutra cidade ou país, fizeste Erasmus, abriste o tal negócio com alguns amigos ou sozinha, já escreveste algum livro, compraste uma casa, viveste ou vives mais algum grande amor, casaste, tiveste filhos, está toda a gente viva e de boa saúde, continuas a escrever no blogue, continuas a procrastinar o que não deves???

 

Um dia, hei-de saber. 

 

Façamos um brinde imaginário aos próximos sete, imprevisíveis, anos. Que sejam tão ou ainda mais felizes do que os anteriores! E que este blogue e quem o lê continue a fazer parte dos meus dias. Que continuemos todos por aqui. 

 

Obrigada por continuarem a ler o que não me cabe na caixa craniana e por continuarem a dar sentido à minha procrastinação. Que ela seja a vossa também. 🎉

O fim-de-semana é para o descanso

Lembro-me de ainda andar na escola primária, de ter trabalhos de casa para fazer e de o meu pai me ter dito um certo dia que os fins-de-semana são para descansar. Não se trabalha ao fim-de-semana.

Ou seja, mais vale matarmo-nos a trabalhar de Segunda a Sexta-Feira, do que ficar com tarefas de sobra para Sábado e Domingo.

Cada vez me tenho convencido mais disso. De facto, sabe tão bem ter uma bonança depois de uma tempestade...! Eu sei que isto vai tudo muito contra os princípios da procrastinação, ou assim parecerá, mas ultimamente tenho-me esforçado por terminar todos os afazeres académicos à Sexta-feira (ou ao Sábado de manhã, quando ainda tenho aulas de Francês), para depois não ter de pensar mais no assunto durante quase dois dias. Se não os tiver terminado... Espero que Segunda regresse. O fim-de-semana é para a preguiça e para a eventual procrastinação. Enfim, para não sermos nada "produtivos".

Obviamente, é muito raro eu não acabar por adiantar qualquer coisinha durante o fim-de-semana. É que eu até gosto meeeesmo do que estudo. Dá-me prazer levar o trabalho em avanço.

No entanto, recomendo-vos vivamente - não deixem para Sábado o que podem fazer Quarta-Feira! Ou, se o deixarem para Sábado... Olhem, procrastinem-no até ao fim de Domingo!

Há alturas em que uma pessoa tem de desaparecer

Tenho estado desaparecida durante o último ano e meio, umas vezes mais e outras menos, como esta semana, ignorando muitas mensagens no Facebook (até porque detesto falar por lá e não há nada como um telefonema ou uma conversa cara a cara), ignorando eventos para que fui convidada (festas de anos e etc, mas preferia que, mais uma vez, me convidassem pessoal e personalizadamente em vez de me adicionarem conjuntamente numa ceninha de Facebook com imensas pessoas que não conheço - sim, Manuel, feliz aniversário atrasadíssimo, esta é para ti! =P), adiando pausas para cafés e encontros com amigos, tendo sempre em mente que me tenho enfiado num buraco e que, por agora, devo lá permanecer.

Eu tenho vontade de sair do buraco, pois tenho, mas a minha produtividade requer bastante concentração a longo prazo. Inconscientemente, começo a fazer uma limpeza do que é essencial e do que não é: reduzo as minhas distracções a umas horinhas com o namorado, um ou outro toque a uma ou duas pessoas, meia dúzia de palavras trocadas com colegas, cinco minutos para um vídeo de Youtube, um livro mais levezinho do que as leituras para a faculdade enquanto espero pelo comboio ou antes de adormecer, aulas de código ou condução ao fim da tarde para desanuviar (sim, elas para mim são uns descanso)... Esta semana, dormi em casa duma amiga e, mesmo assim, estivemos as duas a (tentar) estudar à noite e, de manhã, levantei-me mais cedo para fazer revisões.

No entanto, apesar de toda a procrastinação envolvida no processo (não se desenganem, que ela está sempre presente na minha vida, louvada seja!), acabo os testes e as entregas de trabalhos esta semana e nas próximas duas... já tenho em vista um curso no Cenjor (Centro Protocolar de Formação Profissional de Jornalistas)! E, na semana anterior ao início das aulas, vou fazer o DALF (Diplôme Approfondi de Langue Française) de nível C1.

Não me lembro de ter férias há dois anos. Ainda dizem que a vida de estudante é a mais fácil. Poderá ser, porventura, a que dá mais gozo, mas não a compararia particularmente a umas férias na Nova Zelândia (já que falamos nisso, um país que gostaria de visitar, quando todo este esforço académico e profissional resultar numa conta bancária com alguns zeros confortáveis - AH AH, ESPERA POR ESSA).