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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Viver na ditadura da popularidade, criatividade, identidade única e algoritmos

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A Internet também me traz ansiedade. A volatilidade da informação e da forma como circula assusta-me: a rapidez vertiginosa com que as regras são alteradas, o tipo de discurso, as mil e uma artimanhas que surgem todos os dias para se ter o blog ou site mais lido ou o produto mais popular.


Como dizia Bauman, é tudo tão líquido. Quando sinto que estou, finalmente, a habituar-me a um tipo de linguagem e objectivos na Internet, eis que o jogo dá outra vez a volta. Também não sentem que, muitas vezes, vivemos submissos ao poder dos algoritmos e da manipulação da mente dos outros? Temos de ter as fotos de Instagram mais XPTO, definir uma paleta de cores pessoal, as palavras-chave certas, os títulos que causam mais sensação... E onde ficam a honestidade, simplicidade e autenticidade nisto tudo?


Já não nos representamos a nós mesmos. Representamos uma marca - agora, somos uma marca. Temos de investir em branding, porque, dizem, há que mostrar aquilo que nos distingue de todos os outros, mas, atenção, sempre seguindo regras estéticas, e de marketing, e de linguagem, e de não sei o quê que tem de ser feito, senão nunca sairemos da cepa-torta da produção caseira e amadora.


Como se houvesse mal nisso!


Para mim, alguns blogs e perfis continuam a ser um reduto do que eu esperava que toda a Internet continuasse a ser. Felizmente, nem toda a gente foi contaminada pelo jargão empresarial que retira a alegria de criar um projecto pessoal desinteressado.


A gestão de redes sociais fascina-me e, ao mesmo tempo, faz-me sentir pequenina. Fascina-me enquanto negócio, fascina-me que as empresas tentem acompanhar o ritmo dos dias e que tenham de se reinventar para sobreviver no mercado. Mas, então... e as pessoas? As pessoas também têm de se vender como se fossem empresas? Eu sei que há quem, realmente, seja uma empresa (o seu ganha-pão assim o determina), mas, então... e os outros?


Há dez anos que crio blogs só porque sim, porque gosto de escrever, de partilhar, de desabafar. Este foi criado há sete anos e meio e por aqui fiquei, e pode ter mudado muita coisa deste lado, mas o que não mudou foi a intenção de escrever mais e melhor enquanto desafio pessoal e de superação, sem olhar demasiado a números. Embora os números me digam quantas pessoas andam por aqui (o que é gratificante) continuo sempre a manter este espaço por gosto e não por quaisquer expectativas ou contrapartidas mercantilistas.


Um dia, pode ser que engula estas palavras e me renda a parcerias, estatísticas, dividendos. Quem sabe...? A verdade é que até o meu trabalho e ambições profissionais futuras dependem um pouco da Internet. No entanto, hoje não é esse dia. Por enquanto, o meu blog, Instagram e Facebook são meros passatempos, nos quais invisto sem ter em vista mais do que a diversão que me permitem ter e, quiçá, oferecer. São o meu laboratório de experiências, ocupam o tempo que não gasto a olhar para as paredes ou a consumir-me em aborrecimentos vários. Há quem faça miniaturas, há quem coleccione moedas, há quem catalogue passarinhos. Eu ando por aqui a debitar sobre coisas aleatórias que me interessam.


Os meus blogs e perfis preferidos continuam a ser aqueles que têm "gente dentro", e que não se vendem por tuta e meia. Não julgo quem se vende, mas sim o facto de que, hoje em dia, sinto que estão todos a vender-se e que é tudo mais do mesmo.


No outro dia, dizia um professor meu que "as tendências estão a mudar, ser-se criativo começa a ser exactamente não ter criatividade". E eu não digo que tenhamos de deixar de ser totalmente criativos, mas neste momento já me é muito difícil acompanhar tanta "criatividade". Fico cansada, desgastada pela produção constante, pela urgência das mensagens, pelo conceito de storytelling a ser usado para tudo e mais alguma coisa, em nome da popularidade e da tal "identidade única" que procuramos. Na esperança de estabelecermos um monopólio sobre a nossa auto-imagem, gritamos que somos diferentes de todos os outros, mas depois fazemos quase o mesmo, andamos pelas modas.


Estes são alguns motivos pelos quais me tenho tentado afastar das redes sociais. O desfile de histórias inspiradoras que vendem e que se vendem, do networking, da luta pelo primeiro lugar num mural de rede social alheio pedem de mim energia que não tenho. Até duma perspectiva empresarial e profissional, por mais quanto tempo aguentaremos tamanhas avalanches? Ainda será possível viver e ser-se relevante offline?


Serve este texto como desabafo e reflexão da própria.

Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas

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Solteiros ou comprometidos, casados, divorciados ou até viúvos, quem é que no século XXI não se perguntou já como será isso do online dating - encontros proporcionados por sites e apps, maioritariamente desenvolvidos desde os anos 90?

 

A verdade é que vejo imensa gente à minha volta a alinhar nestas ferramentas usadas para conhecer pessoas novas, incluindo eu. Há umas semanas, por coincidência depois duma experiência mais ou menos desapontante neste domínio, decidi ir à Fnac (os livros animam logo uma pessoa, não é?). E descobri este livro, Modern Romance, escrito pelo comediante Aziz Ansari em parceria com o sociólogo Eric Klinenberg. Fiquei particularmente curiosa, porque também eu já passei por um par de situações sobre as quais gostaria de ler, dum ponto de vista mais científico e universal. É para isso que os livros servem, não é?

 

Em primeiro lugar, sei que este ainda é um assunto "engraçado" para muita gente. Sair com pessoas que se conhece pela Internet ainda parece ser relativamente novo ou pouco generalizado em Portugal. Mas é um fenómeno tão válido quanto qualquer outro a ser investigado e discutido na área das ciências sociais e humanas.

 

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Sabiam que, à data de publicação do livro, um terço dos casamentos americanos tinha sido possível por o casal se ter conhecido pela Internet? E a tendência é estas estatísticas aumentarem ainda mais com o passar dos anos.

 

Como é referido em Modern Romance, há cinquenta ou sessenta anos os casais conheciam-se de forma diferente e tinham expectativas de vida quase opostas às nossas. O importante era casar com alguém minimamente decente, que vivesse perto, o homem trabalharia e a mulher seria quase sempre dona de casa, criariam uma família e morreriam felizes e contentes dessa forma - se tivessem sorte, senão estariam apenas reservados para uma vida comum medíocre.

 

Hoje em dia, a maioria dos jovens estuda até muito mais tarde, procura uma vida profissional satisfatória e estável, viaja e muda de cidade ou país com relativa facilidade, e, no que toca a casar e a ter filhos, procuramos fazê-lo com a nossa alma gémea, ou pelo menos com alguém que nos faça sentir não só confortáveis e amados, quanto também desafiados e atraídos de maneiras muito variadas. Chegamos a namorar muitos anos com a mesma pessoa, ou a gastar muitos anos de vida em busca dessa tal cara-metade.

 

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(Perdoem-me a falta de qualidade das imagens, nem sempre é possível ver bem os gráficos.)

 

Neste contexto académico e profissional tão intenso, em que os círculos sociais acabam por ser limitados, é compreensível que não tenhamos tanta disponibilidade para conhecer alguém realmente especial, pelo que o uso das tecnologias, não sendo um fim em si mesmo, é uma ferramenta que nos proporciona conhecer mais gente além do alcance das nossas vidas turbulentas, porventura encontrando alguém que nos encha as medidas.

 

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Contudo, paralelamente a esta parte mais teórica, o livro também expõe imensos dos problemas de quem utiliza as ferramentas de online dating. Eu já escrevi sobre algumas das minhas próprias experiências no blogue, mas foi sempre em tom de gozo, o que nem sempre espelha a minha atitude real perante o tema. Eu até levo o Tinder, a app que eu uso, mais ou menos a sério, mas, separadas as devidas excepções, poucas das pessoas com quem tenho chegado à fala encaram as interacções como seria esperado, quando comparamos a realidade do online dating em Portugal com a dos EUA, em destaque em Modern Romance. O livro menciona, por exemplo, o facto de haver pessoas que se envolvem pouco ou que deixam de responder de repente, após conversas extensas e aparentemente muito interessantes. Pensamos "olha que individuo tão agradável" e depois ele desaparece do mapa, após uma ou duas desculpas pouco convincentes. Ou mesmo silêncio.

 

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Por isso, já é a segunda vez que me inscrevo e já é a segunda vez que elimino a app, porque acaba por ser uma experiência que nem sempre traz à superfície o melhor de nós, e é preciso respirar fundo. Em suma, ler este livro trouxe-me algum consolo, por perceber que "pode acontecer a qualquer um de nós e são riscos que temos de correr".

 

Por outro lado, também sei de histórias fantásticas de quem se conheceu online e o livro conta outras tantas, que se apanharam nos grupos de indivíduos estudados pelos autores ou no trabalho doutros investigadores. Nem tudo é mau, nem tudo é bom, num catálogo tão vasto de possibilidades. O mesmo aconteceria, numa escala diferente, ao conhecer alguém pessoalmente desde o início. 

 

No entanto, os autores deixam claro: a chave para as coisas correrem bem é não nos esquecermos que, apesar de as pessoas com quem falamos por mensagens serem quase irreais até ao momento em que as vemos, todos continuamos a ser humanos do outro lado do ecrã. Temos sentimentos, preocupações, traumas, receios, experiências de vida únicas. Assim, devemos tentar ser tão decentes quanto possível, tal como seríamos se essas pessoas estivessem à nossa frente. E não nos devemos esquecer: as ferramentas online levam-nos a contactá-las, mas não substituem a parte do dating em si, conhecê-las ao vivo e a cores.

Aqui seguem alguns excertos que achei muito sucintos:

 

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Dito isto, adorei o livro Modern Romance. Apresenta um bom equilíbrio entre livro de ciência popular (quem gosta de antropologia, sociologia e psicologia como eu vai gostar desta leitura) e entretenimento. Tem apontamentos fora do comum, nomeadamente acerca da vida sexual dos japoneses, e os autores dão alguns testemunhos pessoais e dicas de como comunicar de forma mais eficiente. São estudados ainda outros temas, como a infidelidade e o fim das relações na era das mensagens instantâneas, as diferenças culturais no namoro à volta do mundo, o sexting e as redes sociais. Por vezes, há piadas desnecessárias, mas faz parte.

 

Excelente tentativa de desmistificar um assunto do qual tanta gente ri, mas que ainda nem toda a gente compreende!

As maiores falhas dos jovens portugueses no engate do Tinder

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Cá estou eu de volta para mais desenvolvimentos na minha investigação estritamente académica sobre o assunto "Tinder"! Contudo, temo que este seja um dos últimos capítulos, por isso aproveitem enquanto dura.

 

Eu não sei o que é que anda na cabeça de certas pessoas, mas alguns dos jovens portugueses presentes no engate do Tinder devem ter lá dentro... cocó. Só pode. Bem, não digo cocó, mas por vezes é difícil acreditar que será um cérebro o conteúdo em destaque. Lembram-se do que eu escrevi aqui, sobre os "As 16 piores opções para engate no Tinder"? Este é o capítulo seguinte.

Vejamos... Aqui seguem os erros mais comuns dos jovens portugueses (homens) no Tinder, mais ou menos entre os 22 e os 30 anos.

 

1. Põem uma foto. Uma. 

Caríssimas meninas, alguma vez sonharam encontrar o príncipe encantado recorrendo à estratégia do "amor à primeira vista"? Neste caso, apresento-vos a estratégia "amor à primeira (e única) foto". Sem mais nada. Com sorte, o nome e a idade. E, ainda por cima, vão ter de decidir se vale a pena apostar no João, 25, julgando apenas uma cara igual a todas as outras por trás duns óculos escuros do chinês.

 

2. Não escrevem nada na descrição

Palavras para quê? O João, 25, que até é bem giro de óculos escuros e tem bons dentes, decidiu que aquela segunda foto ao lado duma prancha de surf diria tudo o que é necessário para que o mulherio se passasse da cabeça e o contemplasse com uns swipes gostosos. Para boa entendedora, duas fotos pixelizadas bastam. 

Aliás, este é um excelente indicador do esforço que o moço poderá vir a empreender num futuro conhecimento pessoal.

 

3. Escrevem apenas a altura na descrição

"1,83m 😉" Parece piada, mas não. O João, 25, além de ficar bem de óculos escuros, ter bons dentes e ter feito uma aula trial de surf na Costa da Caparica, é assim a atirar para o alto. Dá jeito saber, caso nos apeteça comprar-lhe uma pecinha de roupa a tempo do primeiro encontro.

Como é óbvio, estou ciente de que o Tinder é uma plataforma de engate de todos os tipos e que nem toda a gente anda à procura do próximo Mr. Husband. No entanto, a ter de ir para a cama com alguém, não magoava saber se prefere sushi ou pizza. A altura pode ser um indicador eficiente para outras medidas (se a regra da proporcionalidade existir, if you know what I mean), mas... calma.

 

4. Açacinam a língua portuguesa 

Mas nem tudo está perdido, porque, pelo menos, ficamos a saber que o João, 25, é impilhador de caixas no Continente da Quinta do Conde, e que gosta de sair para comer fêberas.

 

5. Falta de criatividade

Bem, bem, felizmente ainda temos o Manuel, 26, para nos consolar. Tem quatro fotos (duas de corpo inteiro e duas com o palminho de cara visível), diz que quer conhecer pessoas novas, gosta de festivais de música e até aguenta serões de comédias românticas.
Então, o Manuel decide encetar conversa connosco.
"Olá, td bem? 😋"
É isto.

(Esta publicação foi escrita de manhã; à tarde, já tinha recebido um "Olá" - sim, ainda há quem consiga mostrar menos criatividade, entusiasmo, interese...)

 

6. Morrem para a conversa

Mas nós damos uma chance ao Manuel, porque ele não foi mau de todo e disse olá. Trocamos umas linhas de conversa promissora, uns "ahaha" e uns emoji pelo meio, nós pensamos que não deve estar a correr muito mal e, do nada, o Manuel deixa de responder. Puft, gone with the wind, mas sem fazer unmatch.

 

7. Não correspondem, falta-lhes uma dose de bom senso

Vamos a ver, ainda temos o Filipe, 28, com quem conseguimos trocar mais de seis frases. Ele até demonstra que leu a nossa descrição, estudou o caso. Contudo, sem aviso prévio, o Filipe pergunta "então, e o que é fazes mais, sem ser ligar a essas coisas chatas dos livros?" Perante este cenário, uma pessoa dá a entender que não vai dar. Ele desculpa-se, que é um rapaz mais prático, das engenharias, estão a ver?

 

Vade retro.

 

8. Fazem match e não comunicam

Na última semana e meia, fiz match com mais ou menos 14 itens (ahahaha, itens): um deles o amor anterior (eu avisei que isto poderia acontecer, o pessoal bate mal da mioleira e depois anda a picar-se), com dois comecei eu a conversa, outros quatro começaram eles, e os restantes... Zero. Fizemos match e agora está tudo às moscas. Assim não vamos a lado nenhum, amigos! Nem um olá, como disse o outro? A probabilidade não deveria ser que, no mínimo, 50% da iniciativa devesse partir do outro lado?

 

Desta forma, dou por encerrada este lavar de roupa suja tinderesca... por hoje. Provavelmente, para sempre, porque estou a um saltinho de eliminar esta pouca vergonha - não pelos princípios da rede social, mas sim por causa de quem lá encontramos... ou não encontramos, nem que seja porque, quem vale a pena conhecer, já não deve precisar de andar em redes sociais deste género.

 

Nota: tudo o que deixei aqui registado aconteceu-me mesmo, verdade-verdadinha, mas as personagens são compósitas e os meus comentários, frequentemente, ácidos.


Além disso, calma, garanto que já houve uma estatística positiva. Uma, que não foi infeliz, por isso continuo a acreditar que vale a pena tentar por um bocadinho (mas não por demasiado tempo, depois concluímos que o mercado está saturado, ponto final). Quem não arrisca não petisca, não se perde nada, gente solteira que está a pousar os olhinhos nestas palavras! Toca a andar, tudo a instalar o Tinder para proceder a estudos académicos da mais elevada seriedade! 

As 16 piores opções para engate no Tinder

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Depois duma investigação académica muito profunda e cientificamente ética (neste caso, cerca de duas horas acumuladas a fazer swipe left e swipe right) apresento-vos as piores opções para engate no Tinder, num raio de 30 km a partir dos subúrbios de Lisboa. Este estudo baseia-se numa pesquisa de carácter meramente experimental, mas o catálogo já é extenso. No entanto, fica já a nota de que, no Tinder como no mundo, há homens para todos os gostos  (e mulheres, provavelmente, mas deixo essa investigação para um futuro próximo e para quem de respeito).

 

Preparadas, mulheres heterossexuais solteiras e/ou malandras deste país, principalmente da margem Sul de Lisboa? Querem saber as pérolas que vos esperam? Aqui vai a minha colectânea.

 

1. O que está a fumar ganza na foto de perfil
2. O que tem a mãe na foto de perfil
3. O que mostra as maminhas
4. O desfocado
5. O artista com barba de três meses e cabelo salteado em óleo Fula
6. O teu ex-namorado
7. O "🍺🍻"
9. O que tem os amigos todos na foto de perfil, não se percebendo de quem é a conta
10. O que tem a melhor amiga/namorada/ex-namorada na foto de perfil
11. O que tem uma criança na foto de perfil
12. O que mostra o carro
13. O que só tem selfies em close-up
14. O machão-mitra
15. O que avisa logo que só quer nudes
16. O amigo solteiro que tu mesma convenceste a ir para o Tinder e com quem fazes match só pela piada de enviarem piropos e piadas porcas um ao outro 

 

E, como nas cartas do Pokémon ou nos cromos do Lidl, se tiverem itens para troca, deixem registado na caixa de comentários. 

Sobre a felicidade dos outros

Ultimamente, tenho pensado muito em felicidade. Tenho pensado, em particular, na felicidade dos outros. Tenho-me perguntado muitas vezes "o que é que leva estas pessoas a serem tão felizes?". Por isso, concluí, é que muita gente passa imenso tempo imersa nas redes sociais. Queremos saber qual é a solução dos outros. O que é que eles fazem, como é a sua vida, o que os leva a estarem tão satisfeitos quanto aparentam? Como é que se constroem e mantêm aqueles sorrisos?

 

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 https://www.pexels.com/

 

No entanto, é raro encontrar essa solução para a felicidade dos outros ao virar da esquina duma foto de Instagram ou dum texto num blogue, não é? Com alguma frequência, dou por mim a apenas ver fotografias de gente feliz, gente de bem consigo e com o mundo, gente inteira. Uma foto depois de correrem a maratona; um amor imaculado; um prato cheio de verdes com aspecto gourmet; uma catarata em Bali; um grupo de amigos à volta duma mesa; um diploma de excelência; um corpo definido.

 

É normal, todos queremos conhecer e partilhar histórias de sucesso. É mais intuitivo mostrar e consumir conteúdo que transmita energias positivas do que energias negativas.

 

Mas só vemos, uma e outra vez, uma parte do processo: o final, o happy ending, o desfecho, tal como na ficção.

 

Nota intermédia: quando eu era miúda, saltava sempre a parte das cassetes em que a Cinderela era humilhada pelas irmãs más e em que a Bela Adormecida se picava na roca de fiar. 

 

Acho que é isso que nós fazemos e repetimos enquanto adultos, num ciclo vicioso. O meio, a forma como se atinge o ideal de picture perfect, é propositada ou inadvertidamente omitido. Pode ser intencional, ou pode mesmo acontecer sem querer. 

 

Raramente encontro esse "meio" do processo nas redes sociais. Não há para amostra as noites que se passaram no ginásio para se abater aquelas dez gramas a mais de gordura corporal (talvez dez segundos numa story); ou as horas, dias, anos de desespero e bloqueio que um criativo passou à frente do computador ou do bloco de notas até aquela ideia fantástica lhe ocorrer; ou as dificuldades que um casal aguentou, os desentendimentos, as discussões, o ata e o desata que veio a culminar num casamento de sonho; ou as mil e uma relações falhadas que se coleccionaram até se conhecer "o tal"; ou as horas extra que o viajante teve de trabalhar para poder visitar o seu destino; ou o lixo e a loiça que se teve de limpar duma cozinha ao preparar dois pratos que se comeram em dez minutos; ou as noitadas e o esgotamento nervoso a que aquele aluno brilhante se teve de submeter até alcançar o mérito.

 

A verdade deve ser, na minha opinião: muitas vezes, também não queremos saber. Não interessa. Queremos é distrair-nos, ver coisas felizes.

E a verdade é, sem dúvida: num momento de tensão ou desilusão, quase ninguém se lembra de tirar uma fotografia aos lenços de papel em que chorou lágrimas, baba e ranho, entranhas e dois terços da alma. Simplesmente, não se faz.

 

Sem querermos, sem ser essa a nossa vontade racional, só olhamos para o que é bom e final. Depois, perguntamo-nos "como é que ele consegue? como é que ela faz?". Então, eu passei sempre a relembrar(-me): para isto ter acontecido, qualquer coisa veio antes. Pode ter sido boa, pode ter sido má. Com uma ou outra variação, as vidas humanas não são assim tão diferentes entre si. Há um rol limitado de enredos, embora cada um com as suas especificidades (tal como no teatro grego).

 

Para alguém ter o que mostra ter, seja massa muscular, dinheiro, fama, sucesso profissional, uma relação duradoura, um doutoramento, um livro, uma família feliz... algo há-de ter acontecido antes, ou nos bastidores, sem que o voyeur inquisitivo se dê conta. Claro que o grau de dificuldade pode variar de pessoa para pessoa, de contexto para contexto. Mas não sintamos pressão desnecessária para copiar ou almejar ao que os outros são capazes de fazer, de forma instantânea. Tiremos um dia de cada vez, pássaro por pássaro, para construir aquilo que queremos para nós (diz a autora Anne Lamott no livro que ando a ler agora, Bird by Bird).

 

No outro dia, eu dizia a uma amiga (bem, na verdade devo tê-lo dito a todos quanto me tenham querido ouvir nas últimas semanas): "sinto que poucos me compreendem, porque nunca ninguém passou por esta situação que me aflige, nestas circunstâncias em que me encontro". E ela confirmou que, de facto, poucas pessoas me compreenderiam.

 

Mas, mais uma vez, todos já passámos por fases terríveis ou acidentadas, por um ou por outro motivo. Já todos sofremos desgostos. É cliché, mas "podia ter sido pior", ou "há quem tenha passado por pior", ou curto e grosso "há pior"; "tu tens tanto e queixas-te", "o que é que queres mais?", "agradece aquilo que tens".

 

Em alternativa, recomendo a abordagem ligeiramente passivo-agressiva, ainda que hilariante, doutro amigo (doutorando em Psicologia, que lá sabe o que faz): "tu já ouviste o que estás a dizer???".

 

Aceitam-se mais sugestões e opiniões. Vamos lá discutir isto da felicidade, vamos?

 

Mais uma vez, tudo é mais facilmente escrito do que feito. Se tu, leitor(a), estás a passar por uma fase menos plena... também eu. Força nisso. Não nos esqueçamos de que há sempre qualquer restinho de qualquer bocadinho de vida para aproveitar. Um dia de cada vez. É isto que eu repito ao meu lado mais emocional e dramático. Amanhã há-de ser melhor. Não faz mal andar de estômago virado, com os ácidos a transbordarem. E, se nos sentirmos voltar atrás... Acontece... Vamos lá!

Baby Boom [Boom, Boom, BOOOOOM!] no Instagram

Por estes dias, principalmente entre a época natalícia e o início do novo ano, anunciaram-se múltiplas gravidezes por esses perfis de Instagram fora. De repente, parece que todas as sugestões de posts apresentam uma barriga a crescer, uma ecografia, uma deixa sugestiva. É assim o amor e a esperança dum futuro cheio de bençãos e alegrias. Fico contente por se ver mais gente a partilhar energia positiva. Destacam-se também as mensagens de carinho. É bonito de se ver e ler. Também há muitos bebés a nascer ultimamente. Parece que se renova toda uma geração a nível mundial numa questão de meses!

 

No entanto, relógios biológicos mais susceptíveis devem manter-se afastados. A sério. Não se aguenta tanta ternura, queixinhos minúsculos e mãozinhas enrugadas de gordurinha, bochechinhas rosadas, cabelinhos de cetim no cimo da cabeça...

 

Lindo, lindo, mas penso que vou rebentar de fofice muito brevemente.

Porque é que escrevo em português e inglês no Instagram?

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Na maioria das publicações no meu Instagram, escrevo em português e inglês. Às vezes, só escrevo em inglês. Às vezes, só em português. Tal como vai o meu Instagram, também vai a minha cabeça. É difícil escolher qual a melhor língua, para quem estou a escrever, o que quero expressar. A verdade é que os portugueses percebem inglês mais facilmente do que os meus amigos estrangeiros/tailandeses percebem português. No entanto, os portugueses são-me mais queridos, por isso custa-me deixar de escrever na nossa língua.

Em suma, escrevo em português e inglês nas minhas redes sociais, às vezes até em francês no Facebook, porque quero incluir todas as pessoas com quem me encontro em contacto, quero abarcar toda essa diversidade linguística que compõe a minha vida, quero encontrar um equilíbrio, um compromisso entre vários mundos. Será possível?

O amor, os blogues e as fofocas

 

Na semana passada, nesse dia emblemático em que o Benfica, o Papa e o Salvador Sobral deram tantas alegrias a Portugal e aos portugueses, outra surpresa mexeu comigo: umas fotos muito curiosas de dois dos meus blogueiros de eleição, que alegadamente estariam separados/divorciados e em torno dos quais até se tinha gerado um zum zum de admiração, angústia, tristeza, de repente muitos seguidores a comentarem que, assim, até deixariam de acreditar no amor, que eles eram o par perfeito, levantaram-se mãos ao céu (ou emoticons tristes no Instagram)... Enfim, eu fui uma delas. 

A separação desse casal dos blogues teve um impacto bastante grande em mim. Eu serei sempre a primeira a dizer que as aparências iludem e que de amor ninguém percebe quase nada. Para mim, andamos todos ao mesmo: vai-se por tentativa e erro, a ver se os nossos métodos funcionam com os da outra pessoa. Para mim, casais felizes na Internet também podem ser uma farsa ou um retrato dum conto de fadas, porque só quem anda no convento sabe o que lá vai dentro. Raramente me deixo iludir ao ponto de acreditar que é tudo lindo e maravilhoso lá por casa, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, 7 dias por semana.

No entanto... olhem, qualquer coisa mexeu comigo quando soube desta separação. Talvez por eu costumar dizer que há uma tríade de Ricardos na blogosfera que garantem o sucesso de relações - o meu, o dessa blogger e o duma terceira. (Eu sei que é um bocado presunçoso e ligeeeeeiramente tendencioso pensar nestes termos, mas uma pessoa tem de acreditar nalguma coisa.) Talvez por eu passar demasiado tempo na Internet a pensar na vida dos outros (o que não deixa de ser uma possibilidade credível). Talvez eu até me tenha sentido chocada por ter crescido a ver essa relação a desenvolver-se e, sem me ter apercebido, essas pessoas fazerem um bocadinho parte do meu dia-a-dia e da minha concepção do que é o mundo em geral e o sucesso profissional.

Acho que todas estas são opções muito válidas! E sabem porquê? Porque a verdade incontornável é que a Internet permite-nos ter uma relação, maioritariamente unilateral e quiçá falaciosa, com os escritores, produtores de vídeo, jornalistas ou cronistas. É uma relação não correspondida, mas que nos acompanha por anos e anos. Chegamos da escola e lemos o texto mais recente ao lanche, saímos do trabalho e pelo caminho vemos o novo vídeo. Essas pessoas tocam nas nossas vidas de maneiras muito mais permanentes do que certas partes das nossas famílias.

Assim, foi uma enorme alegria ver que esse casal de que estou a falar desde o início passou tempo de qualidade um com o outro, a julgar pelas fotos que mostram no Instagram. Muitos especulam que será uma reconciliação, mas a mim nem é a possível reconciliação que mais me interessa - é o facto de parecerem felizes e em paz enquanto estão juntos. Não interessa se permaneceram amigos ou outra coisa qualquer. Interessa que, no final, há esperança. Pode ter sido um casal a divorciar-se, mas é uma ligação que não morre, mesmo alé dos filhos.

Às vezes, também me pergunto o que aconteceria se eu e o Ricardo nos separássemos (emocionalmente, porque fisicamente a coisa não pode ficar mais aguda). Número um, não me parece provável que aconteça nos próximos tempos. Número dois, nunca se sabe, por isso não custa puxar pela cabeça e colocar hipóteses na mesa. Acho que, no final, o que mais importaria seria declararmos a paz. Se essa paz viesse na forma duma amizade ou dum carinho especial que não se apaga, significatia que a última meia década não teria acontecido em vão.

Noutra nota... Obviamente que, se os sujeitos em questão publicaram as fotos, já estariam à espera do efeito. Muita gente iria comentar e largar a sua posta de pescada. Neste caso, as fofocas são inevitáveis e quem criticar seja quem for por comentar a situação (hummm, como por exemplo, eu) não tem grande estrutura argumentativa para defender a sua causa. Deste lado, ainda temos poder para escolher o que queremos partilhar e o que preferimos omitir da praça pública. Certamente, este casal/ex-casal não terá escolhido partilhar estes desenvolvimentos de forma inocente e desinformada. Assim, toma lá a minha posta, à qual tenho igual direito.

 

Viva a felicidade! Viva o amor! Viva os sururus que mantêm a blogosfera fofoqueira entretida! Viva a gente contente e satisfeita!

Era uma vez, no Facebook

Ainda está para ser descoberta a razão por trás de os meus colegas da faculdade (principal e ultimamente os da Universidade Católica) me estarem todos a adicionar no Facebook. Pelo menos todos aqueles a quem falei uma vez na vida o têm feito.
Mas porquê? E para quê?
Porque, de repente, se lembraram de que eu sou a pessoa mais interessante à face da terra? Ou para me poderem conhecer melhor, isto é, para me fuçarem no perfil e confirmarem as suas expectativas em relação a mim? E, seja como for, embora eu tenha passado quatro meses a vê-los quase todos os dias, no final, da quantidade de colegas com quem tive aulas, só fiquei amiga de uma.
Até à época de exames, ainda foi naquela: queriam pedir-me apontamentos, perceber melhor a matéria. Já nessa altura se deram mal comigo, que eu deixo esse tipo de mensagem por ler ou desvio o assunto. Agora... Bem, agora que eu não voltarei a ser colega deles, que qualquer oportunidade de contacto pessoal comigo já se esgotou, qual a utilidade de me coleccionarem na lista de amigos das redes sociais? Só se for para eu me tornar mais uma a distribuir-lhes likes. Enfim, sem comentários [originais].
Além do mais, o que se aplica aos meus colegas da faculdade aplica-se de igual forma a qualquer pessoa com quem me cruze.
Não, eu não aceito desconhecidos "em amizade". Tenho o meu perfil em modo privadíssimo por algum motivo. Dizerem-me bom dia de vez em quando e saberem o meu primeiro nome não é o suficiente para lhes conceder acesso a informações privilegiadas, como quem são a minha família, os meus amigos de carne e osso, onde vivo, qual é o meu meme favorito ou que jornais online é que eu leio. De qualquer maneira, sempre podem ler o meu blogue e pôr um like na respectiva página de Facebook. Aqui, já podem ser meu fãs à vontade, se é isso que o querem ser! Porque a amizade constrói-se frente a frente.

5 páginas a visitar no Facebook

Há que teeeeeeeempos que estou para escrever esta publicação, por isso vamos lá com isto pr'á frente! Apesar de não ser uma das piores viciadas em redes sociais, mesmo no que toca ao Facebook, sigo regularmente algumas páginas que ou pertencem a blogues ou são simplesmente coisas engraçadas e divertidas, que publicam conteúdos interessantes, sem deixarem de ter o seu "quê" de entretenimento.

Assim, esta lista destina-se principalmente a pessoas que, tal como eu, têm as suas prioridades virtuais definidas e, lá porque procrastinam, não quer dizer que o façam sem qualidade ou lógica.

 

 

As minhas 5 páginas favoritas no Facebook

 

1.

 

 

9GAG - quem segue a página de Facebook deste mesmíssimo blogue em que se encontra de momento, já deve ter notado que costumo partilhar imensas imagens da autoria do 9gag, originalmente um site humorístico. Não interessa qual a nossa idade, profissão, interesses, expectativas... o 9gag quase de certeza que há-de ter qualquer coisinha que nos agrade, um meme, uma frase, uma imagem, um comentário, you name it.

 

 

2.

 

 

Humans of New York - este projecto é um dos que mais me fascina. Tendo começado apenas por uma ideia, o fotógrafo Brandon Stanton encarregou-se de catalogar fotografias e histórias dos habitantes de Nova Iorque desde 2010. No entanto, graças a um convite da ONU, tem feito uma World Tour de Agosto a Setembro deste ano, no âmbito da qual já visitou países e retratou pessoas na Ucrânia, no Vietname, no Sudão, no Iraque, no Quénia... E a lista continua! Acompanho diariamente as novas fotografias e histórias na página de Facebook e acabo sempre por partilhar imensas, tanto no meu perfil pessoal quanto na página do blogue, por as achar tão inspiradoras. É curioso que, apesar das diferenças culturais e étnicas, o trabalho de Brandon Stanton consiga retratar tão bem o que todos estes indivíduos têm em comum: são humanos. As suas aspirações, medos e vidas acabam sempre por se relacionar umas com as outras, seja como for.

 

 

3.

 

 

Mashable - tomei conhecimento acerca do site Mashable por ter imensos artigos acerca de copywriting, ou seja, aquilo em que normalmente trabalho. Contudo, este é um site que sugere conteúdos acerca de tudo e mais alguma coisa, mesmo que foque com maior frequêcia o mundo dos media, das tecnologias e da Internet. Até fofocas sobre celebridades se encontram por lá! Por isso, seguir a respectiva página de Facebook permite-me estar actualizada acerca das novas publicações - ou, pelo menos, grande parte delas, já que são tantas e tantas e tantas!

 

 

4. 

 

 

Portuguese Sayings - a ideia desta página é valorizar a língua portuguesa, principalmente no estrangeiro. Pelo menos, é essa a ideia que é dada, uma vez que o seu conteúdo principal é a criação de wallpapers com traduções super-hiper-mega literais de provérbios portugueses para a língua inglesa. E quem não entender a intenção... well, unshit yourself!

 

 

5. 

 

O Sagrado Caderno das Piadas Secas

 

O Sagrado Caderno das Piadas Secas - gostam delas curtas e grossas, directas ao assunto e muito, muito secas? Estou a falar de anedotas, claro, principalmente as desta sagrada página, como o nome indica. Por vezes abusam e tocam em pontos intocáveis em termos religiosos e culturais, mas a maior parte das vezes adoro as piadas que publicam.

 

 

E pronto, eis mais uma ajudinha para uma procrastinação saudável. É provável que em breve encontrem por aqui a continuação desta lista de melhores páginas a visitar no Facebook, mas por enquanto vão-se distraindo com estas.