Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton

Alguma vez se depararam com um livro que tenha surgido no momento certo, mas por mero acaso? Fazia-vos falta um livro assim, vocês pensavam que seria impossível alguém contar uma história que vos fizesse sentir menos desamparados ou sozinhos no vosso mundo, na vossa causa, e esse mesmo livre caiu de pára-quedas nos vossos dias?

 

IMG_25610618_160736.jpg

 

Eu sei o que isso é. Passei tantos meses à procura dum livro que tivesse tudo na medida certa - introspecção, filosofia, reflexão, carisma, mas que viesse justificar e validar as minhas ideias, sem deixar de ter uma dose de lamechice, sem ser só teoria, acrescentando um enredo que servisse de exemplo às minhas inquietações actuais - e, depois de muitas visitas, a muitas livrarias, em Portugal e na Escócia, encontrei este, um exemplar único, sem destaque, enfiado numa estante a abarrotar duma Waterstones em Glasgow: Essays in Love, do autor multifacetado Alain de Botton.

 

O meu maior problema com os livros sobre a temática "amor" é que considero quase todos um desperdício de tempo, sou incapaz de ler tamanha treta, nunca os levo a sério, têm sempre imenso mel, ou drama, ou futilidade em doses que sou incapaz de digerir. A vida é pirosa, mas não tanto. A vida não é um romance de cordel, mesmo com a sua inevitável banalidade e aleatoriedade.

 

Então, ao encontrar este livro, senti que o autor conseguiu incluir quase todas as posições sobre o amor e relações em que acredito, ou pelas quais já passei. O início da história de amor dos dois protagonistas é um pouco irracional, mas o resto da narrativa faz todo o sentido.

 

Além disso, este livro não é só um romance. Não é só um livro de histórias. Como escreveu o autor, em 2015, num posfácio incluído na edição que tenho, o seu objectivo era ficar a meio, entre um romance e um ensaio sobre o que é o amor entre duas pessoas, como ele surge, acontece e - eventualmente - termina. E recomeça, acreditem ou não.

 

Senti, pela primeira vez na vida, que este é o livro que eu gostaria de ter escrito ou de vir a escrever. Sem tirar nem pôr. Não é "um livro deste género", é "precisamente este livro". Nele, o amor não é idealizado. É narrado um amor, num contexto próximo ao meu (protagonistas jovens em início de carreira, classe média, numa cidade europeia). Consigo identificar-me e encontrar aspectos em comum. É também para isto que serve a arte, para nos representar, e eu fiquei a sentir-me representada. A cada página, eu só pensava "mas isto já me aconteceu!" ou "isto poderia ter-me acontecido!".

 

Sim, este livro conta uma história de amor e desamor, mas fá-lo duma forma pensada, que nos obriga a usar o cérebro. Não é o típico "boy meets girl" dos best-sellers de supermercado. Senti que o Essays in Love me desafiou enquanto leitora, pôs-me a reflectir nas minhas experiências, conferiu ao assunto mais batido, piroso e repetitivo do mundo uma aura de intelectualidade, de assunto académico, didático, de relevância. Deixou de parte a superficialidade das relações, das borboletas na barriga e do vazio a que nos entregamos quando acabam. Fez com que tudo isso se tornasse um assunto de adultos, respeitável. 

 

E sabem da melhor? O autor, Alain de Botton, escreveu este livro no verão dos seus vinte e um anos. 21. Como é possível que tanta sabedoria, ou tacto, tenha saído da cabeça e das mãos dum indivíduo tão jovem? O que é que a maioria de todos nós já tinha feito aos 21 anos? Olhem, eu tinha-me licenciado, tinha ido estagiar para Banguecoque e pouco mais, mas não, não tinha escrito o livro que inauguraria uma carreira brilhante e demonstraria todo o potencial da minha mente. Fica prometido que irei, com toda a certeza, ler mais livros do Alain De Botton, nem que seja o que comprei em simultâneo ao Essays in Love, que se chama The Course of Love (mais lamechice pseudo-intelectual, previsivelmente).

 

IMG_25610618_160947.jpg

 

 

E por aí, alguma sugestão de bons livros que me queiram deixar? Não tem de ser sobre este assunto, claramente, por isso estejam à vontade! Agora, ando também a ler Sapiens, De Animais a Deuses, e estou a gostar bastante. Encontrem-me no Goodreads e vamos falando. 

O choque, o drama, o horror: apaguei o Tinder

 

Venho por este meio terminar, oficialmente, a saga tinderesca levada a cabo por esta vossa cara amiga nas últimas semanas. Acabou, apaguei o Tinder ao fim de mês e meio. Já deu para procrastinar imenso, deu para conhecer outras facetas da raça humana, o estudo foi profícuo e agora já chega. Acabou a brincadeira. Muitos de vós previram este marco na minha vida, o fim da minha paciência nesta nobilíssima rede social, e eis que estavam todos certos (dah, óbvio que estavam).

 

Eu não fui talhada para o engate, sou uma moça - relativamente - séria. Não me deixo convencer facilmente. Sou um público difícil. Não me impressiono, sou picuinhas, não gosto de loiros, não gosto de chungas, não gosto de artistas, não gosto de quem escreve com erros ortográficos, não me vejo a sair com estrangeiros, não tenho queda para meninos; ainda por cima, também tenho uma certa mania de que sou esperta q.b. e mais ou menos fofinha, então... Ok, so you're Brad Pitt, como diz a Shania Twain. That don't impress me much. 

 

À semelhança do que já referi por aqui, quase, quase nenhuma das minhas histórias fizeram História. Não me irei alongar muito mais sobre o assunto, mas vou já tratar de vos apresentar sucintamente algumas das minhas conclusões.

 

Cá vai disto. A curto prazo, é quase impossível encontrar grandes matches. É preciso ter-se a aplicação activa e ir-se fazendo swipes durante algum tempo, senão deixa de haver perfis disponíveis à nossa volta. Eu devo ter tido sorte de principiante quando instalei a aplicação, mas quando a voltei a usar, umas semanas depois, já se tinha tornado mais difícil fazer match, ou mesmo encontrar perfis que me convencessem minimamente a dar um like. Por isso, tentem usar o Tinder duma forma desportiva, experimental, e logo se vê. 

 

Quanto às expectativas que possam ter... Há de tudo no Tinder. Falo do que me compete, volto a sublinhar - rapazes/homens dos 22 aos 29, à volta de Lisboa - por isso deixo as restantes faixas etárias, orientações sexuais e localizações para quem conseguir escrever sobre o assunto. Assim sendo, não me parece que toda esta gente no Tinder esteja à procura dum amigo da cama, não me parece que só exista esse tipo de engate, mas - surpresa! - não se admirem se não encontrarem o amor duma vida ao virar da foto. Em geral, parece-me que a maioria deve estar lá para o mesmo que eu estive: para ver, experimentar, não morrer ignorante e dar uma oportunidade a uma forma menos tradicional de travar novos conhecimentos, quando a vida profissional/académica não nos permite sair dos mesmos círculos sociais. Pelo menos, serve para dinamizarmos a nossa vida social. Ficar parados é que não!

 

Contudo, não digo que não haja surpresas, porque as há. Eu tive uma certa quota de surpresa e, graças a isso, já posso dizer que saio desta aventura com saldo positivo, que é tudo o que me interessava e interessa. Uma vitória!!! FESTA! Já ouvi muitas histórias negativas contadas por algumas amigas e posso considerar-me uma sortuda. 

 

Em geral, gostaria de vos deixar uma última nota: talvez seja mesmo necessário gostar-se de conversa fiada para se ser bem sucedido no Tinder. Eu não tenho paciência para longas conversas de engate, mensagens que chegam por pombo-correio, tal é o tempo que esperamos por elas... Prefiro conhecer as pessoas como deve ser, quiçá pessoalmente, se começar a sentir que são boas conversadoras e interessantes, em vez de andar em círculos. Claro que a conversa de engate entretém, mantém uma chama acesa, mas a partir de certo ponto já não me apetece ser o velho esquentador cá de casa - ou se apaga, ou se deixa o lume ir por aí fora. Se gostarem de conversa fiada infinita, sou a primeira a confirmar que se vão divertir imenso. Se forem mais como eu, uma secazinha, acho que se devem dedicar aos jogos de tabuleiro (que, por acaso, já juntaram uma amiga minha ao namorado, por isso é capaz de ser boa ideia).

 

Então, ficamos assim. Estamos conversados? Ainda não?

Em poucas palavras: não há nada como tentar. Encarem o Tinder ou qualquer outra aplicação do género como uma experiência sociológica. Se tiverem um blogue, até podem escrever sobre ela. Se não tiverem, também podem entreter os vossos amigos com as vossas aventuras... ou desventuras (os meus acharam um piadão, vá-se lá saber porquê). Mas não levem o Tinder demasiado a sério. Vão em paz, para saírem em paz. 

 

E o Tinder pode ser o que vocês fizerem dele! Se forem para o regabofe, encontram-no. Se forem para o conto de fadas... não garanto que encontrem o príncipe encantado, mas com alguma sorte ainda sacam uma companhia para o lanche, e toda a gente gosta de comida. 

PERIGO: relações à distância são nocivas à saúde

IMG_25600810_161622.JPG

No outro dia, durante o almoço, a estagiária (de Hong Kong) que está a trabalhar na minha faculdade (em Bangkok) declarou que estava tentada a experimentar uma relação à distância com um rapaz indiano (outro antigo estagiário que já foi para casa). Parece que já se conheciam antes de virem e, enquanto cá estiveram os dois, o "clique" foi óbvio. Ainda assim, não iniciaram nenhuma relação, nem deu tempo para isso.

 

Segundo a minha experiência, provavelmente ela estava à espera que eu lhe dissesse qualquer coisa como "Força nisso! Tu consegues! Vai doer, mas vai valer a pena!".

 

Pois... NÃO!

 

Se puderem evitar relações a distância, evitem. Aliás, fujam delas como o diabo da cruz! Não se metam em aventuras! As relações à distância dão trabalho, dão que pensar, exigem os nossos melhores dias todos os dias e são um grande sacrifício. Estar longe das pessoas de quem gostamos não é a ideia romântica que vemos nos filmes. Na minha opinião, a de quem está deste lado, não é uma coisa "que se tente", desde início, só porque se sente ali um friozinho na barriga.

Se querem arriscar ter uma relação à distância ou encorajar alguém a tentar uma, avaliem a situação. É uma relação à distância desde início (o caso da minha colega estagiária) ou um acaso na vida de duas pessoas que já eram um casal antes? Há um plano ou nem por isso? Como vão ser os encontros? Com que frequência? Onde? Quem vai ter com quem? E a médio prazo, já imaginaram o que vai acontecer? Que sacrifícios estão em cima da mesa? Para quem? Há forma de negociar? E partilham-se as mesmas ideias, objectivos e visões acerca da vida em geral? Há entendimento, não só agora, mas também até daqui a uns tempos?

 

Estas são apenas algumas das questões que coloquei à minha colega e que decidi deixar à vossa consideração. São o mero resultado desta experiência que estou a viver. Só desejo uma relação à distância a quem tiver respostas suficientes. Não pretendo desencorajar ninguém, porque cada caso é um caso, mas não quero que sejam a minha colega, que não tem resposta para nada, não sabe nada, só sabe que "gostaria de tentar, para depois não se arrepender" (palavras dela). Se querem tentar, assegurem as perguntas e as respostas necessárias.

 

E, quando refiro "relações à distância", refiro desde o semestre Erasmus à oportunidade de emprego de sonho sem termo, a milhares de quilómetros. Repito: nada é um filme romântico, no qual é quase certo os protagonistas acabarem num beijo em grande plano.

Seja como for, há que dar graças a todos os santinhos pelas vídeo-chamadas gratuitas.

O amor, os blogues e as fofocas

 

Na semana passada, nesse dia emblemático em que o Benfica, o Papa e o Salvador Sobral deram tantas alegrias a Portugal e aos portugueses, outra surpresa mexeu comigo: umas fotos muito curiosas de dois dos meus blogueiros de eleição, que alegadamente estariam separados/divorciados e em torno dos quais até se tinha gerado um zum zum de admiração, angústia, tristeza, de repente muitos seguidores a comentarem que, assim, até deixariam de acreditar no amor, que eles eram o par perfeito, levantaram-se mãos ao céu (ou emoticons tristes no Instagram)... Enfim, eu fui uma delas. 

A separação desse casal dos blogues teve um impacto bastante grande em mim. Eu serei sempre a primeira a dizer que as aparências iludem e que de amor ninguém percebe quase nada. Para mim, andamos todos ao mesmo: vai-se por tentativa e erro, a ver se os nossos métodos funcionam com os da outra pessoa. Para mim, casais felizes na Internet também podem ser uma farsa ou um retrato dum conto de fadas, porque só quem anda no convento sabe o que lá vai dentro. Raramente me deixo iludir ao ponto de acreditar que é tudo lindo e maravilhoso lá por casa, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, 7 dias por semana.

No entanto... olhem, qualquer coisa mexeu comigo quando soube desta separação. Talvez por eu costumar dizer que há uma tríade de Ricardos na blogosfera que garantem o sucesso de relações - o meu, o dessa blogger e o duma terceira. (Eu sei que é um bocado presunçoso e ligeeeeeiramente tendencioso pensar nestes termos, mas uma pessoa tem de acreditar nalguma coisa.) Talvez por eu passar demasiado tempo na Internet a pensar na vida dos outros (o que não deixa de ser uma possibilidade credível). Talvez eu até me tenha sentido chocada por ter crescido a ver essa relação a desenvolver-se e, sem me ter apercebido, essas pessoas fazerem um bocadinho parte do meu dia-a-dia e da minha concepção do que é o mundo em geral e o sucesso profissional.

Acho que todas estas são opções muito válidas! E sabem porquê? Porque a verdade incontornável é que a Internet permite-nos ter uma relação, maioritariamente unilateral e quiçá falaciosa, com os escritores, produtores de vídeo, jornalistas ou cronistas. É uma relação não correspondida, mas que nos acompanha por anos e anos. Chegamos da escola e lemos o texto mais recente ao lanche, saímos do trabalho e pelo caminho vemos o novo vídeo. Essas pessoas tocam nas nossas vidas de maneiras muito mais permanentes do que certas partes das nossas famílias.

Assim, foi uma enorme alegria ver que esse casal de que estou a falar desde o início passou tempo de qualidade um com o outro, a julgar pelas fotos que mostram no Instagram. Muitos especulam que será uma reconciliação, mas a mim nem é a possível reconciliação que mais me interessa - é o facto de parecerem felizes e em paz enquanto estão juntos. Não interessa se permaneceram amigos ou outra coisa qualquer. Interessa que, no final, há esperança. Pode ter sido um casal a divorciar-se, mas é uma ligação que não morre, mesmo alé dos filhos.

Às vezes, também me pergunto o que aconteceria se eu e o Ricardo nos separássemos (emocionalmente, porque fisicamente a coisa não pode ficar mais aguda). Número um, não me parece provável que aconteça nos próximos tempos. Número dois, nunca se sabe, por isso não custa puxar pela cabeça e colocar hipóteses na mesa. Acho que, no final, o que mais importaria seria declararmos a paz. Se essa paz viesse na forma duma amizade ou dum carinho especial que não se apaga, significatia que a última meia década não teria acontecido em vão.

Noutra nota... Obviamente que, se os sujeitos em questão publicaram as fotos, já estariam à espera do efeito. Muita gente iria comentar e largar a sua posta de pescada. Neste caso, as fofocas são inevitáveis e quem criticar seja quem for por comentar a situação (hummm, como por exemplo, eu) não tem grande estrutura argumentativa para defender a sua causa. Deste lado, ainda temos poder para escolher o que queremos partilhar e o que preferimos omitir da praça pública. Certamente, este casal/ex-casal não terá escolhido partilhar estes desenvolvimentos de forma inocente e desinformada. Assim, toma lá a minha posta, à qual tenho igual direito.

 

Viva a felicidade! Viva o amor! Viva os sururus que mantêm a blogosfera fofoqueira entretida! Viva a gente contente e satisfeita!

Somos todos doutorados em relações à distância

20161219_162952.jpg

Quando decidi vir para o outro lado do mundo, preocupei-me com muita coisa: as saudades de casa, o preço dos vôos, tornar o meu apartamento acolhedor, assegurar meios de subsistência suficientes, mentalizar-me de que estar sozinha não significa estar só, conseguir tratar do visto e da permissão de trabalho - e, dentro desta lista infindável de tarefas físicas e mentais, ainda outra...

Apalpar terreno para uma relação à distância.

 

Dos pedidos de casamento

Quando era mais nova, sempre sonhei em viver momentos de filme, cheios de lamechice, obviamente fruto dos filmes de Hollywood e da Disney: rapaz conhece rapariga, apaixonam-se, ele pede-a em casamento assim de surpresa num local mega especial (ou numa ocasião engraçada), casam-se, têm filhos e vivem felizes para sempre (ou até se divorciarem ou se fartarem um do outro, uma alternativa que sempre tive no meu imaginário, infelizmente).


Pois bem, intrigava-me principalmente a parte do pedido de casamento e a sua simbologia. O homem é que pede: check. Anel de diamantes: check. Mulher admiradíssima aceita: check. Salva de palmas de quem ouve o pedido e respectiva resposta: check. Sinceramente, nunca sequer questionei o facto de ser o homem a pedir a mulher em casamento. Parece que eu vivia num conto de fadas, onde as mulheres trabalham, sim senhor, onde estudam e ganham o seu salário, mas onde esperam que o seu príncipe encantado lhes venha perguntar se lhes dão a sua mãozinha e o pezinho (Cinderela style) em matrimónio.

 

E depois descobri que, na vida real, nem sempre esses pedidos fazem sentido, a menos que estejamos num reality show ou nos EUA. Porque, na vida real, perguntei logo ao meu primeiro arranjinho, nas primeiras semanas, se aquilo era para casar ou não (missão suicida, portanto), o moço disse um sim muito vago e eu, apesar de ligeiramente fascinada por obter feedback, por muito a despachar que fosse, também senti que aquilo não devia dar o pano para mangas como eu queria.

 

Das relações à distância (em regime temporário)

Long-Distance-Relationship-Meme-16.jpg

 

Em princípio, tanto eu quanto o Ricardo vamos passar o Verão, ou grande parte do Verão, no estrangeiro - isto é, em continentes diferentes, cada um no seu. Apesar de o plano dele já estar confirmado, da minha parte ainda aguardo uma resposta final do empregador. Ainda assim, a verdade é que eu estou mesmo com uma grande expectativa de ser aceite. Sei que preencho os requisitos e, pelo menos, a documentação, as três cartas de recomendação que pedi a professores meus e a carta de motivação que escrevi atestam que serei uma boa escolha.
Seja como for, expectativas à parte, já comecei a contar que talvez vá para fora a algumas pessoas do meu círculo de amigos e família. Como a duração do programa ainda é longo, ouço logo uma resposta:
- Coitado do Ricardo!

... com as seguintes variações:
- Coitado do Ricardo! O que é que ele vai fazer sem ti durante esse tempo todo?
- Coitado do Ricardo! Ele não se importa que vás estar fora?
- Coitado do Ricardo! O que é que ele diz sobre tu ires?

Obviamente, somos uma caixinha de surpresas e, em primeiro lugar, os surpreendidos ouvem logo um:
-

 

Para os amantes dos cães, com carinho

É impossível não nos derretermos com esta doçura. Sentimo-nos quase a engolir o nosso próprio coração. Ter um cão é sofrer todas as atrocidades consequentes, como cocós e chichis no meio da cozinha, nos pés dos sofás, restos de água e de baba pelo chão, nunca mais comer uma refeição em paz sem dois olhos fixos em nós e um nariz arrebitado a rasar o prato (principalmente quando comemos no colo com tabuleiros) ou sem um focinho periclitante que nos toca insistentemente no cotovelo (no caso dos cães maiorzinhos, os pequeninos só guincham por atenção)... Sei lá, ter um cão implica limpar muito vomitado de carpetes que nos foram legadas pelos nossos bisavós ou tetravós ou whatever, é apanhar muita carraça e ficar com fobia de pulgas (mesmo depois de lhe pormos coleiras e ampolas e pomadas que tais), é tentarmos dar-lhe banho e apanharmos nós uma banhada, é ficarmos com o coração apertado quando ficam doentes sem saberem muito bem o que lhes está a acontecer...

Enquanto amante de cães, este vídeo tocou-me mesmo cá dentro e eu nem costumo ser assim tãããããão emocional (ok, um bocadinho). Porque tudo o que é pequenino é bonito e querido e porque todos os cães, grandes ou minorcas, me fazem querer adoptá-los com um simples olhar. Sou assim, muito frágil e facilmente manipulável quando estabeleço contacto canino.

Mas haverá alguém por aí que fique indiferente aos muito famosos "olhos de cachorro"?

Ainda não percebi o que têm contra os high school sweethearts

Estava aqui a ler os comentários a esta publicação recente d'A Pipoca Mais Doce, quando me deparo com uns quantos que só começaram a atirar abaixo aqueles que já namoram desde a juventudezinha dos 14, 15, 16 anos e que casaram, têm filhos, são muito felizes... e nem se importam com barriguinhas de conforto que tenham surgido entretanto! Diz até um comentário, que me vejo obrigada a citar (desculpem lá qualquer coisinha):

Quando os anónimos de cima chegarem aos 30,40,50, e começarem a ter curiosidade sobre como será sexo com outras pessoas (ou quando o/a parceiro/a lhes indicar que tem curiosidade, isto, SE os parceiros tiverem dito alguma coisa antes de mijarem fora do penico...), talvez finalmente percebam alguma coisa. Isso do "Não há amor como o primeiro", é conversa para boi dormir, e tanga para evitar que mulheres ganhem experiência "a mais", seja lá o que isso for...

 

Pronto, e só mais um:

É tudo muito lindo até traírem ou serem traídas.. quem só teve uma pessoa acaba por o fazer um dia..

 

Estes são apenas dois dos muuuuitos exemplos de comentários estúpidos, ressabiados, infelizes, frustrados - ou será impressão minha? É que, sinceramente, eu compreendo as pessoas que não querem casar, que não estão para relações e que preferem ter o seu espaço (até uma certa medida, que dá sempre jeito ter alguém para fazer conchinha e para nos aquecer os pés, nem que seja só num enrolanço). Mas não consigo compreender esta gentinha que acha buéda cool andar a saltar de cama em cama, de coração em coração, e depois ainda clama aos céus que dá jeito ter experiência, que é tudo muito melhor do que só ter tido uma pessoa e uma cama na vida, que esses são todos sonsinhos e não sabem o que perdem.

Para que conste, eu só tive uma experiência antes desta que estou a ter agora, e essa foi uma experiência que nem a pessoa nem a cama chegou, que foi assim uma coisa mesmo fraquinha, e sinceramente teria vivido muito bem sem ela (não teria aprendido muitas manhas que conheço hoje em dia, é claro, porque o que não nos mata, engorda-nos). É que há gaijos e gaijas mesmo esturricados da cabeça, não há? Assim mesmo tostadinhos e crocantes (e praticamente a saberem e a cheirarem a queimado).

Namoro desde os 17 anos com o mesmo amor de pessoa, já lá vão quase 3 e - chamem-me ingénua - quero é que continuemos a ser tão felizes quanto somos agora. Sim, é muito cedo para fazer previsões, o futuro não pertence a ninguém e nunca se deve dizer "nunca" nem "para sempre". Obviamente, de vez em quando entramos em choque, temos personalidades antagónicas, não concordamos. No entanto, penso que ambos continuamos a acreditar que, quando as duas partes envolvidas gostam mesmo uma da outra, quando há vontade de manter a coisa num bom caminho, é possível haver uma parceria (sim, as relações são parcerias, só naquela) que se aguente, dure desde os 15 ou desde os 55 anos.

Pelo menos, que essa gentinha parva deixe os outros viver em paz, numa ilusão ou não, mas bem mais satisfeitos do que eles. Até porque não há nada como viver na consciência de que, no final do dia, haverá alguém à nossa espera, nem que seja na cabeça, no coração ou noutros sítios quaisquer - ehehehe.

E não me venham com estatísticas, porque eu também as tenho e os exemplos que me rodeiam diariamente tanto comprovam que o primeiro amor é o melhor, quanto que se for à segunda e à terceira e à quarta há tanta probabilidade de correr bem como se tivesse sido a primeira. (Infelizmente, a maioria dos exemplos que tenho para dar correram mal, em qualquer vez que tenham ocorrido, salvem-se os que correram bem, que eu quero contrariar as tendências.)