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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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Destralhar

Aproveitando duas ocasiões muito propícias para o aumento de motivação para dar um arranjo na casa (digo, o meu estúdio de 29m2), isto é, um novo ano a estrear e a partida de Banguecoque, decidi destralhar à grande.

 

Podem achar que o facto de viver num estúdio há apenas onze meses deveria ser condição suficiente para a inexistência de tralha, mas decerto estarão a subestimar-me. Além de já ter trazido tralha nas três vezes em que fui a Portugal neste ano e meio (livros, na sua maioria) e tralha do outro condomínio onde vivi antes, também sou uma coleccionadora ávida de fotocópias para os meus alunos (teoricamente, não é? Elas acabam por ficar pelas minhas bandas), fotocópias do meu mestrado, talões, recibos, contas que nunca cheguei a organizar como deve ser, contratos de trabalho e da casa e da Internet (e, se tivesse comprado Lord Ennui, também teria os recibos dele, ah ah ah), brochuras de hotéis e monumentos onde já fui, bilhetes de avião, bilhetes de museus e do cinema... you name it! A papelada e a tralha acumulam-se em meu redor como pragas.

 

Portanto, na semana passada pus mãos à obra logo de manhã e comecei por uma caixa. Ao longo da semana, fui pegando noutra e noutra caixa para onde tenho andado a atirar papelada no último ano, recalcando a sua existência.

 

Também já investi na cozinha. Tinha algumas coisas fora da validade, outros pacotes de comida instantânea que, realisticamente, nunca irei consumir (muito má!), fiz um inventário mental do que tenho que possa servir para cozinhar antes de me ir embora, a ver se não desperdiço alimentos nem dinheiro que posso poupar.

 

Antes de regressar a Portugal, destralhar também irá passar por dar ou vender alguma mobília ou objectos utilitários, livros, presentes que, apesar de simpáticos, não vieram acrescentar nada à minha vida.

 

Destralhar deve ser feito regularmente, não como eu o faço - apenas de ano a ano ou por ocasião dum grande evento ou recomeço. Desde que comecei a destralhar e até a seleccionar roupas, livros e electrodomésticos pequenos dos quais já não me vou servir nas próximas três semanas, tenho-me sentido cada vez mais leve.

 

Ainda há um longo caminho a percorrer neste negócio mental de destralhar (deixo este, este não, por que haveria de ficar com este, e não aquele), mas não há nada que não se faça às prestações. Faz bem à alma, faz bem ao ar que se respira em casa, reduz a confusão e o ruído visual. Destralhar é uma prática da qual eu não me deveria esquecer.

A verdade sobre as minhas resoluções de ano novo

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Fogo de artifício no rio Chao Phraya, em Banguecoque. Teve mais piada ao vivo!

 

Para mim, 2018 vai ter de ser muito diferente de 2017. Há tanto por fazer, tanto de bom que já se começa a anunciar, tantas mudanças bruscas, mas produtivas, a aproximar-se. Ainda assim, este ano, inundada pelas resoluções que li nas redes sociais e blogues, decidi contrariar a tendência e deixar as minhas pela rama. Em geral, quero saúde e energia, ânimo para trabalhar, estar com aqueles de quem mais gosto, talvez viajar pela Europa para recuperar estes últimos anos fora. Mais especificamente, escrevi-as para referência pessoal, mas decidi não as partilhar. Surto de superstição, ou de zelo, talvez uma certa vontade de simplesmente as guardar para mim. Seja como for, desejo a todos que as suas missões de ano novo se realizem, desejo-lhes força para as levar a cabo e estado de espírito receptivo à alegria de as cumprir e para desfrutar delas.

 

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Além das palavras para 2018, o meu balanço para o novo ano termina assim.

Obrigada pelos vossos votos aqui, no Instagram e no Facebook. Cá estarei para mais um ciclo de procrastinação em forma de blogue!

"Noël Parfumé, par Beatriz"

Para os mais desinformados que não me acompanham no Facebook...

 

Recebi, ao todo, três perfumes, de entre seis presentes de Natal. 3/6=1/2. Não é preciso ser-se um ás nos números para perceber que metade das minhas prendas diz que eu cheiro mal, mais precisamente 150ml de "eau de toilette", de cujos aromas eu até gostei - mesmo só por acaso, que eu sou daquelas pessoas esquisitinhas que não tolera aromas X e Y e Z - mais 150ml de desodorizante, caso eu insista em ser demasiado humana e transpirar insustentavelmente as minhas estopinhas. No entanto, segundo novas resoluções antecipadas para o ano de 2014, tanta perfumaria há-de me ser útil, porque decidi que vou abandonar o meu modo de vida sedentário de ocupante frequente da biblioteca, da cama ou do sofá e dedicar um par de horas por semana ao ginásio, almejando a uma figura mais esbelta e que não transmita tanto os-meus-músculos-são-os-de-uma-velha-de-90-anos. E, não obstante, cheira-me (ah ah ah, cheira-me) que me sobrará perfume o suficiente para não precisar de tomar banho até à Páscoa.