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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Dez perguntas de gaja a que (ainda) não tenho resposta

1 - Qual é a diferença entre fazer o risco nos olhos com lápis ou com eyeliner?

2 - É normal cair-nos imenso cabelo sempre que o lavamos?

3 - A esteticista tem nojo de nós quando aparecemos todas peludas e pensa mal das nossas pessoas por termos sido badalhocas e nos termos desleixado de tal forma?

4 - É aceitável e frequente faltar-nos a paciência para exterminar a nossa monocelha em insistente crescimento?

5 - Os saltos altos são desconfortáveis por natureza, quem os usa sofre horrores e sacrifícios ou sou só eu que não acerto na marca e na sapataria certas e que, enfimm sou uma anormalóide com pés de homem?

6 - As leggings podem usar-se por baixo de vestidos sem nos deixarem pirosonas?

7 - Os enroladores de pestanas não as enfraquecem?

8 - Aquilo de dizerem que, se fizermos a depilação com cera, obtemos duas semanas sem pêlos, é a mais pura das mentiras - não é?

9 - Os cremes que supostamente retardam o crescimento dos pêlos funcionam ou é só marketing? E não fazem mal à pele?

10 - Uma senhora a sério que se preze não come nem se maquilha nos transportes públicos?

As mulheres e os sapatos

Se há coisa de que as mulheres gostam ainda mais do que de roupa é de sapatos. Um bom par de sapatos é capaz de fazer um par de pés horríveis atingir o nível da beleza absoluta. Dedos encavalitados, fungos, unhas descoladas e encravadas, calosidades, calcanhares secos e ásperos, joanetes... - todas estas imperfeições podem ser facilmente escondidas. Com o quê? Com um bom par de sapatos. 

Contudo, infelizmente, não há quem escape à epidemia dos pés doentiamente massacrados. Esta é uma luta que qualquer mulher, desde muito jovem, tem de aceitar e travar, pois é o seu destino. Chega aos doze, treze, catorze anos - no máximo - e descobre que nem todo o sapatunfo é confortável. Sim, há-de ter saudades dos seus amigos ténis, mas eles não combinam com vestidos de gala, mini-saias e certos calções, não deixam os pés apanharem sol e cheiram mal. Nem são socialmente aceitáveis para toda a mísera ocasião, ponto final! Portanto, a mulher aprende a sacrificar-se pela permanente formosura das suas belas patinhas de princesa (tal como aprendeu a sacrificar-se no momento da depilação, na semana do período e quando tem de parir o raio dos putos que, mais tarde, vai ter de criar, como se não bastasse...).

É ingrata, a vida de uma mulher activa, quando os sapatos não colaboram. Ora magoam atrás, ora magoam à frente, ora raspam aqui e acolá, ora proporcionam bolhas do tamanho de elefantes, ora torcem tornozelos, porque são demasiado altos, porque não são suficientemente altos, porque estão demasiado apertados, porque a sola é rija, é mole, porque as presilhas vincam a pele, porque o dedo grande é arrebitado, porque são do Chinês, porque não são feitos em Portugal, porque a culpa é dos alemães, porque o pai e a mãe não queriam ter uma rapariga, porque nunca teve lições de etiqueta nem de moda.

Os homens não compreendem e riem-se de nós, mulheres devotas ao ofício de lhes agradar (e de suplantarmos qualquer outra criatura do sexo feminino em estilo e classe, verdade seja dita). Se nos descalçamos a meio de uma cerimónia, somos fracas; se nos queixamos, é logo "ai amor, porque compraste esses sapatos, se te ficam a doer os pés?"; se dizemos que temos de cortar as unhas, a ver se a culpa é do excesso de cálcio, devíamos era ter levado umas sabrinas elásticas de reserva. Assim, não dá. Decidam-se, homens e ratos deste planeta! Desejam um mundo cheio de mulheres graciosas (cheias de bolhas e dores... mas graciosas), ou desejam um mundo cheio de peixeiras de chinelo de enfiar no dedo e ténis com aroma a queijo da Serra da Estrela?

 

O segredo é concordarem sempre connosco, dizerem-nos coisas bonitas e consoladoras ("deixa lá, que é por uma boa causa, queres que te leve ao colo até ao carro?"), descomporem o otário que nos pisar enquanto estivermos a dançar descalças e rirem-se connosco quando passamos mais tempo com aqueles sapatos maravilhosos na mão do que com eles nos pés - palavra de mártir, eu mesma!

Também tenho um amigo que demora duas vidas a arranjar-se, por isso não digam que são só as mulheres!


A propósito, nós não vamos à casa-de-banho juntas para ficarmos no mesmo cubículo a ver a outra fazer chichi; nós vamos à casa-de-banho juntas para podermos ir falando umas com as outras, cada uma de seu lado da porta, ok? E eu só tenho UM par de botins de salto alto que só usei uma vez, encontrando-se o resto dos meus sapatos em vias de irem para o lixo, tal é o uso, ou, pelo menos, em estado de contínua degradação. E nós, mulheres ou seres que ascenderão a tal num dia destes, precisamos de malas porque, ao contrário dos homens, usamos calças justas ou saias, ficando feio se se vir ali um telemóvel ou uma carteira a emergirem dos bolsos (ou a pedirem para serem "resgatados" por mãos alheias, além de que nos magoam as pernas); aproveitamos a fundura de algumas malas para despejar, por conveniência, aquilo que os homens não têm nos seus bolsos e hão-de precisar, eventualmente (lenços de papel, por exemplo). Quanto à demora e à picuinhice nas lojas, existem patologias e Patologias, sendo que, pessoalmente, tenho de argumentar que nem todos os seres humanos têm um corpo relativamente quadrado, tendo em vez disso curvas em tudo quanto é sítio, ou falta delas (factor pouco atractivo) pelo que é preciso saber escondê-las meticulosamente ou, pelo contrário, saber exagerá-las, daí os nossos dilemas no que toca a comprar nem que seja uma única peça de roupa. Quanto à síndrome da Primark, juntem o ponto anterior ao facto de nos encontrarmos numa das catedrais comerciais com preços mais baixos, não só em roupa, como igualmente em lingerie, malas, acessórios, maquilhagem, etc, etc.

Mais alguma coisa?