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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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5 coisas de que tenho saudades em Portugal

De facto, não há melhor lição do que esta, quando vivemos longe de Portugal: tomamos tantas coisas por garantidas, mas das quais sofremos horrores com saudades, quando nos afastamos do nosso país.

Esta é a minha lista de coisas de que tenho saudades - em Portugal - aqueles gestos, sítios, objectos, rotinas... Acho que algumas pessoas entenderão o que quero dizer!

 

1. A emoção à flor da pele
Quando estava em Portugal, achava que algumas pessoas eram um pouco hipócritas nos seus actos. Demasiadas fofinhices, demasiada simpatia, demasiado entusiasmo, mas ia-se a ver e era tudo um exagero.
No entanto, agora que estou longe, tenho saudades de abraços, beijinhos de olá e adeus, sentir empatia, sentir um certo conforto nessas palavras, mesmo quando parecem ser ditas em vão. Quem diria que eu viri a ter saudades disto?

 

  

2. A variedade de sabores
A comida tailandesa tem dois sabores: ou sabe a alho, ou sabe a chili. Na minha opinião, a portuguesa tem esses dois e mais uns três milhões. Além disso, para quem gosta de comer carne (tal como eu, apesar de não muita), viver na Tailândia, onde a carne tem sabor a nada, é uma experiência quiçá aborrecida. Valha-nos a variedade de vegetais e a comida de rua tailandesa, para equilibrar o consumo dos sabores dos dois países. Só de pensar em comida portuguesa, já estou aqui a salivar por uma carne de porco à alentejana, um cozido à portuguesa, um bitoque com batatas fritas, um bacalhau com natas, ou pastéis de bacalhau, alheira com ovo... Vocês não me tentem!

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 Num dos dois restaurantes portugueses em Banguecoque, antes de comer uma bela pratada de bacalhau com natas. *feliz*

 

3. Pão e bolos
Sim, também há pão e bolos em Banguecoque, guardem os vossos terrores. O problema é mesmo a falta de pão e bolos "como deve ser" - isto é, com uma textura consistente, com sabor a mais do que mero açúcar refinado. Sim, e o pão também é quase sempre doce e mole por estas bandas! Onde já se viu tal desplante? Já os bolos, desfazem-se em migalhas, sabem todos ao mesmo e não enchem nem um rato. Fazem-me falta pães salgados, rijos, mas fresquinhos, acabados de sair do forno, quentinhos, sem sabor a conservantes. Sinto saudades de bolos que me satisfaçam a gula. Até existem cá em Banguecoque, o problema é o 💰💰. Há uns dias, mandei vir quatro pães... por quinze euros. Haja paciência para o luxo de se ser portuguesa..!

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Nesta foto, ainda me sentia muito impressionada pelo tamanho deste bolo de noiva! Logo depois, disseram-me que nem os bolos de noiva são reais! São só papel e os noivos cortam-nos unicamente para fazer vista!

 

 

4. Saber que, se sair do local X à hora Y, chegarei ao local A à hora B
Confusos? O trânsito de Banguecoque é imprevisível, excepto algumas alturas do dia ou da semana em que já há um padrão óbvio (pelo menos, para quem cá vive há um ano e meio). De resto, basta uma formiga ser atropelada para filas e filas de carros ficarem bloqueadas num raio de dez quilómetros. O trânsito é insuportável e pouco recomendável a cardíacos, ansiosos e claustrofóbicos. É necessária uma dose divina de paciência ou a coragem de chamar um táxi-mota. Por causa de todo este stress do trânsito inesperado e sempre caótico, tenho saudades de Portugal, por pelo menos ser previsível e não ficarmos meia hora dentro do carro para percorrer 5km.

E os transportes públicos??? Senhores, que desgraça! A rede é bastante eficiente fora da hora de ponta (há comboio, skytrain, metro, autocarro, várias linhas até de barco), mas basta chover um bocadinho, ser sexta-feira à noite e as horas de ponta ficam ainda mais insuportáveis ao ponto de tudo parar - e, com isto, até deixar de haver táxis disponíveis. Ficamos eternamente à espera dum comboio que chegará "dentro de 10 minutos".

 

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Atentai nestas caras de desorientação e no mar de gente numa plataforma que, mesmo sendo extensa, fica a parecer minúscula! E até parecemos um bocadinho mais ordenados porque é preciso fazer fila para entrar no comboio.

 

5. Espaços verdes e abertos, ar livre e fresco
Esplanadas, parques, jardins, pracetas, estar à janela. Enquanto escrevo este texto, é Inverno em Banguecoque e está mais ou menos frio (20ºC muito ventosos), mas este não costuma ser o caso. De Fevereiro a Novembro, está sempre abafado, ou a chover, ou o sol é demasiado forte. Em todo o caso, o ar está demasiado poluído para se "apanhar ar fresco". Tenho imensas saudades de me sentar debaixo do sol ameno de Lisboa num final de tarde, a comer um gelado, ou ir almoçar, literalmente, fora. Tenho imensas saudades do meu quintal, com árvores de fruto, um sofá de baloiço, relva, as vozes familiares dos vizinhos ao longe, os cães e os gatos a pedirem mimo, seja Inverno ou Verão. Portugal tem sítios lindos onde ir passear, até Lisboa ou o Porto ainda têm dimensões e população razoáveis que permitem preservar a qualidade de vida. Podemos passear, passar tempo no exterior, desfrutar da Natureza... 

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 Uma foto de há uns dias, da minha rua em Portugal, quando o meu pai foi passear com a nossa cadela. 

 

Finalmente, haverá por aí alguém que também viva no estrangeiro ou que já tenha vivido? O que acrescentariam a esta lista? Tenho a certeza de que poderia ainda mencionar mais uns tópicos, por isso estejam à vontade.

Portugal, chego em menos de um mês!

o que muitos de nós sentimos



" Não aguento, não dá .. estar assim, nesta ânsia
Quero ter-te ao pé de mim, será isso ganância?
Eu não quero dar importancia a esta distância
Só tenho medo de um dia cair na tua ignorância
Sinto que há concordância neste nosso sentimento
Então, agarro-te com força p'ra nao ires com o vento
O "p'ra sempre" nao existe? Desafio aceite, eu tento
Nem tento, contigo eu consigo, nem que pare a porr* do tempo
Dá-me um abraço, eu preciso, dá-me só um sorriso
Dá-me um olhar que traga paz e clareza de espírito
No sentido figurativo, és todo o ar que eu respiro
Verdade é que, sem a tua essência, eu não sobrevivo
Ando fora do juizo, ando à deriva perdido
Tento seguir-me por ti estrela e por todo o teu brilho

Vejo a distância como pedra no meio do nosso destino
Então, apanho-a, atiro-a p'ra longe do meu caminho " [Swagga]

comprido e profundo

   Há já um tempo que me apercebi desta minha insensibilidade emocional. Ninguém me desperta o interesse, ninguém me causa curiosidade. Sinto-me como se não precisasse de conhecer mais ninguém para ser feliz. Estranho, não?


   Antes, qualquer um me cativava e era fácil afeiçoar-me às pessoas. Agora, sou quase bicho-do-mato. Conservo o meu espaço, defendendo-o com unhas e dentes. Não gosto particularmente da situação, quando alguém se afeiçoa demasiado a mim. Das duas uma – ou tento afastar essa pessoa, sem que o perceba, para não a magoar, ou deduzo imediatamente que seja por interesse e fecho-me em copas.


   Talvez eu tenha chegado a um ponto de saturação, depois de me terem magoado vezes sem conta. Fui iludida por muitas pessoas que eu achava serem merecedoras da minha amizade, num regime contínuo e sem tréguas. Era tão ingénua…! Tropecei insistentemente nas mesmas pedras e tanto bati com a cabeça que, subitamente, aprendi a lidar com futuros incidentes da maneira mais extrema. Não foi intencional e foi algo súbito, da noite para o dia, apesar de me ter apercebido gradualmente, durante os últimos tempos.


   No entanto, prefiro que assim seja, do que como era antes, pois, agora, posso considerar-me alguém ponderado. Não quero sofrer outra vez.


   Daqui em diante, quem quer que me queira conquistar, terá de o merecer verdadeiramente, além de ter de dar provas disso. Tenho a noção de que só me deixarei fascinar por pessoas que demonstrem alguma característica única, nem que seja a maneira de sorrir ou o modo como pousam os cotovelos em cima da mesa. Terão de saber lidar comigo. Pode parecer que tenho um feitio fácil, mas admito que as pessoas que me são próximas chegam a perder a cabeça, graças à minha falta de tacto – ainda que inconsciente -, às minhas brincadeiras parvas e às minhas mudanças de humor desprovidas de bom senso, já para não referir a capacidade que possuo para me prender a determinados sentimentos que deviam pertencer ao passado.


   Portanto, peço desculpa a quem tenho afastado, pedindo, também, muito encarecidamente, que não me chamem nem fofinha nem amor, enquanto eu não vos chamar a vocês, e muito menos que disparem gosto muitos de tis, adoro-tes, amo-tes e i love yous, como se fôssemos os melhores amigos desde a creche. (E, na verdade, a minha melhor amiga de há quase onze anos só diz que me adora. Agora, entendam isso como bem vos aprouver.)

peculiar

   Fico ressentida quando não há um olhar sorrateiro ou um adeus prolongado. Cai o Carmo e a Trindade quando algo parece não ter sido dito. Espero eternamente pelo gesto que jamais acontecerá ou pelo momento ideal para mudar algo inalterável, enquanto o tempo vai passando e as oportunidades vão surgindo e fugindo, num jogo inconsistente, insistente e persistente de sentimentos e ressentimentos.


 


   Não é dor. Não dói, não queima, não mata, mas mexe. Porquê? - não sei. Tal incógnita mantém a chama acesa e água alguma a apagará. O vento que fustiga o lume só o ateia contra a lenha, envolvendo as farpas em fogo forte, consumindo a madeira até o último toro se ter tornado cinza.


   Porém, quando durmo ao relento, não tenho frio. Haverá sempre uma brasa incandescente, insistente, persistente que me manterá viva e estará do meu lado, contra todas as geadas de Inverno, tempestades e, até, Eras glaciares. Terei as mãos frias, mas, o coração... esse permanecerá quente.

a ilusão da cinderela

   Foste um possível imprevisto dentro das remotas impossibilidades que eu julgava improváveis de acontecerem. Tiraste-me o chão, deste-me o céu e eu perdi-me. Levantei a cabeça, ergui o coração, ofereci a alma e deitei fora os medos. Não tive receio, enlouqueci, continuo louca, entristecida. Escrevo, escrevo, escrevo. Não sei onde páro. Não sei quando assentar. Não sei decidir.


   Reavi o que perdera. Foi árduo, foi cruel, foi difícil, quando pararia, quando pararia? Pensei ver o fim, mas era só o virar da página - próximo capítulo. Gritei.


   E chorei e recolhi-me num passado anterior, remotamente alcançável, onde não repousava arrependimento, onde a tristeza não chegava e onde ainda sonhava com príncipes encantados. Mas o encanto desvaneceu. A Cinderela rasgou o vestido, enterrou os sapatos na lama e o cabelo voou ao vento. A tiara rachou.


   Acordei da ilusão e desiludi-me. Rompi num pranto de quebrar a alma, discuti com o Diabo e fiz as pazes com Deus. Estava errada, estava errada - quantas vezes não o estivera?


   Tenho saudades do risco que implicava amar sem princípios, de amar imoral e constantemente, permanentemente com o coração nas mãos e as mãos no coração... dele.