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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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sobre a mãe que rebentou com os filhos

   Estou certa de que, com a minha idade, ninguém tem moral para se poder colocar no lugar de uma mãe e julgar o que se segue, mas, enquanto filha, vejo-me no direito de ter uma opinião sobre assuntos deste género.


   Com que então, uma mãe encafuou-se em casa com os dois filhos, prendeu-se a si mais a eles num quarto, encharcou as camas com petróleo e pegou-lhes fogo…? Haverá maneira mais poética e heróica para morrer dignamente do que esta, um incêndio seguidinho de uma explosão violenta? Duvido! A minha parte favorita é aquela em que até os vizinhos ouvem os gritos dos miúdos antes de ir tudo pelos ares. Invejo-lhes essas memórias. Pelo menos, ganharam uma história para contar aos amigos, familiares, psicólogos, psiquiatras…


   Agora, passemos já ao parágrafo em que nos deixamos de ironias e tratamos de um assunto sério com, vejamos, seriedade. Felizmente, nunca conheci uma pessoa que sofresse de depressão profunda, como esta senhora sofria, portanto não poderei comparar o seu caso clínico a outro qualquer. No entanto, tenho a certeza de que uma pessoa que arrasta os filhos para demências suicidas não só sofre de uma depressão profunda como também é louca, e a loucura, para mim, não tem desculpa. Se se queria matar, que se matasse, mas que deixasse os filhos em paz! Sim, eles sofreriam até mais não com a morte da mãe, seria provável que a sua estrutura psicológica fosse atingida para sempre, mas tratam-se de vidas humanas, pelo amor de Deus! (E eu nem gosto de chamar Deus para os meus textos, porque decerto ele tem assuntos mais importantes a tratar por esse Universo fora…!) Estas crianças/jovens de onze e treze anos, uma rapariga e um rapaz, respectivamente, se a memória não me falha, ainda mal tinham tido tempo de experimentar a vida e já a própria mãe lhes pegava fogo! Quanta crueldade!


   E o pai e marido desta gente? Coitado, esse não tardará a seguir atrás deles, a menos que seja bem forte e tenha quem o apoie, quanto mais não seja para chegar Lá ao sítio para onde vão as pessoas depois de morrerem e dar montes de pancada à mulher, que raio de mãe foi ela. As probabilidades de voltar a ter uma existência mais ou menos normal são estoicamente baixas. Os seus níveis de sanidade, depois deste incidente (palavra que omite, involuntariamente, a maior parte da gravidade da situação), poderão nunca mais vir a estabilizar. Já nem falando no resto da família…


   Que há mães realmente estúpidas, egoístas, doidas e inconscientes já eu sabia, ou não fosse eu filha de uma mulher que me abandonou aos anos, mas pelo menos ela não quer saber de mim e vai-se vivendo assim, até bastante bem, dado que um pai que se recusa a cuidar de um filho não é pai coisa nenhuma, ao contrário da mãe destas crianças, que teve sangue frio o suficiente para matar a sua descendência, porque, alegadamente, “não queria que eles viessem a sofrer o que ela sofreu”. Bullshit, já dizem os ingleses.