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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

O tempo em conflito

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Foi da minha relação com o tempo, por vezes conflituosa, que nasceu este blog. Aliás, da minha relação conflituosa com o tempo nasceu tudo o que alguma vez fiz e conquistei, e também tudo aquilo contra o qual luto diariamente – a ansiedade, o pânico, a procrastinação, a impotência, a fraca eficiência, o forte perfeccionismo. A culpa. São muitos os nomes, mas dizem todos o mesmo.

 

Quando tinha 17 ou 18 anos, li um dos únicos livros que me fez pensar que essa minha relação cada vez mais conflituosa com o tempo poderia eventualmente conhecer a paz: How to Be Idle, de Tom Hodgkinson. Continua a ser, na minha cabeça, um dos livros de que mais gostei na vida, mesmo sem nunca ter arranjado coragem para o reler desde então. No entanto, continuo a seguir o trabalho do autor e tenho a certeza: pode haver tempo para tudo, há melhores filosofias sobre a gestão do tempo que eu tenho adoptado durante os meus primeiros anos de vida adulta, sem sequer me aperceber.

 

Sem sequer me aperceber, absorvi o que ensina esse modo de estar, o modo que não condena o prazer e o lazer. Há que fazer o máximo de trabalho, no mínimo de tempo, alcançando os melhores resultados. Não pretendo ser mais rica ou famosa, se isso significar que trabalho mais do que seis ou sete horas por dia, se isso me impede de continuar a estudar e de arranjar mil e um projectos paralelos que tanto me preenchem, se isso me impede de desfrutar duma vida familiar e duma vida social ricas. Não há margem para perfeccionismos, pais e mães de morais pouco generosas.

 

Por outro lado, é também dessa procura de equilíbrio constante que parte o resto do conflito. (A culpa, os hábitos enraizados, a moral partilhada, a sociedade…) Misturo, constante e inevitavelmente, trabalho e lazer. Chego a sentir-me obcecada pela gestão do tempo útil, ora pela produtividade, ora pelos resultados, ora por querer alcançar um El Dorado do nada fazer, essa sensação de despreocupação que raramente desce em mim. Canso-me imenso, desnecessariamente, a ligar e a desligar a ficha. Faz-me falta a fruição e o flow, esses estados de espírito de quem vive leve, mesmo que ocupado, imerso no mundo.

 

Procrastinar também é viver, porque sempre disse que procrastino umas tarefas com outras, umas obrigações com outras, uns passatempos com outros, mas, quase a bater os 25 anos, vejo-me forçada a repensar o significado dessa prática na minha vida neste momento. Já não sou adolescente, começo a ter cada vez mais deveres aos quais não posso fugir, e recuso-me a trabalhar por conta de outrém, pois dificilmente me desabituo ao trabalho por conta própria.

 

E é ao trabalhar por conta própria que ainda mais aprofundo aquele conflito sobre o qual vos contava, ainda que seja aí que também procuro uma solução mais activamente. Costumo brincar com a situação ao dizer “a minha chefe nunca me dá férias” ou “a minha chefe é que manda”, para expressar esta dualidade oscilatória entre sentir-me cheia de liberdade, porque nestas condições posso fazer o que me apetecer, e sentir-me muito responsável, demasiado responsável, pelas minhas finanças, pelo meu negócio, pelas minhas actividades. Sei bem que posso morrer tanto da cura, quanto poderia morrer da doença. Que ética de trabalho? Mas que ética para o resto da vida?

 

Por agora, concluo: está quase tudo relacionado com o vocabulário e a narrativa com os quais descrevo este conflito com o tempo: procrastinar também é viver, relembro. Procrastinar é aceitável, relembro. Viver concretiza-se, no meu contexto pessoal e específico, nas condições que melhor me parecerem.

 

Procrastinar também é viver. Serei a única com mantras aos quais tenho de voltar, uma e outra vez, para voltar a encontrar o meu lugar no mundo? A plasticidade das narrativas pessoais fascina-me (daí interessar-me tanto por psicologia e educação). A reinvenção do que nos define traz poder. Que histórias contamos sobre nós mesmos, a nós mesmos?, perguntam investigadores como James Pennebaker ou escritores como Will Storr. E como é que essas histórias nos descrevem uns aos outros?

 

A minha história confessa que, neste momento, batalha contra o tempo, mas simultaneamente com ele. Afinal, a ansiedade, o pânico, a procrastinação, a impotência, a fraca eficiência, o forte perfeccionismo… tudo isso não pode ocupar a totalidade do meu espectro de atenção disponível. O tempo em conflito pode dar tréguas.

 

(A fotografia deste post foi tirada perto da minha casa, a 18 de Abril de 2020, um dia de céu muito limpo, com a Serra da Arrábida a espreitar lá ao fundo. É em dias de céu limpo que pensamos melhor.)

Lisboa com chuva

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É uma desolação, Lisboa com chuva. Esta cidade que, por norma, se apresenta sempre solarenga, com o céu cor de Tejo... Só apetece hibernar. Quando vivia em Banguecoque, havia meses em que chovia todos os dias, mas raramente me sentia tão vazia e com tão pouca energia quanto me sinto quando chove aqui em Portugal. Ainda por cima, está frio. Felizmente, já me voltei a habituar ao Inverno português, depois de ano e meio quase seguido de Verão eterno. Sinto-me três vezes mais infeliz, ou três vezes menos feliz, quando vejo as calçadas alagadas e as esplanadas vazias. Dá vontade de gritar o quão injusto é ver Lisboa assim. Espero que os santos meteorológicos tenham piedade de mim e do meu desconsolo, ao ver-me debaixo dum céu cinzento e escrava de chapéus-de-chuva.

 

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Vão ver "The Age of Adaline"!

Andam sem ideias de filmes para ver no fim-de-semana? Vão ver The Age of Adaline, vão! Eu já o vi na semana passada, até já tinha escrito um textinho sobre ele, mas perdi-o ao formatar o tablet. É engraçado, porque também soube dele através dum outro blogue.

 

 

Pois então, o que me aconteceu foi ver o trailer no regresso a casa de sexta-feira (a outra que passou) e logo depois do jantar tive de declarar ditdura de televisão cá em casa e pôr toda a família a ver este filme pelo Wareztuga!

Posso ser um pouco suspeita, porque adoro a Blake Lively desde os tempos de Gossip Girl, mas acho que ela tem mesmo ar de menina dos anos 20. E depois, toda a ideia do filme, do fascínio que todos nós temos pelo mistério do tempo e do nevelhecimento... E a trama de amor, e o argumento e o enredo, e... só pelo trailer, ficamos logo com uma ideia do que se trata.

É claro que The Age of Adaline não é um filme todo XPTO, é "apenas" um filme romântico, bonitinho, mas a ideia funciona muito bem, nem que seja só para um sábado à tarde ou à noite, para aquecer o coração.

Fica a sugestão!

 

 

Socorro! Sou demasiado nova para tanta ambição!

Por vezes, esqueço-me que tenho (apenas) 18 anos. Sei lá, acho que já tenho demasiadas responsabilidades para alguém da minha idade ou que já atingi o suficiente para preencher uma vida alheia com tantas experiências. E não digo que toda esta situação seja má, muito pelo contrário - acho-a óptima. Sou tão feliz e tenho tantos projectos e ideias em mente que nunca, mas nunca páro. Estar sempre a mil pode parecer péssimo para algumas pessoas, mas para mim é o recomendável. Cada vez que posso descansar, estranho. Tenho de manter a cabeça ocupada constantemente e ter algo para fazer a todo e qualquer instante, ou fico meia desorientada. Como é que vou coleccionar tantos sonhos numa existência humana tão curta??? A única coisa de que jamais abdicarei serão as minhas sete horas e meia de sono por dia; aos fins-de-semana, têm de ser nove. Raramente bebo café e vou ao ginásio. Só tenho saudades de escrever mais sobre um tema à minha escolha, aqui no blogue ou noutro sítio qualquer, só por escrever. Cada coisa a seu tempo, não é verdade? 

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem - mas o meu tempo parece ter mais tempo do que o vosso, just sayin'...

Um dia, hei-de entender como é que há pessoas que são capazes de abdicar de uma boa noite de sono porque precisam de estudar ou de fazer trabalhos, e que, por vezes, se afogam em café e bebidas energéticas para manterem a concentração. Encharcam-se neles, assim sem mais nem menos.

Portanto, ou o meu curso é muito fácil, ou eu sou pouco exigente, ou os outros é que estão em cursos destinados a formar pequenos génios, ou eles é que têm objectivos muito elevados. Porque a probabilidade de eu dormir menos do que seis horas e meia por noite para pôr os assuntos da faculdade em ordem é praticamente nula – e isto está a ser escrito pela pior gestora de tempo que poderão conhecer, que se distrai constantemente! Nem enquanto tive de trabalhar e estudar em simultâneo me permiti cometer tal atrocidade para com o meu cérebro.

Sabem… é que o meu cérebro precisa realmente que eu durma, senão põe-se a fazer birra e faz com que eu ande, involuntariamente, a dormir durante o dia aquilo que me recusei dormir à noite. Basta não dormir, pelo menos, sete horas por noite, para que ele me chague a paciência e me condene a comportar-me como um zombie até lhe fazer a vontade.

O meu método é ir dormir o mais cedo possível. A partir das oito da noite, principalmente depois do jantar, a minha mioleira fica dormente e qualquer actividade que implique um esforço mínimo da sua parte é rejeitada. Fico em branco. A partir dessa hora, até a Casa dos Segredos se torna um programa altamente problemático de acompanhar. Deste modo, chego a adormecer constantemente antes de o telejornal acabar, nem que seja no sofá.

Na manhã seguinte, levanto-me cedo. São raras as ocasiões em que acordo depois das oito ou nove horas. Até ao almoço, os meus recursos intelectualóides encontram-se no pico da sua actividade, fazendo deste período do dia o mais propício para estudar ou para fazer trabalhos. Assim, resta-me fazer revisões e ir às aulas à tarde, dormir à noite e… acabou-se! Em suma, prefiro dormir e ter notas menos boas, do que não dormir e ter… - esqueçam, eu nunca teria boas notas sem dormir!

Ora, tenho sabido de imensa gente, entre amigos e conhecidos, que é capaz de fazer directas, como se permanecer uma noite em claro fosse algo completamente normal e absolutamente aceitável! Credo, minha rica sanidade! Apesar de regadinhas com cafeína a litros e outros estimulantes para isto e para aquilo, como é que estas criaturas serão capazes de enfrentar as aulas e, até, a vida social??? Digam-me, gente… Como? Se eu já me vejo grega, troiana, romana, banana, para sair da cama com oito descansadas horas de sono, pergunto-me qual será o segredo de quem nem de metade usufrui. Está bem, raramente bebo café, nunca gostei de outras bebidas que não fossem refrigerantes e néctares sem gás e o único suplemento vitamínico que tomo é para fortalecer o cabelo e as unhas, maaaaaas… Vá lá, mesmo quando ataco um ou dois cappuccinos duma vez, acabo inevitavelmente a cair para o lado antes das onze da noite!

Assim sendo, expliquem-me, criaturas que estudam seja o que for e que não se importam de não dormir o que o vosso corpo pede que durmam, por que é que vocêses têm tanta falta de tempo, apesar de parecerem todos tão organizadinhos? De quem é a culpa? Vossa? Dos bichos de mil-cabeças que são os vossos cursos? Da pressão dos vossos pais, da pressão dos professores, da pressão da sociedade e do mercado de trabalho? Agradecia esclarecimentos, porque começo a pensar que sou a única universitária a não estudar mais de três horas por dia e a manter os seus hobbies mediocremente em activo, sem precisar de abdicar de um satisfatório horário de descanso.