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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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O choque, o drama, o horror: apaguei o Tinder

 

Venho por este meio terminar, oficialmente, a saga tinderesca levada a cabo por esta vossa cara amiga nas últimas semanas. Acabou, apaguei o Tinder ao fim de mês e meio. Já deu para procrastinar imenso, deu para conhecer outras facetas da raça humana, o estudo foi profícuo e agora já chega. Acabou a brincadeira. Muitos de vós previram este marco na minha vida, o fim da minha paciência nesta nobilíssima rede social, e eis que estavam todos certos (dah, óbvio que estavam).

 

Eu não fui talhada para o engate, sou uma moça - relativamente - séria. Não me deixo convencer facilmente. Sou um público difícil. Não me impressiono, sou picuinhas, não gosto de loiros, não gosto de chungas, não gosto de artistas, não gosto de quem escreve com erros ortográficos, não me vejo a sair com estrangeiros, não tenho queda para meninos; ainda por cima, também tenho uma certa mania de que sou esperta q.b. e mais ou menos fofinha, então... Ok, so you're Brad Pitt, como diz a Shania Twain. That don't impress me much. 

 

À semelhança do que já referi por aqui, quase, quase nenhuma das minhas histórias fizeram História. Não me irei alongar muito mais sobre o assunto, mas vou já tratar de vos apresentar sucintamente algumas das minhas conclusões.

 

Cá vai disto. A curto prazo, é quase impossível encontrar grandes matches. É preciso ter-se a aplicação activa e ir-se fazendo swipes durante algum tempo, senão deixa de haver perfis disponíveis à nossa volta. Eu devo ter tido sorte de principiante quando instalei a aplicação, mas quando a voltei a usar, umas semanas depois, já se tinha tornado mais difícil fazer match, ou mesmo encontrar perfis que me convencessem minimamente a dar um like. Por isso, tentem usar o Tinder duma forma desportiva, experimental, e logo se vê. 

 

Quanto às expectativas que possam ter... Há de tudo no Tinder. Falo do que me compete, volto a sublinhar - rapazes/homens dos 22 aos 29, à volta de Lisboa - por isso deixo as restantes faixas etárias, orientações sexuais e localizações para quem conseguir escrever sobre o assunto. Assim sendo, não me parece que toda esta gente no Tinder esteja à procura dum amigo da cama, não me parece que só exista esse tipo de engate, mas - surpresa! - não se admirem se não encontrarem o amor duma vida ao virar da foto. Em geral, parece-me que a maioria deve estar lá para o mesmo que eu estive: para ver, experimentar, não morrer ignorante e dar uma oportunidade a uma forma menos tradicional de travar novos conhecimentos, quando a vida profissional/académica não nos permite sair dos mesmos círculos sociais. Pelo menos, serve para dinamizarmos a nossa vida social. Ficar parados é que não!

 

Contudo, não digo que não haja surpresas, porque as há. Eu tive uma certa quota de surpresa e, graças a isso, já posso dizer que saio desta aventura com saldo positivo, que é tudo o que me interessava e interessa. Uma vitória!!! FESTA! Já ouvi muitas histórias negativas contadas por algumas amigas e posso considerar-me uma sortuda. 

 

Em geral, gostaria de vos deixar uma última nota: talvez seja mesmo necessário gostar-se de conversa fiada para se ser bem sucedido no Tinder. Eu não tenho paciência para longas conversas de engate, mensagens que chegam por pombo-correio, tal é o tempo que esperamos por elas... Prefiro conhecer as pessoas como deve ser, quiçá pessoalmente, se começar a sentir que são boas conversadoras e interessantes, em vez de andar em círculos. Claro que a conversa de engate entretém, mantém uma chama acesa, mas a partir de certo ponto já não me apetece ser o velho esquentador cá de casa - ou se apaga, ou se deixa o lume ir por aí fora. Se gostarem de conversa fiada infinita, sou a primeira a confirmar que se vão divertir imenso. Se forem mais como eu, uma secazinha, acho que se devem dedicar aos jogos de tabuleiro (que, por acaso, já juntaram uma amiga minha ao namorado, por isso é capaz de ser boa ideia).

 

Então, ficamos assim. Estamos conversados? Ainda não?

Em poucas palavras: não há nada como tentar. Encarem o Tinder ou qualquer outra aplicação do género como uma experiência sociológica. Se tiverem um blogue, até podem escrever sobre ela. Se não tiverem, também podem entreter os vossos amigos com as vossas aventuras... ou desventuras (os meus acharam um piadão, vá-se lá saber porquê). Mas não levem o Tinder demasiado a sério. Vão em paz, para saírem em paz. 

 

E o Tinder pode ser o que vocês fizerem dele! Se forem para o regabofe, encontram-no. Se forem para o conto de fadas... não garanto que encontrem o príncipe encantado, mas com alguma sorte ainda sacam uma companhia para o lanche, e toda a gente gosta de comida. 

As maiores falhas dos jovens portugueses no engate do Tinder

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Cá estou eu de volta para mais desenvolvimentos na minha investigação estritamente académica sobre o assunto "Tinder"! Contudo, temo que este seja um dos últimos capítulos, por isso aproveitem enquanto dura.

 

Eu não sei o que é que anda na cabeça de certas pessoas, mas alguns dos jovens portugueses presentes no engate do Tinder devem ter lá dentro... cocó. Só pode. Bem, não digo cocó, mas por vezes é difícil acreditar que será um cérebro o conteúdo em destaque. Lembram-se do que eu escrevi aqui, sobre os "As 16 piores opções para engate no Tinder"? Este é o capítulo seguinte.

Vejamos... Aqui seguem os erros mais comuns dos jovens portugueses (homens) no Tinder, mais ou menos entre os 22 e os 30 anos.

 

1. Põem uma foto. Uma. 

Caríssimas meninas, alguma vez sonharam encontrar o príncipe encantado recorrendo à estratégia do "amor à primeira vista"? Neste caso, apresento-vos a estratégia "amor à primeira (e única) foto". Sem mais nada. Com sorte, o nome e a idade. E, ainda por cima, vão ter de decidir se vale a pena apostar no João, 25, julgando apenas uma cara igual a todas as outras por trás duns óculos escuros do chinês.

 

2. Não escrevem nada na descrição

Palavras para quê? O João, 25, que até é bem giro de óculos escuros e tem bons dentes, decidiu que aquela segunda foto ao lado duma prancha de surf diria tudo o que é necessário para que o mulherio se passasse da cabeça e o contemplasse com uns swipes gostosos. Para boa entendedora, duas fotos pixelizadas bastam. 

Aliás, este é um excelente indicador do esforço que o moço poderá vir a empreender num futuro conhecimento pessoal.

 

3. Escrevem apenas a altura na descrição

"1,83m 😉" Parece piada, mas não. O João, 25, além de ficar bem de óculos escuros, ter bons dentes e ter feito uma aula trial de surf na Costa da Caparica, é assim a atirar para o alto. Dá jeito saber, caso nos apeteça comprar-lhe uma pecinha de roupa a tempo do primeiro encontro.

Como é óbvio, estou ciente de que o Tinder é uma plataforma de engate de todos os tipos e que nem toda a gente anda à procura do próximo Mr. Husband. No entanto, a ter de ir para a cama com alguém, não magoava saber se prefere sushi ou pizza. A altura pode ser um indicador eficiente para outras medidas (se a regra da proporcionalidade existir, if you know what I mean), mas... calma.

 

4. Açacinam a língua portuguesa 

Mas nem tudo está perdido, porque, pelo menos, ficamos a saber que o João, 25, é impilhador de caixas no Continente da Quinta do Conde, e que gosta de sair para comer fêberas.

 

5. Falta de criatividade

Bem, bem, felizmente ainda temos o Manuel, 26, para nos consolar. Tem quatro fotos (duas de corpo inteiro e duas com o palminho de cara visível), diz que quer conhecer pessoas novas, gosta de festivais de música e até aguenta serões de comédias românticas.
Então, o Manuel decide encetar conversa connosco.
"Olá, td bem? 😋"
É isto.

(Esta publicação foi escrita de manhã; à tarde, já tinha recebido um "Olá" - sim, ainda há quem consiga mostrar menos criatividade, entusiasmo, interese...)

 

6. Morrem para a conversa

Mas nós damos uma chance ao Manuel, porque ele não foi mau de todo e disse olá. Trocamos umas linhas de conversa promissora, uns "ahaha" e uns emoji pelo meio, nós pensamos que não deve estar a correr muito mal e, do nada, o Manuel deixa de responder. Puft, gone with the wind, mas sem fazer unmatch.

 

7. Não correspondem, falta-lhes uma dose de bom senso

Vamos a ver, ainda temos o Filipe, 28, com quem conseguimos trocar mais de seis frases. Ele até demonstra que leu a nossa descrição, estudou o caso. Contudo, sem aviso prévio, o Filipe pergunta "então, e o que é fazes mais, sem ser ligar a essas coisas chatas dos livros?" Perante este cenário, uma pessoa dá a entender que não vai dar. Ele desculpa-se, que é um rapaz mais prático, das engenharias, estão a ver?

 

Vade retro.

 

8. Fazem match e não comunicam

Na última semana e meia, fiz match com mais ou menos 14 itens (ahahaha, itens): um deles o amor anterior (eu avisei que isto poderia acontecer, o pessoal bate mal da mioleira e depois anda a picar-se), com dois comecei eu a conversa, outros quatro começaram eles, e os restantes... Zero. Fizemos match e agora está tudo às moscas. Assim não vamos a lado nenhum, amigos! Nem um olá, como disse o outro? A probabilidade não deveria ser que, no mínimo, 50% da iniciativa devesse partir do outro lado?

 

Desta forma, dou por encerrada este lavar de roupa suja tinderesca... por hoje. Provavelmente, para sempre, porque estou a um saltinho de eliminar esta pouca vergonha - não pelos princípios da rede social, mas sim por causa de quem lá encontramos... ou não encontramos, nem que seja porque, quem vale a pena conhecer, já não deve precisar de andar em redes sociais deste género.

 

Nota: tudo o que deixei aqui registado aconteceu-me mesmo, verdade-verdadinha, mas as personagens são compósitas e os meus comentários, frequentemente, ácidos.


Além disso, calma, garanto que já houve uma estatística positiva. Uma, que não foi infeliz, por isso continuo a acreditar que vale a pena tentar por um bocadinho (mas não por demasiado tempo, depois concluímos que o mercado está saturado, ponto final). Quem não arrisca não petisca, não se perde nada, gente solteira que está a pousar os olhinhos nestas palavras! Toca a andar, tudo a instalar o Tinder para proceder a estudos académicos da mais elevada seriedade! 

As 16 piores opções para engate no Tinder

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Depois duma investigação académica muito profunda e cientificamente ética (neste caso, cerca de duas horas acumuladas a fazer swipe left e swipe right) apresento-vos as piores opções para engate no Tinder, num raio de 30 km a partir dos subúrbios de Lisboa. Este estudo baseia-se numa pesquisa de carácter meramente experimental, mas o catálogo já é extenso. No entanto, fica já a nota de que, no Tinder como no mundo, há homens para todos os gostos  (e mulheres, provavelmente, mas deixo essa investigação para um futuro próximo e para quem de respeito).

 

Preparadas, mulheres heterossexuais solteiras e/ou malandras deste país, principalmente da margem Sul de Lisboa? Querem saber as pérolas que vos esperam? Aqui vai a minha colectânea.

 

1. O que está a fumar ganza na foto de perfil
2. O que tem a mãe na foto de perfil
3. O que mostra as maminhas
4. O desfocado
5. O artista com barba de três meses e cabelo salteado em óleo Fula
6. O teu ex-namorado
7. O "🍺🍻"
9. O que tem os amigos todos na foto de perfil, não se percebendo de quem é a conta
10. O que tem a melhor amiga/namorada/ex-namorada na foto de perfil
11. O que tem uma criança na foto de perfil
12. O que mostra o carro
13. O que só tem selfies em close-up
14. O machão-mitra
15. O que avisa logo que só quer nudes
16. O amigo solteiro que tu mesma convenceste a ir para o Tinder e com quem fazes match só pela piada de enviarem piropos e piadas porcas um ao outro 

 

E, como nas cartas do Pokémon ou nos cromos do Lidl, se tiverem itens para troca, deixem registado na caixa de comentários.