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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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5 coisas que aprendi a trabalhar por conta própria

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Eu sei que há muitas pessoas que prezam horários de trabalho fixos, apenas da hora X à hora Y. Gostam de entrar no trabalho sempre à mesma hora, sair e bater com a porta, não pensar em nada que fique dentro do escritório. Eu não sou assim. Prefiro trabalhar por conta própria, a título individual, mesmo que tenha de fazer alguns sacrifícios.

 

No entanto, desde que o comecei a fazer há uns meses que tenho aprendido que trabalhar a título individual, trabalhar por conta própria ou em freelance tem as suas peculiaridades.

 

Aqui segue uma lista de algumas das coisas que tenho aprendido sobre este regime de trabalho, que fui reunindo nos últimos tempos!

 

1. Não há horários fixos semanais, não há folgas, não há fins-de-semana... a menos que os criemos!

Quando há trabalho, há trabalho. Esta é a lição que mais me custou aprender. Posso desde já dizer que não tenho um dia completamente livre há cerca dum mês, mas que, entretanto, decidi bater com a mão na mesa e começar a impor-me algum descanso. A saúde vem primeiro, tanto a física quanto a mental. Ter uma manhã ou uma tarde livre é bom; no entanto, não serve para muito, quando muitas das vezes até temos assuntos pessoais para tratar, pessoas que precisam da nossa ajuda, um recado qualquer para fazer... Muitas das vezes, o trabalho aparece a meio do dia e até corta o ritmo do descanso, por muito que nos tentemos abstrair. 

Por isso, esta semana estabeleci que vou ter o feriado e o Domingo sem trabalho. Há quem aguente muito tempo sem um dia inteiro para espairecer, mas eu já estou a atingir o meu nível de ruptura. Mesmo que os restantes dias sejam mais ocupados, há que fazer escolhas. Se há clientes, se há aulas para dar... terão de esperar, terão de se cingir ao horário que lhes apresento. Considero indispensável criar estes limites, não só para com os outros, mas também para connosco, nós mesmos.

 

2. É muito fácil nunca dizer "não" ao trabalho que nos é dado

Uma das características do trabalho em freelance ou por conta própria é a instabilidade. Para mim, ela pode ser aproveitada de forma positiva (detesto manter rotinas por mais do que umas semanas, adoro desafios e conhecer ou estar com pessoas novas), só que há sempre o risco eminente de se tornar uma fonte de insegurança - por exemplo, insegurança financeira.

É difícil dizer "não" a trabalho que me dêem, por ter noção de que tenho de aproveitar enquanto ele existe. Duma semana para a outra, posso ficar um montante equivalente no rendimento. Ou pode acontecer algum imprevisto doutro lado. Por isso, tento aceitar todo o trabalho que surja, porque "nunca se sabe". E, depois... regressamos ao ponto #1! 

Quaisquer que sejam os benefícios mais imediatos, estabelecer limites e horários de trabalho diário e semanal é indispensável. Tenho tentado impor isto à forma como lido com o meu trabalho. Às vezes, nem tem de ver com a quantidade, mas sim com a intensidade e o esforço mental e físico. Puxar a corda invisível da nossa resistências, vezes sem conta, pode não beneficiar todas as partes da nossa vida. Se não é por nós que decidimos parar, que seja pelos outros, por aqueles que nos rodeiam e se preocupam e querem/precisam de passar tempo connosco.

 

3. Se formos bons no que fazemos, há feedback positivo imediato na forma de recomendação (em inglês, word of mouth)

Gosto muito de trabalhar desta forma, porque estou em contacto directo com muitas pessoas, possibilitando uma interacção próxima e uma partilha de pensamentos e opiniões imediata. Se gostarem do meu trabalho, é-me dito na hora e consigo assistir a reacções ao vivo. Além disso, se formos bons no que fazemos, se as pessoas com quem trabalhamos (alunos, no meu caso) ficarem satisfeitas, irão contá-lo aos amigos ou conhecidos, registar uma boa avaliação se for a nível digital, promover o nosso trabalho duma ou doutra maneira. Poderão até começar a criar redes e recomendações em cadeia (já me aconteceu!). A palavra será passada, trabalho puxa trabalho. 

 

4. Desafios constantes são necessários

É fácil acomodarmo-nos, quando não temos estímulos externos que nos vão empurrando para o próximo degrau (uma reunião a aproximar-se, um chefe ou supervisor, uma mãe, uma avaliação profissional ou escolar, uma oportunidade de promoção em vista). Desta forma, ao trabalhar por conta própria, podemos cair na tentação de apenas fazer o que já é seguro e cujos resultados já conhecemos. No entanto, não é assim que entramos num ciclo vicioso, pouco saudável e motivador? Não digo que nos tenhamos sempre de desafiar a nível profissional, mas então não devemos encontrar outras fontes de desafio, como um novo passatempo? Ou apenas trabalhar num local diferente dos dias anteriores? Ou trocar ideias, marcar um lanche, com alguém que também queira partilhar as suas ideias - por exemplo, outro freelancer, mesmo que doutra área? Estas são algumas das minhas sugestões para manter a sanidade inteira e a criatividade a fluir.

 

5. Trabalhar como freelancer pode ser solitário, mas não estamos sozinhos

Pessoalmente, este aspecto não me afecta tanto. Afinal, uma professora, ainda que por conta própria, precisa de alunos, e os alunos são pessoas. Passo quase todo o dia acompanhada, pessoalmente ou à distância. No entanto, é importante destacá-lo - se não fosse este o meu caso, se eu apenas trabalhasse à frente do computador ou ao telemóvel, sei que esta seria uma vida mais solitária. Há muita gente nestas condições, cada vez mais, à medida que o trabalho remoto se torna um fenómeno mais frequente. Felizmente, temos espaços recentes de co-working, o que poderá atenuar o isolamento de quem trabalha sozinho. Trabalhar por conta própria não tem de ser "a partir de casa", pode ser a partir de sítios onde outros se juntem a fazer o mesmo (por exemplo, procurem em grupos de Facebook outros freelancers/nómadas digitais que se reúnam informalmente em cafés!). 

A nível pessoal, à falta dos colegas de trabalho tradicionais, há que manter relações fortes após o fim do dia. Podem ser relações mais superficiais, de circunstância ou próximas, que nos assegurem a ideia de que, mesmo que trabalhemos sozinhos, continuamos a estar rodeados de pessoas que não nos deixam ficar sós.

 

***

Por fim, gostaria de deixar uma "porta" aberta aos restantes trabalhadores por conta própria ou em título individual: o que aprenderam com a vossa rotina? E que dicas deixam aos mais inexperientes? Partilhem tudo isto na caixa de comentários!

Com o que se parece um desgosto?

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Duma forma estranhamente masoquista, mas acima de tudo curiosa acerca da condição humana e das emoções, sempre me interroguei com o que se assemelharia um desgosto - não daqueles de criança ou adolescente, não um sentimento vão; um desgosto adulto, com proporções significativas e consequências reais. 

 

Entretanto, esse tipo de desgosto não tardou. Ou não tardaram. Foram logo vários, uns a seguir aos outros. E eu só sei que foram realmente desgostos porque, de facto, nunca tinha sentido nada assim na vida (que ainda não é longa, apesar de tudo). 

 

Com o que se parece um desgosto? Ironicamente, não se parece com muito. É uma mistura de tudo e não é nada. Os meus deixaram-me apenas a ausência de qualquer coisa que lá estava antes, deixando de estar. Ao mesmo tempo, há desapontamento, desorientação, desamparo, desequilíbrio, des-tudo. No apogeu dessa série de desapontamentos, pensei que talvez se pudessem comparar com um ovo: um ovo que andou a ser carregado por uma quantidade razoável de tempo, circulou por caminhos diversos, dum lado para o outro, passeou até por algumas mãos, depositaram-se expectativas naquele pequeno peso, mas alguém ou alguma circunstância fê-lo cair, apenas para se descobrir que, partido, não tinha nada lá dentro. 

 

E depois? Fica a casca, picada, pisada, incompleta, a desmanchar-se nas mãos de quem o tenha apanhado. 

Porque a nossa vida também é um projecto contínuo

Há qualquer coisa de mágico na criação dum novo projecto (ou vários). Pessoalmente, tenho sempre a cabeça a trabalhar a mil, por isso ideias não me faltam. Na maioria das vezes, falta-me mais o investimento de tempo, paciência e dedicação para os fazer acontecer. Por isso, para 2018, já tinha decidido criar qualquer coisa nova (ou várias, lá está). Felizmente, trabalho online e em freelance, tenho um horário flexível, diverso a cada semana que passa. Não tenho quase nada que me prenda geograficamente, pelo menos por períodos curtos de tempo. Ter vivido muito tempo num sítio que, feitas as contas, me cortou mais as pernas do que me concedeu asas tem-me feito pensar no quão reprimida andava. Criativa, pessoal, profissionalmente. Decidi que, pelo menos aos 22, não quero um emprego das 9 às 18, de segunda a sexta. Quero ter oportunidade para explorar. Quero desafios diversos, insistir em formação extra para adquirir novos conhecimentos e contactos, descobrir novos interesses e aprofundar os que já cá estão. Quero conhecer pessoas que me motivem e inspirem. Por agora, ser feliz resume-se a isto: liberdade criativa, liberdade geográfica, ausência de compromissos a longo prazo. É altura de procurar a tal magia.

 

Bom fim-de-semana! 

 

O que eu não mudaria em 2017

Que ano turbulento. Costuma-se dizer que, quanto maior é a subida, maior é a queda, mas 2017 foi uma série de escadarias, e rampas, e trampolins, para cima e para baixo.

Felizmente, há muita coisa que eu não mudaria.

 

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Não mudaria ter ido viver para outro condomínio. Poupei imenso dinheiro nesta renda duma unidade mais pequena e nos subúrbios, onde consegui encontrar silêncio, risos de criança no jardim, espaço verde e de lazer com fartura. O condomínio no centro de Banguecoque era glamoroso, tinha uma vista de tirar o fôlego a qualquer um, mas as baratas e o barulho estavam a tirar-me do sério. Além disso, era demasiado grande para uma pessoa só.

 

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Não mudaria o quanto trabalhei este ano - tanto enquanto professora, como também enquanto estudante. Custou, mas teve frutos, deu-me experiência, fiquei com calo, testei-me, recebi palavras de reconhecimento e respeito dos meus alunos, dos meus colegas, da minha chefe, fiquei com uma média quase perfeita no mestrado (apesar de incompleto). Os meus alunos escreveram-me mensagens de carinho, ajudaram-me a melhorar, pediram-me para ficar nas minhas turmas até ao momento em que lhes disse que este foi o meu último semestre. Os meus colegas cumprimentam-me efusivamente nos corredores, raramente sinto más energias na minha direcção, fiz amigos (mais ou menos, vá). A minha chefe reconhece o que faço, incluiu-me até num projecto de extrema importância desde 2016 e que culminará em 2018, quando poderia ter pedido a outra pessoa qualquer com mais experiência para a ajudar. Tudo isto é gratificante.

 

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Não mudaria o que trabalhei em quantidade e intensidade, tendo em vista ganhar mais do que o meu salário base. Consegui rendimentos decentes no final de cada mês, que me permitiram proporcionar férias inesquecíveis à minha família, cada vez que me visitaram, principalmente a minha avó, que esteve cá quase dois meses - as primeiras férias em dezoito anos, desde que eu fui lá para casa para ela me criar! Também pude dar-me a pequenos luxos, como adoptar um gato e comer em bons restaurantes.

 

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Não mudaria nada do que tentei dar à minha família. Ao ajudá-los a ter estas experiências, senti que consegui arranjar uma bela desculpa para os arrancar do ciclo de muitos anos negativos e cheios de sacrifício. Sei que estas visitas à Tailândia, mesmo quando curtas, tiveram resultados muito positivos e lhes trouxeram uma forma renovada de ver a vida. Além disso, o orgulho que sentem por mim irradiou ainda mais quando me visitaram.

 

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Não mudaria o quanto protegi o meu namoro de energias negativas, o quão firmes fomos os dois com esta dinâmica de relação a longa distância, o facto de termos feito tudo encaixar e funcionar até este momento, depois de oito meses sem nos vermos e mais dum ano sem realmente convivermos no mesmo espaço sem interferências do jet lag ou agendas familiares apertadas. Não mudaria o facto de ter investido nesta relação como sendo a única aposta viável para uma vida feliz e como a imagino, e de ter insistido que teria de ser mesmo assim.

 

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Em suma, não mudaria o esforço que investi em continuar a ser optimista. Ser feliz nem sempre é fácil e facilmente nos esquecemos de como estar satisfeitos com o que temos. Estou feliz por ter tido a oportunidade de viver no estrangeiro, estou feliz por me ter desenrascado como pude e quase sempre com sentido de humor e uma certa alegria! Esforcei-me muito para acabar este ano com saldo positivo, estou mesmo feliz por estar a acabar, para que novos desafios possam aparecer.

 

Fica um agradecimento eterno no ar a todos os meus amigos, família, namorado, professores, conhecidos e toda, toda a gente que me trouxe sorrisos e com quem partilhei neuras nestes doze meses.

 

Sob sugestão duma ideia da Cláudia (já não me lembro em que post), penso que a minha palavra para 2017 tenha sido "trabalho", sem me ter apercebido. Para 2018, que palavra escolherei?

Fotos de dias felizes ♥

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A decoração natalícia antes da festa de ano novo da faculdade. Fofa!!! 

 

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Os amigos das aventuras e dos fatos coloridos (Vietnamita, palhaço internacional e tailandesa). 

 

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Um dos mil abraços da melhor chefe do mundo (posso levá-la para Portugal? Por favor?). 

 

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Todos a cantarem em honra do ano novo. 

 

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Em destaque como gueixa que faz playback de músicas marotas - na festa da universidade. Para o que os meus colegas me empurram... Mas valeu a pena, porque, seis horas depois, ainda estou a receber mensagens de gente que se divertiu a ver-me/nos.

 

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No final da performance. Muitos risos, ai ai. 

 

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A fatiota toda. 

 

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Alguns colegas que participaram.

 

Porque há dias maus, outros mais ou menos, outros bons e outros óptimos! Obviamente, dias seguidos com festas de Natal e ano novo têm um lugar especial na minha lista de preferências! 

A pior situação que pode acontecer no local de trabalho

A pior situação que pode acontecer no local de trabalho não é sermos despedidos nem despromovidos.

 

Quando temos de trabalhar em equipa, é muito importante ter uma relação positiva com os nossos colegas, seja enquanto estudantes ou empregados duma qualquer instituição ou empresa.
Quando trabalhamos com pessoas de quem, à partida, gostamos, acabamos quase sempre por baixar a guarda e essa relação profissional vaza para a vida pessoal, tornando-se uma espécie de amizade. Talvez até fiquemos, realmente, amigos.

 

Na minha opinião, a pior situação que pode acontecer no local de trabalho é essas relações poderem desintegrar-se sem aviso prévio, passando de extremamente frutuosas (quase até o motivo pelo qual chegamos a horas, aguentamos ficar a trabalhar depois da hora, dar o litro naquele projecto) para extremamente nocivas.

 

Às vezes, é difícil lembrarmo-nos de que, do outro lado, há outros seres humanos, com muitas qualidades, mas também muitas falhas. Quando nos esquecemos que essas falhas podem existir, elevamos as nossas expectativas. O bom passa a ser óptimo. A pior situação que pode acontecer no local de trabalho é percebermos que essas mesmas pessoas podem passar de bestiais a bestas sem mais nem menos.

 

Talvez não as conheçamos o suficiente. Talvez seja mesmo assim que as relações interpessoais são. O problema é que, ao acontecerem num ambiente profissional, podem não só minar uma relação pessoal, mas também colocar em risco o trabalho a ser desenvolvido.

 

Solução ou forma de evitar esse problema? Não há. A vida é mesmo assim. Poderemos, porventura, armar uma muralha à nossa volta, mas isso pode prevenir, de igual forma, relações saudáveis.

 

Basta-nos ter paciência, seguir em frente e tentar separar as águas sempre que possível. Obviamente, essa vontade terá de partir da outra parte, mas pelo menos nós ficaremos dê consciência tranquila e teremos esperança que o dia de amanhã corra ligeiramente melhor.

Será fácil arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura?

Em Junho, fez um ano que terminei a licenciatura. Depois dum estágio, comecei a trabalhar em Outubro. Como sabem, calhou-me na rifa um emprego longínquo, mas aqui fica a minha opinião acerca das oportunidades de trabalho em Portugal depois da licenciatura.

 

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O grande panorama

Em primeiro lugar, todos sabemos que o mercado de trabalho em Portugal se encontra saturado, não só de licenciados, desta ou doutra área, mas de todos os domínios profissionais ou diferentes níveis de qualificação e educação. Ainda assim, eu acho que o panorama não é assim tão negro para recém-licenciados que procuram o seu primeiro trabalho.


Estudei Letras. Línguas, literatura, cultura, artes, política, filosofia. Estudei de tudo um pouco na minha licenciatura, tive a sorte de aprender imenso, mas a verdade é que as licenciaturas abrangentes costumam ser vistas como "aquelas que não dão para nada". No entanto, sei que muitos dos meus colegas conseguiram arranjar emprego em Portugal nos meses seguintes ao fim do curso. Aposto que não terão sido os seus empregos de sonho, mas conseguiram.

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A importância dos estágios (curriculares e extra-curriculares)

Existe este mito de que "os empregadores não olham para as notas", por isso aqui vai alguma desmistificação.
Hoje em dia, em Portugal, é indispensável participar num estágio ou numa experiência extra-académica. Um estágio permite-nos obter o conhecimento e prática que, na maioria das vezes, não obtemos pela via escolar. Quanto mais cedo o fizermos, melhor. Sempre que quis arranjar trabalho, mesmo que temporário, enquanto estudava, os estágios permitiram-me, no mínimo, mostrar que era responsável e que me encontrava motivada para trabalhar, pôr as mãos na massa. Além disso, ajudam-nos a decidir se gostamos de trabalhar em determinada área profissional. 

Quão relevantes são as médias finais de curso?

E lá está: as notas. Frequentemente, estes estágios de que vos falava, incluindo o estágio que me trouxe à Tailândia, são promovidos ou organizados pelas instituições onde estudamos. Adivinhem para onde é que vão olhar, a que aspecto vão dar importância imediata? É isso, a nota. Sem experiência profissional anterior, a média da licenciatura acaba por ser determinante para certos recrutadores.

 

Uma licenciatura é suficiente?

 Obviamente que, na hora de sermos contratados, a nota média final de curso não é suficiente. Arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura parece-me ter em conta outros aspectos. A nota é uma grande parte do bolo, a que devemos acrescentar formação profissional paralela, workshops, conferências, os estágios, programas de intercâmbio, trabalho voluntário, portfólio, prémios, cartas de recomendação, diplomas e certificados vários... Eu sei que esta lista pode parecer assustadoramente extensa, mas os três anos de licenciatura servem para muito mais do que estudar, ir às reuniões com os professores, ir à praxe, às festas, aos convívios... E muitas destas experiências duram menos dum dia de trabalho! Se tentarmos explorar duas por ano, teremos mais seis motivos para apresentar a um potencial empregador, convencendo-o de que somos as escolha certa.

 

Está bem, mas afinal o que é que mais importa para encontrar emprego depois da licenciatura?

Diferenciarmo-nos. Mostrarmos que não somos apenas um número.
Costumam ser admitidos cerca de 60 alunos à licenciatura em Ciências da Cultura na FLUL (agora com o título de Estudos de Cultura e Comunicação). Talvez 50 cheguem a terminar a licenciatura.
Foi desses 50 colegas que eu sempre me tentei diferenciar, porque eles seriam mais 50 pessoas, fora os licenciados doutros anos, com quem eu teria de competir no mercado de trabalho, se ninguém fizesse mais nada senão o próprio curso.
E há licenciaturas em que entram 200 candidatos anualmente!

Somando tudo, acabei por elaborar um perfil pessoal e profissional durante os três anos da licenciatura, com o objectivo de me demarcar doutras pessoas. Licenciatura + nota + proficiência em línguas + certificados + formação + estágios + intercâmbios + competências consequentemente adquiridas = combinação única. Não quer dizer que o meu perfil é melhor ou pior do que o doutro colega meu, mas, pelo menos, é diferente.

 

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Resumindo e concluindo
Encontrar trabalho em Portugal, depois da licenciatura ou de qualquer outro nível de estudos, não tem de ser sempre uma tarefa titânica. Pode ser, sim, o resultado dum esforço contínuo para encontrarmos interesses apenas nossos, criarmos o nosso "eu" pós-universidade continuamente e perseguirmos novas ideias e projectos para o futuro, mais ou menos longínquo, em Portugal ou no estrangeiro. Claro que tudo isto parece mais fácil assim escrito do que feito, mas espero, pelo menos, convencer-vos a serem um pouco mais optimistas acerca do vosso (possível) percurso universitário.

PERIGO: relações à distância são nocivas à saúde

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No outro dia, durante o almoço, a estagiária (de Hong Kong) que está a trabalhar na minha faculdade (em Bangkok) declarou que estava tentada a experimentar uma relação à distância com um rapaz indiano (outro antigo estagiário que já foi para casa). Parece que já se conheciam antes de virem e, enquanto cá estiveram os dois, o "clique" foi óbvio. Ainda assim, não iniciaram nenhuma relação, nem deu tempo para isso.

 

Segundo a minha experiência, provavelmente ela estava à espera que eu lhe dissesse qualquer coisa como "Força nisso! Tu consegues! Vai doer, mas vai valer a pena!".

 

Pois... NÃO!

 

Se puderem evitar relações a distância, evitem. Aliás, fujam delas como o diabo da cruz! Não se metam em aventuras! As relações à distância dão trabalho, dão que pensar, exigem os nossos melhores dias todos os dias e são um grande sacrifício. Estar longe das pessoas de quem gostamos não é a ideia romântica que vemos nos filmes. Na minha opinião, a de quem está deste lado, não é uma coisa "que se tente", desde início, só porque se sente ali um friozinho na barriga.

Se querem arriscar ter uma relação à distância ou encorajar alguém a tentar uma, avaliem a situação. É uma relação à distância desde início (o caso da minha colega estagiária) ou um acaso na vida de duas pessoas que já eram um casal antes? Há um plano ou nem por isso? Como vão ser os encontros? Com que frequência? Onde? Quem vai ter com quem? E a médio prazo, já imaginaram o que vai acontecer? Que sacrifícios estão em cima da mesa? Para quem? Há forma de negociar? E partilham-se as mesmas ideias, objectivos e visões acerca da vida em geral? Há entendimento, não só agora, mas também até daqui a uns tempos?

 

Estas são apenas algumas das questões que coloquei à minha colega e que decidi deixar à vossa consideração. São o mero resultado desta experiência que estou a viver. Só desejo uma relação à distância a quem tiver respostas suficientes. Não pretendo desencorajar ninguém, porque cada caso é um caso, mas não quero que sejam a minha colega, que não tem resposta para nada, não sabe nada, só sabe que "gostaria de tentar, para depois não se arrepender" (palavras dela). Se querem tentar, assegurem as perguntas e as respostas necessárias.

 

E, quando refiro "relações à distância", refiro desde o semestre Erasmus à oportunidade de emprego de sonho sem termo, a milhares de quilómetros. Repito: nada é um filme romântico, no qual é quase certo os protagonistas acabarem num beijo em grande plano.

Seja como for, há que dar graças a todos os santinhos pelas vídeo-chamadas gratuitas.

Tenho uma foto profissional

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Ontem, entrei na sala de conferências. Ia ter uma reunião geral com todos os professores e restantes profissionais da faculdade, acerca do que se tem feito e irá ser feito neste semestre que começa na segunda-feira. Entrei. Fui apanhada de surpresa, como todas as restantes pessoas: suit up, vamos lá tirar uma foto para o site da faculdade, toca a vestir o casaco dum fato dois tamanhos acima do meu, com o logótipo da universidade, ... ainda bem que tinha lavado o cabelo de manhã, usado o secador XPTO que comprei há duas semanas, vestido uma blusa branca, escolhido os melhores brincos, guardado um batom na mala, maquilhado o visage, estreado as lentes de contacto verdes, desinchado a bochecha dos dentes do siso arrancados.

 

Fiquei gira, mas respeitável. E, espero eu, sem parecer mais nova do que os meus alunos. 'Tá qualidade LinkedIn, não 'tá? 

 

Emigrar = desistir de Portugal?

Quando me propuseram ficar definitivamente a trabalhar em Bangkok, tive muitos momentos de dúvida que, obviamente, continuam a aparecer-me de vez em quando. O contexto: ao regressar a Portugal em Setembro, teria a possibilidade de frequentar um dos melhores mestrados da Europa, numa universidade de referência, possivelmente conseguiria até assegurar alguma bolsa de mérito, continuaria a dar explicações ou arranjaria trabalho (até já tinha tido uma proposta no fim do segundo ano de licenciatura, mas na altura não conseguiria conjugar estudos e actividade profissional e a relação salário-esforço não era relevante o suficiente), teria a minha base familiar sólida, o meu namorado e os amigos que guardo há largos anos, uma das minhas amigas vai ter um bebé e eu iria com certeza acompanhar a gravidez dela de perto, continuaria a viver na minha zona de conforto, debaixo da asa da avó, no meu quarto cor-de-rosa e cheio de tralha, numa casa de dois andares com quintal, onde continuaria a brincar com os meus cães e gatos sempre que me apetecesse.

No que toca às oportunidades que Portugal me proporcionou, tenho a dizer que poucas foram. Pessoalmente, recebi a bolsa de estudo da DGES por dois anos. A minha bolsa de mérito foi-me sempre atribuída durante os três anos de licenciatura por uma associação privada. A bolsa de mérito da DGES nunca chegou e ainda estou à espera dos três anos que me devem. Idém, para a bolsa de melhor finalista atribuída pela Caixa Geral de Depósitos. Tenho apenas a sublinhar que, não fossem os professores excelentes que tive e que representam Portugal e a função pública, ainda menos aspectos positivos teria para enumerar. Não me sinto amargurada por ter tido sempre que trabalhar ao longo dos últimos anos para pagar a faculdade, mas a verdade é que o sentimento com que me identifico é que fui eu que trilhei o meu caminho sem grande ajuda dessa grande entidade chamada "Portugal".

Portanto, quando me falaram pela primeira vez a trabalhar em Bangkok, logo na minha primeira semana na Tailândia, eu fiquei confusa. Obviamente que adoro Portugal, o sol de Lisboa, a minha casa fora dos centros urbanos, as pessoas que me rodeiam, ouvir a minha língua todos os dias. Mas, caramba, quando surgiu a oferta de trabalho concreta em Bangkok, fiquei sem desculpas para não aceitar. Apenas 12 horas de trabalho lectivo obrigatório, fora horas extraordinárias pagas devidamente, um salário irrecusável para alguém da minha idade numa cidade tão acessível quanto Bangkok, a possibilidade de continuar os meus estudos em simultâneo, montes de pessoas a apoiarem a minha candidatura e com quem estabeleci uma relação extremamente carinhosa desde o primeiro dia (incluindo a melhor chefe de sempre) e... o meu trabalho de sonho e que eu não pensava conseguir nos próximos cinco a dez anos - ser professora numa universidade.

Como pode uma pessoa lembrar-se dessa miragem linda e maravilhosa, solarenga, quente, emocionalmente segura que é Portugal, quando lhe oferecem estas condições todas?

Não, nem eu desisti de Portugal nem Portugal desistiu de mim. A Tailândia foi simplesmente mais rápida, pelo menos por agora. Sou um caso que provavelmente seria bem sucedido em Lisboa ou Bangkok, mas que pendeu mais para um lado do que para outro. É como terem a possibilidade de comprarem uma casa no local dos vossos sonhos mas que demora imenso tempo a fazer, ou uma casa que vai ter de ficar noutro terreno, mas que já está pronta e até traz um sistema de fornecimento de energia solar.

Emigrar, ou ir estudar para outro país, pode não ser apenas sobre desistir do nosso. Hoje em dia, acho que a nova geração se considera cidadã do mundo e que pertence, ou pode vir a pertencer, a muitos sítios diferentes. Infelizmente, a ideia principal a que eu quero chegar com todas estas linhas de texto é Portugal não está a ser rápido do suficiente para a mão-de-obra qualificada que educa e forma. Mais rapidamente esta mão-de-obra é arrebatada para outros sítios. Nem sequer falo de mim neste exemplo específico (eu nem tive tempo de estar em Portugal à espera, por isso nem posso imaginar o que um jovem formado e frustrado deve sentir), mas ouve-se falar de cada vez mais jovens formados que acabam por emigrar, porque mais fácil e rapidamente são valorizados do lado de fora.

Não chega os Velhos do Restelo andarem para aí a apregoar que nós desistimos do país sem mais nem menos, que somos uns cobardes, desistimos rapidamente... Amigos, tentem romper assim com a vossa vida como os emigrantes fazem para ver o que é bom para a tosse.

Os tempos do elevado patriotismo já lá vão. Esta é mais a era chamada "o patriotismo não paga contas nem nos providencia a realização de objectivos e sonhos pessoais ou profissionais". Se gosto do meu país? Claro que sim, adoro Portugal. Se gosto mais da Tailândia? Não necessariamente. Estou cheia de saudades do céu sem nuvens ou poluição, dos enchidos, dos pastéis de bacalhau, dos rissóis e das pizzas do supermercado a 1,50€, mas a Tailândia concretizou-me uma data de objectivos a todos os níveis duma assentada, as pessoas são doces e genuínas aqui, o trânsito é caótico mas estranhamente seguro, a rede de transportes públicos é eficiente, tenho o meu próprio apartamento com uma vista esplêndida para o centro da cidade, a roupa é muito mais barata, as ruas estão cheias de gente de noite e de dia, há vida a passar-se. Se me mandassem para cá a minha família, o meu namorado e os meus amigos e me assegurassem que poderia realmente ficar na Tailândia para o resto da minha vida como professora e a ser aumentada todos os anos (o que acontece com os professores efectivos da função pública), teria muita dificuldade em recusar.

 

Para mim, emigrar ou ir viver para outro país não significa desistir de Portugal. Antes significa não desistir de mim e dos meus projectos.