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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

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Três conselhos para alunos de Letras

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Na semana passada, recebi um e-mail dum futuro aluno da minha licenciatura (Ciências da Cultura, na FLUL, que agora se chama Estudos de Cultura e Comunicação). Nesse e-mail, o remetente pedia-me conselhos para quem começa agora esse percurso universitário, o que me despertou sentimentos ambivalentes.

 

Por um lado, parece extremamente irreal pedir apenas um conselho, como se dele dependessem os três anos seguintes, e tendo eu escrito tanto sobre o assunto no blog (a ver tags como "universidade", "estudar", "faculdade" ou "flul", ainda que correndo o risco de lerem o que já escrevi há vários anos e com o qual já não me identifico). Por outro lado, não foi há muito tempo que estava eu nesse lugar, que para mim foi tão feliz e cheio de esperança. Entrar para a universidade foi dos momentos mais felizes da minha vida. Por um conselho ou dois, se soubesse para onde e para quem enviar e-mails, eu tê-lo-ia feito.

 

Por isso, aqui nos encontramos, neste texto. Decidi lembrar-me da miúda que era, dos meus colegas, do nervoso que migrava para o estômago, do entusiasmo, da expectativa. Quis ajudar, aproveitando ao mesmo tempo para fazer um balanço ao fim de sete anos desde a minha primeira aula.

 

Portanto, não sabendo mais nada sobre o remetente do tal e-mail, além do nome e licenciatura, partilho convosco não um, não dois, mas três conselhos especialmente dirigidos a quem entra ou está em Estudos de Cultura e Comunicação na FLUL (aplicáveis a outros cursos de Letras, como Línguas, Literaturas e Culturas). Que sejam boas sugestões intemporais para quem tiver paciência para os ler!

 

1. Ler tanto quanto possível é o mais importante

Para se tirar um qualquer curso em Letras, é preciso gostar-se de ler. Não basta “gostar-se de estudar umas coisas”. Nem sempre ler vai ser uma actividade prazerosa ou de lazer nos próximos anos, mas é importante ler todos os dias, em quantidade e variedade. Por isso, também é essencial saber o que ler, onde encontrar o que se quer ler e como selecionar informação. Se passei os três anos de licenciatura sem ter propriamente “estudado”, tal só foi possível porque senti sempre que ia apenas lendo, tirando notas quando sentia essa necessidade, cultivando e saciando a minha curiosidade.

 

Os materiais que os professores fornecem nas bibliografias e nas antologias são óptimos para quem quer apenas saber o essencial ou por onde pode "começar". No entanto, há sempre temas sobre os quais queremos saber mais, e mais, e mais. Se encontrarmos um interesse específico em cada cadeira, conseguimos aprender muito melhor o que há para aprender, e as nossas relações com os professores e notas acabam por reflecti-lo - principalmente dado que muitas cadeiras têm como elemento de avaliação final um trabalho com tema à escolha ou negociado com o professor.

 

2. Saber escrever, para bem pensar e bem falar

Se noutra qualquer instituição de ensino superior é obrigatório saber escrever, numa faculdade de letras é pecado não saber fazê-lo correctamente e com destreza. O primeiro passo é saber pontuar um texto. O segundo passo é utilizar as palavras certas. O terceiro deve ser organizar as ideias. A maior parte dos elementos de avaliação são entregues em formato escrito e nenhum professor da universidade vai estar disponível para ensinar o que deveria ter ficado sabido no ensino secundário. Não me interpretem mal: tive professores maravilhosos na FLUL, e os maus de que me lembro contam-se pelos dedos duma mão. Mas quem entra numa faculdade de letras tem a obrigação de saber ao que vai e ter uma preparação melhor nesse sentido, não necessariamente da escola, mas acima de tudo por interesse pessoal.

 

A propósito do ensino secundário, a verdade é que é inevitável sentirmos que estamos a dar um salto maior do que a perna, quando passamos do 12º ano para o 1º ano de licenciatura. Neste mundo da universidade, geralmente os professores já não nos querem tratar por “tu”, nem podem baixar a fasquia. É o mundo dos “crescidos” e já não há quem nos dê o desconto.

 

Seja como for, bem escrever resulta em bem falar e em bem pensar - três em linha, e é isso que se quer.

 

3. Aproveitar todas as oportunidades

Com certeza que quem se candidata a cursos de Humanidades ou Ciências Sociais já terá ouvido a sua dose de “e isso dá para o quê?”, ou outras variações do enredo novelístico “vais ficar desempregado para o resto da vida, e agora?!”.

 

Confio que já terei escrito muitas linhas sobre isto durante os últimos anos e mantenho a minha palavra: vamos todos ficar no desemprego se não nos mexermos e esperarmos que, acabadinhos de sair da última aula do curso, nos vá cair uma proposta de trabalho no colo. Não interessa se nos licenciamos em Estudos de Cultura e Comunicação, em Direito, em Gestão, em Arquitectura ou em Engenharia do Ambiente.

 

É preciso fazer pelo menos um pedacinho mais do que o mínimo indispensável, como tirar outro tipo de formação profissional, fazer um intercâmbio europeu (mesmo que de curta duração), fazer parte da comissão do curso ou da Associação de Estudantes, fazer um estágio (mesmo que em part-part-part-time, num centro de estudos), um programa Erasmus ou um Almeida Garrett, arranjar trabalho durante o Verão ou conciliando com as aulas… You name it!

 

A minha experiência pessoal também dita que, se não tivesse feito um pouco de todas essas coisas, não teria realmente vivido ou aprendido muito, além de ter enfiado a cabeça nos livros, antologias e fotocópias.

 

Não se deixem intimidar pelos comentários alheios. Se tiverem gosto pelo que estudam, vão viver três anos inesquecíveis de crescimento. E não, uma licenciatura numa universidade não é um curso profissional: não se aprende realmente a fazer "algo", mas a pensar (sugestão: o discurso This is Water, de David Foster Wallace).

 

Espero que as Letras vos façam tão felizes quanto me fizeram (fazem) a mim!

Razões para adorar a Wikipédia

 

Para bom aprendedor, uma enciclopédia online basta... para começar, é claro. Já lá vão os tempos em que, na escola, me fartava de ouvir a lengalenga "ai de quem for à Wikipédia...!" Alguns anos depois, gostaria de voltar atrás e assegurar à minha versão mais nova que consultar a Wikipédia não é pecado. Pelo contrário, é um recurso a valorizar na aprendizagem, e não apenas uma fonte de informação condensada sobre os ídolos da adolescência. Há muitas razões para adorar a Wikipédia, e aqui partilho algumas.


Por causa da má fama da Wikipédia, adquirida à conta da função "copiar/colar", acredito que ainda haja muitas pessoas com uma mina de conhecimento por descobrir. Talvez fosse importante promover nas um bom uso das ferramentas e da informação disponibilizadas pela Internet, incluindo o bom uso duma enciclopédia criada em comunidade.


A Internet apresenta-nos informação infinita e, por isso, de difícil selecção. Se antigamente o acesso a livros e a outros documentos escritos, o espaço físico que ocupam e o seu preço constituíam possíveis entraves à consulta gratuita, imediata e sistematizada de informação em constante necessidade de actualização, hoje em dia já os podemos contornar. O novo desafio é encontrar fontes de informação fidedigna e organizada, para leigos e principiantes. Para mim, a Wikipédia tem sido indispensável nesse sentido. Desde a história de acontecimentos e monumentos, até à pesquisa de conceitos científicos, passando por biografias e resumos de obras, a Wikipédia abre mundos inexplorados.


Não, a Wikipédia não substitui as fontes de informação originais ou a fruição de livros, filmes ou séries (não conta dizer que se leu o que não se leu, ou que se viu o que não se viu, só porque lemos a sinopse na Internet). Não, a Wikipédia não serve todos os propósitos, nem é sempre a melhor fonte de informação para tudo. Mesmo assim, fornece referências para outras fontes, indica-nos por onde podemos começar a nossa aprendizagem e sintetiza os mais variados temas. Numa leitura, aprendemos e até ganhamos motivação para aprender mais sobre assuntos que nos interessam e sobre os quais provavelmente não voltaríamos a ler doutro modo.


Para curiosos e autodidactas, o acesso facilitado a uma enciclopédia actualizada é um trunfo dos tempos modernos que não deve ser desperdiçado. Eu que o diga: nos últimos anos tenho-me interessado por tantos temas, de áreas de estudo tão diferentes, que a Wikipédia tem servido para me contextualizar e começar por algum lado. E o nosso mundo encontra-se em expansão: para o exercício duma cidadania responsável, cada vez se torna mais importante estarmos a par do que se passa, não só no nosso bairro, como em todas as partes do globo.


Acredito que haja muito mais razões para adorar a Wikipédia, e adorava conseguir desconstruir o estigma cultivado pelos professores do secundário, temerosos das nossas competências de plágio. E acredito que se deva, antes, apostar no ensino de bons valores e da utilização das ferramentas disponíveis. Não há motivos para não se gostar duma enciclopédia que tão bem democratiza o acesso ao conhecimento.

O trabalho, o tempo, a produtividade e o capital (entre outros)

Quando decidi estudar Línguas e Humanidades na escola secundária, ouvi muitas vezes a ameaça-feita-pergunta "que emprego é que vais ter? Professora?" seguida de sugestões de cursos muito mais proveitosos, como ir para Economia e depois tirar Finanças ou Gestão na universidade, tornar-me solicitadora ou vir a trabalhar numa multinacional tipo Deloitte e ganhar dinheiro (muiiito dinheiro, pelo menos mais dinheiro do que se me tornasse, Deus nos livre, professora).

 

A ditadura do capital e da produtividade esteve presente na minha vida desde cedo. Sempre que expressava as minhas inclinações mais criativas, literárias e artísticas, era incentivada, mas não se isso me impedisse, por exemplo, de seguir Direito, ou mesmo Antropologia, as últimas tentativas de argumento do meu pai. "Porque são disciplinas com nome, não são uma coisa inventada", como quem quer dizer que ficariam bem num currículo.

 

Felizmente, arranjei sempre maneira de fazer valer a minha licenciatura com cheirinho a artes liberais, o meu interesse pelas letras, a minha paixão pela escrita, a minha recusa veemente em ter a cabeça a prémio no jogo da empregabilidade. Apesar de o objectivo inicial ter sido o jornalismo, em breve percebi que a profecia alheia era mesmo uma das minhas paixões: aos 21 anos, fiz-me professora sem dramas ou espinhas, porque, acima de tudo, fui proactiva, fui esforçada, trabalhei,  estagiei e fiz formação profissional durante a licenciatura, e tive boas notas que me puseram um pé na porta nalgumas situações.

 

Desde a infância, a geração dos millennials ouve a ladainha "é pelo teu bem" ou "é pelo teu futuro". A matriz cristã católica está bem enraizada nestas crenças, porque sofrer e fazer sacrifícios só pode ser igual a obter a salvação, ou sucesso. É isso que interessa. Claro que todos os pais querem o melhor para os filhos, mas por que tem de ser este "o melhor" que conseguem imaginar?

 

Hoje, estou em paz por ter decidido não carregar nenhuma cruz. Pessoas felizes são bem-sucedidas e rodeiam-se de pessoas bem-sucedidas - seja lá o que isso do sucesso possa significar.

 

Para mim, sucesso é ocupar-me do que me faz sentir útil e apreciada, não é ganhar montes de dinheiro, mas sim ter tempo, saúde mental e oportunidades de crescimento constante. Tive-o no meu primeiro e único emprego como leitora numa universidade em Banguecoque; quando voltei para Portugal, sempre soube que só o conseguiria nos meus termos se criasse o meu próprio emprego.

 

E assim foi. Não há dinheiro que pague o tempo que tenho para continuar sempre a estudar, a fazer trabalho criativo paralelo, coleccionar projectos profissionais simultâneos e decidir quando tenho férias (na verdade, acabo por ter menos dias de férias, mas isso é porque também posso ter meios dias de trabalho e outras regalias). Tudo isto, sem ter um esgotamento.

 

Para mim, ter sucesso é ter tempo para pensar, experimentar e criar - ou simplesmente não ser produtiva. É ter tempo para estar com as pessoas que amo, conhecer novos sítios, ler, escrever, passear.

 

A ditadura da produtividade é a melhor amiga da ditadura do capital, como se o ser humano só se concretizasse plenamente pelo seu volume de trabalho. E o que é esse trabalho? Muitas vezes, nada muito edificante, como contribuir para o fluxo de burocracia e entropia já existente. Parecer ocupado é o que mais interessa na sociedade que preza a produtividade, não é ocuparmo-nos de algo significativo.

 

Fica mal dizer-se outra coisa que não "tenho estado tão ocupada, que mal consigo respirar". Mais uma vez, temos de provar e alimentar o sacrifício diário. Claro que há pessoas ocupadas, eu mesma também passo por períodos mais cheios de trabalho (como nos próximos meses), mas estar ocupada é diferente de me fazer parecer ocupada.

 

Esta é apenas uma reflexão sobre o modo como vemos o mundo do trabalho. Gostava que as próximas gerações, ou mesmo quem se candidata este ano ao ensino profissional e superior, pudesse ver o seu futuro activo além dos títulos, das horas de trabalho, do prestígio e do dinheiro. Aviso-vos de coração: tenho amigos e colegas mais velhos que passaram anos e anos a trabalhar em indústrias e sectores que não lhes acrescentavam nada à vida, e que, chegados a uma certa idade, acabaram por repensar as suas prioridades, escolhendo o que deveria ter sido sempre escolhido: ser feliz e realizado.

 

Claro que o dinheiro é imprescindível: o bem-estar material precisa de estar minimamente assegurado para que outros objectivos surjam. Claro que o prestígio é importante, desde que seja aquele que nos motiva e permite continuar a evoluir.

 

Ainda assim, acredito que apareçam ambos na quantidade necessária como consequência de um sentimento de plenitude e preenchimento, de espírito de missão de que nos imbuímos quando descobrimos a profissão (ou profissões, ou ocupações) que nos fazem sentir que estamos a contribuir para o mundo da melhor forma, aquela que nos compete e melhor se ajusta, de acordo com os nossos interesses e talentos.

 

É com estas cores que vejo o mundo aos 25. Não digo que jamais mude de ideias, mas não custa ser idealista por um bocadinho.

 

***

 

A ler: How to Do Nothing, Jenny Odell

20 para 2020: acima de tudo, amor, conhecimento e livros

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Já estamos no quarto dia do ano e eu não escrevo no blog há vinte e sete. Regressei, mas não sem uma certa culpa de abandonar a prática da escrita, e do reconhecimento de quem gosta de ler o que se publica por aqui.

Recomecemos.

 

No ano passado, escrevi e disseminei por aí a lista "19 para 2019", ideia que pedi emprestada à Gretchen Rubin. Antes de 2019 terminar, cedi à curiosidade de a revisitar. Foi assim que concluí: excedi-me de formas que nunca imaginei. Claro que a maioria dos pontos relacionados com livros jamais teriam condições para ser concretizados, em doze meses tão ocupados e repletos de reviravoltas. Tive tantas decisões para tomar; doze meses que pensei que não teria energia nem engenho para transformar, mas afinal doze meses em que aconteceu o suficiente para valerem por trinta e seis. Jamais teria tempo para levar a cabo tanta leitura, porque jamais imaginei metade do que acabou por fazer parte de 2019.

 

Dito isto, 2019 foi o ano em que tive como nunca - e em que deixei de me preocupar com - impostor syndrome, porque fui eu que fiz acontecer tudo o que aconteceu e quem fez um esforço por conhecer as pessoas que conheci, por isso vamos lá deixar-nos de tretas! (Momento reservado para uma pequena dança da vitória desta que vos escreve.) Se me tivessem dito em Janeiro que iria abandonar o segundo mestrado, começar um terceiro, ter o meu local de trabalho, ir ao ginásio religiosamente todas as quartas-feiras, tirar quase dez formações, viajar com a minha cara-metade e fazer não só novas amizades, como também liderar um grupo de escrita... eu diria que era mentira, porque não é possível fazer isso tudo em 365 dias.

 

Além disso, destaco esta ideia: foram as pessoas as grandes culpadas do balanço positivo, apesar da minha narrativa pessoal se basear na crença de que sou um bocado bicho. Pela positiva, destaco duas pessoas (sem prejuízo para todas as outras, como a minha família e a família do João, a Inês, a Daniela, o Carlos, a Joana e o Rui). No início do ano, conheci a Elisa. A Elisa (que migrou ontem para os Blogs do Sapo) também se surpreende bastante quando os planos dela lhe correm bem, ou quando algo inesperado surge. Desde que a conheci, no encontro de Março das CreativeMornings Lisboa, sinto que os nossos caminhos se tinham mesmo de cruzar e que fazemos realmente a diferença na vida uma da outra. A Elisa é a parceira ideal e tem preocupações e objectivos que tocam nos meus. Esquece-se facilmente das suas próprias capacidades, mas vai fazendo e acumulando conquistas sem se dar conta. Além dela, destaco o João, que aparentemente nem sequer tinha muito a ver comigo (ele calmo e pragmático, estável; eu caótica e sempre a ruminar, sempre a mudar de ideias), excepto o facto de termos descoberto que fazemos um do outro pessoas muito melhores e mais felizes, e que partilhamos o mais importante, que são os valores e os desejos para o futuro, além da sensação discutivelmente pirosa de já nos conhecermos há muito mais tempo. Ora, estas duas pessoas marcaram 2019, por me fazerem acreditar que tudo é possível, se tivermos a companhia certa.

 

Este ano, ainda estou a fazer a minha lista "20 para 2020". No entanto, não poderei divulgá-la por completo no blog, uma vez que algumas das linhas contemplam planos surpresa com e para outras pessoas que lêem o meu blog. Mas... não poderia deixar de partilhar algumas partes.

Quero começar a aprender Latim ou Alemão.

Quero fazer duas viagens, uma delas à Tailândia.

Quero criar dois cursos presenciais e um online.

Quero terminar o mestrado executivo em Psicologia Positiva Aplicada.

Quero fazer um MBA em Gestão e Coordenação Pedagógica da Formação.

Quero passar a ir ao ginásio duas vezes por semana.

Quero comprar um computador novo.

Quero ver 30 filmes.

Quero conhecer três séries do início ao fim.

Quero ser contida e não comprar mais de 20 livros.

Quero continuar a escrever para o P3, pelo menos uma vez por mês. E para o blog todas as quinzenas.

(E quero ter tempo e dinheiro para concretizar tudo isto.)

 

Esta é uma das épocas do ano em que mais escrevemos sobre balanços e esperanças. É verdade que não funciona para toda a gente da mesma maneira, que há quem prefira ver os anos como uma linha contínua, mas cabe a cada um de nós adoptar os hábitos que mais lhe fazem sentido. Para mim, é este: há quem ache celebrar um novo ano lamechas; eu acho bonito e bem intencionado. Ter e partilhar objectivos é saudável, inaugurar ciclos permite-nos ganhar fôlego e expectativas renovadas. Assim sendo, também vos desejo um novo ciclo cheio de mais e melhor, com um rácio de positividade de 3 por 1, para que possam florescer (diz a Barbara Fredrickson e os outros entendidos da Psicologia Positiva). E prometo voltar a procrastinar mais, escrevendo com regularidade. Sobre livros. Possivelmente sobre livros.

 

Até breve.

O primeiro dia de aulas

Porque só tenho boas memórias no que toca a aprender. Porque a meio de Julho já não aguentava de entusiasmo pela aproximação a meados de Setembro. Porque fazer ou esperar pelos horários e pelo ritmo semanal que me esperava nos meses seguintes me faz falta. Porque o cheiro dos livros novos e as capas imaculadas dos cadernos acabados de comprar me deixavam adivinhar o momento em que iria começar a escrever neles. Porque o meu último regresso às aulas nesta altura já foi há quatro anos. Porque estudar e ir à escola ou à universidade é também uma actividade social de que tenho saudades. Porque foi na escola que vivi os melhores momentos da minha vida. Porque quero voltar a sonhar com o que ainda não aprendi, os professores com quem ainda não falei e os colegas que ainda não conheci. Porque há três anos lectivos que me falta uma data para marcar o início de um novo ciclo (a conversa da continuidade é engraçada, mas não há nada como a expectativa de poder começar - quase - do zero). Porque este foi apenas mais um dos 3 Verões - consecutivos - mais estranhos de que me lembro. Porque preciso duma rentrée mais suave, como antes.

 

Gostava de poder voltar a ter o primeiro dia de aulas na terceira semana de Setembro.

Feliz ano lectivo para todos! 🍀

Indo eu, indo eu... a caminho do segundo trimestre de 2019

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O segundo trimestre de 2019 começou hoje e eu já sei que vai ter de abarcar muita aventura. É como uma mala de viagem: no início não sabemos como, mas no final tem de caber tudo. Tanta coisa parece estar para acontecer ainda antes de o Verão chegar... Por exemplo - e entre outras mil coisas já na lista - hoje mudei-me para um espaço de co-working e foi o primeiro dia em que levei isto do trabalho por conta própria a 100%. Apesar de já o fazer informalmente há um ano, só nos últimos tempos é que tenho pensado em estratégias a médio e longo prazo para levar um negócio meu a bom porto. Tem de dar para mais do que pagar as propinas e a gasolina. Sinto que assumi um compromisso. Então, mas não sou eu a procrastinadora de serviço? Já dizia em 2014 que procrastino tarefas importantes com outras recém-criadas, uma prática obviamente saudável. Ainda em fase de experiências, estou optimista. No entanto, por hoje ter sido "este primeiro dia", parece que ainda nem é real. Ainda não tive oportunidade de assimilar esta pequena, grande alteração na minha forma de estar e pensar, mas lá chegarei.

 

Há cerca de duas semanas, também comecei a escrever no Ano 13. Não sei se é blog, se é site, se é ideia empreendedora ou lá o que os meus professores do mestrado lhe chamariam, mas sei que é algo que me tem feito repensar no que faço pessoal, profissional e academicamente. Ainda está muito incompleto, mas não me importo se lhe derem uma vista de olhos. Que tal?

 

E, depois, todo o buliço do mestrado, estágio, tese ou relatório. Novas ideias todos os dias, mais livros e artigos para ler, autores para descobrir. Entro em qualquer livraria, online ou física, e apetece-me encomendar ou trazer de lá metade da loja. Trabalhos para aqui, apresentações para acolá, e este semestre quase todos os seminários são sobre empreendedorismo e gestão e tudo parece feito para nos levar ao limite do entusiasmo, e eu sinto-me realmente entusiasmada, mas só espero ter energia, e estofo, e fôlego para tanta criatividade, e inovação, e ideias para (mais) negócios, e houvesse mais dinheiro, e horas em cada dia, e vontade de explodir, e vocês haviam de ver se eu não passava tudo do papel para a vida real.

 

Então, como podem verificar por este relato aproximado e apressado, ando um pouco ocupada e muito calma - maaaaas... nunca o suficiente para não tirar um curso em Stress e Relaxamento em Contexto Escolar. AH AH AH! Como diz a minha psicóloga (ou será que fui eu que pensei? ou ambas?), é fácil falar e dizer aos outros o que fazer; mais difícil é fazê-lo nós mesmos. Viva o desafio do que é humanamente possível!

 

O primeiro trimestre de 2019 já se passou. Também não sei como, mas acho que é um sentimento partilhado por algumas pessoas à minha volta. Não dei por nada, os dias correram. Será que o mesmo vai acontecer com os próximos meses? Quantas mudanças cabem em três meses, cerca de 90 dias? Quantas decisões importantes? Quantos compromissos inaugurados? Quantas oportunidades para alterar o curso dos eventos actuais? 

 

Vou dando notícias. Entretanto, se precisarem de aulas de Português ou Inglês em Lisboa, lembrem-se de que eu sou professora dessas línguas e que o meu escritório fica bem no centro da cidade, a cinco minutos de duas estações de Metro. Faço atenções aos leitores procrastinadores, sem códigos de desconto internéticos e tudo.

Alguns motivos pessoais e profissionais para tirar um mestrado em Portugal

O mercado de trabalho tem-se tornado cada vez mais competitivo. Já o tenho referido por aqui: uma licenciatura já não é suficiente em 2018, muito menos uma licenciatura pós-Bolonha, sem experiência ou formação adicional, o que é normal para um recém-licenciado.

 

Por isso, talvez tirar um mestrado possa ser uma boa ideia, pelo menos em Portugal. Há ainda outras opções, como investir em cursos profissionais ou de extensão cultural e académica, adquirir competências que complementem o que estudámos ou que nos facilitem a entrada numa área profissional que nos agrade (mesmo sem certificado, de forma autónoma e autodidata) e - não menos importante - apostar em projectos pessoais, incluindo aqueles que nem apresentam benefícios óbvios à partida. Escrever um livro, aderir a um desafio semanal ou mensal, aprender algo totalmente novo, criar um blogue, ir viajar sozinho, trocar ideias com desconhecidos no LinkedIn - o mundo é a nossa ostra!

 

No entanto, deixo-vos um par de impressões sobre o que me leva a continuar os meus estudos, motivos pelos quais é importante investir num mestrado para mim, em Portugal, neste contexto pessoal, social, económico, académico, profissional... Esta é apenas a minha experiência, mas talvez mais alguém se reveja nestas necessidades e objectivos que são os meus.

 

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 Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa, onde já comecei o mestrado em Estudos de Cultura - Gestão das Artes e da Cultura (fotografia tirada por mim após a entrevista de admissão, há uns meses)

 

Em primeiro lugar, eu nunca tive dúvidas de que tirar um mestrado depois da licenciatura seria não um objectivo, mas uma simples realidade inegociável. Diz a sociologia que isto se pode dever ao facto de já não ser a primeira na minha família a frequentar o ensino superior, pelo que uma licenciatura e estudos pós-graduados sempre foram um dado adquirido desde que me lembro, nem que tivesse de me esfolar a trabalhar para pagar as propinas.

 

Mas foram "um dado adquirido" por óptimos motivos: acreditamos que a procura pelo conhecimento deve ser parte da nossa vida e que estudar durante vários anos é um privilégio do qual não devemos abdicar, nem que seja porque o conhecimento e a experiência são fontes de felicidade. Portanto, é nisto que eu acredito. Enquanto a minha vida familiar e profissional o permitir, tentarei chegar a tantos cursos, mestrados, doutoramentos ou qualquer outro tipo de formação contínua quanto humanamente possível.

 

Além disso, tirar um mestrado permite-me sair da minha zona de conforto, continuar a desafiar-me, não só pelo conhecimento proporcionado, mas também pelas experiências (como a Summer School, intercâmbios e todos os seminários, visitas e convidados, pelos colegas que ganhei, pelos professores e pela troca de ideias. Durante pelo menos dois anos, todos os dias terei algo para fazer e no qual me devo concentrar. Terei algo que exigirá motivação e trabalho.

 

Finalmente, sem a desvalorizar, vem a tal lista de vantagens profissionais para o desenvolvimento duma potencial carreira. Eu quero voltar a ensinar numa universidade, tal como fiz em Banguecoque, seja em Portugal ou onde quer que a vida me leve, por isso é óbvio que preciso de, nomeadamente, acumular graus académicos, publicações e... contactos. No entanto, seja como for, tirar um mestrado em Portugal é um percurso comum para quem pretende especializar-se nalguma área ou expandir os seus conhecimentos num domínio diferente. Um mestrado ou uma pós-graduação constituem complementos à nossa formação de base e, enquanto complementos, não são absolutamente indispensáveis, mas poderão abrir-nos algumas portas adicionais.

 

Para mim, tirar este mestrado ou o que ficou a meio depois de ter regressado a Portugal (e que conto terminar algures no futuro a médio prazo) representam uma certa expansão dos meus horizontes a vários níveis. Em geral, é isso que quero partilhar convosco.

 

Sim, um mestrado pode ser um fardo nas finanças pessoais e na vida social. É um compromisso. É mais uma responsabilidade mais ou menos acessória, principalmente quando acumulada com outras já existentes. Ainda assim, é uma aventura. Num par de anos, aquelas três novas linhas no currículo não serão só essas linhas, serão mais um conjunto de histórias, memórias e conhecimentos ganhos a muito custo, mas que, digo eu, nos saberão a mel. 

 

O que acham? Por agora, estou bastante confiante. Sei que vai ser difícil, que vou perder muitas horas de lazer, estudar e trabalhar ao mesmo tempo, ter muitos dias de cão, longos e esgotantes, mas sei que não os trocarei por nada daqui a um tempo.

 

O denominador comum para todos deveria ser a seguinte premissa: façam-no com gozo, se estiverem suficientemente convictos dos benefícios que um projecto desta envergadura traz, e se conseguirem reconhecer tanto aquilo de que vão abdicar quanto lucrar. Em caso de dúvida, o melhor é sempre tentar,  não é? E o conhecimento não ocupa lugar.

Não tenho cá procrastinado

Perdoem-me os dois ou três leitores habituais a falta de assiduidade na procrastinação blogosférica. Há fases assim. Felizmente! Nem blogue, nem Instagram, e Facebook reduzido. Ainda se escapa o Goodreads. Também já passei por algumas fases excessivas, mas, de facto, sinto falta de escrever aqui com mais regularidade. Na verdade, até tenho escrito alguns textos, mas ou os deixo a meio, ou serão publicados nos próximos dias (viva!).

 

Começo o meu mestrado na segunda-feira. Finalmente sinto alguma estabilidade pseudo-profissional - aliás, trabalho não me falta e já o começo a recusar quando aparece mais. Dum ponto de vista pessoal, têm-me acontecido coisas estupendas. À maioria dos meus amigos também. Tirando um ou outro desgosto ou imprevisto desagradável, não mudaria nada. Gente querida e feliz à minha volta. Livros. Desafios. E o tempo que vai voando quando estamos bem.

 

Piroseiras de quem está naquela altura do mês... Não me liguem, mas eu hei-de voltar melhor na próxima vez.

 

Bom fim-de-semana! 

Texto à caloira que eu fui

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Minha cara, vou já adiantar que "está tudo bem". Dentro dos possíveis, irias ficar abismada com o que te aconteceu na última meia década. Não sei se to deveria ter dito, mas não quero que fiques a pensar na morte da bezerra, que não ficas, mas há de chegar o momento em que não vais saber para onde te virar e em que te questionarás acerca das opções que se te apresentam. Ainda por cima, nao é como se fosses realmente receber este texto, por isso não faz mal revelar uma ou outra profecia de meia-tigela.

 

Vejamos: está tudo bem. Escolheste bem, mais imprevisto, menos imprevisto. Do teu lado, tiveste quase sempre pessoas maravilhosas, que te deram uma mãozinha sempre que possível, que te proporcionaram aconchego, segurança, liberdade, espaço para cresceres. Tiveste que trabalhar imenso, fazer-te valer das tuas próprias competências, conhecimento, optimismo incurável e grandes doses de estupidez natural, tiveste que provar o teu mérito vezes sem conta, frequentemente sentiste que não andavas a viver a vida duma pessoa da tua idade, mas também tiveste alguma sorte e pudeste colher os frutos desse esforço contínuo.

 

Há sensivelmente cinco anos, comecei a minha licenciatura. Aí estás tu.
Não sei qual a origem da enorme admiração do pai quanto ao facto de ter ido para Letras. Com o ISCTE e a FDUL mesmo à frente, por que raio não queria eu ser uma jornalista com formação de base num qualquer eito ou logia, em vez duma jornalista com uma formação de base genérica e confusa?! Ciências da Cultura, o que é isso?

 

Cinco anos depois, continuo sem conseguir explicar mais do que "estudei línguas, cultura, literatura, história, linguística e comunicação social, tudo num".

 

No entanto, sei muito bem que foi o melhor que eu tinha a escolher na altura. Fizeste bem em escolher a licenciatura da qual mais gostavas e não a mais conveniente, listada em rankings, com o título mais sintético. Tu, bicho irrequieto, que ainda pretendes fazer mais do que "uma coisa" na vida profissional, que lês desordenada e desconcentradamente, com hábitos de trabalho e enriquecimento pessoal desgovernados, terias sido - e eu ter-me-ia tornado - muito menos feliz. E tu sabe-lo, também. Já te conheces de modo a estar consciente do quão irrequieta a tua mente é.

 

O que interessa é que aprendeste imenso, sem te sentires consumida. Tiveste professores que te inspiraram e moldaram - ou agitaram - o pensamento, as crenças, os gostos, alguns dos quais ainda na tua lista de contactos. Por causa do trabalho desenvolvido por eles, chegarás à conclusão de que o jornalismo pode não ser para ti e confirmarás que o ensino deve ser a tua maior vocação. E mais: terás acesso a uma biblioteca maravilhosa onde passarás momentos de satisfatória procrastinação, mas onde também darás por ti a pensar na vida e, surpreendentemente, a ser produtiva.

 

Beatriz, continuas sem perceber claramente como é que a cultura, as línguas e os livros se vão tornar o teu ganha-pão para o resto dos teus dias, mas tens dado a volta ao assunto uma e outra vez. Por agora, tens conseguido. À tua volta, alguns amigos começam igualmente a fazê-lo, o que prova que aquelas conversas aborrecidas sobre a falta de oportunidades, sustento e dignidade nas ciências sociais e humanas, em que muitos te engoliram a paciência durante muitos anos, foram apenas inúteis e desagradáveis.

 

E não nos esqueçamos dessas pessoas que vais conhecer nos próximos dois ou três anos, graças a esse finca-pé de teres insistido em estudar Letras! Apesar de a tua vida social futura ser reduzida, vais fazer grandes amigos. Poucos, mas bons. Provavelmente, conhecerias outros amigos, noutras circunstâncias, mas... não seriam estes, que tanto adoras.

 

Está tudo bem, e vais gostar bastante dos próximos três anos - caóticos, trabalhosos, enriquecedores. Boa sorte!

 

P.S.: daqui a duas semanas vais ser despedida do call-center. Ups.
P.S. 2: não vais gostar da praxe.

Planos e (muitos) livros para Setembro

Por aqui, parece que este ano tem sido feito de começos e recomeços. Sucedem-se uns aos outros, por diferentes causas e motivações, formais ou ocasionais, e este blogue vai relatando-os ou, pelo menos, assinalando-os o melhor que consegue.

 

Chegada a Setembro, sei que este mês será um marco inicial para novos ciclos. Ainda agora estamos a terminar a primeira semana, e já é possível prever que Setembro vai ser um mês cheio, e em cheio - para mim e para os que me rodeiam. Aliás, tem tudo acontecido, a toda a gente, ao mesmo tempo. Agosto foi prenúncio, Setembro é o início.

 

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Começo por vos apresentar os livros que quero ler em Setembro. Que quero ler, sublinho, não significando que o consiga fazer. Já estou a meio de alguns, pelo que espero riscar pelo menos três ou quatro desta lista ambiciosa antes do final do mês. Irei dando notícias. 

 

É melhor manter as expectativas muito baixas no que toca ao tempo reservado para leituras recreativas, uma vez que os meus alunos já regressaram todos de férias, o ritmo normal de aulas voltará a ser bastante intenso e, ainda por cima, o meu mestrado está quase, quase a começar.

 

Pois é, só faltam duas semanas para voltar a estudar, ao fim de quase um ano fora dessas lides. Desta vez, do menú consta um programa em Estudos de Cultura, especialização em Gestão das Artes e da Cultura (FCH - UCP). Num misto de alegria, ansiedade e inquietação, esta vai ser uma das grandes aventuras dos próximos dois anos. Em breve, talvez escreva sobre ela.

 

Setembro também costuma ser um mês propício a novas rotinas. De facto, já sinto necessidade de as criar. Diminuir o tempo que dedico às redes sociais, ler mais e com maior qualidade (por lazer, fora o resto), melhorar o equilíbrio corpo-mente e abandonar parcialmente o modo insistente de couch potato, escrever com regularidade e ritmo, arranjar disponibilidade horária e mental para projectos que me apeteça ir concretizando... São planos para Setembro muito semelhantes aos planos para Setembro de tantas outras pessoas, mas parecem, a cada um de nós, únicos e intransmissiveis. Estamos todos no mesmo barco!

 

Ora, e aqui ficam os meus mais sinceros desejos de que a vossa rentrée se apresente com força, motivação e concentração! Mãos e cabeça ao trabalho!