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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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a vaca com asas

Imaginem uma vaca com asas. O que é que vêem? Conseguem vê-la, sequer? Eu não sei se a vejo, se a imagino, se a defino numa imagem, mas tenho uma vaga ideia desta criatura.


É uma vaca malhada, com manchas pretas sobre manchas brancas - ou manchas brancas sobre manchas pretas. Do seu dorso saem duas asas minúsculas e brilhantes, que o peso da realidade impediria de suportarem um animal tão pesado, mas que, hipoteticamente, na minha dimensão imaginada, podem levar a vaquinha aos mais berdejantes prados do céu. Aparentam ser frágeis, quase quebradiças, como vidro de açúcar. São mais ficas do que o papel e fazem-se cobrir de escamas minúsculas do que os peixes mais minúsculos têm. 

A vaca olha o mundo através de dois olhos enormes e expressivos, escuros, ternos, alegres e transparentes, deixando ver a sua alma pura, lavada pelo orvalho que salpica a erva do seu almoço.

As suas patas assentam no solo húmido com uma segura firmeza de gente crescida, mas que pousam, fraternamente, lado a lado, com os pequenos bichos que vivem colados ao chão. Apesar da imponência do seu tamanho e estrutura, ela não deseja esmagá-los.

E, quando passa pelas outras vacas - aborrecidas, normais, entediantes vacas - não hesita em exibir a sua diferença. Ela tem asas, algo com que mais nenhuma pode sonhar! Se a olham de viés, cépticas e trocistas, a vaquinha continua o seu caminho, de focinho erguido em direcção ao infinito, porque ela é a especial. Ela é diferente e as diferenças é que fazem o mundo.


E agora? Já conseguem vê-la?