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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Este Verão

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É provável que eu já tenha aqui escrito sobre o assunto, mas nunca é demais reconhecê-lo e relembrá-lo: semana a semana, mês a mês, dia a dia, achamos sempre que pouco acontece.

 

A nossa vida parece não mudar, parece estar sempre "na mesma como a lesma", raros são os eventos de monta, os momentos passam sem andarmos sempre a reparar neles a cada segundo. Mas o caminho é em frente. Há quem costume dizê-lo, e realmente faz sentido. Vai-se fazendo, pensando, criando, evoluindo - sabe-se lá o quê, do quê.

 

Por isso, é sempre com grande admiração que chego a Setembro, a olhar para o que se passou nos oito ou nove meses anteriores, como se fosse quase impossível ter feito tanto em tão pouco tempo. E o mundo e as outras pessoas também não pararam. Ainda agora era Junho e eu pensava que nada de especial acontecera ou poderia vir a acontecer, e de repente é Setembro e...

 

É como magia. De facto, menosprezo e subestimo insistentemente a acumulação natural de pequenos feitos e alterações na minha própria vida ao longo do tempo. Tudo junto dá uma bela conta de somar com que me distraí.

 

Este Verão, em particular, parece ter permitido o florescimento de várias primaveras.

 

Em Julho, escrevi algumas ideias sobre o que esperava fazer nos meses seguintes - um prazo a terminar por volta desta altura em que faço o famoso balanço da última estação. Queria atingir com antecedência a minha meta de 30 livros para 2021, queria escrever como nunca me convenci a escrever, queria adoptar um novo passatempo... E consegui fazer tudo isso e mais alguma coisita.

 

Principalmente os dois últimos meses passaram a voar. Ainda mal acredito.

 

Portanto, agora posso dizer que estou a escrever um livro que já conta com 87 000 caracteres. Pelo meio, escrevi contos, anotei ideias para empreitadas futuras e voltei a inscrever-me em concursos literários.

 

Passei a ter ao meu cuidado cerca de 20 a 30 vasos de plantas (árvores, suculentas, flores...). Estou incrédula, este novo interesse apoderou-se de mim.

 

Tenho lido com curiosidade e em abundância. E até ando a ler quase todos os livros que compro!

 

Ouvi dezenas de horas de podcasts, quase todos sobre escrita, autores, escritores e psicologia.

 

Finalmente estou a conseguir organizar o meu espaço de trabalho. E comecei a cobrar mais na minha actividade profissional e a estabelecer limites horários, o que me permitirá trabalhar menos e melhor, para poder escrever e estudar.

 

Consegui publicar com alguma regularidade e o blog foi destacado muitas vezes nas páginas dos Blogs do Sapo e no Sapo.

 

Ao fim de mais de dez anos, voltei a fazer crochet.

 

Fui estando com família e amigos que me visitaram ou que pude visitar, e falei muitas horas ao telefone com eles.

 

Nos últimos dias, retomei o exercício físico. 

 

Pensei muito bem no que quero mesmo fazer nos próximos anos, e como fazê-lo, a começar agora.

 

O Outono começou, de dia ainda faz calor apesar de as noites já estarem frias, daqui a três semanas recomeço o mestrado e começo a pós-graduação.

 

Os meus alunos vão voltar das suas férias e mudanças de casa, por isso vou voltar a dar a quantidade de aulas do costume.

 

Este fim de semana, vou arrumar a roupa fresca e vou buscar a roupa quente ao roupeiro da tralha.

 

Daqui a pouco, vai cheirar ao fumo das chaminés, a primeira versão do meu livro vai estar terminada e o meu cérebro vai voltar a pensar que os dias são aborrecidos, escuros e pouco produtivos por causa da meteorologia adversa e a luz fraca que me deprimem. A minha lista de tarefas vai ficar a abarrotar com trabalhos, projetos e novidades com as quais ainda nem sonho.

 

Daqui a pouco, há-de chegar outra fase. Mais uma. Só mais uma, antes de todas as outras, a toda a velocidade ou sem pressa nenhuma.

29/30 (semear e cuidar)

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Durante os últimos meses, tenho-me apercebido do interesse por plantas que muitas pessoas têm, principalmente quando se mudam para uma nova casa. À minha volta, tal como arranjam gatos, também arranjam plantas.

 

Eu, que também adoptei um gato quando vivia sozinha, e que adoptei uma cadela quando me mudei para esta casa há meio ano com o João, reconhecia-me na primeira parte, mas nunca me tinha passado pela cabeça ter plantas, nem que fosse pela naturalidade com que a minha família cuida do jardim da casa onde cresci. Para mim, as plantas quase apareciam por geração espontânea, e nunca me demorei a pensar nelas.

 

No meu aniversário, no ano passado, a minha amiga Daniela deu-me um vaso. Disse que era para me incentivar a ter plantas, um interesse que ela também havia descoberto algum tempo antes, e que lhe trazia muita alegria. Ela e outras amigas começavam a falar-me de plantas pelos seus nomes pomposos em latim, sabiam quais eram as venenosas para os animais domésticos, e quais eram as esquisitinhas, que morriam ao primeiro descuido. Enquanto isso, eu ia enchendo o meu novo vaso com tralhas várias, tralhas inanimadas, como comida do gato, moedas soltas ou clips perdidos que por algum motivo não cabiam em cima da secretária. Algum tempo depois, outra amiga convertida às hortas urbanas, a Elisa, ofereceu-me um vaso de malaguetas, mas deixei-a no parapeito da cozinha, e até hoje ficou a pertencer à minha avó, acolhido entre ervas aromáticas.

 

Os meses passaram, eu mudei de casa, mudei de distrito, mudei de região, mudei de vida. Ainda por cima, mudei-me para um dos sítios mais floridos onde alguma vez estive. Em Vila Viçosa, há poucos parapeitos sem flores, seja Verão ou Inverno. Todas as casas, caiadas: pintalgadas de todos os tons que se possam imaginar, como numa Primavera perpétua, debaixo de chuva ou de sol.

 

Antes, já tinha lido um texto de Jia Tolentino a discorrer sobre este interesse súbito por plantas, por pessoas da minha geração. Mas acho que fiquei realmente convencida depois de, com os parapeitos dos meus vizinhos no horizonte, ter lido o ensaio "The Rosary", de Alexander Chee.

 

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Após essa leitura, e certamente influenciada pelos canteiros alheios, não demorei muito até comprar uns vasos de flores (cuja espécie desconheço) no Lidl. Custavam 4€, quatro vasos pequenos, e parecim ser daquelas "rafeiras" que aguentam com intempéries e falta de rega. Achei-as capazes de aguentarem a minha potencial negligência, e assim foi. Ao fim de duas semanas, imbuída da confiança de as ver sobreviver e florir ainda mais, comprei um saco de terra e sementes para mais flores doutras espécies, isto é, das que vêm nos saquinhos mais baratos que encontrei.

 

E, dias mais tarde, fui de férias, por isso não semeei nada nessa altura. A minha vizinha, com a qual partilho o meu parapeito, virado para a sua esplanada, cuidou das minhas flores, que acabam por ser um bocadinho "nossas". Voltei e, apesar de ligeiramente queimadas pelo sol, continuam a crescer. Foi mais um desafio que superaram, as fortes.

 

Por isso, lá decidi dar uma oportunidade às tais sementes. Semeei-as na segunda-feira, num impulso, sem vasos mas dentro de canecas decorativas que tinha no escritório. Levei muito tempo a fazê-lo, por achar que não seria uma actividade "produtiva", ou útil, como se semear e cuidar de uma planta, de um animal, ou de uma pessoa não fosse uma tarefa com valor. Lá deixei de pensar em perdas de tempo, porque a maior perda seria não ter parapeitos floridos, que me animem a mim e a quem mais olhar para eles ao passar. Resta-me esperar que germinem. No final, é só isto: a beleza.

Hotel do Parque, Curia - o destino ideal para uns dias a ler e a escrever

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O Hotel do Parque, na Curia, foi inaugurado em Julho de 1922. Aos 98 anos de idade, dá-nos o conforto dum bisavô meio esquecido do passado, sonolento, enrugado, mas cheio de histórias, ou não fosse a sua decoração ao estilo Belle Époque, como nas séries Downton Abbey e A Espia (na verdade, esta última foi mesmo gravada no Hotel do Parque).

 

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Situado numa rua cheia de hotéis, incluindo o Hotel Termas da Curia, o Hotel do Parque destaca-se por ser o mais pequeno dos edifícios, parcialmente coberto de hera nas paredes exteriores e rodeado de árvores e arbustos por todos os lados. Quando passámos à sua frente pela primeira vez, ainda perdidas e abandonadas pela falta de sinal do GPS, a minha avó exclamou a brincar “é esta casa que eu vou comprar”. E não é que foi precisamente aqui que passámos estes últimos cinco dias?

 

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Inicialmente, escolhi o Hotel do Parque por me parecer o sítio ideal para vir sozinha escrever, ler e descansar, baseando-me numa recomendação blogosférica. Entretanto, a minha avó decidiu também vir comigo, alterei a reserva de uma para duas pessoas e ambas confirmamos: o Hotel do Parque fica numa zona calma, bonita, verde, silenciosa, central. Felizmente, os hóspedes com quem nos cruzámos respeitavam o espaço uns dos outros e conseguimos estar horas e horas na piscina ou no salão sem mais ninguém.

 

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(Tenho ainda a destacar que, nestes tempos em que o distanciamento social é necessário, o Hotel do Parque tem todas as condições e segue todas as medidas de prevenção ao contágio por coronavírus - assim como os restaurantes e pequeno comércio e restaurantes muito acessíveis e variados.)

 

Ao pequeno-almoço, comemos no buffet incluído no preço da estadia, do qual recomendo especialmente o pão de cereais e os bolos feitos pela proprietária, a D. Maria João. Ao almoço e jantar, ora comemos num restaurante a três minutos a pé (com pratos do dia bem confecionados e baratos), ora comemos no próprio hotel, onde é servida comida mais leve, como tostas, saladas, hambúrgueres, bebidas e outros snacks.

 

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Quanto aos espaços, todos são preciosos. Os corredores nos dois pisos são uma caixinha de surpresas para os apreciadores de loiça antiga; o salão (sem televisão) é o poiso ideal para ler e escrever nas horas de maior calor e depois do jantar; a piscina e o jardim entretêm miúdos e graúdos; os quartos são frescos, fofos e acolhedores para boas noites de sono. A cada esquina, embarcamos numa viagem de regresso ao passado, onde reina o saudosismo e uma atmosfera romântica do início do século.

 

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Pela sua antiguidade, o hotel precisaria de uns arranjos aqui e ali, o que justificará não ter mais estrelas do que 2*. Os canos são mais ruidosos, o papel de parede descola nalgumas pontas, o soalho e os armários rangem, as colchas têm buraquinhos… Só que, tal como se ele fosse uma pessoa, gosto ainda mais deste hotel vivido, imperfeito e com vestígios dos anos, do que se tudo fosse previsivelmente perfeito.

 

Last but not least, o Hotel do Parque colecciona uma data de pormenores curiosos, mas o meu preferido é a tentativa de preservação do património histórico, mas também familiar. O Hotel do Parque pertence à mesma família há quatro gerações, três das quais servem e convivem com os hóspedes ainda hoje – a D. Maria João, que nos recebe e está sempre atenta aos nossos pedidos e perguntas; o filho Zé Pedro, que acumula funções de cozinheiro, restaurador, handy man e cuidador da horta; e a mãe, D. Alda, que vamos vendo pela sala ou pelo jardim. O resto dos funcionários do hotel, incluindo a Joana, as senhoras que servem o pequeno-almoço e as que fazem as limpezas, só nos confirmam o quão agradável é estarmos neste cantinho e nem sentirmos necessidade de sair.

 

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Sentimo-nos muito bem acolhidas e aconchegadas, por isso todas as nossas recomendações são poucas. Nem o facto de termos de fazer 300km de estrada será suficiente para não voltarmos cá assim que possível, agora que descobrimos o Hotel do Parque. As estadias por noite rondam os 30€ poe quarto individual, 50-60€ por quarto duplo, ou 60-70€ por quarto triplo.

 

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(Ainda por cima, ficámos de ir ao Buçaco, ao Luso, Aveiro e Coimbra nas próximas visitas, já que acabámos por permanecer sempre no hotel.)

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A nécessaire da pessoa com quem fui de férias

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A pessoa com quem fui de férias chega ao quarto e começa logo a arrumar o que tem dentro da mala no roupeiro e gavetas do hotel. No tempo em que eu permaneci estarrecida a apreciar a vista e li uns centímetros de Instagram e Twitter, calças de ganga e t-shirts passadas a ferro, vincadas, ficam no fundo, por baixo dos cabides, que por sua vez penduram três camisolas mais quentes para a noite. A toalha de praia também fica por ali, nem reparei bem, mas tenho a certeza de que tudo encontrou o seu sítio.

 

Perto do espelho por cima do aparador, pousa a nécessaire - e eu nem sabia que haveria à face da terra um homem com nécessaire - preta, sóbria, adulta, sólida, imaculada, lá dentro uma caixa de plástico com a pasta e a escova de dentes, gel de banho e desodorizante, e sei lá mais o que um homem adulto com uma nécessaire preta, sóbria, adulta, imaculada levará para umas férias minúsculas à beira do rio com a namorada que assiste a toda esta ordem sóbria, adulta, sólida, imaculada.

 

Como se não bastasse, pede licença para a mala de viagem ser encostada à janela, do lado da cama que normalmente escolho; e eu finalmente olho em volta do quarto a que chegámos há quinze minutos e percebo que, afinal, a minha avó talvez não me tenha tentado domar nas lides domésticas para que eu viesse a tratar da pessoa com quem fosse de férias, mas sim para eu não me surpreender quando estivesse com um homem que me estendesse o biquíni na varanda depois do banho, que dobrasse as toalhas antes de as pôr no varão e não salpicasse o lavatório quando o usa; para eu não fazer figuras tristes com a minha bolsa (que nem merece ser chamada de nécessaire, denominação fina e por isso inapropriada) de plástico transparente para onde costumo enfiar mil tralhas enquanto lá couberem todas, recolhidas doutros mil cantos do quarto no fim desses dois dias e meio de estadia até ao destino seguinte; para eu parecer menos bicho trapalhão e/ou não ter de levar ninguém ao hospital por causa de alguma queda, ou de volta a Lisboa por causa de simplesmente não ter deixado boa impressão; porque, se eu não namorasse com esta pessoa com quem fui de férias, os meus ténis encardidos teriam ficado no meio do quarto, o meu biquíni teria ficado a demolhar a um canto da banheira e provavelmente teria deixado qualquer coisa pelo caminho ao sair (um par de meias, os chinelos, o lanche da manhã...).

 

Não é que eu me considere muito desorganizada sequer, porque não sou e as últimas linhas são um mero exagero necessário ao assunto da nécessaire, mas faltar-me-ia brio (e vergonha na cara) se não primasse pelos bons exemplos à minha volta, recusando-me a ser melhor do que sou hoje, não pensando em comprar uma nécessaire que não esteja peganhenta de um qualquer condicionador de cabelo vertido há mais de um mês ou não acarinhando a esperança de me rodear sempre de pessoas como aquela com quem fui de férias.

 

*Este texto foi parcialmente escrito na Praia do Alamal, destino fluvial da nécessaire aqui discutida. A fotografia ilustrativa deste post é a tal vista que me distraiu no primeiro parágrafo, aliás tirada durante esse mesmo período de tempo.

O livro que todos precisam de ler nas férias: 'Crónica dos Bons Malandros'

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Caros todos, precisam urgentemente de levar a Crónica dos Bons Malandros, do escritor Mário Zambujal, nas vossas malas das férias! Não interessa se vão para o campo, para a praia, para uma metrópole gigante ou para a santa terrinha, toda a gente precisa de ter um livro para ir folheando antes de ir para a cama, à beira da piscina, nas filas do aeroporto, nos tempos mortos, enquanto as crianças dormem a sesta...

 

Eis os meus motivos para tão efusiva demonstração de apreço pela Crónica dos Bons Malandros.

 

Raramente consigo encontrar livros escritos por autores portugueses ou lusófonos que me façam sorrir, e muito menos rir - isto é, sorrio porque até leio alguns livros muito bons, mas todas as histórias são muito dramáticas, para não dizer trágicas, são de levar uma pessoa à depressão literária. Este ano, já li imensos assim, e finalmente encontrei um livro que me enche as medidas anti-tudo o que me faça ter pensamentos negativos, ainda que sobre realidades completamente ficcionais. Estas Crónicas são O TAL.

 

Não vos quero estragar a experiência com resumos desnecessários, até porque o título diz tudo: esta é a história dum grupo de bons malandros. Como são eles malandros ou quais os seus papéis nestas Crónicas... Deixo-vos a tarefa de o descobrirem.

 

Só para perceberem bem o quanto gostei de as ler, é quase meia-noite, acabei a leitura há cerca duma hora, depois de duas horas e meia intensivas a devorá-lo, com uma única pausa para jantar, e não consigo ir para a cama sem partilhar convosco este grande achado. Têm sido raros os livros que me criam esta reacção, incredulidade, euforia, uma paz imensa por ter lido algo simples, mas genial, em bom português correcto e muito vernacular, que é simultaneamente capaz de fazer o cérebro exercitar-se enquanto relaxa.

 

Não, não descobri a pólvora, o livro tem quase quarenta anos, foi publicado pela primeira vez em 1980, leva-me quinze anos de avanço neste mundo, mas provavelmente muitas pessoas, tal como eu até ao dia de hoje, ainda não ouviram falar dele ou não tiveram oportunidade de lhe pegar.

 

Se o meu entusiasmo não vos convence por si só, aqui vão dois excertos da Crónica dos Bons Malandros que de certeza conquistarão a vossa atenção:

 

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Não posso recomendar demasiadas vezes que levem este livro nas vossas malas das férias. É levezinho (eu tenho uma edição antiga que nem duzentas gramas deve pesar), fininho, enfia-se num saco qualquer, não estorva, tem letra grande, lê-se num par de horas, não é difícil manter o ritmo, os capítulos são de dimensão pequena a razoável, tem diálogos, tem discurso asneirento, tem praguejares tradicionais, é desbragado, pobre em filtros, tem amor e desamor, conflito, palavras raras. Vão por mim e dêem-lhe uma chance!

Os meus sítios favoritos na Tailândia #2: Koh Samet

*Recentemente, tenho partilhado aqui no blogue os meus sítios favoritos na Tailândia, de forma a que eu mesma tenha mais uma fonte para memória futura e possa também deixar online algumas recomendações a quem estiver interessado em visitar o país. Muitos dos meus sítios favoritos na Tailândia são pouco conhecidos ou menos valorizados pelos turistas, por isso nem sempre são as escolhas mais óbvias de quem procura locais interessantes para visitar.

 

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Infelizmente, não consegui visitar nem metade dos locais na Tailândia onde gostaria de ter ido enquanto cá vivi. Não fui a Phuket, nem a Krabi, nem a Chiang Mai ou Chiang Rai, não fui ao Este do país... Não visitei muitos parques naturais, nem visitei uma reserva de elefantes. Não fiz quase nada de turístico fora de Banguecoque, mas, pelo menos, visitei um dos meus sítios favoritos na Tailândia não uma, mas quatro vezes: a ilha de Koh Samet. 

 

 

Fui a Koh Samet pela primeira vez em Julho, com a minha avó*. Desde então, fiquei apaixonada. Já regressei uma vez com os meus colegas de trabalho, outra com o meu pai e outra com a minha tia. Quando um casal de amigos portugueses me visitou, não pude ir com eles porque tinha trabalho, mas não descansei enquanto não os convenci a passarem uma noite na ilha.

 

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Koh Samet é uma ilha a cerca de 200km a sudeste de Banguecoque e tornou-se um dos meus sítios favoritos na Tailândia por muitos motivos. O primeiro é ser considerado um parque natural, por isso os recursos naturais encontram-se bem conservados, não há lixo em lado nenhum, os edifícios são baixos, só vemos verde num lado e azul do outro. Os restantes estão provavelmente relacionados com a beleza desses mesmos recursos naturais, da água que é transparente, calma e morna, da areia que é fina e do nascer e pôr-do-sol inesquecíveis (excepto quando chove, disso é que eu não gosto).

 

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Não, esta foto não tem mesmo filtros nenhuns, o nascer do sol é mesmo assim, com estas cores cinza que se vão levantando a pouco e pouco, para dar lugar ao verde, azul e amarelo.

 

Devido a todas estas condições, uma pessoa fica a sentir-se relaxada, em paz com o mundo. Sempre que vou a Koh Samet, esqueço-me do bulir constante de Banguecoque, do calor húmido insuportável no meio da cidade, do smog, dos gases, das multidões. Na cidade, o sol nem queima, mas, quando saio, sinto a pele e o nariz a desbloquear. Além disso, sente-se uma corrente de fresca a toda a hora que lembra a Primavera em Portugal.

 

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A ilha de Koh Samet só é alcançável de barco, obviamente, mas há varios tipos de barco! Há barcos grandes e lentos, que mais se parecem com barcos de pesca, traineiras, e há speedboats (lanchas) de vários tamanhos (mais caros, mas rápidos). Já experimentei as duas modalidades e gosto sempre da experiência. Podemos ir do continente à ilha em estilo James Bond ou em estilo cruzeiro. Os barcos grandes podem pertencer aos hotéis (deixando-nos "à porta") ou a negócios de transporte (deixando-nos no porto principal, no Norte da ilha). Os speedboats deixam os passageiros onde for necessário.

 

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Devido aos 100km de costa, há praias em Koh Samet para todos os gostos. Mais a Norte, ficam as praias para quem gosta de festas e discotecas. Quanto mais para Sul andamos, mais silenciosas e intocadas as praias se revelam. Já estive numa das praias do Norte (Hat Sai Kaew) com os meus colegas, mas recomendo e vou sempre para a mesma praia (Ao Wong Deuan) com a minha família. 

 

Se visitarem a Tailândia, mesmo que só tenham cinco dias ou uma semana, tirem dois para visitar Koh Samet. Ficarão com a experiência de ver alguma flora do país, recursos naturais, praias paradisíacas (água morna e turquesa, ar fresco, areia clara e fina) e silêncio... para cortar uma visita hipotética a Banguecoque, com todo o buliço incluído. 

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*Há 20 anos, a minha avó foi a Cuba com a minha tia. Durante estas duas décadas, tive de ouvir "Cuba é que foi; quem me dera poder levar-te a Cuba, Beatriz!". Quando a minha avó pôs os pés na água e na areia de Koh Samet, recebi um dos melhores presentes de sempre, que cumpriu uma das minhas missões de vida: ouvi-la dizer "isto é melhor do que Cuba". 

Como fazer gelado de Oreo caseiro? (ou, na verdade, qualquer tipo de gelado caseiro)

Andava por aí a disfrutar das minhas férias e a descarregar fotografias de há-que-tempos, até que dei de caras com uma espécie de tutorial que tinha organizado no ano passado. Sim, no ano passado (tinha o telemóvel cheio de tretas datantes da época dos dinossauros, pois tinha). Tratava-se de um tutorial fotográfico sobre como fazer gelado de Oreo caseiro, passo a passo, e, afinal, seria uma treta não partilhar convosco esta preciosidade que nos preenche o coração e, em particular, o estômago - seja em que altura do ano for!

Descarregadas as fotografias para o computador, aqui fica o tutorial terminadíssimo, com respectiva explicação. 

 

GELADO DE OREO CASEIRO

Tempo de preparação: aproximadamente 15 minutos + 2 horas no congelador

Custo aproximado: 2,50€ para mais de 1 litro de gelado

Ingredientes: 2 pacotes de natas para bater (apesar de na fotografia só estar um pacote) + 1 lata de leite condensado + bolachas Oreo a olho e a gosto

Nota: em vez de bolachas Oreo, podem juntar outro tipo de bolacha ou polpa de fruta - por exemplo. Já fiz gelado com uma lata de polpa de manga triturada, com a mesma receita, e resultou.

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Material necessário: uma taça ou caixa onde se possa juntar os ingredientes + formas de gelado ou caixas a levar ao congelador + batedeira

 

Instruções:

1. Verter os dois pacotes de natas para dentro de uma taça. Bater as natas até ficarem "em castelo", isto é, até podermos virar a taça ao contrário sem que elas caiam.

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Neste mês de Agosto, não há viagens

Neste mês de Agosto, não há viagens. Talvez haja passeios, talvez haja uma escapadela de um dia a uma cidade portuguesa que eu não conheça, talvez haja alguma praia (e idas de kayaque Setúbal-Tróia com os amigos, finalmente), talvez haja muitas sestas. É que, neste mês de Agosto, não há dinheiro para mais.

Neste mês de Agosto, há livros para ler e um lar para aproveitar, pois quase não tenho cá passado tempo nenhum durante os últimos meses. É para isso que a minha casa fica à beira de um pinhal, tem dois andares, um escritório-biblioteca e um jardim em toda a volta - para que a possamos aproveitar. 

Neste mês de Agosto, há uma formação inicial de formadores em b-learning para eu fazer, pelo que poderei equilibrar o ficar-em-casa com o ir-um.bocadinho-a-Lisboa. Porque até nas férias não devemos deixar de aprender ferramentas novas nem devemos deixar de adquirir conhecimentos que nos fazem falta (nem que seja só mania nossa, esta de querer saber mais).

Neste mês de Agosto, não há muito trabalho, só um bocadinho, que o vício de trabalhar é tão grande quanto o de procrastinar. E uma mão cheia de descanso há-de me calhar - espero eu!

 

Beatriz ♥ Newcastle #4 - última semana de aulas + Edimburgo no fim-de-semana

 

 

No topo do new castle que deu nome à cidade.
A vista de lá de cima para Gateshead, na outra margem do rio Tyne.
Portuguese National Night!!!
"Última Ceia" no jantar de encerramento do curso. Molho de barbecue (aka BBQ) aos montes num cozido? Check. Se gostei? Nem de perto, nem de longe.
Fringe Festival em Edimburgo, um grande acontecimento cultural na capital da Escócia. Milhares de pessoas nas intransitáveis ruas da cidade!
Durante The Potter Trail, uma visita guiada pelos pontos de Edimburgo que inspiraram a J. K. Rowling enquanto escrevia a saga: o túmulo de um tal de "Thomas Riddell" e da sua família - um entre tantos outros cujo nome foi reinventado e aproveitado pela autora para as suas personagens. Esta foi uma visita guiada totalmente gratuita e a guia, uma rapariga pouco mais velha do que eu, era um amor de pessoa. Não paguei, mas contribuí para o saco das gorjetas. Potterhead approved!
Palace of Holyroodhouse: a modesta casa de férias da rainha. Terrível...
... como podem comprovar pela minha expressão de horror e desdém, no meio de um dos jardins mais feios onde já pus os pés.
E pronto, comida indiana como último jantar em Newcastle, depois de voltar de Edimburgo, com o resto das colegas e dos professores portugueses. Depois duma quinzena gastronomicamente exasperante (se algum dia forem a Inglaterra, preparem-se para NÃO encontrarem carne ou peixe fresco, só comida processada e/ou congelada), optei pelo tipo de cozinha mais próximo da portuguesa - a indiana, como observou o meu pai, ao ouvir o meu relato - com uma Chicken Tikka Masala para lá de boa, apesar de picante.
***
Quanto ao regresso - como há sempre uma surpresa reservada por cada viagem que se faça -, esse já foi atribulado q.b., com o autocarro a morrer no meio da auto-estrada, a mais duma hora de distância de Manchester. Tuga que é tuga desenrasca-se, mas, em terras de Sua Majestade, tal verbo é desconhecido e, mais do que isso, impensável. Após uma hora desperdiçada em que ficámos apenas estacionadas na berma e a suplicar por um táxi ou qualquer outra alternativa que nos pudesse levar ao aeroporto de Manchester a tempo do vôo, lá chegou outro autocarro que - IMAGINE-SE - seguia para o centro de Manchester. Quem quisesse ir para o aeroporto (na periferia da cidade), que pedisse ajuda na estação de autocarros, quando lá chegasse. Escusado será dizer que tudo o que era português (nós as 5) se encontrava já à beira dum ataque de nervos, com a falta de jeito para dos ingleses para se desembrulharem de situações complicadas e sob pressão. Já na Manchester Coach Station, depois de nos prometerem um táxi que não tinha maneira de vir, valeu-nos um taxista que pagámos por nossa conta e risco, um tipo que não me lembro se era indiano ou doutra nacionalidade asiática. Lembro-me apenas que, muito graças a ele, chegámos a tempo do fecho do check-in e de recuperarmos o fôlego de 4 horas de stress e 10 minutos de corrida até chegarmos ao sítio certo no terminal.
Enfim, adoro as peripécias duma boa viagem e esta foi, no mínimo, engraçada. Cansativa... mas engraçada! Guardarei óptimas recordações da minha primeira aventura by my own.
(Nota: só é pena que as minhas publicações estejam a sair-me todas esteticamente desconfiguradas. Desculpem lá qualquer coisinha.)

Beatriz ♥ Newcastle #3 - EU FUI A HOGWARTS!

Alguns dos momentos do último Sábado, em Alnwick, a uma hora de Newcastle...

 

 

Este lugar é-vos familiar? Contextualização aqui. Oh, oh...!

 

 

Detesto a minha vida.

 

 

Chovia muito.

 

 

Livraria Barter Books - novidades no Procrastinar Também é Ler para breve.

 

 

Visto na casa-de-banho da Barter Books.

 

 

Nota: não sei o que se passa com as minhas fotos, mas todas elas desconfiguram de tamanho depois da publicação. Ai, ai.