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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Há dias

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Há dias que correm bem - com sol, metafórico e literal. Continuo a acreditar que é possível atrair boas energias, se assim o desejarmos. Nem sempre nos rodeamos de quem as tenha, mas fica a oportunidade de remarmos contra a maré, de também sermos nós a começar essa cadeia e partilha. Há dias em que quase tudo parece estar onde deve estar, pelo menos nesse momento, tudo encaixa. Há dias em que sentimos uma gratidão enorme pelo que nos foi reservado devido ao encontro de todos os efeitos-borboleta e circunstâncias que nos levaram até ao ponto actual. Há dias que, não sendo os mais felizes de sempre, nos alegram. Há dias em que a energia não falta, em que há motivação. É difícil alguma vez alcançar a perfeição e a paz total, também há sempre qualquer coisinha que poderia cair melhor nos eixos. No entanto, por que não parar e apreciar o que já temos à frente? Afinal, há ainda mais dias pela frente para tentar alcançar o que nos falta. Nunca estaremos absolutamente contentes, mas o melhor disso é viver para e pela experiência.

Amanhã, até podemos não nos lembrar do bem que nos soube o dia anterior, só que isso já é só problema do nosso "eu" futuro, ele que se amanhe. Mesmo assim, temos aquela sensação de que há-de correr tudo bem. Há-de fazer tudo sentido outra vez, tal como no dia em que estes pensamentos de invencibilidade nos ocorrem. 

 

Há dias assim. 

 

"Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light." - já dizia o maior feiticeiro de todos os tempos, Albus Dumbledore. 

Estar, apenas

Noto um certo desconforto, quase tabu, quanto ao facto de se fazer coisas sozinho, sem outras pessoas. É a ditadura da companhia. Vejo que muitas pessoas ainda não dominam a arte de se estar com os seus próprios pensamentos, a sua própria presença, de apenas se estar.

 

Atenção, que eu sou a primeira a reconhecer que não consigo meditar. Há sempre algum raciocínio a interromper o vazio, por muito que eu tente. Tenho uma mente hiperactiva. Digo que estou cansada, que tenho a cabeça em papa, mas continuo a magicar seja o que for.

 

Mas consigo fazê-lo sozinha. Aliás, talvez seja por isso que me sabe tão bem estar sozinha e fazer mil e uma actividades sozinha. Gosto de viajar sozinha, gosto de ir a museus, à praia, a cafés, andar a vaguear em ruas... sozinha (frequentemente com um livro, mas divago).

 

No Domingo, fui à praia depois dalgumas horas de trabalho. Levei dois livros (lá está, elementos omnipresentes) para terminar, um chapéu de sol, uma toalha, o telemóvel e uma coluna. Em primeiro lugar, adoro conduzir. Não sou de ir a grandes velocidades, mas, se houver alguma forma de meditação para mim, é pegar no carro e ir não sei onde, só estou concentrada em não meter o carro nalgum buraco ou espetar-me contra alguma árvore ou poste, e isso obriga-me a parar a hiperactividade cerebral. Segundo, ir à praia ou para uma esplanada, principalmente se estiver sol, seja Inverno ou Verão, deve estar no meu top 3 de actividades favoritas de todo o sempre (não há nada que me deixe com melhor humor).

 

E assim me fazem feliz, com uma tarde de silêncio e sol.

 

Aposto que ser filha, neta e sobrinha única, e a mais velha numa década de todos os primos em terceiro grau, tenha influência no assunto. E só ter ido para a escola aos cinco anos, #superantisocial. Sempre estive por minha conta. Por outro lado, passo o dia a dar aulas, a falar constantemente, em duas línguas, cinco a sete dias por semana, e de vez em quando só me apetece desligar da ficha e parar de me ouvir a mim mesma, nem é necessariamente aos outros.

 

Por exemplo, neste exacto momento estou sentada numa esplanada do Cais do Sodré, a ouvir a música do café e a olhar para o Tejo, enquanto acabo de escrever este texto (curiosamente, continuo a tentar comunicar com o resto do mundo, até quando estou sozinha, mas isso é porque sou tagarela, mesmo calada). É a minha hora de almoço, mas podia acontecer a qualquer altura. Para mim, acaba por ser tão bom estar sozinha quanto se estivesse com outra pessoa, mas ambas as opções são positivas, não vejo nenhuma como melhor ou pior, mais ou menos aceitável. Não vejo estar sozinha como significado de estar só.

 

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Não é óptimo estarmos como queremos, onde queremos, tão agradável quanto estar com outras pessoas? Na minha opinião, há momentos e tempo para tudo. Há dias em que só nos apetece estar na companhia doutras pessoas, e há dias em que nada é melhor do que estar individualmente, apenas. Estar.

Alguma vez estamos preparados para o próximo passo?

Passamos a vida a convencer-nos de que estamos preparados para o próximo passo.

 

Somos bebés, e já tentamos chegar onde não chegamos, caminhar sem ajuda, pôr um pé à frente do outro, mesmo que acabemos por cair.
Somos crianças e já achamos que conseguimos ir para a escola sozinhos. Perdemo-nos a meio do percurso, apanhamos o autocarro errado e vamos sair a 5km do destino.
Somos adultos e queremos aquele emprego, aquele carro, aquela relação, aquele núcleo forte de amigos, e nunca deixamos de tropeçar, de bater com a cabeça e de nos esfolar quando os tentamos alcançar.

Conheço quem passe a vida a ser atropelado pelas circunstâncias em mais do que um desses domínios e que continua a investir contra as probabilidades. Não é fantástico, admirável, nobre?

 

E é com isto que concluo que, mesmo quando não estamos preparados, o melhor é ir em frente e logo se vê. Mais cedo ou mais tarde, havemos de tirar proveito desse espírito. Os bebés não deixam de trepar ao sofá e pontapear o chão, as crianças lá percebem onde se apanha o autocarro e os adultos vão igualmente tacteando o desconhecido, em direcção ao seu desenvolvimento, a dias melhores. Enquanto adultos, continuamos a trabalhar de modo a progredir e a ultrapassar os nossos obstáculos individuais e a testar os nossos limites - cada um com os seus. Alguma vez estaremos preparados? Dificilmente. Mais vale seguirmos em frente, fazermos figas e lançarmo-nos. Em tudo. Meia dose de inconsciência (deliberada, até), outra meia de coragem. Por isso é que tenho tentado tomar decisões sem pensar demasiado, ou deixar-me levar pelo que vem à rede. O passo pode ser maior do que a perna, mas só o poderemos confirmar quando o dermos. 

 

Serendipity (diria uma amiga minha, a quem dou razão). Mas misturo sempre uma pitada de estupidez natural.

 

De resto... Só ainda não conseguimos fazer por melhorar este tempo de Dezembro em Junho. O resto, vai-se tentando.

As maiores falhas dos jovens portugueses no engate do Tinder

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Cá estou eu de volta para mais desenvolvimentos na minha investigação estritamente académica sobre o assunto "Tinder"! Contudo, temo que este seja um dos últimos capítulos, por isso aproveitem enquanto dura.

 

Eu não sei o que é que anda na cabeça de certas pessoas, mas alguns dos jovens portugueses presentes no engate do Tinder devem ter lá dentro... cocó. Só pode. Bem, não digo cocó, mas por vezes é difícil acreditar que será um cérebro o conteúdo em destaque. Lembram-se do que eu escrevi aqui, sobre os "As 16 piores opções para engate no Tinder"? Este é o capítulo seguinte.

Vejamos... Aqui seguem os erros mais comuns dos jovens portugueses (homens) no Tinder, mais ou menos entre os 22 e os 30 anos.

 

1. Põem uma foto. Uma. 

Caríssimas meninas, alguma vez sonharam encontrar o príncipe encantado recorrendo à estratégia do "amor à primeira vista"? Neste caso, apresento-vos a estratégia "amor à primeira (e única) foto". Sem mais nada. Com sorte, o nome e a idade. E, ainda por cima, vão ter de decidir se vale a pena apostar no João, 25, julgando apenas uma cara igual a todas as outras por trás duns óculos escuros do chinês.

 

2. Não escrevem nada na descrição

Palavras para quê? O João, 25, que até é bem giro de óculos escuros e tem bons dentes, decidiu que aquela segunda foto ao lado duma prancha de surf diria tudo o que é necessário para que o mulherio se passasse da cabeça e o contemplasse com uns swipes gostosos. Para boa entendedora, duas fotos pixelizadas bastam. 

Aliás, este é um excelente indicador do esforço que o moço poderá vir a empreender num futuro conhecimento pessoal.

 

3. Escrevem apenas a altura na descrição

"1,83m 😉" Parece piada, mas não. O João, 25, além de ficar bem de óculos escuros, ter bons dentes e ter feito uma aula trial de surf na Costa da Caparica, é assim a atirar para o alto. Dá jeito saber, caso nos apeteça comprar-lhe uma pecinha de roupa a tempo do primeiro encontro.

Como é óbvio, estou ciente de que o Tinder é uma plataforma de engate de todos os tipos e que nem toda a gente anda à procura do próximo Mr. Husband. No entanto, a ter de ir para a cama com alguém, não magoava saber se prefere sushi ou pizza. A altura pode ser um indicador eficiente para outras medidas (se a regra da proporcionalidade existir, if you know what I mean), mas... calma.

 

4. Açacinam a língua portuguesa 

Mas nem tudo está perdido, porque, pelo menos, ficamos a saber que o João, 25, é impilhador de caixas no Continente da Quinta do Conde, e que gosta de sair para comer fêberas.

 

5. Falta de criatividade

Bem, bem, felizmente ainda temos o Manuel, 26, para nos consolar. Tem quatro fotos (duas de corpo inteiro e duas com o palminho de cara visível), diz que quer conhecer pessoas novas, gosta de festivais de música e até aguenta serões de comédias românticas.
Então, o Manuel decide encetar conversa connosco.
"Olá, td bem? 😋"
É isto.

(Esta publicação foi escrita de manhã; à tarde, já tinha recebido um "Olá" - sim, ainda há quem consiga mostrar menos criatividade, entusiasmo, interese...)

 

6. Morrem para a conversa

Mas nós damos uma chance ao Manuel, porque ele não foi mau de todo e disse olá. Trocamos umas linhas de conversa promissora, uns "ahaha" e uns emoji pelo meio, nós pensamos que não deve estar a correr muito mal e, do nada, o Manuel deixa de responder. Puft, gone with the wind, mas sem fazer unmatch.

 

7. Não correspondem, falta-lhes uma dose de bom senso

Vamos a ver, ainda temos o Filipe, 28, com quem conseguimos trocar mais de seis frases. Ele até demonstra que leu a nossa descrição, estudou o caso. Contudo, sem aviso prévio, o Filipe pergunta "então, e o que é fazes mais, sem ser ligar a essas coisas chatas dos livros?" Perante este cenário, uma pessoa dá a entender que não vai dar. Ele desculpa-se, que é um rapaz mais prático, das engenharias, estão a ver?

 

Vade retro.

 

8. Fazem match e não comunicam

Na última semana e meia, fiz match com mais ou menos 14 itens (ahahaha, itens): um deles o amor anterior (eu avisei que isto poderia acontecer, o pessoal bate mal da mioleira e depois anda a picar-se), com dois comecei eu a conversa, outros quatro começaram eles, e os restantes... Zero. Fizemos match e agora está tudo às moscas. Assim não vamos a lado nenhum, amigos! Nem um olá, como disse o outro? A probabilidade não deveria ser que, no mínimo, 50% da iniciativa devesse partir do outro lado?

 

Desta forma, dou por encerrada este lavar de roupa suja tinderesca... por hoje. Provavelmente, para sempre, porque estou a um saltinho de eliminar esta pouca vergonha - não pelos princípios da rede social, mas sim por causa de quem lá encontramos... ou não encontramos, nem que seja porque, quem vale a pena conhecer, já não deve precisar de andar em redes sociais deste género.

 

Nota: tudo o que deixei aqui registado aconteceu-me mesmo, verdade-verdadinha, mas as personagens são compósitas e os meus comentários, frequentemente, ácidos.


Além disso, calma, garanto que já houve uma estatística positiva. Uma, que não foi infeliz, por isso continuo a acreditar que vale a pena tentar por um bocadinho (mas não por demasiado tempo, depois concluímos que o mercado está saturado, ponto final). Quem não arrisca não petisca, não se perde nada, gente solteira que está a pousar os olhinhos nestas palavras! Toca a andar, tudo a instalar o Tinder para proceder a estudos académicos da mais elevada seriedade! 

Semeamos o que colhemos, recebemos na medida do que damos

Não sendo isto uma fórmula matemática, tenho vindo a acreditar cada vez mais que tenho recebido tudo na mesma quantidade e intensidade em que dou. Às vezes, dar um pouco mais até não faz mal, mais vale por excesso de que por defeito.

 

Realmente, é difícil não me pôr a pensar que esta coisa das energias positivas deve ser verdade. Ter-me rodeado de pessoas optimistas outra vez tem dado frutos. Pessoas que, pelo menos, não sabem sofrer sem contar uma anedota ou duas sobre as suas vidas. Pessoas que não bebem por copos meio cheios ou copos meio vazios, mas sim por copos que se podem voltar sempre a encher. Toda a gente sofre, mas há quem escolha dar menos tréguas às circunstâncias da vida. Vão à luta, nem que seja à chapada ou à canelada.

 

(Ter bebés pelo meio da equação deste optimismo também ajuda, vá.)

 

Acho que vou continuar neste registo. Também eu posso fazer a diferença na vida dessas pessoas - não é maravilhoso? Dou, recebo, fico com ainda mais vontade de dar novamente. Não é preciso muito. É tão bom sentir que há quem nos deseje ver bem e que contribua para isso, não é?

 

Pessoas boas fazem coisas boas acontecer na vida dos outros. 

Observações sobre os hábitos de leitura dos escoceses - ao sol

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Princes Street Gardens, Edimburgo

 

Durante a minha viagem à Escócia, que está prestes a terminar enquanto vos escrevo isto, fiquei maravilhada com o seguinte: os escoceses lêem imenso. Não posso falar pelo resto do Reino Unido, porque só estive no Norte de Inglaterra há quatro anos, mas tanto em Edimburgo quanto Glasgow  (e nos comboios entre as duas cidades) fui notando que há imensa gente com livros na mão, seja onde for: na fila para o autocarro, nos transportes públicos em geral, nos parques, nos cafés... Coisa linda de se ver. Até me senti mais inspirada para ler (e, ao contrário de todas as minhas auto-promessas, comprei cinco - CINCO! - livros nos últimos três dias de viagem, quando finalmente sucumbi à pressão da disponibilidade imediata de paperbacks com cheiro a papel reciclado intocado. Adoro paperbacks. Não há como não fazer todos os esforços humanamente possíveis para que caiba mais um, e mais outro, na mala de cabine. Ou na mochila. Ou em sacos extra.

 

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 Kelvingrove Park, Glasgow

 

Parece-me que este é um povo com hábitos de leitura - mais uma achega a contribuir para o meu amor por este país. Além de verde e cheia de história, a Escócia tem livros por todo o lado e gente que gosta deles.

 

Enterneceu-me especialmente o facto de também os escoceses adorarem livros e verde. Nos dias em que fiquei em Glasgow e Edimburgo, esteve quase sempre sol (apesar dum frio bem irritante, mas uma pessoa desculpa o Mar do Norte), por isso os parques públicos, os jardins e os jardins botânicos (mais especificamente, todos os bancos ou bocadinhos de relva disponíveis) estavam sempre cheios de pessoas a comer, a passar tempo com a família e os amigos, a jogar, a dormir a sesta... e a ler. Mal se via um raiozinho de sol... os relvados inundavam-se de pessoas de t-shirt (enquanto eu, friorenta do burgo, fazia frente à brisa cortante com uma camisola interior, uma sweat-shirt e um casaco de Inverno). 

 

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 Jardim Botânico de Glasgow

 

Fico mesmo com vontade de importar estes hábitos saudáveis para Lisboa. Já! Imediatamente! Mal eu aterre hoje à hora de jantar!

Porque é que subir o Arthur's Seat em Edimburgo é uma experiência de superação

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Vista panorâmica no cume do Arthur's Seat.

 

Embora esta seja uma actividade a que imensos turistas e locais se entregam às centenas por dia, subir o Arthur's Seat foi, para mim, uma experiência especial de superação. O facto de o ter feito sozinha, e tendo em conta a minha fraca adoração por alturas, só torna o meu dia de ontem ainda mais inesquecível. Sinto-me bastante orgulhosa por ter subido o Arthur's Seat, um dos três pontos mais altos da cidade de Edimburgo, na Escócia. Como o nome indica, também está ligado ao mito do rei Artur, por ser apontado como a localização provável do Castelo de Camelot. Assim mais a nível pessoal, é ainda um dos locais simbólicos para os protagonistas do meu romance favorito, One Day (escrito por David Nicholls), o ponto de encontro dos amantes, a celebração do início dum grande amor e amizade (alerta foleirada, não me julguem).

 

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Como podem confirmar pela minha expressão de felicidade ao chegar ao cume do Arthur's Seat, este foi um dos feitos do meu ano, até agora. Desde o primeiro dia na Escócia que andava a ganhar coragem para me pôr a andar lá para cima. Ontem, finalmente esgotei as desculpas e a pressão de o tempo da viagem se estar a esgotar ainda contribuiu mais um extra para investir nesta empreitada.

Antes de me ter decidido a subir o Arthur's Seat, ainda subi ao Calton Hill, outro dos três pontos mais altos de Edimburgo (o terceiro é Castle Hill, onde fica o castelo), e avaliei, a partir de lá, todo o percurso íngreme, irregular e pedregoso a que me iria comprometer.

 

Esta era a vista do Calton Hill para o Arthur's Seat, ali ao fundo:

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A acrescentar a todos os motivos já enumerados que me faziam hesitar, tenho contado com uma aparente tendinite no pé direito, que me tem infernizado a viagem com uma dor que, não sendo lancinante, é incómoda q.b.. Por isso, ao olhar para o horizonte, em direcção aos rochedos que me aprontava para subir, só pensava que completar esta aventura só me traria mais confiança ou, em última análise, ficaria presa nos penhascos e teriam de me ir buscar de helicóptero, o que é sempre um pensamento muito engraçado que se tornaria uma história para a vida.

 

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Enquanto subia o Arthur's Seat, como factor de motivação a adicionar, fui relatando a experiência nas stories do Instagram. Entretanto, pu-las em destaque, para ficarem como recordação, por isso podem lá ir vê-las. O tempo também ajudou: a subida começou com um céu escuro e terminou com sol (se bem que o vento se manteve do início até ao fim do dia). É poético, não é?

 

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O que acabou por me aterrorizar mais foi a descida. Enquanto subimos, raramente temos de olhar para trás. Ao descermos, somos obrigados a controlar o que nos aparece por baixo dos pés. Confesso que sou grande fã da técnica refinada de sku, sem a qual dificilmente teria sobrevivido ao Arthur's Seat. Crianças de dois e três anos corriam pelos pedregulhos abaixo... eu arrastava-me. 

 

Dito isto, subir o Arthur's Seat foi uma experiência de superação. Sinceramente, não estava sequer à espera de conseguir subi-lo até ao cume. Pensava que era quase certo eu ficar-me pelo caminho, dada a tendinite, as vertigens, o vento e temperatura agreste no início da caminhada, o cansaço do dia anterior e uma noite de sono interrompida por trabalho (sim, aqui a workaholic não conseguiu livrar-se do trabalho por mais de cinco dias), estar sozinha por minha conta. Mas consegui. Consegui não só subir tudo até ao fim, quanto também consegui descer - sem um arranhão, apenas com as calças ligeiramente sujas. Todas as dificuldades que se apresentavam inicialmente só me deixam ainda mais satisfeita com o que fiz. Não caibo em mim de orgulho. A sério. Tenho a auto-confiança em níveis máximos, pelo menos no que toca à superação de obstáculos aparentemente intransponíveis.

 

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Se eu consegui isto, consigo mais. Se os outros conseguem, eu também consigo. Se eu consegui, todos conseguem. Porque não? Porque não tentar? E, no final da descida, pode ser que haja um oásis como o que encontrei ontem, ou um paraíso com lagos, flores, relva e cisnes.

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As viagens também servem para arejar as ideias

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 Porta da Edinburgh Central Library, foto minha (não me querendo gabar, está catita)

 

Planeei esta viagem à Escócia, não só por ser um dos meus destinos de sonho, não só por ser uma terra verde que representaria um novo começo depois da Banguecoque caótica e cinzenta, mas também porque era uma viagem que eu precisava de fazer para arejar as ideias depois de quase dois anos incríveis, mas extenuantes e muito confusos.

 

Vir à Escócia e estar nesta cidade maravilhosa e mágica de Edimburgo, ir a sítios que não pensava visitar tão cedo (Loch Ness, por exemplo) tem-me permitido sair do meu ponto de vista habitual e tomar uma nova perspectiva, exterior, sobre o que me vai acontecendo.

 

Viajar permite-nos ganhar um novo olhar, porque deixamos o nosso "eu" de sempre em casa e, ao estar em sítios novos, passamos a vê-lo de fora, de maneira renovada. Ganhamos um olhar mais objectivo que nos ajuda a reflectir melhor sobre o que deixámos em Portugal.

 

Viajar sozinha pode parecer estranho a muita gente, mas a mim não me faz impressão, talvez porque já vivi assim antes durante algum tempo. Antes pelo contrário, aproveito estas oportunidades para estar só e apenas na minha própria onda, sincronia e vontade. Por vezes, gostaria de partilhar o que vivo com mais pessoas, mas haverá hipótese de o fazer no futuro, pelo que não me sinto pressionada a sentir a falta de ninguém neste momento. Há coisas que temos de fazer sozinhos. Ir à Escócia é a minha.

 

Este silêncio, que só se quebra com o ruído dos locais, dos turistas, dos guias e das colegas de quarto, é um descanso. Adoro estar assim, principalmente porque sei que tenho o oposto em Portugal. Só daria valor a um e a outro cenário, tendo os dois. É o caso.

 

Também nunca tinha viajado com esta disponibilidade de orçamento antes. É um alívio estar entregue aos meus planos e à minha carteira, mesmo com as suas limitações do costume. Adoro tomar decisões assim.

 

E viajar é ainda melhor quando se deixam amigos fantásticos em Portugal, uma família que só nos surpreende, um ambiente cheio de energias positivas, gente de bem com a vida... De facto, há sempre linhas por encarrilar, mas existirá tempo para o fazer.

 

Não querendo agoirar, esta viagem (e as suas condições de silêncio, aventura, desconhecido, desejado)  tem-me feito sentir ainda mais optimista e tem-me realmente ajudado a reflectir no que pode ser feito e continuar quando o bem bom das férias de Primavera improvisadas tiver um fim. A ser possível, até guardava um pedaço deste optimismo momentâneo, porque na volta ainda hei-de precisar de me lembrar dele.

 

Se eu tivesse que nomear apenas uma lição que vou tentar levar bem reflectida daqui, nomearia aquela ideia da serendipity, ou serendipidade (anglicismo feio, soa melhor no original). É deixar andar, não ceder às preocupações, fazer por liderar o que nos compete porque quase nada cai do céu, mas na volta aceitar também que há acasos, coincidências e simples acontecimentos sobre os quais não temos grande hipótese senão ceder, acontecem e pronto, até de forma feliz, mesmo que não andemos à procura deles (um bocado a forma como tenho planeado, ou deixado de planear, esta viagem). É desfrutar desses ares involuntários que sopram, dessa descontracção de quem não deve a mais ninguém, desse take it easylet it flow. Acho que já andei demasiado tempo a tentar controlar o incontrolável. 

 

Isto das viagens deixa uma pessoa ligeiramente filosófica, não deixa? Não liguem. 

As 16 piores opções para engate no Tinder

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Depois duma investigação académica muito profunda e cientificamente ética (neste caso, cerca de duas horas acumuladas a fazer swipe left e swipe right) apresento-vos as piores opções para engate no Tinder, num raio de 30 km a partir dos subúrbios de Lisboa. Este estudo baseia-se numa pesquisa de carácter meramente experimental, mas o catálogo já é extenso. No entanto, fica já a nota de que, no Tinder como no mundo, há homens para todos os gostos  (e mulheres, provavelmente, mas deixo essa investigação para um futuro próximo e para quem de respeito).

 

Preparadas, mulheres heterossexuais solteiras e/ou malandras deste país, principalmente da margem Sul de Lisboa? Querem saber as pérolas que vos esperam? Aqui vai a minha colectânea.

 

1. O que está a fumar ganza na foto de perfil
2. O que tem a mãe na foto de perfil
3. O que mostra as maminhas
4. O desfocado
5. O artista com barba de três meses e cabelo salteado em óleo Fula
6. O teu ex-namorado
7. O "🍺🍻"
9. O que tem os amigos todos na foto de perfil, não se percebendo de quem é a conta
10. O que tem a melhor amiga/namorada/ex-namorada na foto de perfil
11. O que tem uma criança na foto de perfil
12. O que mostra o carro
13. O que só tem selfies em close-up
14. O machão-mitra
15. O que avisa logo que só quer nudes
16. O amigo solteiro que tu mesma convenceste a ir para o Tinder e com quem fazes match só pela piada de enviarem piropos e piadas porcas um ao outro 

 

E, como nas cartas do Pokémon ou nos cromos do Lidl, se tiverem itens para troca, deixem registado na caixa de comentários. 

"Bird by Bird": 10 instruções sobre a escrita (e sobre a vida), segundo Anne Lamott

Há poucas semanas, li um livro que me pôs a rir duma forma como nenhum me tinha feito nos últimos tempos. Li e ri, mas também li e pensei que, realmente, a escrita e a vida são para ser vividas mesmo assim: pássaro por pássaro.

 

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Bird by Bird: Some Instructions on Writing and Life, assim se chama o livro miraculoso que me relembrou que, tal como joelhos esfolados em gravilha, também os assuntos do coração não se resolvem no momento em que tentamos tratar a ferida. Às vezes, tem mesmo de apanhar ar. Ou, pacientes, temos de ir recolhendo um e outro pássaro. O que interessa é irmos tentando. Como acontece na escrita...

 

A partir do momento em que comecei a ler este livro, passei a adoptar esta forma de viver os obstáculos que vão surgindo. Os imprevistos. As desilusões. Há que conquistá-los um por um. (Na verdade, essa filosofia bird by bird tem origem num trabalho da escola sobre pássaros que o irmão da autora procrastinou até ao último dia quando era criança, mas divago.)

 

Assim, Anne Lamott, esta senhora fantástica que muitos conhecem duma TED Talk, vai-nos apresentando imensas lições sobre a vida e sobre a vida dos escritores. No entanto, o que partilha connosco poder-se-ia aplicar a qualquer profissão ou pessoa, qualquer contexto.

 

Gostei muito das seguintes 10 instruções sobre a escrita (e sobre a vida) que Anne Lamott nos deixa por escrito. Não se encontram necessariamente pela ordem do livro, nem são apresentadas pela autora desta forma. Estas foram seleccionadas e destacadas por mim, nem que seja por serem as que fazem mais sentido para o meu caso pessoal e de escritora amadora a fazer um esforço por voltar a competir e/ou publicar.

 

1. Um escritor é alguém que tem de recuperar o poder de observação, o deslumbramento e a inocência da infância, para poder captar o que os outros podem não ver ou sentir explicitamente;

 

2. A melhor maneira de começar  escrever é em quantidade, mas não necessariamente em qualidade. A partir daí, do exercício de escrita livre, podem surgir pequenos pedaços de informação ou texto que sirvam para começar um rascunho. É ao escrever e a deitar fora que vamos descobrindo o que queremos escrever (um pouco como na vida, digo eu - se nos fecharmos em casa à menor contrariedade, nada nos irá acontecer; já o contrário...);

 

3. Os primeiros rascunhos vão ser sempre maus, por norma, pelo que nunca se deve ter as expectativas elevadas. Até se entregar uma versão final a quem de respeito, o trabalho de edição pode revelar-se o mais moroso;

 

4. Mesmo que não nos sintamos "inspirados" ou com vontade de escrever, é importante que tiremos tempo suficiente para apenas nos sentarmos com disponibilidade para escrever. Pode acontecer que, nesse entretanto, as personagens comecem a querer falar-nos ou que nos occorra uma ideia que complete o texto/enredo e que lhe dê sentido. É como dançar, diz a escritora, parando a mente racional. Quando dançamos, não olhamos para os pés para confirmar se o estamos a fazer bem, apenas dançamos (e, na vida, é não olhar demasiado também);

 

5. Quando não houver motivação para escrever, podemos tentar escrever um livro para alguém, como um filho, um pai ou um amigo. Podemos escrever para lhes dar como presente. No meu caso, mesmo quando não consigo continuar o livro que estou a tentar escrever, escrevo-vos aqui;

 

6. É importante anotar tudo o que for possível. Tudo pode tornar-se material para escrita, detalhes da vida quotidiana. Fazer listas ou ter sempre post-its à mão pode ser útil para anotar ideias súbitas. É provável que a maioria desses itens seja absurdo e que não venha a ser utilizado, mas alguns podem tornar-se centrais para encontrar o sentido do que tentemos criar;

7. Obter diálogos verosímeis pode revelar-se uma tarefa hercúlea, mas resulta da investigação sobre como as pessoas falam na realidade, através da mera atenção que prestamos a quem nos rodeia, por notas ou gravações.

 

8. Escrever em grupo ou encontrar alguém com quem se possa ir trocando ideias é construtivo. Muitas vezes, a crítica da outra pessoa, seja amigo ou colega na criação, pode ser feroz, mas é melhor do que se viesse dum editor. O mesmo pode ser retribuído, para que haja sempre motivação de se escrever qualquer coisa. Idealmente, devem ser estabelecidas datas para esses encontros em que se trocam textos;

 

9. Mesmo que um escritor não seja publicado, o presente da escrita vale por si, por ter sido algo a que se pôde entregar de coração, que importa por causa do espírito e da dedicação. Além disso, escrever diminui a sensação de isolamento, porque, quando escrevemos, fazêmo-lo sempre tendo em conta algum leitor ou grupo;

 

10. Devemos escrever pelo prazer que é. Claro que o objectivo de um escritor é, por norma, chegar aos seus leitores. No entanto, tal como um farol não vai atrás de barcos para salvar, um escritor também deve escrever os seus livros para que existam, mas sem esperar a fama.

 

***

 

E assim ficou a minha lista de lições sobre a escrita e, já agora, sobre a vida. Na minha opinião, é impossível não gostar da Anne Lamott. Tem sentido de humor, aparentemente teve uma vida cheia de peripécias, escreve como quem conversa, fala aos corações. Depois, digam-me o que acharam da lista de lições e do que poderão ter ouvido sobre a autora e a sua obra!