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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

disciplinas para as quais não nasci

   Pensei que gostava de Matemática até ao sétimo ano. Tinha sempre notas muito boas e resolvia os problemas todos com uma perna às costas, sem sequer estudar muito. Desde então até ao nono ano, fui descobrindo a minha aversão a contas e equações e probabilidades e o raio que as parta. No décimo ano, cheguei a criar alergia à ligeireza de MACS, sofrendo constantemente com cálculos e métodos simples e, aí sim, eu tive a certeza de que os números não eram a minha praia.


   E por que fui eu para Línguas e Humanidades? Não escolhi esta área apenas pelo meu gosto por ela, mas também pelo facto de que as ciências, a partir do oitavo ano, deixaram de me dizer o que quer que seja, culminando tal sentimento de indiferença em terrível frete, um aborrecimento. Apesar de, no básico, Ciências Naturais e Físico-Química terem sido as disciplinas em que obtinha melhores resultados (a par da Matemática, apenas ultrapassadas pelo Inglês), recusei-me a dar ouvidos a quem me tentou dissuadir da minha vocação. Antes preferia não encontrar trabalho com um canudo de algo que me satisfizesse intelectualmente do que acabar a minha vida num hospital, com o peso de outras vidas nas mãos, ou num laboratório, a escrever relatórios infindáveis sobre isto e aquilo. Para muitas pessoas, tal poderia funcionar, mas não para mim!


   Depois, já no secundário, iniciei-o com um professor de Filosofia que conseguia preencher todos os requisitos da incompetência. Sou sincera: não me lembro de patavina da matéria que o homem me tentou ensinar. Nada. Nicles. Niente. Nothing. Escapei-me com um 17 porque ele até devia gostar de mim. Hoje em dia, o meu décimo ano de Filosofia é como um vazio no meu cérebro. Em compensação, no décimo primeiro apanhei o professor mais rígido da escola, aquele de quem todos falavam com um enorme respeito e, talvez, receio. Acabou por ser (e ainda é, porque, este ano, tenho-o a Psicologia) um dos melhores professores que alguma vez tive. Ainda assim, só me deu 15 no final do terceiro período. Eu mereci e descobri que não presto para a Filosofia. Gosto de ler sobre alguns dos assuntos que aborda, mas não de os estudar e dissertar sobre eles por obrigação. Este ano, voltei a inscrever-me, na esperança de subir a nota, e tenho como professora alguém que não nasceu para a Educação. Menos mal - agora, quero é reaver o meu 17.


   Se me perguntarem quais as piores disciplinas de sempre, a minha resposta será, deste modo, qualquer uma das ciências experimentais ou Filosofia. Admiro profundamente quem nasceu com aptidão para elas e tenho pena que nenhuma me agrade. No final do dia, do que eu gosto é das línguas, de escrever livremente e de analisar de maneira subjectiva o que me rodeia.

disciplinas para as quais não nasci

   Pensei que gostava de Matemática até ao sétimo ano. Tinha sempre notas muito boas e resolvia os problemas todos com uma perna às costas, sem sequer estudar muito. Desde então até ao nono ano, fui descobrindo a minha aversão a contas e equações e probabilidades e o raio que as parta. No décimo ano, cheguei a criar alergia à ligeireza de MACS, sofrendo constantemente com cálculos e métodos simples e, aí sim, eu tive a certeza de que os números não eram a minha praia.

   E por que fui eu para Línguas e Humanidades? Não escolhi esta área apenas pelo meu gosto por ela, mas também pelo facto de que as ciências, a partir do oitavo ano, deixaram de me dizer o que quer que seja, culminando tal sentimento de indiferença em terrível frete, um aborrecimento. Apesar de, no básico, Ciências Naturais e Físico-Química terem sido as disciplinas em que obtinha melhores resultados (a par da Matemática, apenas ultrapassadas pelo Inglês), recusei-me a dar ouvidos a quem me tentou dissuadir da minha vocação. Antes preferia não encontrar trabalho com um canudo de algo que me satisfizesse intelectualmente do que acabar a minha vida num hospital, com o peso de outras vidas nas mãos, ou num laboratório, a escrever relatórios infindáveis sobre isto e aquilo. Para muitas pessoas, tal poderia funcionar, mas não para mim!

   Depois, já no secundário, iniciei-o com um professor de Filosofia que conseguia preencher todos os requisitos da incompetência. Sou sincera: não me lembro de patavina da matéria que o homem me tentou ensinar. Nada. Nicles. Niente. Nothing. Escapei-me com um 17 porque ele até devia gostar de mim. Hoje em dia, o meu décimo ano de Filosofia é como um vazio no meu cérebro. Em compensação, no décimo primeiro apanhei o professor mais rígido da escola, aquele de quem todos falavam com um enorme respeito e, talvez, receio. Acabou por ser (e ainda é, porque, este ano, tenho-o a Psicologia) um dos melhores professores que alguma vez tive. Ainda assim, só me deu 15 no final do terceiro período. Eu mereci e descobri que não presto para a Filosofia. Gosto de ler sobre alguns dos assuntos que aborda, mas não de os estudar e dissertar sobre eles por obrigação. Este ano, voltei a inscrever-me, na esperança de subir a nota, e tenho como professora alguém que não nasceu para a Educação. Menos mal - agora, quero é reaver o meu 17.

   Se me perguntarem quais as piores disciplinas de sempre, a minha resposta será, deste modo, qualquer uma das ciências experimentais ou Filosofia. Admiro profundamente quem nasceu com aptidão para elas e tenho pena que nenhuma me agrade. No final do dia, do que eu gosto é das línguas, de escrever livremente e de analisar de maneira subjectiva o que me rodeia.

talento ou vocação, eis a questão!

 


   Todos nós temos uma vocação, ainda que possamos nunca vir a descobri-la. Uns, descobrem-na em tenra idade; outros, procuram-na anos a fio; uns terceiros, nem tentam. Afinal, da vocação depende o rumo da nossa vida. Precisamos de objectivos para viver plenamente. A vocação pode, até, definir-nos.
   - Qual é a tua?
   A minha é a escrita, julgo eu. São as letras, as histórias, versos e mundos construídos através de meras palavras. São os pores-do-sol e as luas cheias desses poemas que leio e, eventualmente, tento escrever.
Já o talento… Há quem diga que o tenho, mas o meu segredo é não acreditar e continuar a lutar, incansavelmente, num ciclo de constante evolução. Porque, para mim, o talento é a vocação profusamente trabalhada. Temos de ser persistentes para o alcançar! Há que falhar, levantar a cabeça e prosseguir, até ao objectivo pretendido!
   Muitos são os que têm a vocação; porém, acredito que apenas alguns possuem o verdadeiro talento, pois poucos são os que têm a coragem de falhar para que, desse modo, possam aprender com os erros anteriormente cometidos. Se Saramago não tivesse traduzido centenas de obras para sobreviver a tempos menos afortunados, antes de começar a escrever as suas, não seria agora um dos ícones da nossa língua, cuja escrita permanecerá eterna no mundo; se Shakespeare não tivesse escrito e rasgado montes de peças, rascunhos, pequenos poemas, "Romeu e Julieta" nunca teria visto a luz do dia; se Emily Brontë tivesse parado de procurar quem lhe editasse e publicasse o seu "Monte dos Vendavais", jamais a obra seria um dos épicos clássicos da literatura, tendo vindo a servir de inspiração para tantos autores contemporâneos. 
   O talento não é, decerto, as palavras reconfortantes da nossa família e dos nossos amigos, garantindo-nos que, um dia, seremos grandes. Não. Agradeço aos meus, do fundo do coração, mas não me vou ficar por aí. A minha vocação ainda me levará mais longe, em conjunto com o meu trabalho árduo. Só este último poderá levar-me à vitória e apenas ele me guiará. Prefiro ser definida pelo esforço que invisto e não por rótulos e ideias pré-concebidas. 
   O talento define-se, não só pelas vitórias, mas também pelas derrotas.


 


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