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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Terceira semana a tentar escrever um livro, e ainda não abandonei o barco

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Estou há quase três semanas a tentar escrever um livro, ou o que se possa tornar um, de volta do mesmo projecto, um recorde pessoal que não quero agoirar de forma alguma, mas que, contra todas as probabilidades e hábitos prévios, tenho conseguido levar a bom porto. São só nove páginas no Word, mas fui eu que as escrevi, de forma cuidada, e não simplesmente a pensar "aqui vai disto". Tem pés e cabeça e estou a tentar tranformá-las, um dia de cada vez, no livro que eu gostaria de ler. 

 

Mas tentar escrever um livro custa, como quase tudo o que é bom de alcançar na vida. Esta semana, em particular, cheguei à parte em que, depois de brevemente apresentada a premissa inicial, tenho de começar a dar dimensão às personagens. Já não podem ser só indivíduo X e indivíduo Y, têm de ser pessoas credíveis. Se as encontrássemos na rua e elas nos contassem a sua vida, poderíamos acreditar no que nos contariam acerca da sua família, dos seus amigos e do seu passado. Poderíamos visitá-las no seu local de trabalho e observar as suas rotinas diárias. Poderíamos convidá-las para jantar e notar que X poria a faca entre os dentes do garfo para cortar o bife antes de o molhar na gema do ovo e que Y seria vegetariana por razões médicas, mas não recusaria o paté de sardinha das entradas.

 

Todos os dias, antes de abrir o documento e retomar a releitura ou a escrita, sofro duma fobia que me aterroriza constantemente: e se hoje for o dia em que eu perco o interesse nesta história? Ando nisto há dezassete dias, passeio o computador para todo o lado (costas sofrem), ou seja, tive que enfrentar pelo menos umas dez ou doze oportunidades de insucesso e dissatisfação (houve dias em que nem consegui ligar o computador, preferi ficar a pensar na história sem lhe acrescentar nada). Conheço tão bem essa sensação, a sensação de que ainda não vai ser dessa vez que levo um projecto a bom porto, que há mil e uma desculpas pelas quais o terei de abandonar, ora porque a escrita revela imaturidade, ora porque as personagens são aborrecidas, ora porque o enredo há-de chegar a uma estrada sem retorno, ora porque já centenas de autores que admiro já criaram coisas tão boas, e o que poderia eu trazer ao mundo que se comparasse minimamente, merecedor da sua própria existência...? É toda uma logística mental que me vejo obrigada a equilibrar, antes de entrar em paranóia e deitar tudo a perder, três (quatro, cinco,. .. cem) semanas de luta e conquista pessoal sem resultado.

 

Ainda por cima, ando a tentar escrever um livro ao mesmo tempo que outro texto, para submeter a um concurso em Agosto, cujo tema e rumo tem de ser totalmente diferente e cuja finalidade é mais palpável (um prémio monetário muito atraente, diga-se de passagem). Dito isto, há que ser perseverante. Lutar contra os bloqueios e as desculpas. Pássaro por pássaro, palavra por palavra, página por página. É fácil desistir quando não estabelecemos metas, mas tenho tentado ver a escrita como o meu novo emprego a part-time. Quando não estou a dar aulas, estou a escrever, ou a pensar no que escrever. A minha meta é levar esta empreitada com tanta seriedade quanto for humanamente possível. A criatividade também deve ser disciplinada e treinada, como outras ferramentas de trabalho. Tive sorte, inspiração e pouca auto-censura há uma década e foi assim que comecei, mas agora vejo-me a braços com a necessidade de fazer mais e melhor, tal como fiz quando o copywriting me pagou a licenciatura - escrita disciplinada, com método e um fim prático à vista. Eu até posso não escrever um livro brilhante aos 23 anos, mas, se o terminar, isso significará que serei capaz de o fazer mais vezes, com mais experiência, prática e - muito importante - fé e confiança.

 

Já agora, obrigada a quem deixou dicas no último texto que partilhei sobre o tema! Todas elas são óptimas e, se tiverem mais, avancem e partilhem-nas! 

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