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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Um tipo de pessoa muito especial

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Há pessoas que passam despercebidas a vida inteira. Há pessoas que precisam de se esforçar para se fazerem ver. Há pessoas que entram numa sala e a iluminam. E há pessoas que, sorrateira, humilde e discretamente, conquistam toda a gente à sua volta em todas as salas do mundo.

 

A Inês é o melhor exemplo deste último tipo de pessoa. A existência deste perfil na Inês é tão icónico que ela nunca foi minimamente gozada no colégio nem na escola. Partindo do princípio de que os dois melhores amigos dela eram "gordos" e passaram a infância a ser achincalhados (eu incluída nesse par), de que a Inês teve dentes de tubarão até aos doze ou treze anos e de que não é uma super-modelo (apesar de ser elegante, gira gira tipo helicóptero, ter estilo e ter uns olhos clarinhos, uns caracóis maravilhosos e pele de bebé), a Inês poderia, no mínimo, ter aguentado umas bocas infantis no colégio.

 

Mas não.

 

Não conheço uma única pessoa que alguma vez tenha dito mal da Inês nas costas. Não conheço uma única pessoa que não goste dela. Em vinte e três anos, isto é um feito. Nem no auge das intrigas do sexto ou sétimo ano a Inês foi vítima do quotidiano "não sei quem gosta de não sei quem". Nunca ouvi rumores, boatos ou comentários maldosos sobre ela. Nunca, nunca, nunca.

 

A Inês emana uma calma que até pode não ser a que ela sente por dentro, mas que deixa os que a rodeiam muito impressionados (deixa-me a mim, pelo menos). A Inês é capaz de entrar calada e sair muda dum sítio qualquer, mas de certeza que, passados dez minutos, já tem no mínimo três pessoas à volta dela. A Inês não precisa de falar para ter o mundo aos pés dela. Perguntem ao resto dos amigos dela... Todos a têm como referência, seja qual for a crise em que estejam. A Inês é aquela amiga que tem sempre solução para todas as neuras dos que lhe pedem ajuda.

 

A Inês tem este poder sobre os outros de os fazer sentir parvos, tontos, mas sem os humilhar. Cada vez que me chateio com ela, até posso espernear, mandar vir, ter dúvidas existenciais... mas fico sempre com a sensação de que a Inês me vai levar a melhor e vai acabar a ter razão (em dezassete anos de amizade, ela só não teve razão uma vez, que aconteceu para aí há um mês, vocês vejam).

 

Ainda por cima, além de todos estes atributos invejáveis, a Inês é intelectual e emocionalmente inteligente e tem um coração do tamanho do mundo. Estão a ver aquelas pessoas "que nunca fariam mal a uma mosca" se o puderem evitar? A Inês é uma delas. Nunca diz asneiras (e repreende quem as diga ao lado dela), não grita no trânsito, diz o que tem a dizer directamente a quem o tem de dizer, a coisa mais violenta que já a ouvi gritar em quase duas décadas é o ocasional "OH BEATRIZ!". A Inês é tão boa pessoa, que passou dois meses a mediar o fim duma relação entre dois dos melhores amigos, que lhe andaram a esfregar o juízo constantemente, cada um a puxar para um lado, até aquilo ter mesmo dado as últimas. Mas ela fê-lo, como faz tudo na vida, com uma graça, paciência e bom senso que a maioria de nós perde ao fim de dois dias numa situação de tensão.

 

Não, nem sempre concordo com o que a Inês diz ou faz. Por vezes, sinto que andamos repetidamente às avessas por causa dos mesmos problemas. No entanto, não conheço ninguém com a cabeça e o coração tão no sítio, com valores morais e éticos tão definidos e tão correcta para com os restantes seres humanos do mundo.

 

Tenho uma sorte enorme por a Inês, calma, discreta e muito (muito, muito, muito, muito) mais calada do que eu, fazer parte da minha vida. 

 

Parabéns, Inês! Este é o teu postal de aniversário, porque os de papel são caríssimos e não dá para os ler a muitas pessoas ao mesmo tempo. Até já, que estou atrasada para o nosso almoço.

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