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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Universidade #5 - Praxe ou não, eis a questão!

E... as aulas do ensino superior estão prestes a começar! Faltam mais ou menos 5 dias para o aclichézado "primeiro dia do resto das vossas vidas" e, com ele, chega a altura de decidir serem praxados. Ou não serem praxados.

Recentemente, o Governo lançou uma campanha de sensibilização para a existência de praxes violentas, com o intuito de que estas sejam denunciadas. O que é certo é que o que é bom para uns é terrível para outros e cada um gosta do que gosta. Reconheço que deve haver por aí muita praxe a atentar contra os direitos dos colegas, pessoalmente acho a maioria (violenta ou não violenta) um bocado ofensiva contra a minha personalidade, mas há muita gente que as adora e o que é que se pode fazer? Por isso, penso que esta campanha de sensibilização terá como principal objectivo pôr-nos a reflectir no que é realmente adequado em contexto de praxe, o que é óptimo. Assim, ninguém tem de ameaçar acabar com as praxes, não correndo também o risco de se ser encarado como apoiante cego.

 

No ano passado, contei-vos que desertei da minha praxe ao fim de três horas. Enfim, aquilo não era meeeeesmo para mim. Detesto que mandem em mim, detesto que me gritem e que me coloquem imposições, ainda que seja "na brincadeira". Para mim, a melhor integração parte do facto de sermos todos iguais, num contexto de equidade e de disponibilidade. Não quis saber se, algumas horas depois, ao final do dia, aqueles colegas iriam despir as suas capas e revelarem-se uns bacanos para mim. Ao iniciar o meu 1º ano na faculdade, o que eu precisava era de colegas que fossem bacanos desde o início até ao fim, que me ajudassem a qualquer momento e que não me dissessem que ou escolhia ser praxada durante duas semanas, sem ir a quase aula nenhuma, ou então não valia a pena fazê-la.

Obviamente, escolhi não ser praxada. Não ando a pagar mais de 1000€ por ano e a trabalhar que nem uma louca para depois andar a baldar-me logo às primeiras aulas. Se a praxe não coincidisse com o período de aulas, ainda era capaz de repensar a minha decisão. No entanto, dadas as circunstâncias, jamais me arrependi neste último ano de não ter alinhado.

 

Ao não ir à praxe, tive tempo de conhecer igualmente alguns colegas que, esses sim, me ajudaram ao longo de todo o ano. A faculdade é conhecida pelas festas e pelos bons bocados que se passam com o "pessoal", mas também é um período em que toda a ajuda é pouca para nos mantermos fiéis aos nossos objectivos. Por isso, só tenho a agradecer tê-los conhecido, aos colegas que me fizeram sentir bem-vinda, mesmo sendo caloiros como eu.

Duas semanas depois do início das aulas, quando a praxe finalmente terminou, os que haviam participado nela caíram de pára-quedas nas aulas. Muitos aguentaram-se bem, outros nem por isso. O meu curso não é o mais difícil, mas exige empenho, assim como todos os outros. 

 

Não achei que tivesse perdido alguma da minha (suposta) experiência académica por não ter sido praxada e, por este ano, não praxar. O traje não me seduz muito, travei amizades na mesma. Há tanto em frequentar o ensino superior sem ser a praxe! Há tanto de inédito, há tanto de agradável.

 

Não pensem que, por não participarem na praxe, não farão amigos e que não travarão bons conhecimentos. Pensem sempre que dizer "sim" ou "não" fica ao vosso critério. Que todas as praxes são diferentes. Que as pessoas são diferentes. Que cada um deve ficar na sua. O vosso melhor amigo pode estar a adorar a praxe dele, e ser fixe, e ser divertidíssimo, mas que isso não significa que a vossa seja tão positiva quanto a dele - às vezes nem sequer por ser perigosa ou humilhante, apenas porque vocês não são do tipo de entrar nessas coisas.

 

A minha opinião não é anti-praxe. A minha opinião é anti-abusos e anti-falta de auto-estima, é pró-decisões tomadas com responsabilidade e reflexão acerca daquilo que realmente nos agrada na vida, acerca das nossas prioridades. Aquilo que defendo é que, em caso de dúvida, experimentar não custa!

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